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Hipnose aplicada à educação I

© Walther Hermann

Sinopse

Uma breve apresentação da hipnose aplicada à educação para expandir nossa compreensão sobre o processo de aprendizagem baseado na utilização de diferentes dimensões de percepção e entendimento. A ciência da hipnose foi tão denegrida pelas práticas de palco que acabou por ser considerada como algo a ser evitado, no entanto, a compreensão de suas verdadeiras possibilidades e familiaridade com o dia-a-dia pode nos permitir resgatas uma das mais importantes ferramentas da comunicação e educação humanas.

Contexto

Sendo uma abordagem que foi utilizada na preparação de vários dos artigos aqui publicados, a linguagem hipnótica é muitas vezes pouco objetiva! Isso não significa descaso para com a compreensão do leitor, pelo contrário, isso é uma forma de atrair o leitor para participar da construção das conclusões e escolhas das idéias com as quais vai ou não concordar! Por isso, principalmente quase a totalidade dos artigos não tinha os itens de sinopse, contexto e conclusões: pois isso faz parte dessa metodologia que proporciona uma reordenação interior de nossas idéias e opiniões.

Artigo

A utilização da Hipnose na Educação é um dos mais novos (na verdade, antigos) recursos para gerar aprendizagens em processos educacionais ou de mudanças de comportamento. Seja como metodologia para se instalar conteúdos (no caso de aprendizagem de línguas, matemática etc.) ou como instrumento para instalar novos recursos de comportamento e percepção. Em essência, a hipnose em si mesma é uma ciência de processos.

Tecnicamente, consiste em uma determinada forma de estruturar a linguagem, de modo a promover "insights" (introvisões e sínteses criativas) nos participantes das atividades. Se fôssemos ensinar a desenvolver essa técnica, então existiria o conteúdo técnico e os procedimentos. Na aplicação, entretanto, o participante apenas presenciará algumas experiências, vivências e alguns exercícios de introspecção.

Nesse estilo de atividade não existem induções formais como na hipnose terapêutica, muito menos algo que se relacione com as apresentações de palco e de televisão. De fato, existem convites ocasionais feitos ao aluno a abandonar o esforço do controle consciente e permitir-se entrar em estados naturais e espontâneos de fantasia e devaneio. Os eventuais processos regressivos não são deliberadamente induzidos, porém ocorrem naturalmente na busca de referências passadas (em memória) que sejam associáveis à experiência presente.

Os benefícios mais comuns experimentados pelas pessoas que se adaptam a essa metodologia podem ser o desenvolvimento da criatividade e da percepção; geração e gerenciamento do estresse; integração de estilos de processamento cerebral (integração ou alternância maior no uso dos hemisférios cerebrais); rupturas de crenças limitantes; instrumentalização para tomada de decisões; amadurecimento emocional; ativação ou instalação de estratégias e recursos de comportamento (aprendizagem, flexibilidade, motivação, memorização e recordação etc.); e muitos outros, de acordo com a necessidade e sabedoria da mente inconsciente de cada um. Assim, "por que ser quem somos, se podemos ser ainda melhores?" (R. Bandler) é uma frase que pode definir de forma apropriada as possíveis transformações da própria identidade das pessoas.

Muitas outras tecnologias relacionadas à prática da Hipnose na Educação têm sido apresentadas ao público, tais como: Programação Neurolingüística, Sugestopedia,

Fotoleitura. De modo geral, também são ciências de processos e, talvez, a melhor e mais moderna conceituação seja afirmar que são práticas de estados alterados de consciência.

Isso porque a palavra "hipnose" tem sido muito mal compreendida e mal utilizada, gerando, assim, muita controvérsia.

Na prática, utilizamo-nos de cenários ou enredos nos quais as metáforas (isomorfismos de significados ou estruturas) são construídas e apresentadas como ambientes para o apoio da mente consciente tão ávida de entendimento.

Simultaneamente, oferecemos outras alternativas à mente inconsciente para que ela possa percorrer outros caminhos de percepção e compreensão (em seu sentido amplo: entendimento e captura de significados ou ativação de estratégias). Ocasionalmente, ocorrem seqüestros espontâneos da mente consciente, que passa a experienciar alguns fenômenos hipnóticos comuns: regressão, distorção ou projeção temporal, ampliação ou redução do campo de percepção sensorial, agitação, sonolência ou torpor, que se aproximam e se afastam muito rapidamente, confusão ou grandes comoções emocionais e, principalmente, uma grande quantidade de "insights" aparentemente desordenados.

Os resultados do uso dessas tecnologias em educação consistem em estimular e ativar processos de tomada de decisão, de expansão da percepção e da capacidade de associação de idéias e percepções. Não obstante, a melhor metáfora para diferenciar do processo terapêutico formal é imaginar as diferentes atitudes do terapeuta e do educador caso se dispusessem a obter um copo de água limpa a partir de um com água suja: o terapeuta, possivelmente, elaboraria um complexo sistema de filtragem para retirar as impurezas daquela água (problemas), enquanto o educador, possivelmente, procuraria uma fonte com água limpa e, misturando com a antiga, após transbordar, atingiria os níveis de pureza adequados. É comum ouvirmos a informação de que o ser humano moderno, em geral, se utiliza de apenas uma pequena parcela de suas capacidades mentais. Também temos a informação corrente que muitos de nós estamos buscando uma ruptura nos métodos formais e convencionais de ensino e aprendizado, haja vista a quantidade de informações que se multiplica permanentemente, e de que o aproveitamento médio de uma palestra ou seminário possui índices extremamente baixos (o maior que já ouvi foi 30%).

Conclusão

Esse novo modelo que vem à luz poderá incluir uma série de práticas que têm dado certo ao longo da história da educação mas até então, não tinham explicações coerentes para justificar porque alguns educadores e instrutores, embora possuam discurso coerente, tenham resultados efetivos de aprendizagem, memorização e compreensão tão diferentes.

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