Reproduzindo a arquitetura original do programa, esta dimensão da metodologia OLeLaS – FEEA está, também, subdividida em quatro partes básicas, porém numa escala menor. Os exercícios e experiências aqui propostos, provenientes de diferentes campos da atividade e prática do desenvolvimento da percepção, servirão especialmente para proporcionar sustento a um novo entendimento dos processos de comunicação humana. Durante o seminário prático, as vivências estão encadeadas com explicações e induções de percepção. Nesta transcrição, porém, indicaremos as devidas consultas às outras partes do livro, quando for necessário. Temos quatro objetivos distintos e complementares principais:
1.
Posições Perceptivas: estabelecer uma chave para decodificar e compreender mais profundamente a seqüência e o roteiro do programa; oferecer evidências da necessidade da construção de uma nova identidade (estruturada, inclusive, na dimensão psicomotora) para ser um bom falante de outros idiomas;
2.
Estratégias de Aprendizagem: este, que é o maior grupo de exercícios, tem a finalidade efetiva de criar as fundações da(s) nova(s) identidade(s); essa seção serve também para reeducar a nossa percepção, levando-a a funcionar como quando éramos crianças (e repetir o que já deu certo com a mais difícil língua estrangeira: a língua mãe) e desorganizar os hábitos já automáticos de construção da linguagem em nosso idioma. As práticas são de duas naturezas diferentes: intrapessoal – exercícios a serem praticados de forma individual – e interpessoal – exercícios a serem praticados em duplas ou trios;

3.
Percepção e Sensibilidade: servem para ativar a percepção interior e mostrar como nos utilizar dela nas mais diferentes interações humanas; também nos oferecem evidências da profundidade possível de ser conquistada na comunicação de uma forma natural com outras pessoas;
4.
Projeções Futuras: uma ferramenta interessante que nos proporcionará uma nova compreensão da flexibilidade e multidimensionalidade do tempo subjetivo; ainda indicará que, na nossa mente inconsciente, passado, presente e futuro possuem uma organização diferente – este é um “outro tempo”.
Esta experiência tem uma grande flexibilidade em suas aplicações, por isso sugiro que, de imediato, enquanto você estiver explorando suas possibilidades, considere três abordagens complementares:
1.
a opção de pedir a alguém que leia o exercício, enquanto você se submete a ele, de modo que o seu impacto profundo seja mais efetivo na construção dos seus próprios insights e conclusões;
2.
a opção de seguir o exercício, parando oportunamente para responder às questões formuladas;
3.
a opção de aplicar o exercício a outra pessoa para ter a oportunidade de observar como são as reações mais naturais e espontâneas quando “agarramos” cada introvisão.
Para o máximo aproveitamento, existem duas sugestões muito importantes, além das anteriores: 1) responda às perguntas por escrito; 2) mantenha-se muito atento não somente às respostas que encontra, mas também à maneira de gerar respostas e certificar-se de que elas são plausíveis. Vamos, enfim, ao exercício. Se outra pessoa for aplicá-lo a você, este é o momento de passar-lhe a tarefa; caso contrário, siga lendo e realizando as tarefas alternadamente. Sugiro que, no caso desta parte do livro, não se antecipe na leitura para não perder o impacto das percepções.
O Exercício Propriamente Dito
1)
Escolha um objeto qualquer, de uso diário, e mostre-o ao praticante. Mantenha-o informado de não apenas responder por escrito às perguntas, mas também de observar a si mesmo, como as obtém e como são estruturadas as respostas. A primeira pergunta é: “O que é isto?”. Obviamente, espera-se que a resposta seja consistente. Porém, observe que alguns pensamentos acompanham essa resposta, tais como: “Que pergunta idiota...” ou “De que me serve esta resposta?” ou “Aonde será que uma pergunta dessas vai me levar?” etc. Quem sabe até, naturalmente, rejeitando essa pergunta, surja uma brincadeira, mentira ou ironia. Perceba que esse mecanismo de lidar com perguntas simples e óbvias pode ter se transformado em uma armadura de comportamento ou, se preferir, em um automatismo mental: sempre que a pergunta é muito evidente, a resposta não deve ser objetiva. Na maior parte das vezes, a resposta a essa pergunta é única e assertiva. Não desanime, essa é uma pergunta tipicamente convergente: existe uma resposta certa!

