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Artigos IDPH

 

A programação neurolingüística e a vida no III milênio

© Walther Hermann

Sinopse

Sendo o primeiro artigo que escrevi, em 1995, recém chegado de uma viagem ao encontro de Richard Bandler, esse texto é um testemunho de várias experiências, um tanto desordenadas na seqüência, vividas em busca do conhecimento da Programação Neurolingüística e da Hipnose.

Contexto

Do início ao meio da década de 1990, nosso país estava repleto de estrangeiros que vinham para divulgar e ensinar as mais variadas metodologias de desenvolvimento pessoal, pois naquela época ainda eram poucos os brasileiros que dominavam tais tecnologias. Nessa época foram realizados congressos, seminários, encontros, fundada uma associação, etc, que posteriormente deram origem à comunidade brasileira de praticantes de PNL, Hipnose, Aprendizagem Acelerada, e outras metodologias de vanguarda.

Artigo

Tendo lido uma matéria sobre hipnose na Revista Planeta, senti falta de alguma citação dos trabalhos do Dr. Milton H. Erickson, M.D. (falecido em 1.980) ou de algum de seus discípulos mais conhecidos no Brasil, tais como: Dr. Ernest Rossi, Ph.D.; Dr. Jeffrey K. Zeig, Ph.D.; Dr. Steven Lankton, A.C.S.W. com os quais tive oportunidade de estudar pessoalmente. Estes e outros profissionais de altíssimo gabarito vêm ao Brasil regularmente ministrar seminários e cursos. Tenho estudado Programação Neurolingüística a fundo durante os últimos quatro anos e ficado muito surpreso e feliz com os meus resultados. Observei que, na verdade, essa é a maior mensagem dos grandes instrutores de PNL (para os íntimos). Gostaria de compartilhar algumas descobertas por esse caminho que me proporcionou desenvolver uma nova atitude e forma de perceber as coisas da vida (crenças e valores). Como alguns outros consultores na área, minha entrada na PNL foi de mansinho e com olhar bastante crítico. Por necessidades pessoais iniciei buscando significados e a filosofia da prática que, em geral não é apresentada nos cursos introdutórios. Além disso, me interessava saber como a PNL veio a existir, de onde veio, como foi desenvolvida? Os pais da PNL são o Dr. Richard Bandler e o Dr. John Grinder. Ambos são cientistas do comportamento humano, instrutores e consultores internacionais. Bandler tem formação acadêmica em matemática, segundo dizem; Grinder, em lingüística. Outra grande personalidade que esteve presente no nascimento da PNL é Robert Dilts – ele tem uma universidade de PNL na Califórnia e é autor da Teoria de Campo Unificado da PNL (PNL Sistêmica). É muito mais fácil, na minha opinião, perceber algo a respeito dos significados e filosofia da prática da PNL tendo contato pessoal com os grandes bruxos dessa ciência da transformação pessoal ou buscando referências nos avós desta. São eles: Fritz Perls (pai da Gestalt Terapia), Gregory Bateson (antropólogo, pai da Terapia Sistêmica), Virgínia Satir (mãe da Terapia Estratégica) e Milton Erickson (pai da Hipnose Médica Científica Moderna). Meu caminho pessoal, até agora, tem sido buscar e estudar o trabalho do Dr. Erickson através de literatura (Summus Editorial/SP e Editorial PSY/Campinas) e participação em cursos e seminários. Além do fascínio pessoal, o carisma dos grandes mestres é especialmente evidenciado pela atitude pura e respeitável de suas intervenções. Suas percepções a respeito da individualidade das pessoas, sua atenção e delicadeza no relacionamento com elas são intrigantes e dignas de elogios. Todos eles me fazem lembrar constantemente a atitude Zen. Aquela curiosidade natural e essencial, o senso de humor leve e sem agressividade, a própria naturalidade da existência. Tive oportunidade, ao longo de 13 anos de prática de Tai Chi Chuan e I Chuan, de ler bastante e conviver com dois mestres de altíssimo nível. Acrescentado meu interesse pelo estudo comparado de religiões, cultura e filosofia, isso me conduz a opinar que nada existe, na cultura ocidental, mais próximo do Zen do que a atitude proposta pelos autores da PNL. Entretanto, não seria justo ignorar as novas descobertas e buscas no campo das ciências: Física Quântica, Teoria do Caos, Teoria da Relatividade etc., cujos autores propunham atitude semelhante frente à vida. Nossa ciência, a cada dia, parece reconhecer a natureza paradoxal da realidade (se é que ela existe da forma que concebemos materialmente). Vivemos já no terceiro milênio!!! O que podemos fazer, cada um de nós, para criar e construir um mundo onde tenhamos prazer de viver, onde queiramos estar, participar e compartilhar? Essa é a proposta de um apelo mundial, iniciada por Robert Dilts, para que nos mobilizemos em buscar boas coisas e melhores sentimentos. Aqui, como em alguns campos do conhecimento ou algumas descobertas científicas, existe uma grande proposta de reformulação de