Esta dimensão do Programa OLeLaS – FEEA, como explicado anteriormente, tem a finalidade de expor as razões e a estrutura de funcionamento aparente de todo o processo de aprendizagem e efetivação da habilidade de falar em outros idiomas. Naturalmente, algumas outras questões podem ser suscitadas pela reflexão detalhada sobre esses assuntos relacionados com a compreensão dos processos de aprendizagem e as contradições que motivaram a construção desse programa.

Na medida do possível, acredito que a maior parte das soluções serão encontradas através de modelos teóricos que estejam fundamentados na observação do processo natural, até que, um dia, algum novo modelo científico possa nos oferecer um atalho não intuído a partir da observação, porém mais efetivo em resultados.

Até esse dia, quando e se ele chegar, proponho uma meditação sobre as idéias apresentadas nesta parte do programa, com o objetivo de construir uma atitude essencial para compreender mais visceralmente as evidências. Algumas informações desta parte já foram, ou serão, novamente apresentadas com maior ou menor detalhe. Faz parte da linguagem circular.

Nesta parte, considero útil, também, apresentar algumas experiências que serviram de referência para a arquitetura desta metodologia. De um modo geral, são fatos que vivenciei, completamente esparsos e desconexos no tempo, e que, ao tomar consciência, eram somente curiosas percepções. Num belo dia, ao sintetizar os objetivos para este curso, percebi que aquelas memórias eram os tijolos básicos para a concepção deste projeto. Chamo-as de experiências de referência.

Durante meus seminários, tenho o hábito de apresentar, inicialmente, os objetivos e a arquitetura básica do programa. Diferente da estrutura do livro, que pode ser lido de qualquer maneira, um treinamento tem início, meio e fim. Reservo sempre para o início a abordagem cognitiva para persuadir e motivar as pessoas a aceitar as experiências e convites ao trabalho. Após o contato inicial, costumo me apresentar profissionalmente (os detalhes mais pessoais estão no fim do livro). Não obstante, falando sobre as origens essenciais das minhas buscas e pesquisas, necessariamente, acabo me remetendo às fontes nas quais saciei parte da minha sede. A experiência relatada a seguir, considero, talvez, a mais fundamental para compreender este programa.

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Uma Atitude Importante

Nos anos de 1.984 e 1.985, enquanto freqüentava o Instituto de Física, tive a oportunidade de conhecer um grande mestre, um dos poucos que restam na universidade. Ouvira falar de sua habilidade e competência – por isso me matriculei em uma matéria optativa. Ele só lecionava uma matéria por semestre no curso de graduação – o foco de seu trabalho estava na pós-graduação. No início, não sabia exatamente o que seria abordado naquela disciplina (cujo nome era bastante complexo: “Sínteses e Aplicações de Processadores Digitais”). Interessava-me conhecê-lo. Pela estrutura curricular, ao nos matricularmos em uma cadeira eletiva, automaticamente ela se torna obrigatória em nosso histórico escolar.

Graças a isso, tive que cursá-la outra vez, pois fora reprovado por faltas na primeira ocasião. Isso me proporcionou a oportunidade de assistir pela segunda vez à aula de apresentação do curso de um semestre. Acredito que, somente então, tenha identificado a profunda importância daquele início de relacionamento.

Depois de apresentar o programa do semestre, critérios de avaliação e dinâmica do curso, num dado momento parava, olhava para cada um de nós e dizia, compassadamente: “Nós, da comunidade científica, que acreditamos que o homem pisou a Lua...”

Mais uma vez, durante um longo silêncio, percorria seu olhar fixo por nós, alunos, e, ao ter observado cada um, quebrava o silêncio: “Sim, pessoal... Eu digo isso, ‘nós, da comunidade científica, que acreditamos que o homem pisou a Lua...’, porque, até hoje, eu não consegui convencer minha tia de que o homem realmente realizou essa conquista”.

Sua frustração era evidente. Entretanto, sua serenidade, muito presente. Era um doutor em ciências da informação, um físico extremamente gabaritado, membro da comunidade científica internacional, tinha acesso às mais diversas publicações científicas e materiais didáticos... Toda essa variedade de fontes não fora suficiente para convencer sua própria tia. Certa vez, levara um filme para mostrar-lhe. Ela assistira ao filme com atenção e, quando questionada sobre sua opinião, respondeu: “Ah, esses meninos de Hollywood... O que eles não são capazes de fazer para nos convencer de um mundo de fantasias!”

Fotos, filmes, reportagens... Nada era suficiente para sua conquista. Essa tensão e conflito provavelmente o conduzira a uma grande e fundamental síntese criativa: finalmente chegara à conclusão de que ele escolhera acreditar nesse fato. Ele mesmo não estivera na Lua, nem sequer na cápsula espacial que alunissara, através da qual, pela escotilha, pudesse observar o primeiro homem pisando a Lua!

Chegara, enfim, à conclusão de que ele escolhera acreditar e se utilizar pessoal e profissionalmente de tal conhecimento. Mas não pudera testar, através de sua percepção, a realidade absoluta de tal fato. Tanto quanto esse meu mestre, eu não estive na Lua, nem na cápsula espacial. Aprendi com ele que acreditar ou não nesse “fato” era uma questão de escolha. Escolhi, portanto, compartilhar de sua crença. Semelhante a isso, minha escolha pelas tecnologias educacionais que utilizo está totalmente vinculada à minha formação exata. Apesar de nunca ter atuado nessa área, exceto durante uma bolsa de iniciação científica, sempre fui educador, meu compromisso visceral é com números, com percepções palpáveis. Por isso escolho esta metodologia FEEA. Garanto, é o que conheço de mais rápido, efetivo e natural em obter resultados de aprendizagem.