2)
Mostrando o mesmo objeto, proponha agora outra pergunta: “O que pode ser isto?” Respostas por escrito, de novo. Essa é uma pergunta tipicamente divergente: existem muitas respostas certas. Possivelmente sejam relacionadas várias respostas, incluindo funções pouco convencionais, como por exemplo: na mão de uma criança, um brinquedo; na mão de alguém que esteja bravo, uma arma; na mão de um adulto... etc. Tudo, é claro, dependendo da natureza do objeto escolhido. Observe que, talvez, a resposta à primeira pergunta esteja incluída nessa resposta. Entretanto, elas são de naturezas diferentes. Uma das áreas nas quais atuo como educador é a formação motivacional de empreendedores. Dentro desse grupo, chamado empreendedores, existe um subgrupo chamado inventores. Para os inventores, seus olhos observam o mundo através dessa “outra lente”. Eles pouco olham para o mundo como ele é! Eles vivem num universo que ainda não foi construído – exceto na própria imaginação. Cada vez que ouvem a primeira pergunta (convergente), suas mentes, na verdade, processam a segunda pergunta (divergente): “O que poderia ser isto?”.
3)
Tendo ainda o mesmo objeto como referência, ofereça agora maior liberdade ao praticante pedindo-lhe uma descrição, poesia ou narração sobre o objeto. Agora a escrita pode ser fluente. Ofereça ao praticante, aproximadamente, dois minutos. Independentemente do que seja escrito, na maior parte dos casos essa resposta, apesar de possivelmente relacionada às anteriores, ainda assim será diferente delas. Perceba que o mesmo objeto pode ser apreendido de diferentes perspectivas – uma outra dimensão de expressão deve ser ativada.
4)
Considerando ainda objeto e observador, proponha uma nova redação de dois minutos, com expressão livre. Porém, o observador, em sua imaginação, se colocará no lugar do objeto (ou na “pele” do objeto), e descreverá, narrará ou se expressará como objeto, observado por si mesmo ou pelo mundo ao seu redor. É uma experiência fantasiosa ou operada na memória do observador (ao recordar-se das etapas anteriores poderá registrar as percepções que ficaram em sua lembrança). Ele deverá tentar se lembrar, a partir do ponto de vista do objeto, de suas reações e trejeitos durante as etapas anteriores. Ocasionalmente, alguns pensamentos ou idéias apresentados podem ser curiosos. Certamente, essa resposta não será em nada parecida com as anteriores. Perceba que, entretanto, é mais uma percepção possível e associada à existência daquele determinado objeto de observação. Se o objeto fosse outro, provavelmente as conclusões seriam outras ainda diferentes; logo, essa dimensão de experiência ainda se relaciona ao objeto.
5)
Mais dois minutos para uma nova redação curta. O ponto de observação, agora, novamente na imaginação ou na memória do observador, deve estar próximo de si, mas deve ser um ponto com ângulo de visão que inclua a si mesmo e ao objeto observado. Um ponto de vista de onde seja possível perceber também o espaço físico entre observador e objeto observado. Note que assim é possível abstrair ou alucinar uma interação entre os dois: objeto e observador. Ele será observador de si mesmo. A quais conclusões se chega? Tornar-se observador de si mesmo é mais uma exploração divergente que, além disso, aguça o senso crítico extraordinariamente. Para alguns, mais severos, lhes oferece um comum senso de ridículo – isso é somente uma brincadeira e, no entanto, nos espelha uma série de previsibilidades aprendidas culturalmente. Perceba que as respostas ainda diferem das anteriores, apesar de fazerem parte da interação com o mesmo objeto.
