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=Crises, Oportunidades e a "Bola de Cristal" I: Novos Tempos, Novos Sentidos==

© Walther Hermann

Sinopse

Uma rápida e simples análise da conjuntura desse final de milênio comparada com outros momentos de ruptura na evolução dos seres vivos. Isso tem por objetivo estimular uma reflexão a respeito de um possível futuro para a existência humana.

Contexto

As estruturas parecem se repetir embora os protagonistas possam ser, em cada momento seguinte, seres mais desenvolvidos e complexos: átomos, moléculas, células, órgãos, animais, seres humanos, famílias, empresas, nações, comunidades planetárias, etc. De alguma forma, mesmo que tenhamos a percepção um pouco distorcida, parece que tal proposição possa ser uma possível verdade: "Assim como em cima é embaixo".

Artigo

Neste final de milênio, muitos de nós têm parado para repensar o sentido da existência. Nessas ocasiões, muitas novas idéias surgem como síntese de toda uma experiência de sucessos e fracassos no mundo dos negócios. Estaremos fazendo uma reflexão especulativa sobre o futuro das empresas. Num cenário inicial, quero comentar uma brilhante colocação de um cliente: "No final de semana, minha empresa não vale absolutamente nada, exceto o valor dos equipamentos e matérias primas". Essa observação partiu de um diretor superintendente para a América Latina de uma multinacional de vocação industrial. Uma empresa na qual se considera como o papel mais importante de um executivo o de gestor do potencial humano. Uma outra ponderação está no que chamo de empresa espiritualizada – não há relação com religião alguma, e sim com o fato de congregar muitos seres humanos que têm desejos, sonhos e, necessidades próprias do espírito humano. Pense na quantidade de horas que as pessoas se mantêm nas dependências das empresas, no desenvolvimento profissional e pessoal proporcionado, no amadurecimento emocional conquistado, no círculo de amizades e, comumente, até relacionamentos afetivos, e assim você talvez conclua que esse é o grande templo de nossa época. Se ainda levar em conta que o sentido de viver de muitos de nós está intimamente relacionado à criação, construção ou trabalho (como quiser denominar), então, no caminho da evolução, as empresas passarão por uma humanização ainda mais ampla e profunda. Isso será necessário enquanto estiver assumindo o seu real papel para a nossa civilização. O mesmo crescimento populacional que promoveu o espalhamento da raça humana através da superfície do planeta é aquele que atualmente aproxima ainda mais os povos. Se, no passado, as linguagens divergiram, agora a necessidade de comunicação e interação dos povos faz com que o sonho de um idioma universal se torne lentamente realidade. Nesse breve cenário, se olhássemos uma "bola de cristal" com o anseio de antever o futuro, no intento mais ou menos consciente de controlar ou atenuar os sintomas desta grande revolução pacífica ou crise chamadas globalização (lembre que, para os chineses, crise é um conceito que inclui o de oportunidade; de fato, nunca houve tantas oportunidades e riquezas tão grandes no mundo), descobriríamos que já víramos história semelhante antes: nossas perspectivas talvez não sejam muito diferentes dos pontos de ruptura que aconteceram no passado remoto durante a evolução dos organismos unicelulares, e depois, multicelulares, em direção à criação de seres tão complexos e sofisticados quanto os mamíferos. Curiosamente, essa complexificação dos organismos vivos mais simples permitiu que padrões mais elaborados de consciência e autoconsciência pudessem se expressar. Filosoficamente, compreender o mundo dos negócios é compreender o funcionamento da natureza humana, sua comunicação, suas criações e seu esforço de sobrevivência. Se as comparações feitas até aqui forem admitidas como plausíveis para nossa razão, então, especulando sobre o futuro, devemos manter em mente algumas evidências interessantes. Um dos campos do conhecimento humano mais atrasado é a educação – há décadas pouco se transforma na forma de educar, exceto com o advento da televisão e, mais recentemente, da informática. Quando as tecnologias educacionais tiverem conquistado o avanço tecnológico de nossas ciências de ponta, como Engenharia Genética, Engenharia Eletrônica, Nanorrobótica etc., muito provavelmente uma criança com apenas onze ou doze anos de idade irá conquistar o conhecimento correspondente ao grau de doutoramento em uma universidade atual. É isso o que prometem as novas metodologias disponíveis ainda para poucos no mercado. Se levarmos em conta a aplicação das tecnologias de realidade virtual, então até o seu amadurecimento emocional acompanhará o conhecimento. Observe como nossas crianças são mais espertas e como o mundo da informática já é um reinado pertencente aos jovens. Outra evidência foi-me apresentada por um grande amigo, ex-diretor de uma grande multinacional. Ele é um italiano com aproximadamente sessenta anos de idade. Propôs que a transformação pela qual estamos passando hoje nunca antes foi sonhada: "Quando eu era criança, meus heróis eram soldadinhos de chumbo! As novas gerações tiveram como heróis seres com habilidades super-humanas!". Seres que voam, vêem através da matéria, movem objetos com a força do pensamento, são telepatas etc. No mínimo na imaginação dessas gerações, já existe uma nova humanidade. Caso você considere isso tudo fantasias, lembre que voar, pisar a Lua ou falar à distância através de um telefone sem fio, um dia, no passado, também foram! Toda a criação humana foi, algum dia, apenas sonhos na mente de alguns "alucinados" (que tinham "luz").

Conclusão

Ao cogitarmos essas hipóteses, estamos possivelmente criando uma compreensão mais simples e natural sobre os papéis a serem desempenhados pela Humanidade nessa próxima etapa da Evolução, menos centrada na nossa raça e mais respeitosa para com o destino da Providência. Se a reflexão proposta nesse artigo não possuir sequer a possibilidade de ser realidade, então creio que seja impossível aproveitarmos o conhecimento da História, ou mesmo das ciências para condicionar e planejar o futuro, e não teríamos chances de contribuir para o processo da Evolução.

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