Não obstante, se algum de vocês me encontrar um dia, no futuro, em qualquer lugar deste planeta, ou mesmo fora dele (afinal de contas, as viagens espaciais estão cada vez mais populares), e me perguntar: “Walther, li o seu livro ‘Domesticando o Dragão’ (ou freqüentei o seu seminário) e encontrei coisas interessantes nele. Diga-me uma coisa, aquilo que você disse no livro (ou curso) é verdade?” Eu nego!!! Em qualquer lugar do Sistema Solar ou fora dele! O que vou dizer é que tudo aquilo era o que eu conhecia de mais próximo da realidade até então. Porém, se desta data para o futuro eu aprender novos métodos e ferramentas mais rápidas, mais potentes e mais naturais em resultados, eu não terei escrúpulo nenhum em abandonar tudo o que já aprendi e estudei, pois o meu compromisso visceral é com números e resultados palpáveis, e não com modelos científicos ou teóricos!

Neste momento, enfatizo o convite a que você, leitor, adote a mesma atitude para que possa aproveitar o máximo deste programa: não acredite em nada que estiver escrito neste livro, a não ser que você consiga comprovar através de sua própria percepção, razão ou intuição. E ainda assim, saiba que, um dia, talvez tudo isso venha a mudar!

Contradições do Sistema Formal

Como educador, inventor e empresário, muitas foram as questões que me motivaram a pesquisar mais detalhadamente este universo da educação. Inicialmente, entretanto, acredito que a baixíssima efetividade nos resultados dos programas convencionais de estudo de idiomas fora a observação mais curiosa e destoante. As questões apresentadas a seguir se constituíram no segundo trampolim para a síntese deste projeto.

Um Número Mágico

Conforme já apresentado na Preparação, os laboratórios de pesquisa sobre comportamento e comunicação humana mostraram uma realidade muito interessante sobre a natureza da comunicação interpessoal. Essas informações são apresentadas em qualquer livro sobre PNL (Programação Neurolingüística). Na compreensão da comunicação interpessoal humana, a importância das palavras propriamente ditas é muito pequena:

Aqui fica aparente como são construídas nossas primeiras e principais dificuldades para aprender uma nova língua. Por anos, durante o ensino básico e formal de idiomas, aprendemos, detalhada e repetidamente, conhecimentos e padrões que correspondem a apenas 7% da comunicação, ou seja, aproximadamente 99% da ênfase da educação é dada a apenas 7% das reais necessidades de ferramentas para se comunicar naquela língua. Completamente absurdo, não?

Somos induzidos a crer que estamos aprendendo ou aprendemos aquele idioma. Entretanto, quando não conseguimos nos expressar através dele, pensamos ou imaginamos possuir bloqueios de expressão. Não! Não! Não! Falta a recontextualização daqueles conhecimentos no ambiente da expressão e “horas de vôo” de comunicação interpessoal naquele idioma para cristalizar definitivamente aquelas aprendizagens na comunicação verbal. Até, surpreendentemente, como também já comentado, existem professores de idiomas, nessa fase do aprendizado formal, que nem sequer falam ou falaram a língua que estão “ensinando”!

Evidentemente, por mais interessante que você conclua ser essa informação de que 93% da comunicação humana é não-verbal, podem restar algumas questões: “Como podemos utilizar esse conhecimento a nosso favor?”, “Na prática, o que isso representa?”. Realmente, não gostaria que você apenas começasse a propagandear isso sem saber utilizar essa informação a seu favor. Este tipo de informação, proveniente da pesquisa científica, pode ser muito interessantes, mas...

Cada vez que ofereço esses dados, ocorre-me sempre algo que corresponde a uma dúvida existencial minha... Preciso compartilhar: qualquer livro de ciência básica, em suas primeiras páginas, apresenta os modelos científicos nos quais estão fundamentadas as informações que se seguirão. Um dos que mais me convida à reflexão é o Modelo Atômico (caso você queira uma nova compreensão sobre ele, leia o livro “Espaço, Tempo e Além”, consulte bibliografia). Efetivamente, aprendemos que a matéria física é constituída de átomos. Que os átomos são partículas tão pequeninas, que nem nossa imaginação é capaz de alcançar. Porém, na dimensão do átomo, o seu núcleo é ainda incomparavelmente menor. Para você ter uma idéia de proporção, se o menor átomo que existe (o átomo de hidrogênio) tivesse a extensão de um prédio de três andares, seu núcleo teria o tamanho de uma cabecinha de alfinete.

O restante seria, praticamente, espaço vazio! Isso me leva a concluir que 99,9% da matéria sólida se constitui de espaço vazio!!! Os cientistas se preservariam afirmando que existem campos de força ou forças extremamente poderosas atuando nesses espaços diminutos para manter a consistência da matéria. Eu, porém, penso... por que minha mão não atravessa a matéria sólida? Não é quase tudo espaço vazio? Tanto uma parede quanto minha própria mão?

Talvez a esta altura você esteja se perguntando: “O que isso tem a ver com nossos objetivos?” Acompanhe-me apenas mais alguns instantes... Para aproveitar melhor, traga de sua memória a lembrança de algum sonho que teve em uma noite qualquer. Sim, um sonho daqueles que temos ao dormir! Escolha o mais fantasioso dos que você se lembrar. Eu não sei qual é o seu sonho, porém, eu garanto algumas coisas:

1.

No seu sonho, o mundo é de cabeça para cima! Não é de ponta-cabeça ou invertido, como poderia ser! Afinal de contas, é somente um sonho! Nem é inclinado, como nos filmes do Batman! E poderia ser... É só um sonho!

2.

No seu sonho, se você estiver caminhando (muitos voam), o chão é tão duro quanto você poderia imaginar! E não precisava ser, pois você poderia cair através do chão! Não há nada de mais imaterial do que um sonho... Por que é duro e impenetrável, então? Nos sonhos, também seria possível atravessar paredes! Onde estão os limites? Perceba que nossos próprios condicionamentos criam nossas percepções e realidades, isto é, os limites talvez estejam apenas em nossas mentes!

