;
Acesso direto ao conteúdo

Artigos IDPH

 

=Aprendendo a Aprender: Hipnose Aplicada à Educação==

© Walther Hermann

Sinopse

A redação desse artigo foi motivada pela realização de uma palestra para profissionais de uma empresa que buscavam conteúdos que pudessem demove-los de hábitos muito comuns. O texto apresentado, além do conteúdo pretendido, é uma rápida demonstração de como utilizarmos o pensamento divergente para treinar a mente a não concluir o óbvio.

Contexto

Tecnicamente, os processos de condicionamentos de comportamento ocorrem nos seres humanos após algumas repetições de eventos, onde a quantidade de repetições necessárias para o aprendizado é inversamente proporcional à intensidade emocional de cada experiência, isto é, eventos muito marcantes podem ser apreendidos em uma ou duas estimulações, enquanto casos pouco marcantes podem precisar várias repetições. A instalação de uma forma divergente de pensar é, nesse artigo, bastante enfatizada com várias conclusões sendo apresentadas fora da lógica de raciocínio convencional.

Artigo

Gosto muito de começar a desenvolver qualquer seminário a partir da construção de um cenário, uma contextualização para as percepções e experiências que se seguirão. Certa vez, iniciei uma palestra sobre gerenciamento do estresse, elaborada para um grupo de jovens empresários, com um l-o-n-g-o s-i-l-ê-n-c-i-o. Imaginem: estresse geral! Então pude trabalhar in loco: seria uma experiência prática. Um dos participantes abriu um jornal durante aquele silêncio. Secretamente me perguntei: "O que esse senhor está fazendo aqui? Ele sabe administrar o estresse interno...". E o que fazemos com a tensão externa? Essa é aquela que nos mobiliza a tomar decisões e agir! De outra feita, numa palestra sobre identidade e auto-imagem, abri o evento dizendo que eu não era eu! Ou seja, eu não era o palestrante que deveria estar lá. Era, sim, um amigo deste, era um palhaço de profissão (um animador) avisado em cima da hora para ocupar o tempo daquela palestra cujo palestrante estaria ausente. Imaginem! Decepção geral: então pude lhes contar que tinha mentido e que qualquer frustração deve ser muito bem planejada. Caso contrário, não saberíamos exatamente quando senti-la! (Essa frase é de Richard Bandler, co-criador da Programação Neurolingüística.) O que isso tem a ver com identidade? Pense bem. Noutra ocasião, iniciei com a seguinte consideração: "O que vocês sentiriam se eu afirmasse que tudo aquilo que nós aprendemos até agora está errado? Não estou interessado no que pensariam a meu respeito ou sobre a minha afirmação... Quero saber como se sentiriam". Nesse panorama, de fato, lhes afirmei que não faria tal afirmação, muito pelo contrário, minha afirmação é que tudo que aprendemos está certo. Certamente dentro de alguns limites e contextos. Finalmente, ou inicialmente, então, o assunto tratado neste artigo depende essencialmente de uma forma de sentir e pensar na qual seja possível que paradoxos coexistam. A pressão psíquica gerada por essa convivência, nem sempre pacífica, de contradições em nossa consciência é suficiente para estimular a nossa criatividade mais profunda. Assim, o tema discutido pode ser vivenciado de forma mais real e integral. A hipnose utilizada como ferramenta de aprendizagem e educação é, na minha experiência, um dos mais potentes instrumentos para gerar "insights" e conhecimento, já instalado no nível visceral. Finalmente chegamos ao início. Um contraponto ou abordagem comparada entre o modelo de Estados Alterados de Consciência em Educação e o modelo das Inteligências Múltiplas, de Howard Gardner. Estou certo de que qualquer palestrante que se arrisque por esses caminhos terá assunto para dias de apresentações e debates. Na prática, como tempo e espaço são limitados, prefiro trazer à pauta algo que se relacione com o tema, mas que, ao mesmo tempo, seja diretamente aplicável em nosso cotidiano. Até aqui você já percebeu que os cenários iniciais talvez nem sempre digam respeito às discussões. Porém, eles servem para nos provocar sentimentos e impressões úteis para o aprendizado profundo. O modelo de Gardner é basicamente uma teoria sobre aprendizagem. Ele segmenta o ser humano a partir das seguintes competências de aprendizagem ou inteligências a serem desenvolvidas: Lingüística, Musical, Lógico- matemática, Espacial, Corporal-cinestésica, inter-pessoal e intra-pessoal. Nesta nossa "brincadeira", trabalharemos com três ou quatro delas (brincadeira, sim! Você