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A única coisa absoluta é que tudo é relativo...: A Empresa Espiritualizada II

© Walther Hermann

Sinopse

Mudar de paradigmas não é apenas pensar diferente ou sobre conteúdos diferentes, é também se comportar diferente! Esse artigo propõe uma reformulação na estratégia de compreensão da realidade, levando-se em conta dimensões não racionais de significado e sentimento.

Contexto

Quando os antigos modelos de ação e comportamento não mais garantem os antigos resultados de sucesso, uma das possibilidades a ser adotada é a experimentação. A atitude empírica, entretanto, demanda a grande coragem de aceitar os erros provenientes do desconhecimento. A história da ciência e do conhecimento está repleta de casos dessa tipo antecedendo grandes descobertas e criações: essa qualidade de sucessos compensa em muito o risco de sermos imprecisos ou equivocados em nossas proposições antes da coroação.

Artigo

Recentemente, participei de uma palestra de abertura de um curso de gestão empresarial em que o palestrante, a certa altura, questionou a novidade dos assuntos que expusera até então. Em seguida, afirmou que, de fato, tudo o que tinha dito não possuía nada de novo, exceto talvez o estilo próprio de apresentação das idéias e conceitos.

Tenho convivido muito com esses temas e realmente os conteúdos são, em geral, semelhantes. Isso me assusta. Quais são os resultados efetivos de tantos e tantos seminários, cursos e palestras? Mais do que isso. Além dos conteúdos, geralmente, variarem pouco, também as formas de apresentação estão usualmente apoiadas sobre os mesmos paradigmas didáticos: "Falar sobre...".

Nessa, e em tantas outras palestras, ouvi, repetidamente, conjugações verbais muito conhecidas de nossa cultura: "... tem de ser assim...", "... tem de fazer assim...", "... deve estar daquele jeito..." etc. Essas conjugações imperativas acabam por impactar nosso universo subjetivo (não-consciência) de modo extremamente agressivo. Perceba: pense em algumas coisas que você tem de fazer... Como você se sente? Agora, pense nas coisas que você quer fazer... E então, como se sente agora? Semelhantes percepções?

O fato é que, para tratar de novos paradigmas, não podemos analisá-los ou avaliá-los com os óculos antigos. Presenciei um seminário do Sr. Tom Peters (um dos papas da administração atual), realizado recentemente, e lembro-me de que entendi, em determinado momento, que ele era da opinião que qualquer gerente ou diretor de informática que possuísse mais de doze anos de idade biológica estaria desperdiçando o dinheiro da empresa! É claro, era uma anedota... Porém, será que existe alguma verdade nessa piada? Além disso, enfatizo a premissa de que essa mensagem não foi a que o palestrante realmente transmitiu (de fato, não sei), mas sim aquela que me lembro de ter entendido. Experimentamos uma grande quantidade de mal-entendidos, muitas vezes por termos muita certeza a respeito do ponto de vista sobre percepções. Realmente não sei se esse comentário ele proferiu, de fato, ou se eu, interagindo com sua comunicação, concluí.

Algo que, em geral, as pessoas chamam de desconcentração (devaneio), utilizo deliberadamente em minhas estratégias de aprendizagem em algumas ocasiões. Estudo esses assuntos já há muito tempo, e muitas das mais poderosas formas de aprender rompem frontalmente com a atual cultura de educação e aprendizagem.

Faça uma experiência com esse próprio texto. Após terminar de lê-lo como você faz habitualmente, ou mesmo neste ponto da leitura, fique numa posição confortável e, por alguns momentos, não pense nem conclua intencionalmente a respeito desses assuntos.

Sinta seu corpo: sente-se bem ou não? Que impressões você recebe de si mesmo? Agradáveis? Apenas observe, apenas perceba, sem juízo de valor, as idéias que invadem sua mente. Anote-as por alguns instantes, não racionalize (apenas para que este exercício possa, talvez, evidenciar algo novo para você).

Depois de alguns minutos, de ter percebido algumas sensações e de ter relacionado algumas idéias, você pode iniciar uma prática já bastante conhecida de racionalização e entendimento. Porém, se tiverem ocorrido idéias ou pensamentos sem sentido, aqueles que, muitas vezes, você nem relacionou e tentou espantá-los por acreditar terem assaltado sua linha inicial de raciocínio sem autorização, dê uma pequena atenção a eles agora. Tente relacioná-los, agora, com suas percepções mais profundas desta leitura, como este ensaio está impactando seu sistema mais interior, ou mesmo o que significa ou o porquê de estar interagindo, lendo e percebendo algo a respeito deste texto.