3.

No seu sonho também vale a Lei da Gravidade, independentemente de qual seja o sonho. Você talvez voe, mas para as outras coisas, vale essa lei! E não precisava ser assim! É somente um sonho! Tudo poderia flutuar!

A cada noite que acordo, ainda meio sonolento, para ir ao banheiro e acidentalmente chuto o pé da cama ou bato a cabeça no armário, lembro-me de duas ou três gerações de quem colocou aqueles obstáculos ali – não tem nada de vazio ali! No entanto, minha mente científica me diz: “É quase tudo espaço vazio...”

Agora reapresento minha dúvida: eu não sei, eu não tenho certeza, se as coisas são como são porque assim devem ser... ou se são como são por nós acreditarmos que assim devem ser. Claro que esse tipo de crença estaria instalada num nível inconsciente coletivo bastante profundo... E, durante sua educação, uma criança inconscientemente vai apreendendo tais realidades.

Portanto, quando nos referirmos ao número mágico 93%, espero que ele, coordenadamente, ative nossa percepção e compreensão mais viscerais de como utilizá-lo a nosso favor.

A Linguagem Universal

Um fato muito curioso é observarmos crianças que possuem até cinco ou seis anos se comunicarem. Em geral, em pontos turísticos de grande convergência de estrangeiros, tais como Foz do Iguaçu, no Paraná, Pão de açúcar ou Corcovado, no Rio de Janeiro, ou Salvador, na Bahia, percebemos que, menos do que nós, brasileiros, os europeus ou americanos fazem viagens internacionais com os filhos. Porém, muitas vezes, podemos observar crianças de diferentes nacionalidades, raças e culturas circulando nesses locais.

Quando essas crianças se encontram, independentemente de sua procedência, sexo, raça, cultura ou idioma de origem, até cinco ou seis anos, elas se comunicam perfeitamente bem: brincam juntas, criam jogos, estabelecem regras, cada uma falando na própria língua – mesmo sem conhecer o(s) outro(s) idioma(s). Que tipo de linguagem é essa, que já possuímos algum dia e que, por alguma razão, deixamos de utilizar? Que tipo de língua é essa que permite que crianças se comuniquem universalmente?

Exceções

De fato, além dessa flexibilidade em se comunicar, é atribuída à criança uma grande competência em aprender rápida, fácil e naturalmente. Entretanto, o aprendizado da língua mãe é mais complexo e difícil. Pense bem: simultaneamente, a criança, além de aprender as palavras (7%) e os padrões não-verbais de comunicação e interação (93%), ainda depende do aprendizado do raciocínio lógico (estruturação do pensamento racional) e dos padrões de coordenação motora de todo o aparelho fonador (sistema motor envolvido na fala: desde a respiração até a dicção).

Essa jornada de aprendizado da língua por uma criança leva talvez de três a cinco anos, nunca chegando a um termo. Embora seja crença comum que uma criança aprende com mais facilidade, como explicar, então, que existem adultos que necessitam de apenas seis meses, ou até menos, para dominar um novo idioma? Naturalmente, essas pessoas não precisarão aprender a falar ou a pensar novamente! É claro, também, que essas pessoas já foram bem-sucedidas em aprender, inicialmente, a língua mãe (como todos nós), e na próxima língua não precisarão aprender a se comunicar ou a pensar novamente. Essas qualidades servirão para qualquer outro idioma. Uma conclusão simples: o adulto aprende um novo idioma com muito mais facilidade que uma criança!

Mais do que isso, tantas e tantas pessoas aprenderam definitivamente a falar uma nova língua de formas não ortodoxas, alguns sem se mudar para o país de origem do idioma, alguns sem freqüentar um curso formal de idiomas, ou mesmo sem estudar, alguns em apenas seis meses ou menos (e algumas dessas pessoas até se tornaram instrutores de línguas estrangeiras!). Todos esses tipos de pessoas não são diferentes de nós; não possuem um olho a mais, nem ouvidos a mais, ou mesmo uma outra boca e língua para aprender novos movimentos! O que elas fazem? Apenas não deixaram de se utilizar daquelas “ferramentas e instrumentos” que já as tornaram bem-sucedidas em aprender a língua materna! Todos nós temos essas facilidades, se resgatarmos aquelas formas de aprender que tivemos enquanto crianças, priorizando a percepção da musicalidade da linguagem (ritmos e entonações) – uma determinada freqüência mental (arquivo de memória) na qual, posteriormente, serão registrados os sons e significados específicos.

Quando, enfim, as pessoas me procuram pela natureza do meu trabalho e falam sobre suas dificuldades e bloqueios, atualmente posso até antecipar mentalmente suas queixas. Entretanto, penso, será que elas se esqueceram de que já aprenderam a mais difícil língua “estrangeira”? Por que deixaram de se utilizar daquelas formas de aprender que já deram certo?

Aprendendo no Caos

Se perguntarmos a qualquer pessoa: “Qual é a melhor forma de se aprender um novo idioma?” Estimo que 95% das respostas sejam parecidas com a seguinte: “Mude-se para o país de origem dessa língua!” Em geral, só não respondem isso aquelas pessoas que sequer cogitam a hipótese de viajar para estudar.

Quando, enfim, realizamos essa mudança de país, no caso da língua inglesa especificamente, para países como Inglaterra, Estados Unidos, Canadá, Austrália etc., ou mesmo Índia e outras antigas culturas que receberam tais influências, ninguém, absolutamente ninguém se dirige a nós na rua e diz: “Lesson one, verb to be...!”, “This pen is red...” etc. Nada disso! O aprendizado é completa e consensualmente caótico.

Ainda assim, o grande público admite que essa é a melhor forma de aprender. Reflita: se a melhor forma de aprender um novo idioma é no caos (pelo menos, aparentemente), o que é que os cursos tradicionais de idiomas estão fazendo? Tentando organizar o caos?

