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Momentos de transição I

© Walther Hermann

Sinopse

Rápida reflexão sobre o estado ideal de disponibilidade e flexibilidade frente as situações desconhecidas da vida, isto é, quando os fatos não se desenrolam de acordo com as previsões convencionais.

Contexto

Um pequeno texto de apresentação de um ciclo de palestras cujo objetivo é a preparação do indivíduo para gerenciar as transformações impostas pela vida!

Artigo

Essencialmente, nossa cultura e educação não são efetivas em nos mostrar os caminhos e atitudes adequados a serem vividos cada vez que passamos por uma transformação. Seja uma separação conjugal ou afetiva, uma doença, desemprego, morte, algum fracasso em geral, esses fatos da vida de uma pessoa tornam-se extremamente estressantes e, muitas vezes, deprimentes.

Nessas ocasiões, caso não tenha sido feita uma educação preventiva, um prévio auto-desenvolvimento ou autoconhecimento, as pessoas, em geral, sentem-se desamparadas e acabam, muitas vezes, isolando-se ou procurando um livro ou seminário de auto-ajuda. Poucas vezes eficazes, essas fórmulas prontas – o pensamento positivo – terminam por falhar por não relevarem os significados pessoais daqueles fatos que conduziram às crises, por não concluir o resgate, por não desenvolver a sensibilidade ou mesmo apresentar um novo sentido para a existência.

Momentos de Transição tem por finalidade "fertilizar o solo" para reestruturar uma identidade que incorpore, então, as mudanças necessárias. Para essa qualidade de transformação, que é fundamentada na percepção, na sensibilidade e no discernimento do indivíduo (deixando de ser uma questão de se acreditar ou não, de ser certo ou errado), ele se tornará apto e autônomo para sentir e identificar "os próprios caminhos", as próprias soluções.

Evidentemente, sendo parte da jornada humana, muitas pessoas já atravessaram essas etapas da vida. Não obstante, vale ponderar, principalmente, as soluções criativas que reverteram as crises a favor de si mesmas na forma de oportunidades. Como exemplos, podemos citar dois profissionais americanos em dois momentos bastante diversos: um deles, após fracassar em vários empreendimentos profissionais e comerciais, chegou à conclusão de que sua mais importante qualidade era a perseverança, era saber se auto-motivar para se levantar novamente e iniciar um novo negócio. Atingiu, finalmente, o sucesso tão almejado ao criar palestras e seminários motivacionais para empresários "quebrados" ou desempregados – ficou rico. No segundo caso, reportado na revista Exame n.º 18 (27 de agosto de 1.997), Richard S. Wurman diz acreditar que o maior aliado do seu sucesso pessoal e profissional é a sua ignorância e "dificuldade" de entender guias e manuais: graças a isso, após estudo detalhado, é capaz de reorganizar as informações de publicações, tornando-as facilmente inteligíveis para outras pessoas. Tamanha liberdade conceitual e de preconceitos permitiu-lhe se auto- definir como "Arquiteto da Informação".

Essas respostas inovadoras às solicitações da vida são decorrentes de duas atitudes básicas: inicialmente, manter disponibilidade mental e emocional e não permitir que preconceitos, pré-concepções e formas convencionais limitem nossa expressão; finalmente, saber que a maior parte das soluções para nossos problemas ainda não foi criada, portanto, cabe a nós empreender tal jornada. Simplificadamente: desaprender (criar espaço mental) e aprender (perceber, discernir, planejar e agir). Se lembrarmos que fomos adestrados a dar "a resposta certa", então podemos antecipar o valor do processo de desaprender – já que aquelas do passado talvez não sejam as do presente nem do futuro.

Esses são os principais cenários que reservam um lugar importante para este ciclo de palestras: a função de criar "espaço vazio", estimular a percepção e a sensibilidade para que cada pessoa possa se reestruturar, equacionar e solucionar seus problemas criativamente nas suas fases de transformação.

Obs.: Inicialmente, este artigo não era um artigo! Foi o texto de apresentação de um novo ciclo de atividades desenvolvido para apresentação em empresas. Entretanto, para dar sentido ao artigo seguinte, acreditei ser interessante sua apresentação (apenas para contextualizar melhor o sentido de tal iniciativa). Por questões de apresentação, retirei o primeiro parágrafo do início e apresento-o aqui no final: "É um conjunto de palestras e cursos rápidos de natureza prática e existencial que tem o objetivo de apoiar processos de mudanças e transformações pessoais.

Intencionando a busca permanente por uma melhor qualidade de vida, seja quando tudo corre bem ou nos momentos de crise, este programa tem como tema central as necessárias reconstruções de identidade pelas quais passamos ao longo da vida, e graças às quais nos readaptamos baixando o nível de tensão inicial (que nos impulsionou à mudança)."

Conclusão

Quando as soluções aprendidas ou conselhos de pais, amigos e irmãos não são satisfatórios ou convincentes para equacionarmos nossas vidas, somos pressionados a gerar soluções criativas. Entretanto, pode-se perceber com facilidade que muitas pessoas que passam por situações semelhantes, geram as mesmas soluções... Então, quando é que uma solução para um drama de vida é verdadeiramente criativa? Ou quando é apenas condicionamento?

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