6)
Uma última experiência de mais dois minutos para o praticante considerar as percepções do aplicador do exercício ou do escritor deste livro. Ou ambas, se quiser! Sim, de uma perspectiva mais ampla ainda, o que o aplicador ou escritor estaria pensando ou intencionando ao propor tais experiências? Considere que, do ponto de vista do aplicador, suas percepções podem incluir suas curiosidades e percepções de todo o ambiente e, do ponto de vista do escritor, possuidor da vivência de ter aplicado este exercício inúmeras vezes (é até possível antecipar uma parte das reações mais comuns) quais seriam os objetivos desta nova experiência? De fato, ainda sob este ponto de vista, numa perspectiva mais expandida de espaço e até de tempo, as reflexões podem ser bem diferentes de todas as anteriores. Uma outra dimensão de respostas que, enfim, quem sabe, tenha concluído mais de uma página inteira de considerações. Agora será possível observar em quais dimensões foi mais fácil ou difícil a fluência da linguagem e da expressividade (embora a liberdade extrema estivesse presente desde o início do exercício).
A Jornalista Objetiva
Certo dia, enquanto realizava um seminário, observei que, durante a realização deste exercício, havia entre os participantes uma moça de olhos arregalados. Enquanto seus colegas permaneciam absortos, fazendo cada etapa da experiência, ela olhava para o que escrevera e, ocasionalmente, olhava para mim. Concluí que estava “cozinhando” algo dentro de si. Terminada a vivência, perguntei aos presentes o que haviam percebido.
A moça, então, ainda com seus olhos bem abertos, olhou o texto mais uma vez e, voltando-se para mim, disse: “Eu estou muito surpresa! Estive lendo aquilo que escrevi e observei que a minha linguagem ficou excepcionalmente objetiva!” Pensei... Objetividade por objetividade... O que se faz com isso? Então perguntei: “O que isso, afinal, representa para você?” Ela respondeu: “O que isso representa?! Eu sou jornalista... Na minha vida profissional inteira, muitas e muitas vezes, precisei ser assim objetiva, e nunca consegui! Nunca fui objetiva!!! Era um tremendo esforço para mim...”.
Eu disse, então: “Ótimo... Daqui por diante, você possui duas alternativas: uma delas, a mais simples, é que, todas as vezes que você precisar desta ‘ferramenta’ chamada objetividade, ‘digite aí, no seu computador interior’: ponto de vista de um objeto inanimado para entrar em contato (ou poder fazer uso desse ‘instrumento mental’) com a sua própria objetividade. Nesse caso, você a descobriu acidentalmente, dentro de si mesma, durante este exercício”. De fato, não tinha sido eu que havia feito uma descrição objetiva, ela é que tinha conseguido isso!
Objetividade era apenas uma das “ferramentas” que possuía, e nem sabia existir dentro de si. A segunda alternativa que considerei, bem mais complexa, também mais significativa, seria que, enfim, naquele momento, motivada por aquela descoberta, poderia iniciar uma nova jornada em sua vida. Uma etapa na qual estivesse, consciente ou inconscientemente, empenhada em desconstruir aquela identidade que não incluía uma série de “ferramentas” e possibilidades que estavam dentro dela, tanto quanto a objetividade, mas que, por algumas razões muito importantes, não faziam parte de sua identidade consciente. Por muitos anos, durante nossa educação e o longo processo de sociabilização, construímos, detalhada e inconscientemente, nossa personalidade. Um dia, porém, mais cedo ou mais tarde, podemos nos sentir constrangidos por seus limites. Então é chegada a hora de buscarmos e encontrarmos quem somos, realmente, em nossa essência, além de nossos comportamentos sociais aprendidos. Um reencontro, em geral, empreendido inconscientemente, graças à tensão tornada aparente pelo confronto entre a “pressão” de nossa expressividade mais pura, em permanente desenvolvimento e amadurecimento, e as fronteiras e armaduras de nossas formas de ser socialmente aprendidas.
Utilizamos Somente 5% de Nossas Capacidades?
Por várias vezes, quer em reportagens ou em documentários nos programas de televisão, escutamos ou vimos que o ser humano mediano tem-se utilizado somente de cinco ou dez por cento de suas capacidades mentais e, talvez, quinze por cento de suas capacidades físicas. Ocasionalmente, alguém contesta tal assertiva, expondo sua opinião de que essas porcentagens podem ser maiores ou menores – até questiona como foram concluídos esses números se não é possível avaliar a capacidade total. Não tenho interesse, neste momento, de fundamentar de onde vêm essas informações, não seria útil para nossos objetivos. Além disso, imagino que cada um de nós, uma vez pelo menos, já ouviu dados semelhantes.