Ao observar o aprendizado de uma criança, percebemos que suas primeiras palavras estão relacionadas aos principais objetos de seu interesse e necessidade e com a freqüência que escuta tais sons ou palavras. Além disso, existe uma fase do aprendizado na qual a mãe é a grande “tradutora” de suas mensagens. Nessa fase, quando a criança se expressa, é capaz de atrair a atenção de qualquer adulto próximo, pois seus ritmos e entonações já correspondem aos da nossa língua, apesar de sua dicção não produzir, ainda, sons reconhecíveis por nós. A mãe, habituada ao convívio com a criança, naturalmente aprendeu sua “língua intermediária” nessa fase do aprendizado.

Uma pesquisa realizada por um cientista europeu constatou um dado curioso. Ele observou que uma criança, filha de mãe americana, temporariamente residente na França durante sua gestação e primeiro ano de vida, teve mais facilidade de aprender o francês do que o inglês – apesar de não ser o francês a língua materna daquela senhora. Concluiu que, já no útero materno, uma criança se adapta aos ritmos das respirações próprias de cada língua e que, de alguma forma, “escuta”, desde cedo, os sons daquela língua, familiarizando-se com suas sonoridades e ritmos. Para mais detalhes sobre a construção da identidade do falante de outros idiomas, vá até o primeiro exercício da “ABORDAGEM EXPERIENCIAL”.

Um Dado Surpreendente

Para aqueles que encontram na língua inglesa seus principais medos e desafios, saiba que 65% dessa língua é de raiz latina!!! Isso mesmo! Ao ler um texto científico, isso fica ainda mais evidente. Se quiser comprovar, pegue um dicionário e, folheando-o, compare as semelhanças de radicais. Quase todas as palavras inglesas terminadas em “tion” podem se tornar palavras de nossa língua substituindo-se o sufixo por “ção”!

De fato, a evolução da língua falada afastou um pouco mais o inglês americano de suas origens latinas (embora a influência hispânica, em algumas regiões, tenha resgatado parte dessa interação). O mais estranho não são as palavras, e sim os ritmos e entonações, aparentemente pouco familiares à nossa percepção.

Outra “Pérola”

A fluência de alto nível numa língua estrangeira é obtida, estima-se, quando o indivíduo possui um vocabulário ativo de algo em torno de duas a três mil palavras. Entretanto, uma pesquisa apresentada pela Universidade de São Paulo constatou que o vocabulário da língua portuguesa falada no dia-a-dia constitui-se de, aproximadamente, seiscentas palavras, ou seja, já com oitocentas palavras podemos falar uma nova língua cotidianamente, pois as vivências humanas, atualmente, são bastante universais e semelhantes. De acordo com Joseph Campbell, o crescimento da humanidade que um dia afastou povos pela superfície do planeta é o mesmo que nos une atualmente e que resgata a familiaridade e a universalidade da maior parte das experiências humanas.

Os Arquivos de Memória da Língua Falada São Outros...

Sim! Os arquivos de memória da linguagem escrita ou compreendida conceitualmente não são os mesmos da língua falada ativamente. Isso fica evidente cada vez que uma criança se aproxima de um adulto para perguntar o significado de uma determinada palavra. Esse adulto pode, com muito cuidado, explicar-lhe o sentido daquela palavra e dar-lhe vários exemplos, evidentemente interessado no aprendizado da criança. No entanto, essa palavra, muitas vezes, não faz parte do vocabulário ativo desse adulto, ou seja, sabe o que significa, entende quando a ouve, mas nunca usa ou fala essa palavra. É uma palavra de seu vocabulário passivo.

Inversamente, o mesmo adulto pode perguntar àquela criança o que significa uma determinada palavra que o(a) pequeno(a) acabara de proferir. Talvez essa criança não saiba explicar, mas se utiliza dessa palavra corretamente, sempre que precisa, no contexto adequado, no momento certo – é uma palavra de seu vocabulário ativo.

Outra ocasião familiar é quando se solicita a alguém que leia em voz alta um determinado texto ou comunicado. Atentamente, essa pessoa fará o melhor possível, buscando clareza de dicção em sua leitura, fazendo as pausas de acordo com a pontuação e até repetindo uma frase ou oração, no caso de algum deslize de fluência ou pontuação. Porém, se ao final da leitura lhe perguntarmos o que entendeu daquilo que leu em voz alta, possivelmente ela irá solicitar um tempo extra para ler novamente, em seu estilo, para compreender. São ambientes mentais e cognitivos diferentes! Para algumas pessoas, eles foram integrados, enquanto, para outros, ainda permanecem “desconectados”. Em nosso trabalho, temos por objetivos reintegrar alguns desses ambientes mentais e intercambiar conhecimentos e competências.

Aprendendo a Aprender

Quando comunicamos a um amigo ou amiga que estamos nos matriculando num novo curso de idiomas ou aprendendo uma nova língua, ocasionalmente essa pessoa nos perguntará se é a primeira língua estrangeira que estamos aprendendo. Talvez respondamos que sim, talvez que não, talvez seja a segunda ou terceira nova língua. Possivelmente, então, comentará: “Ah, se for a primeira língua estrangeira, talvez você tenha um pouco mais de dificuldade de aprender. Mas se for a segunda, terceira ou quarta, fica progressivamente mais fácil de aprender...”

Atribui-se a um indivíduo que já fale três ou quatro idiomas uma facilidade muito maior de apreender o seguinte. Isso é uma conclusão bastante comum. Pergunto, então: “O que é aquilo que nós aprendemos junto com o idioma que torna mais fácil o desafio ou empreendimento de aprender uma próxima língua?