Faça agora uma outra brincadeira: respire fundo algumas vezes, muito confortavelmente. Após a terceira ou quarta inspiração agradável e profunda, permita que o ar escape naturalmente ao relaxar os músculos do peito até um esvaziamento natural dos pulmões (sem que seja necessário esforçar-se para expirar). Existe um lapso de tempo no qual não acontece respiração, quase um descanso. Perceba agora: onde nasce a próxima respiração? Em que parte do corpo você sente os primeiros movimentos naturais e espontâneos que sinalizam uma próxima inspiração? Perceba que existe um impulso natural e espontâneo de respirar. É mágico!

Muitas vezes inicio minhas palestras ou cursos com uma exclamação de Albert Einstein (não tenho certeza se foi exatamente assim que ele disse): "A única coisa que não quero perder na vida é a capacidade de me surpreender, maravilhar-me!". Onde nasce a sua próxima respiração? O ato de respirar eu considero divino... Existe dentro de cada um de nós essa força que move a vida! E respira, natural e espontaneamente! Algo que não permite, até, que fiquemos dormindo indefinidamente, e que, vez por outra, nos impele a tomar uma ou outras inspirações mais profundas e talvez suspirar!

Da mesma forma, existe algo dentro de nós que se expressa o tempo todo. Algo mágico! Talvez essa força ou energia de expressão, que muitas vezes carrega a potência de alguns tratores (já ouviu falar que a fé move montanhas?), seja aquela que muitas vezes altera o tom de voz de uma conversa polêmica ou apaixonante. Mais que isso, enquanto acreditamos em uma atitude receptiva de leitura, visão ou audição, talvez esse mesmo impulso de expressão interior nos ofusque ou cegue com suas impressões, percepções ou intuições.

Independentemente desses fatos ou conclusões serem verdadeiros ou não para todas as pessoas, certamente estes comentários despertam idéias e percepções novas ou diferentes. Principalmente, talvez, diferentes até daquelas cuja intenção inicial era que fossem comunicadas! A isso eu chamo leitura ativa e criativa e, imagine, existe na Europa um instituto de estudos a respeito do impacto que a literatura (de qualquer espécie, acredito) causa no leitor. Sim, não críticos literários para avaliar e julgar o que é bom que as pessoas leiam ou não! Mas pesquisas a respeito de como os leitores interagem com as leituras antes de pré-julgamentos de especialistas.

Não se preocupe se este texto estiver muito confuso. Talvez ele não tenha sido escrito para ser entendido. Talvez somente para ser sentido. Ao terminá-lo, descanse e perceba as idéias e sentimentos que se instalam em sua consciência e vivencie uma outra forma de aprender e de entender.

Por estranho que possa parecer, em algum momento, essas idéias parecem se afastar do contexto proposto de entender (ou seria apreender e aprender) os novos paradigmas a respeito da gestão de humanidades dentro das empresas. Muitas vezes, recebo essa questão por parte de participantes de cursos e palestras com uma grande preocupação profissional. De fato, isso tudo pouco se parece com o discurso profissional atual. Mas como podemos adentrar um novo universo de percepções e paradigmas se não estivermos dispostos a perceber outras dimensões de compreensão, apreensão, entendimento e bem estar. Se você teve estes pensamentos: "Puxa, ele começa a descrever um assunto, depois muda para outro, sem mal avisar! Que confusão!", de fato, este talvez seja um dos novos paradigmas – um outro tipo de compreensão e entendimento, "uma lógica outra", algo a respeito de tornarmo-nos indivíduos (indivisíveis), humanos, perceptivos e sensíveis.

Conclusão

Não há muito o que concluir desse artigo, exceto abrir-se para perceber outras formas de obter conhecimento das situações. Para verdadeiramente aceitarmos as mudanças que estão por vir, precisaremos de todos os recursos possíveis para flexibilizar nossos comportamentos e atitudes, caso contrário, ao nos depararmos com soluções genuinamente transformadoras e adequadas, talvez não sejamos capazes de reconhece- las! Assim, quando outros o fizerem, restará apenas o discurso do "Ah, eu já sabia disso..."

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