paradigma: O PRESENTE É CONSEQÜÊNCIA DO FUTURO, ao contrário das antigas crenças de que o passado gera o presente. Sob esse novo enfoque, percebe-se que o princípio de causa e efeito não foi bem explicado por muitos anos. Com ele, coexistem os conceitos de sincronicidade e de realidade paradoxal. Se eu pudesse definir o que é PNL, talvez dissesse que é simplesmente uma atitude: a CURIOSIDADE INFANTIL, o RESPEITO de um ANCIÃO e o DESENVOLVIMENTO DA SENSIBILIDADE em um grau que seja útil e permita ajudar outras pessoas a fazerem suas próprias transformações. Há quem diga que PNL é magia hi tech. Parece evidente ser mais um dos caminhos do aprimoramento humano. Não necessariamente o melhor, porém uma boa opção para aqueles que receberam inicialmente uma educação muito cartesiana. Livros sobre o assunto, existem vários. Há duas editoras especialmente empenhadas em trazer para a língua portuguesa os melhores trabalhos: Summus Editorial (mais de 15 títulos sobre PNL) e Editorial PSY (bibliografia sobre Hipnose Ericksoniana). Como já comentei, 80% das pressuposições das duas ciências são as mesmas. Há vários autores brasileiros que escreveram sobre o assunto. Os que mais admiro são o Dr. Tom Chung ("Qualidade Começa em Mim") e o Dr. Nelson Spritzer ("Pensamento e Mudança"), como livros básicos. Foi lançado recentemente um livro básico muito bom, traduzido do inglês, de Joseph O'Connor e John Seymour: "Introdução à Programação NeuroLinguística". Na minha atuação como instrutor de PNL, tenho por hábito contar algumas histórias para explicar alguns assuntos. Diz a história da humanidade que essa era uma forma eficaz (metáforas) de transmitir conhecimentos antes da Dialética Histórica. Essa é uma estratégia muito eficaz para gerar aprendizagens: algo muito diferente de ensinar. Tenho usado esse recurso há muito tempo na minha atividade profissional e tenho obtido resultados muito bons, com melhora de desempenho e produtividade na prática esportiva, em aulas e consultoria (Psicologia Esportiva). Além de todos os outros benefícios do esporte, uma qualidade muito significativa é a oportunidade de se construir o aprendizado de recursos e estratégias mentais e emocionais dentro desse "cenário" do ambiente esportivo. Na minha experiência pessoal, busquei a PNL, inicialmente, para melhorar minhas performances pessoal e profissional como educador. Sou muito grato à Providência pela oportunidade de ter tido contato com os grandes mestres da PNL. Lembrando novamente de nossa presença no século vinte e um, acredito que a PNL seja um dos sistemas que nos ajudarão a transpor nossa civilização para uma nova era, com novos valores, novas crenças, nova educação, nova vida. Quando falamos em mudanças tão profundas que chegam à sociedade, não podemos deixar de lembrar a atividade humana básica do trabalho. Melhor ainda, a EMPRESA. Os profissionais que atuam em empresas desenvolveram uma abordagem especial para obter melhores resultados em vendas, comunicação profissional e pessoal, endomarketing, cibernética empresarial etc. Uma das melhores palestras realizadas no Primeiro Congresso de PNL, no ano passado, foi de um consultor chamado Rodolfo Lepri, sobre conceitos e metáforas de transformação, aqueles "vírus" positivos que transformam as pessoas e as empresas num plano subliminar. Nos trabalhos efetivos de aumento de produtividade e mudanças de crenças e consultoria existem muitas instituições. O Instituto de Programação Neurolingüística (PNA), onde recebi parte da minha formação, é muito ativo em São Paulo, capital e interior, e no resto do país. Desde o início ficou muito evidente para mim que as estratégias de ensino que os mestres usavam eram bastante diferentes da didática convencional. Posteriormente, descobri que isso se chamava ENSINO RECURSIVO: ensinar PNL usando PNL (já que ela é uma poderosa ferramenta de comunicação e ensino). Naquele momento, comecei a pensar a respeito de algo que, há muito tempo, vivia na minha mente: APRENDENDO A APRENDER (modelagem). Essa é uma diferença que faz muita diferença. Assim se reconhecem grandes instrutores, quer conheçam PNL ou não. São aqueles cuja coerência (sua vida é um exemplo daquilo que propõe) e congruência (mobilizado por suas próprias forças inconscientes) concorrem para que sua linguagem e comunicação atinjam tanto a mente consciente quanto, principalmente, a mente inconsciente dos aprendizes. Alguns desses sequer se preocupam em ser claros racionalmente, considerando que aproximadamente 95% da existência humana ocorre em nível não- consciente. Pessoalmente, tive oportunidade de experimentar muitos dos conceitos da mudança pessoal mesmo antes de conhecer a PNL. Dois deles são especiais: o que é consciente e inconsciente e o que é arquétipo? O primeiro é muito evidente, caso tenhamos nos submetido a qualquer experiência de estados alterados