Inconscientemente, na maior parte das vezes, aprendemos a aprender línguas. Ao conquistarmos a habilidade de falar um outro idioma, nós ativamos nossa percepção para esse universo da realidade humana. Colocamos em prática aquilo que dá e deu certo. Sem perceber, descobrimos, inconscientemente, como prestar atenção no aprendizado; aprendemos o que é vocabulário ativo e o que é vocabulário passivo (pense naquelas palavras, em outra língua, que você talvez tenha gastado horas para aprender e depois nunca mais ouviu!); aprendemos a nos concentrar e a pensar naquele novo idioma; aprendemos a ouvir e perceber sonoridades, sotaques e regionalismos. Chamo isso “a receita do bolo” de como aprender, ou “Estratégias de Aprendizagem”. São as técnicas propriamente ditas (parte do conteúdo deste livro).

Traduções

Qualquer pessoa que já conheça pelo menos um pouco da língua estrangeira e que queira desenvolver a habilidade de falar já deve ter tido a oportunidade de presenciar uma palestra com tradução simultânea ou uma conversa em um grupo de pessoas no qual se falasse mais de um idioma. Com ouvidos atentos, talvez tenha observado que as versões de um idioma para outro não são traduções precisas. Até nos filmes estrangeiros legendados, com som original, é possível perceber que não existe tradução de uma língua para outra! Os bons profissionais de tradução simultânea não traduzem! E aqueles que traduzem perdem as sutilezas da compreensão, quando não a completa inteligibilidade. Os melhores tradutores são pessoas que capturam o sentido e o objetivo de cada comunicação em uma língua e reconstróem a compreensão no outro idioma (não raro, são especialistas naqueles assuntos a serem traduzidos ou buscam informações e compreensão mais detalhada dos temas, antes de algum trabalho), muitas vezes utilizando conceitos e palavras não proferidos na língua original, porém contextualizados nas necessidades de compreensão da outra língua.

Para nós, brasileiros, que aprendemos na escolinha que “I” = “eu”, ou seja, que o pronome pessoal da primeira pessoa do singular da língua inglesa equivale ao nosso correspondente em português, saiba que essa equivalência é apenas funcional. Na sutileza da língua, grosseiramente, diria que um não se relaciona em nada com o outro! Quando um americano ou um britânico se utiliza do pronome pessoal da primeira pessoa do singular, “I”, está falando da perspectiva de uma cultura própria de países de Primeiro Mundo que nunca foram de Terceiro Mundo. Fala a partir de uma língua considerada o idioma mais importante no mundo dos negócios e no qual se escreve esse pronome apenas com letra maiúscula, visto que se refere a um dos mais importantes valores daquela cultura. Sim, o pronome “I” nunca é grafado como “i”!

Quando um brasileiro utiliza o pronome pessoal da primeira pessoa do singular, “eu”, está falando da perspectiva de um habitante de uma cultura proveniente do Terceiro Mundo, na qual é considerado falta de gentileza ou parece arrogância utilizar-se muito desse pronome ou assumir muitos sucessos, onde valeu a “Lei de Gérson” e a partir de certos paradigmas éticos e comportamentais próprios de uma cultura de raiz latina predominantemente católica. No nosso país, durante muito tempo, uma das frases mais comuns foi: “Não fui eu... Não fui eu!” Um idioma no qual, para nos referirmos a nós mesmos, na maior parte das vezes, utilizamos o pronome pessoal de segunda ou de terceira pessoa do singular: “tu” ou “você” – observe na comunicação fluente diária quantas vezes, ao se referir a si mesmo, utiliza os pronomes “tu” ou “você”! Isto é, ao falar de si próprio não utiliza o pronome “eu”.

Além disso, você pode fazer ainda uma outra reflexão, respondendo a algumas perguntas. Cada um de nós possui uma noção subjetiva de temporalidade, ou de sucessão de eventos no tempo. Isso nos permite saber que aquilo que nos aconteceu ontem foi, de fato, ontem, e não na semana passada. Da mesma forma, intuímos um tempo para os nossos objetivos futuros, e aquilo que pretendemos fazer amanhã nos oferece uma noção de distância temporal diferente dos nossos planos para um futuro a médio ou longo prazo. Entretanto, apesar dessas evidências estarem completamente registradas e estruturadas em nossa linguagem, ou seja, sabemos diferenciar passado, presente e futuro com considerável precisão, o mesmo não acontece para detalhamentos dentro de cada um desses três universos temporais. Seja na utilização precisa da linguagem ou na própria estruturação subjetiva de nossos registros de informações e eventos (que se relacionam intimamente), observamos que muitas pessoas não se utilizam da conjugação de determinados tempos verbais. Concluímos, então, que não possuem referência para essas temporalidades.

Experimentalmente, equacionaria essa percepção da seguinte forma (utilizando uma ação simples, tal como “pescar”, como ilustração):

Tempos verbais passados: Tempos verbais futuros:

Eu pesquei.

Eu pescava. Eu pescarei.

Eu pescara. Eu vou pescar.

Eu fui pescar. Eu irei pescar.

Eu fora pescar. Eu terei pescado.

Eu tinha pescado. Eu estarei pescando.

Eu estivera pescando. Quando eu pescar.

Se eu tivesse pescado.

Projete agora em sua consciência essas experiências, duas a duas, comparando a proximidade ou distância no tempo. Por exemplo, afirme a primeira frase: “Eu pesquei” e perceba, no tempo, quão próximo está esse evento; em seguida, faça o mesmo com a afirmação seguinte: “Eu pescava”. Compare agora, qual dessas ações é a mais próxima? Qual é a mais determinada? Continue essas comparações, duas a duas, e faça uma escala crescente de distanciamento ou definição temporal. Você pode, se quiser, ou se não gostar de pescar, escolher outra ação simples qualquer: andar, dançar, pensar, falar etc. Quando tiver essas duas seqüências, uma para o passado e outra para o futuro, proponha as mesmas comparações e a construção de uma escala semelhante para outra pessoa de fora de sua família ou convivência diária. Observará que, apesar de falarmos a mesma língua, as representações internas para a linguagem, seja em relação ao passado ou ao futuro, podem ser surpreendentemente diferentes. Imagine, então, como seria com outro idioma!

