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Modelagem e a prática esportiva

© Walther Hermann

Sinopse

Um rápido panorama das possibilidades de utilização da Programação

Neurolingüística no aprendizado e melhora de desempenho esportivo.

Contexto

Seja pelo alto grau de estimulação ou pela necessidade, os seres humanos estão aprendendo cada vez mais rapidamente. Entretanto, muitos de nós conquistam tais conhecimentos pelo esforço, empenho, obstinação ou dedicação. Não obstante, todos nós também conhecemos alguém que fez aquilo que desejávamos fazer, de uma forma mais rápida, com menos esforço e muito mais naturalmente... Se conseguirmos decodificar a estratégia de aprendizado dessa pessoa, poderemos adquirir a mesma velocidade e competência de aprendizado mais econômico, para isso serve a modelagem.

Artigo

Quando conheci John Grinder, escutei uma história que me impressionou bastante.

Ele contou que, a cada seis meses, tinha o hábito de aprender um novo esporte. O mais incrível é que em apenas seis meses ele desenvolve habilidade correspondente a três ou quatro anos de prática de uma pessoa "normal". Como ele faz isso? Como é possível abreviar o caminho? Tomar um atalho?

John Grinder é um cientista e consultor internacional americano formado em lingüística e co-autor, juntamente com o Dr. Richard Bandler, do mais revolucionário e moderno modelo de comunicação interpessoal atual: a Programação Neurolingüística.

Criada na década de 70 no campo das ciências terapêuticas, é uma ciência da excelência pessoal, o manual de instruções do mais poderoso computador conhecido: o cérebro humano. Imagine quantas vezes cada ser humano poderia multiplicar suas habilidades se tivesse recebido junto com o "computador" o seu manual de instruções?

Quando John Grinder veio ao Brasil, falou muito em aprender a aprender. Naquela época, essa atitude já me despertava curiosidade, porém não sabia como desenvolver essa capacidade.

Procurei saber como. Descobri que uma de suas estratégias de aprendizagem possuía uma estrutura muito bem definida: o primeiro passo era encontrar dois ou três atletas de alto nível do novo esporte escolhido e identificar como o esportista pensava, como decidia, como percebia, que critérios tinha, enfim, como jogava (mesmo que na imaginação).

Atualmente, existem muitos estudos em Psicologia do Esporte (seja comportamental ou existencial) que comprovam que qualquer gesto, mesmo que simplesmente imaginado, gera estimulação motora completa. No caso de ele ser imaginado, a intensidade do fluxo nervoso é bem menor, porém precisa. Assim, cada atleta, ao imaginar-se em atuação, comporta-se fisiologicamente como se estivesse na realidade de sua prática esportiva (porém, numa intensidade menor).

Então, se aprendesse como pensavam, como agiam, poderia praticar as estratégias cerebrais: imaginar o que viam, ouviam e sentiam (na ordem em que faziam), sem mesmo ter começado a atividade física propriamente dita. Era isso o que

Grinder praticava durante um ou dois meses. E então?

Todo esse processo de estudo de um ser humano para desvendar a estrutura de suas habilidades e excelência é realizado em "rapport". "Rapport" é a ciência da diplomacia ou empatia (simpatia) na comunicação interpessoal. Quando estamos em sintonia com uma pessoa, acompanhamos, naturalmente, suas palavras, suas idéias, seus pensamentos, ritmos e movimentos. Quando não existe essa sintonia, muitas vezes duas pessoas que dizem as mesmas coisas não conseguem chegar a um acordo. Pesquisas realizadas atestam que apenas 7% da comunicação é verbal: as palavras que são ditas! Todo o resto são entonações, ritmos e expressões não- verbais, como gestos e movimentos.

Como já tinha boa coordenação motora (e qualquer pessoa que consiga escrever já possui uma boa coordenação motora fina), um corpo já trabalhado pela prática esportiva, muitas estratégias de concentração e percepção, uma grande congruência (sinergia interior – quando o pensamento e o coração estão em harmonia) etc., quanto tempo pode-se imaginar que ele usava para aprender uma nova atividade?

A modelagem (aprender a aprender) é um dos principais campos do desenvolvimento da Programação Neurolingüística. Modelagem é o processo pelo qual todos nós passamos para aprender a fazer as coisas em geral: imitando e copiando gestos. Porém, a modelagem como ciência não se restringe a gestos: esse processo considera também as crenças, valores, idéias de que o indivíduo a ser modelado se utiliza para pensar, decidir, escolher, reagir etc. Em toda a dimensão das experiências humanas, ela existe tanto nos níveis conscientes (quando escolhemos o que vamos aprender) quanto nos níveis inconscientes (quando não escolhemos), e até mesmo através do(s) inconsciente(s) coletivo(s).

Num segundo momento, uma abordagem um pouco mais personalizada poderia ser usada para orientar forças não conscientes (sinergia interna) dos interessados (ecologicamente – com muito respeito e sensibilidade à estrutura interior da pessoa e coerentemente com seus valores e suas crenças) em aprendizagem ou aumento de produtividade no esporte (ou qualquer disciplina do conhecimento humano). Esse processo começa com a definição de metas de longo, médio e curto prazos. Após a apresentação dos objetivos, poderiam ser usadas técnicas mais simples, que atuam em diversos níveis.

Em todo esse processo, pude observar, na minha experiência pessoal como consultor em Produtividade no Esporte, dois assuntos extremamente significativos: ecologia e boicotes inconscientes (motins interiores: motivação abalada, dúvidas etc.). Sobre ecologia, nada a dizer, tudo já tem sido dito com muito cuidado e respeito por muitos profissionais há bastante tempo. Sobre boicotes inconscientes há algo a comentar. Em muitas ocasiões isso pode se configurar como sintomas ou como lesões e traumatismos periódicos ou regulares: o atleta que vive se machucando! Em um nível não consciente, esses fatos podem ter uma função positiva, podem estar protegendo o atleta de determinadas experiências que não sejam interessantes para seu próprio coração.

Entre várias outras observações a respeito de mudanças de crenças, atitude, percepções, percebi algo a respeito dos sinais do próprio corpo que, na maior parte das vezes, é entendido como sintoma (dores, inflamações, alergias etc.). A partir de uma ressignificação (ressignificar é quando você chega a uma festa e sobrou muito pouca coisa; talvez você possa dar um novo significado para isso: ainda bem que sobrou um pouco!) desses sintomas é possível, mesmo no nível do esporte profissional, desenvolver uma forma de atividade esportiva muito mais saudável e ecológica para o esportista ou o atleta. E, afinal de contas, o esporte não é saúde?

OBS.: NEGRITO, POR QUÊ? Essa é uma maneira de estruturar as informações utilizando a comunicação em níveis diferentes. É uma das formas que os instrutores de

Programação Neurolingüística (PNL) têm para passar as informações utilizando os próprios recursos da PNL (ensino recursivo). O texto, como um todo, passa as informações objetivas, e os negritos (ou as entonações diferentes de voz), neste caso feitos no imperativo, passam mensagens indiretas.

Conclusão

Se observarmos ao nosso redor as pessoas que aprendem novas habilidades com facilidade, certamente encontraremos alguns padrões comuns entre elas, esses padrões de comportamento, sejam conscientes (como perguntam, o que observam, o que pensam, etc) ou inconscientes (como agem, como imitam, como pensam, etc), são as chamadas estratégias de aprendizagem. Assim, a modelagem esportiva é uma compilação dessas formas de aprender daquelas pessoas que aprendem com mais rapidez e facilidade, de modo que tal "caminho das pedras", ou "receita de bolo", possa ser ensinada à outras pessoas.

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