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Como as Ondas no Mar

© Cláudio Calmon

De acordo com os seus períodos, a história nos apresenta momentos de maiores ou menores transições, ou mudanças. Mudanças sempre ocorreram, em menor ou maior escala, com maior ou menor velocidade.

Neste exato momento, estamos vivenciando um período de nossa história em que as mudanças estão acontecendo justamente em maiores escalas bem como numa velocidade igualmente mais elevada. Explicações para tais fatos mudam de acordo com o "olhar" do observador.

Se for de um político por exemplo, este é o momento em que o Brasil está mudando da situação para a oposição, momento em que cumprirá com a sua missão de tirá-lo do "marasmo" que já dura mais de quinhentos anos. "Sim companheiros, vamos construir um destino melhor para todos".

Se for de um empreendedor, a economia está passando por um período de intensa instabilidade, devido a diversos fatores como a política, as relações do país com os bancos credores, confiança dos investidores externos, o "mercado"

  • que mais parece um "sujeito indeterminado", um "fantasma" que age por vontade própria, ao qual estamos à mercê do seu "humor". Tem também os acionistas e os especuladores que se comportam de acordo com o "mercado". É também o momento de se descobrir a viabilidade de lançar novos produtos, desbravar novos mercados, o desafio de manter ou elevar a lucratividade, etc.

    Se o olhar for o de um exotérico ou religioso, este dirá que estamos atravessando uma fase que nos oferece a oportunidade de um intenso crescimento espiritual devido às mudanças de "eras"; reações da natureza ou castigo de DEUS às nossas ações passadas, bem como várias outras possibilidades, dependendo da área de pesquisa ou interesse do profissional. É uma oportunidade que temos para criar um mundo mais justo e fraterno. Devemos portanto, voltarmo-nos mais "para dentro", de interiorizarmo-nos, de nos doarmos mais, etc.

    No olhar do trabalhador, estamos enfrentando uma fase de grande insegurança no trabalho, necessidade de maior produtividade e de aperfeiçoamento constante. Este também utiliza-se do olhar empreendedor e do discurso do religioso ao pensar nos concursos públicos como a única "salvação viável" para garantir estabilidade e uma aposentadoria tranqüila, para depois poder aproveitar um pouquinho da vida.

    Sob o olhar do cientista, este é um momento de grandes desafios para a sua capacidade criativa, um momento para criar soluções jamais imaginadas para os problemas que vem surgindo a cada dia e com mais velocidade. Utilizam-se também de outros "olhares arquetípicos" para perceberem tudo isto como 'uma verdadeira oportunidade e momento de muito trabalho para atender à demanda'. Os artistas se encaixam também nesta categoria, no momento em que estão criando as suas obras, passando então a utilizar os papéis de outros arquétipos, de acordo com a ocasião e necessidade.

    Para o líder, este é o grande momento; o momento de salvar a sua empresa da falência e depois lançar um livro explicando as suas proezas ou até mesmo, salvar o seu país da miséria, e, em alguns casos extremos, salvar humanidade da ameaça de todo o mal, utilizando a sua filosofia de que a melhor defesa é o ataque. Quando salvar o mundo, tornar-se-á o herói e salvador da humanidade, fazendo jus às produções holywoodianas, onde sempre tem um 'bom americano' que salva o mundo das garras do mal ou dos fenômenos catastróficos da natureza.

    Sob o olhar do professor, este é um momento em que as transições exigem a renovação, reciclagem de conhecimentos, para que os seus alunos mantenham-se atualizados e capacitados para enfrentarem as mudanças pelas quais o mundo está passando. É um momento em que suas atenções se voltam para o cientista, para que possa trazer aos seus alunos conhecimentos sempre atualizados, antes que outros o façam, o que também 'viabiliza a sua permanência no mercado'. Como podemos perceber, os arquétipos estão sempre transitando, utilizando-se de outros "olhares arquetípicos", com maior ou menor freqüência ou intensidade.

    Sob a perspectiva de um surfista, lá vem a "seqüência ou sessão" de ondas! É melhor eu me mexer e me posicionar bem para conseguir pegar a "rainha ou maior" da "session"! O bom surfista desenvolve um aguçado senso de percepção para começar a se posicionar bem; antes que a onda possa ser percebida com mais clareza por todos. É por isto que ele sempre pega as melhores, assim como o 'artilheiro nato' aparece derepente para fazer o gol.

    E quem é o surfista nessa história ? Bem, ele pode ser um político, um empreendedor, cientista ou qualquer outro daqueles arquétipos na vida profissional. Até mesmo um trabalhador, caso seja um surfista profissional e esteja competindo, fabricando uma prancha ou participando de alguma campanha comercial naquele dado momento. A diferença é que o surfista quando está na água pegando onda, precisa estar sempre atento e antecipar-se às ondas no mar. Do contrário ele será pego por elas em lugar de pegá-las, o que, por experiência própria é bem mais agradável!

    De certa forma, ele pode servir de orientação para os outros arquétipos, que em geral, respondem às mudanças quando elas se apresentam; uns mais rapidamente, outros mais lentamente.

    Outro SER a ser considerado, é o SER CONSCIENTE, o qual utiliza-se do olhar de cada arquétipo de forma equilibrada, de acordo com o momento, adequando-se às necessidades que se apresentam na vida, além de, como o surfista, desenvolver a capacidade de antecipar-se às novas situações que porventura venham a surgir. Ele também utiliza muito bem as "três dimensões interdependentes, fechadas em um ciclo autocriador, essencialmente presentes em qualquer sistema vivo: Sensibilização (O querer, o senso de dever e orientação ...) ; Educação (A busca do conhecimento, aprendizado, da reflexão, ponderação, do planejamento ...) ; e Realização (Do fazer, operar, concretizar, acontecer, atuar, acionar ...)."

    Mas sobre esse SER, ainda raro, que desenvolveu-se a partir da percepção e do conhecimento de mundo, de suas funções e tarefas, do conhecimento sobre pessoas e sobre si mesmo, ainda estou pesquisando, para oferecer novas possibilidades e conhecimentos, para que possamos empreender a nossa jornada de forma viável, cumprindo assim com a nossa missão de tornar o mundo mais justo, podermos trabalhar com mais tranqüilidade e oferecermos mais segurança às nossas famílias. Efim, criarmos um mundo com lideranças menos egocêntricas e mais CONSCIENTES.

    13/03/03
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