De fato, em relação à língua inglesa, não existe uma tradução exata para os tempos verbais pretérito imperfeito ou mais-que-perfeito de nossa língua. Assim, também, não existe em português uma tradução fiel para o tempo verbal Present Perfect do inglês. Ao aprendermos a nos expressar em uma nova língua, não somente as palavras serão diferentes, como também a nossa subjetividade ganhará uma nova dimensão e identidade de organização e estrutura (isso para os bons falantes de outras línguas). Quem passou por essas experiências reconhece que até alguns sentimentos diferentes estão associados a diferentes línguas, às vezes até intraduzíveis. Caso essa mudança não ocorra, o indivíduo permanece como uma daquelas pessoas que se mantêm traduzindo interiormente, para poder representar em sua mente aquilo que ouve e o que vai falar. Um longo caminho e esforço para apenas tentar obter os resultados que serão naturais se flexibilizar sua identidade.

Distorção do Tempo e Integração de Ambientes

Um grande amigo certa vez comentou que percebia dois momentos bastante distintos na leitura de um livro. Num primeiro momento, iniciava a leitura buscando referências e entendimento. Em alguns livros, porém, através da leitura das primeiras páginas, construía um cenário onde se desenrolaria o conteúdo do texto. A partir desse momento, então, sua leitura tornava-se extremamente rápida e fluida. Seus olhos percorriam as linhas impressas, porém sua percepção mantinha-se fixa no cenário imaginário, como se assistisse a um filme. A velocidade de leitura aumentava muito, e mais, tendo visto esse cenário vivo em sua imaginação, era capaz de memorizar cada detalhe do enredo com relação ao todo. Cada vez que vivia essa experiência de leitura, então conseguia lembrar-se de todo o livro! Surpreendente, não? De fato, qual é o real objeto da comunicação através da linguagem?

Mais uma Peça do Quebra-Cabeça

Um dia, há uns quinze ou vinte anos, acordei pela manhã com uma cena vívida de algo que sonhava imediatamente antes de despertar. Em minha memória permaneceram os sons de algo que eu falava para um personagem do sonho. Minha mensagem era muito coerente e imperativa. Porém, os sons que permaneceram em minha memória não se pareciam com nenhuma língua que eu conhecesse. Pensei: “O que será que aconteceria se eu quisesse expressar ou falar algo cuja mensagem não pudesse ser articulada em nossa língua? Seria eu capaz de elaborar um pensamento que a linguagem não alcançasse? E a partir daí, como eu poderia comunicar essa percepção ou pensamento?”

Paul Valery afirmou: “Pensar profundamente é pensar o mais distante possível do automatismo verbal”. Quantos e quantos de nós pensamos ou sonhamos algo que não conseguimos expressar em palavras. Einstein dizia que o seu grande trabalho era verbalizar (codificar em linguagem verbal) aquilo que era imaginado e concebido em suas percepções e seus pensamentos – seria isso que ele queria dizer quando afirmava que seu trabalho era 5% inspiração e 95% transpiração? Pergunto então o que é, na verdade, o conteúdo real da comunicação: as palavras, frases e orações ou a compreensão e o entendimento?

Lembrando-se do Caminho

Um cliente, certo dia, comentou que se dispôs a provocar sua filha pequena quando esta lhe perguntou se naquele dia iriam visitar seu irmão: “Pai, hoje a gente vai ver o tio ‘Frankico’ (assim soava)?” Esse homem então parafraseou a pequena: “O tio ‘Frankico’?” Ela imediatamente respondeu: “Não, não, o tio ‘Frankico’!” Essa provocação continuou por mais alguns instantes até que a pequena se irritara. Assim, ele disse finalmente: “O tio Francisco?” Ela retrucou: “Isso, isso, o tio ‘Frankico’...” Tal fato evidencia que a pequena tinha total e completa percepção da diferença entre ‘Francisco’ e ‘Frankico’, embora sua dicção ainda não alcançasse essas diferenças de articulação. Sabia o que escutava, pronunciava o que podia!

Nunca se esqueça de observar como uma criança aprende sua língua. Observe que o falar errado não é intencional, mas sim, falta de discernimento ou de dicção precisa dos sons. Ela possui ainda pouca habilidade de ouvir seus próprios sons e faz, ainda, poucas distinções. Porém, observe como as entonações e ritmos do seu discurso correspondem aos sons de sua língua com exatidão. Ela pode enrolar a língua, falar errado, mas os padrões sonoros não-verbais são bastante familiares à língua: a chamada “embromação verbal”.

Criptografia

Imagine uma brincadeira de crianças: brincar de agente secreto. Para alguns, talvez até para você, leitor, esta próxima experiência já seja conhecida. Suponhamos que eu quisesse enviar uma mensagem secreta para o meu amiguinho, estabelecido em outra cidade, mas que não existissem telefones (ou estivessem “grampeados”). Certamente, se eu apenas a redigisse e enviasse, na minha mentalidade de “agente secreto” conviveria com a incerteza do recebimento ou da interceptação pela “contra-espionagem”... Assim, para garantir o seu recebimento pela pessoa correta, eu criei um código. Por exemplo, o seguinte:

A ® c H ® d O ® q V ® n

B ® t I ® r P ® v W ® w

C ® i J ® y Q ® g X ® l

D ® m K ® z R ® a Y ® p

E ® ( ) espaço L ® s S ® x Z ® k

F ® j M ® u T ® f ( ) espaço ® o

G ® b N ® e U ® h

Assim, para a minha mensagem original, eu reescrevi o texto de acordo com as substituições de letras apresentadas nesse código (com escolha aleatória e constante, nesse caso). Evidentemente, ao enviar a mensagem e a chave do código para que meu “espião” pudesse decodificá-la, coloquei-as em cartas a serem enviadas em datas diferentes. Se interceptassem qualquer uma delas, de fato, não teriam a mensagem. Suponhamos que meu amiguinho tenha recebido a mensagem codificada, porém, nunca tenha recebido a chave do código (extraviou-se ou fora interceptada). Sem se comunicar comigo, como ele poderia resgatar a mensagem original? Como poderia decodificá-la sem a chave? Pense um pouco antes de prosseguir.