conhece padrões de concentração mais genuínos do que o estado de atenção e percepção de uma criança brincando?). Pois bem, já introduzido esse ambiente, é fácil perceber como fazemos uso de diferentes estados de concentração, percepção, atenção, motivação etc. Um dia, dando uma entrevista, tive oportunidade de, antecipadamente, conversar com a jornalista para orientar-lhe sobre as melhores idéias a serem exploradas (considerando a controvérsia desse campo de estudos). Nessa ocasião, ela explicou que tinha um problema pessoal com a preguiça (ou, se preferir, procrastinação). Desviei o assunto intencionalmente, sem que ela percebesse, e perguntei-lhe: "O que você gosta de fazer?". Ela respondeu que gostava de dançar, desenhar, viajar etc. Então perguntei-lhe se tinha preguiça de fazer essas coisas: "Não, não, não!", respondeu ela. "Eureka": "insight"! Hipnose na Aprendizagem é a ciência de despertar consciência em diferentes níveis de percepção e identidade. Efetivamente, temos ouvido dos cientistas que só nos utilizamos de 10% de nossas capacidades mentais. Alguns talvez afirmem que nos utilizamos dos 100%, porém de uma forma muito pouco útil. Mas... pensamos quase 24 horas por dia. Onde sobra tempo para nos utilizarmos melhor dos outros 90%? Fique feliz, então. Dentro do modelo sofrológico (o antigo e desgraçado – sem graça – nome da ciência da Hipnose), todas essas dimensões de nossa existência têm atividade permanente, porém, para a maior parte das pessoas, fora da consciência normal de vigília. O grande desafio é aprendermos a nos sintonizar com essas percepções. Se você observar um eletroencefalograma, perceberá que existe, em cada momento, uma onda dominante. Também coexistem outras de menor intensidade (quase abafadas). Retornemos. Numa oportunidade, perguntei, durante uma palestra: "Quanto vocês utilizam, na prática, do conhecimento aprendido na faculdade?". Gosto muito de números, minha formação acadêmica inicial foi em ciências exatas. Portanto, gosto de fazer leilões de números em meus cursos – simples estimativas. Para esta última pergunta, o maior número que obtive foi 25%. Não me lembro com certeza. Então perguntei: "De cada palestra ou seminário de atualização ou capacitação profissional a que todos nós assistimos, quanto vocês, e-fe-ti-va-men-te colocam em prática?". Nos leilões, o lance máximo foi de 20%. Bom, então... algo talvez esteja meio esquisito. Com esse índice de aproveitamento, eu não teria coragem de repreender meus filhos por tirar notas baixas na escola! Que contradição! E debaixo do meu nariz! Conforme contei, paradoxos, crises e contradições são os conteúdos das Ciências dos Estados Alterados de Consciência em Aprendizagem. Também são de qualquer processo de transformação. Dizem alguns papas da administração que a única forma de sobreviver no caos é antecipar, planejadamente, a crise! Os orientais, aliás, possuem uma grande habilidade de administrar essas percepções – todos já ouvimos que, etimologicamente, o ideograma chinês que representa o conceito de crise é o mesmo para o conceito de oportunidade. Mais do que isso, paradoxais são a lógica e a estrutura do pensamento deles. Você sabe qual é a maior indústria cinematográfica do planeta? Pasme: a indiana. Quase um bilhão de habitantes. Responsáveis também pela, talvez, maior indústria de "softwares" do planeta. Sabe qual é a língua mais falada no planeta? O chinês, em seus vários dialetos: um bilhão e meio de habitantes! Talvez o maior mercado consumidor ainda pouco explorado do planeta. Você sabe quanto tempo leva para completar uma ligação telefônica com um desses dois países? Talvez 15 segundos, talvez 30 ou 60 segundos! Sabe qual é o principal tema para administrar a chamada globalização? Para essa eu não tenho nenhuma resposta pronta. Mas, para administrar a tensão decorrente de toda essa conversa, talvez: aprender, apreender, criar e colocar em prática o mais rápido possível!

Conclusão

Embora esse não seja um texto descritivo do assunto em questão, ele tem a finalidade de mostrar como podem ser organizadas as informações com a finalidade de gerar o resultado proposto pelo título. Enquanto um artigo pouco compromissado com os protocolos de comunicação racional, ele também pode induzir o leitor a uma série de conclusões aparentemente caóticas ou desconexas em relação ao conteúdo apresentado na medida em que estimula um outro tipo de processamento de informações.

comentários

 

[ Retornar ao Índice ]