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A importância da confusão

© Walther Hermann

Recentemente recebi duas perguntas de um de nossos leitores cujas respostas imagino poderem ser de interesse de outros, não só pela importância das perguntas, como também para convocar nossos leitores a contribuir com informações:

  1. "Em relação às batatas, onde, quando e por quem foi feito o estudo? Já o tinha lido, mas achei que fosse irreal" (questão relacionada com a divulgação dos resultados da pesquisa que deu origem à Teoria do Centésimo Macaco mencionada no artigo "MEMÓRIA" da newsletter "Nova Educação" da primeira quinzena de maio/2002)

  2. "Experimentar novas formas de agir e pensar não levaria a uma "desagregação" do pensamento, uma espécie de confusão mental com conseqüente perda cognitiva?" (questão relacionada com a sugestão de valorizarmos a importância de desenvolvermos flexibilidade e criarmos estados de dúvida intencionalmente apresentada na edição citada anteriormente e também na edição da segunda quinzena de junho "PENSAMENTO SISTÊMICO")

A sua primeira pergunta é muito boa, entretanto não tenho a fonte precisamente. - convoco aqui nossa comunidade a colaborar enviando-nos a fonte de tais revelações. Já ouvi qual era a fonte de tal informação, mas não anotei. Por outro lado, mesmo que fosse um boato, é ainda um fenômeno observável nos seres humanos, você não concorda? Se ainda levarmos em conta que, nesse novo modelo sistêmico de compreensão da ciência, o próprio resultado do experimento poderia ter sido condicionado, pelo menos em parte, pela intenção dos observadores (cientistas que desejavam provar tal teoria), então mesmo o resultado respeitado da pesquisa poderia não ser absolutamente isento!

Quanto à segunda pergunta, você está certo no que diz respeito à confusão. Isto é, a confusão é um poderoso estado de desestruturação de condicionamentos antigos e funciona como a terra revolvida (arar a terra para arejar e tornar mais fértil) no plantio (é da confusão que nasce o novo) - pense nos dramas e depressões ('grandes confusões') dos grandes artistas, que antecedem grandes produções, obras e criações!!!!!!!!! A confusão é utilizada deliberadamente em processos terapêuticos quando, tanto paciente quanto terapeuta, intencionam alguma mudança de hábitos ou comportamentos indesejados.

Quanto à perda cognitiva ou desagregação do pensamento, elas são tão valiosas quanto as capacidades de elaboração ou de estruturação. Caso você discorde, considere cada uma das revoluções científicas e você concluirá que os predecessores de cada nova grande descoberta devem colapsar o seu conhecimento antigo para dar lugar ao novo!!!!!!

Se ainda lembrar da mitologia hindu, ou do papel destinado ao diabo em nossa mitologia cristã (mesmo sabendo que o diabo é tão filho de Deus quanto cada um de nós), talvez conclua que, para se construir o novo é muitas vezes necessário destruir o antigo na medida que um deve substituir o outro e eles não sejam passíveis de convivência pacífica, assim sendo, confusão é tal valiosa quanto compreensão, reservados os contextos adequados para cada um!!!!!!!!!!

Caso queira aprender um pouco mais sobre isso, leia o livro "Terapia não Convencional" de Jay Haley (Summus Editorial) para compreender melhor tais idéias no contexto terapêutico. Se preferir ciência, leia algo sobre Einstein, Mecânica Quântica, ou os livros "Sabedoria Incomum" de Fritjof Capra (Cultrix), "O Universo Holográfico" de Michael Talbot (Best Seller), entre outros.

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