A resposta mais comum é a proposta de tentativa e erro: pega-se uma palavra, faz-se as substituições possíveis até que obtenhamos um significado, depois testa-se em outras palavras na busca de um sentido. Outra possibilidade empírica, porém mais simples, é nos lembrarmos de que as palavras em nossa língua possuem tamanhos diferentes, ou seja, as palavras de uma única letra só podem ser a, e ou o. As de duas letras só podem se constituir de duas vogais ou de uma vogal e uma consoante: da, de, do, em, na, no, eu, tu, te, , se etc. Nessa rápida abordagem empírica, identificamos os representantes das letras a, e, o, u, d, m, n, t, s etc., aproximadamente um terço do alfabeto. Um grande e essencial caminho percorrido.

Entretanto, como “agente experiente” que eu era, sabia que seria, então, muito fácil. Logo, fiz mais uma mudança: substituí os espaços em branco, entre cada palavra, por uma determinada letra e, por conseguinte, uma das letras do alfabeto se transformou no espaço em branco! Agora todos os tamanhos das palavras também mudaram. Eu pergunto, ficou mais fácil ou mais difícil? De fato, para o método empírico exposto anteriormente, muito mais difícil; entretanto, para uma abordagem criptográfica simples, nada mudou.

Suponhamos que uma mensagem possível fosse a seguinte, somente para você se divertir, a título de curiosidade:

“acaqo  lrxfraoiqrxcxogh  onqi  o  xf  ycoruvqxxrtrsrfcmqom ojck  aoxqu  ef  o
csbhucxoiqrxcxogh  onqi  ocremcova  irxcocva  em  aocojck  a”.
ucafreotaqiuce
(cmcvfcmq)

Criptografia é um campo da pesquisa matemática que se desenvolveu muito no passado, por causa das guerras. Porém, no presente, já há trinta ou quarenta anos, tem se desenvolvido muito graças à evolução da informática e à necessidade de proteção dos sistemas de informação. São assuntos dessa área as senhas e códigos de nossos cartões de banco, crédito, Internet etc.

Com relação ao problema proposto, o mais curioso é que você já sabe intuitivamente a resposta. Apresento-a, então: você deve conhecer um jogo chamado FORCA – aqui está a solução...


3

Quais são os critérios e métodos para participar dessa brincadeira? Damos como palpites algumas letras, ou seja, “chutamos” algumas possibilidades de letras, sem ainda imaginar qual seja a palavra a ser descoberta. Qual seqüência de letras você arriscaria? Começaria testando as seguintes letras: x, j, z, k, w, y etc.? Ou iniciaria escolhendo as vogais? Intuitivamente, possuímos uma percepção da freqüência de repetição de cada letra. Sugiro que, quando jogar Forca, de agora em diante, comece a procurar as respostas do jogo, até intuir a palavra completa, arriscando os palpites na seqüência apresentada na próxima tabela.

Obs.: certamente, numa análise mais detalhada, todos os caracteres gráficos poderiam ser incluídos nessa contagem. Como ilustração, somente inseri as letras e espaços em branco, desprezando os sinais de pontuação, aspas, acentos etc.

Caso minha mensagem fosse longa, a solução seria transcodificar o texto num código numérico intermediário que correspondesse às freqüências de repetição de cada letra. Para cada idioma, quer seja uma página, dez ou cem páginas, a freqüência de repetição de cada caractere gráfico tende a um número constante. Existem tabelas prontas (acredito), ou você mesmo poderia construir sua própria tabela pesquisando as freqüências de repetição de cada letra, para posterior comparação com o texto “secreto”. Perceba, também, que é até possível identificar o idioma no qual foi escrita a mensagem! Pois, no caso da língua inglesa, especificamente, os caracteres mais freqüentes seguem a seguinte seqüência, de acordo com os dados da tabela: (espaço branco), e, t, n, o, a, i...; enquanto, no português: (espaço branco), a, e, o, s, r, n, i....

Freqüência de Repetição de Caracteres (Letras do Alfabeto + espaços)

Língua Portuguesa

Língua Inglesa

Espaços

13,8%

Espaços

15,8%

A

12,1%

 

E

10,2%

E

11,6%

 

T

6,9%

O

7,8%

 

N

6,9%

S

7,2%

O

6,8%

R

5,7%

 

A

6,6%

N

5,6%

 

I

5,8%

I

5,1%

 

S

5,8%

D

4,8%

 

R

5,2%

M

4,1%

 

H

4,1%

U

3,6%

 

C

3,3%

T

3,6%

 

L

3,2%

C

3,2%

 

U

3,0%

P

3,1%

 

D

3,0%

L

2,2%

 

Y

2,4%

G

1,3%

 

M

2,0%

Q

0,8%

 

P

1,8%

F

0,8%

 

F

1,6%

V

0,7%

 

W

1,5%

Ç (cedilha)

0,6%

 

G

1,3%

Z

0,6%

 

V

1,0%

H

0,6%

 

B

1,0%

B

0,5%

 

K

0,5%

J

0,2%

 

X

0,2%

X

0,2%

 

J

0,1%

K

0%

 

Q

0,04%

W

0%

 

Z

0,03%

Y

0%

     

Contagem realizada em dois textos de diferentes naturezas (o próprio Apêndice 2 e uma matéria de jornal), somando um total de 7.334 letras (com espaços em branco inclusos): havia 3.366 consoantes (45,9%), 2.954 vogais (40,3%) e 1.014 espaços em branco (13,8%).