de consciência. O que são arquétipos, porém, me tomaram aproximadamente 14 anos para alcançar minhas percepções atuais. Inicialmente, em 1982, ouvi a respeito no primeiro ano do curso de filosofia na PUC/SP era muito hermético. Por muito tempo permaneceu apenas como um conceito abstrato. Posteriormente, em 1991, me submeti a um processo terapêutico chamado PSICOTRANSE, criado pelo Dr. Eliezer Cerqueira Mendes. Gosto de definir essa terapia como uma PARAPSICOTERAPIA. Somente então pude perceber a "realidade" e a "objetividade" do que era arquétipo. O Dr. Eliezer decodificou a cultura religiosa brasileira de uma forma brilhantemente científica, na minha opinião. Nessa terapia, os processos se sucediam, eu percebia, mas não escolhia a fenomenologia do transe. Finalmente, dentro de um seminário organizado por uma grande organizadora de eventos de PNL e difusora da teoria e prática, chamado "INSTRUMENTOS PARA O ESPÍRITO", conduzido por Robert Dilts e Robert MacDonald, dei o passo final para a experiência interior profunda da estrutura arquetípica. Tenho observado muitas pessoas falarem ou conduzirem seminários sobre PNL (em 1994 houve o Primeiro Congresso Brasileiro de PNL/Hotel Maksoud), e por algum tempo me perguntei: "O que diferencia os grandes mestres da PNL e os outros?". Aprendi que podem existir várias respostas para uma única pergunta. Também aprendi que muitas vezes é mais sábio mudar a pergunta em vez de obter uma resposta (metamodelagem). Finalmente, acho maravilhosas as perguntas para as quais ainda não existem respostas. Temporariamente, talvez, tenha obtido uma resposta para aquela pergunta: "Penso que a PNL possui muito pouca coisa nova em relação ao conhecimento humano: ela é uma verdadeira colcha de retalhos. Porém, como já comentei, ela pode ser encarada como atitudes básicas de curiosidade (acuidade sensorial), respeito ("ecologia"), aprendizagem (modelagem) e comunicação (intra-pessoal e inter-pessoal). Os grandes mestres da PNL decodificaram e apresentaram à nossa civilização, de forma bastante didática, qual é a linguagem (língua) de comunicação entre as mentes consciente e inconsciente. Essa língua (sistemas representacionais e representações internas: modelo de mundo, metáforas de vida, crenças, valores etc.) nos foi dada como presente para que nossas mentes conscientes pudessem saber, conhecer, reconhecer e re-conhecer as suas naturezas interiores (mente inconsciente). Os grandes mestres atuam de dentro para fora (muitas vezes em transe) – são as suas naturezas interiores se manifestando e trazendo a grande mensagem de bem estar e de que melhores dias não dependem do clima nem das circunstâncias, necessariamente. A grande maioria das pessoas, tendo aprendido essa "língua", tenta usá-la para submeter, controlar e conduzir o próprio inconsciente (coração) por trilhas que seus conscientes julgam úteis ou interessantes. Parece até que a carroça está sendo colocada à frente dos cavalos! Esses comentários são resultados de percepções e conclusões pessoais capturadas em ambientes restritos no tempo e no espaço (percepções filtradas pelo meu limitado aparelho sensorial – filtros biológicos, linguagem – português e inglês, e pela minha cultura e educação limitadas – filtros sócio- culturais e pessoais). Graças a todas essas mudanças de paradigmas, crenças, valores etc., tenho observado que fica cada vez mais fácil aprender mais rapidamente! PNL, Aprendizagem Acelerada, Mapeamento Cerebral, Treinamento Autógeno, Feldenkrais etc. Somente aprendendo a aprender! Comentando especialmente as mudanças de paradigmas sobre aprendizagem rápida, não posso deixar de citar uma das mais poderosas ferramentas que utilizo atualmente: PHOTOREADING (Fotoleitura). Grosseiramente falando, é aprender a ler com a mente inconsciente, "imperdível". Finalmente, um estudo que iniciei para melhorar o desempenho profissional passou a ser mais uma de minhas atividades profissionais. É importante testemunhar que com muita alegria, divertimento e aprendizagens. O conhecimento encontrei na PNL. A filosofia e a epistemologia? Nos trabalhos sobre hipnose de Milton Erickson. E a atitude? Encontrei por aí, na PNL, no Zen, nas pessoas, na vida, no meio do mundo! Fico muito grato.

Conclusão

Embora um tanto superficial (por mencionar muitas coisas diferentes), esse artigo é um primeiro depoimento, um pouco deslumbrado, de um estudante de algumas ciências do comportamento que se tornaram acessíveis ao público leigo graças à existência de metodologias como a PNL, que didatizaram o conhecimento antes restrito à classe científica. Relevando-se essa empolgação de buscar divulgar e comunicar a descoberta de um tesouro para que todos pudessem compartilhar de descobertas surpreendentes, coloquei o texto aqui apenas como material histórico.

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