Contagem realizada em dois textos didáticos, somando um total de 8.719 letras (com espaços em branco inclusos): havia 4.512 consoantes (51,7%), 2.834 vogais (32,5%) e 1.373 espaços em branco (15,8%).

Perceba, também, que as palavras na língua inglesa são, em média, menores que na portuguesa (os espaços em branco são mais freqüentes). Considere para essa apresentação contagens simples “feitas na unha”, em uma pequena amostragem de textos, cinco ou dez páginas em cada idioma, não representativos do universo total da língua (são apenas ilustrações) – portanto não são precisos. Outra curiosidade é contar as páginas de dicionários que correspondem às quantidades de palavras que se iniciam com determinada letra.

No Nosso Caso...

Por mais caótica que você acredite ser essa experiência anterior, perceba que é algo semelhante ao trabalho de uma criança para aprender a língua mãe, resguardando o fato de que a síntese de informações seja realizada no ambiente dos sons. Não obstante, inconscientemente, possuímos essa rara capacidade de sintetizar percepções aparentemente caóticas e generalizar os padrões de repetição. Isso nos convida a acreditar que, se não delegarmos parte desse trabalho (como fizemos ao aprender a língua mãe) para nossa sábia mente inconsciente, o esforço de aprendizagem será infinitamente maior. Por essas razões existem cursos no mercado de idiomas que duram mais de três anos! E, ainda assim, não garantem os resultados finais de proporcionar a habilidade de se falar fluentemente o idioma escolhido.

Durante nosso seminário, utilizamos algumas músicas para serem trabalhados vocabulário e percepções rítmicas e tonais. Se você seguir esse caminho inicial e escolher bem, ao aprender a cantar aproximadamente trinta músicas (se for apenas uma por semana, essa tarefa durará sete meses), terá adquirido um vocabulário de quase oitocentas palavras! Escolha inicialmente músicas cantadas por artistas que possuam boa voz e dicção – são inúmeras opções. A utilização da música no aprendizado é bastante útil por ser considerada uma atividade mental que integra as atividades de ambos os hemisférios cerebrais – já ouviu falar que gagos não gaguejam quando cantam?

Suponhamos que, partindo do início, você vá aprender uma primeira música. Nesta, cada palavra vai ser representada, esquematicamente, por uma bolinha. Posteriormente, as palavras de uma segunda música a ser aprendida serão representadas por um triângulo, as da terceira, por um quadrado e assim por diante, conforme esquema a seguir. Cada palavra ocupa um único lugar no espaço e no universo do vocabulário. Se for representada com cada um dos símbolos propostos anteriormente, significa que estará presente em cada música cujo símbolo esteja registrado.


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Naturalmente, algumas palavras que pertencem à primeira música podem estar presentes na segunda música. Assim como algumas da segunda música podem estar presentes na terceira. Entre a primeira e a terceira também podem ocorrer essas coincidências. Com certeza, existem algumas palavras que estarão presentes nas três, quatro... ou quantas forem. Essas são as palavras de uso mais freqüente, e serão apreendidas primeiro. Pergunto, quais são as primeiras palavras que uma criança aprende? Aquelas de que ela mais necessita e ouve mais repetidamente: mãe, pai, não, água, quer etc. (na dicção que lhe é possível, obviamente). Por quê? Pela freqüência de repetição! E esses registros são naturais e inconscientes...

Um cliente presente em um de meus seminários, que já possuía inglês fluente e apenas acompanhava sua esposa, comentou que conheceu, em Londres, um iraniano. Era um profissional de uma multinacional que, a cada dois ou três anos se mudava de país, pela natureza de seu trabalho. Esse homem dizia, meu cliente contou, que era muito fácil aprender um novo idioma: sempre que chegava a um novo país, comprava um vídeo (filme) naquela língua e assistia a ele trinta, quarenta ou mesmo cinqüenta vezes. Prestava atenção na sonoridade e musicalidade daquela língua, memorizava os principais sons, entonações e gestos... E depois? Era só sair pelas ruas a conversar e interagir com as pessoas daquela cultura. Muito rapidamente se orientava conscientemente naquele país e idioma. Menos de dois meses eram necessários para se comunicar, em três ou quatro meses já falava aquele idioma! Pessoas que tiveram experiências de Intercâmbio Cultural ou de trabalho em países estrangeiros atestam semelhante tempo para aprender a falar a língua do país.

Resumo

Há muitas contradições nas informações sobre a aprendizagem de idiomas. Essas incoerências, entretanto, não são privilégio dos sistemas de ensino de línguas – fazem parte de todo o atual sistema educacional. A evolução de nossa cultura e tecnologia, não obstante, está lenta e naturalmente desmascarando uma série de mitos que nos foram oferecidos como verdades. As evidências capturadas através da prática de um olhar atento clareiam nossa sensibilidade para que possamos escolher melhor nossos próprios caminhos, “para saber onde encostar nossa própria escada”. Essa é a nossa jornada!

Tarefa

Na próxima vez que for se matricular num novo curso de idiomas tradicional, converse antecipadamente com dois ou três professores do método utilizado para sentir se eles atenderão às suas expectativas, compartilhe com eles suas dúvidas e anseios para observar se estão sensíveis às suas necessidades ou se não possuem essa flexibilidade. Pergunte-lhes também como foi que aprenderam a língua que ensinam e o método do qual se utilizam. Não deixe também de solicitar a sua participação em aulas de diferentes níveis para saber se, realmente, entregam o que estão vendendo. Converse com alunos de diferentes níveis para observar quais são suas possibilidades de evolução nesse método.