Naturalmente, esse tipo de avaliação está baseado nos paradigmas da civilização na qual vivemos, cujos comportamentos e crenças nos conduzem a aceitar a compreensão de que a realidade é apenas aquela que experienciamos consciente, lógica e racionalmente, ignorando-se grande parte das outras evidências que complementam essa concepção. Ultimamente, a intuição e “outras lógicas” têm conquistado seu espaço e valor. Aqui, o paradigma é completamente diferente. Logo, algumas conclusões decorrentes desses dados serão reenquadradas.
O mais interessante é que talvez não tenhamos formulado a questão seguinte: partindo da observação, quem sabe cheguemos à conclusão de que nos utilizamos de nossa mente e de nosso pensamento quase que integralmente. Pensamos o dia todo: acordamos pensando, vamos dormir pensando e, à noite, se acordamos para ir ao banheiro, pensamos também! Assim, se pensamos durante quase cem por cento do nosso tempo de vida consciente, quando sobra tempo para praticar e utilizar os outros noventa e cinco por cento de nossas capacidades mentais?
A boa notícia é que essa maior parte de nossa existência (95%) funciona o tempo todo! Para a maioria das pessoas, é uma existência independente, que se apresenta ocasionalmente num momento de insight, intuição ou coincidência. Perceba que aquelas seis dimensões de respostas (o que é, o que pode ser, o que eu percebo etc.) coexistiam dentro de você mesmo(a). Se, já conhecendo a experiência anterior, fôssemos repeti-la com outros objetos, ou mesmo com outros pontos de vista, não precisaríamos seguir exatamente aquela seqüência. Todas aquelas dimensões de percepção estão coexistindo dentro de cada um de nós, basta saber encontrá-las quando precisamos, assim como aquela jornalista encontrou sua própria objetividade.
Portanto, criatividade, assertividade, tranqüilidade, sensibilidade, concentração, motivação, bom humor, curiosidade, alegria etc. estão dentro de nós, o tempo todo! Assim, enquanto estamos lendo, não deixamos de perceber as sensações corporais de estarmos sentados, em pé ou deitados; não deixamos de escutar sons, apenas não estamos conscientes dessas percepções. Todas coexistem, simultaneamente, em nosso universo inconsciente.
Identidades
Talvez você já esteja se perguntando: “O que isso tudo, que é muito interessante, tem a ver com os nossos objetivos?” Como comentei anteriormente, esta experiência é uma pedra angular para ativar uma ferramenta inconsciente fundamental para uma compreensão mais profunda e visceral da realidade da aprendizagem inconsciente.
Se você foi aplicado e, como solicitei, respondeu por escrito àquelas seis questões, então agora teremos oportunidade de observar algo de muito interessante. Caso contrário, volte um pouco atrás e complete o exercício, por favor.
Todos que já tiveram oportunidade de conviver, em uma dada ocasião, com pessoas conversando em uma roda na qual estivessem falando mais de um idioma, devem ter percebido, consciente ou inconscientemente, que os bons falantes de línguas estrangeiras possuem identidades diferentes para se comunicar em línguas diferentes. Isso é observável apenas nos bons falantes de outros idiomas. Ao se expressar, mudando de uma língua para outra, alteram sua voz, ritmo (e, por conseqüência, respiração), entonações, velocidade e freqüência de gestos, expressão facial, tônus muscular e até a coloração de pele (se permanecerem alguns minutos expressando-se em apenas um dos idiomas).
Certamente, essas pequenas alterações são bastante sutis, porém, bastante evidentes para um observador atento. Se, entretanto, neste momento, você não se lembrar desses fatos, agora poderá se utilizar daquelas seis respostas que deu por escrito para comparar minuciosamente a sua própria caligrafia e fluência registradas em cada uma das respostas. Como variáveis de análise, observe: inclinação, curvatura, tamanho e espaçamento entre letras; inclinação e espaçamento entre palavras e linhas; tensão da caneta ou lápis sobre o papel (o quanto está marcado em relevo o lado oposto da página na qual escreveu); fluência das idéias; quantidade de rasuras ou gíria; linguagem mais telegráfica ou prolixa; tipos de idéias ou sentimentos relacionados etc.
Perceba que, para cada estado interior, possuímos uma determinada identidade motora e nervosa. Sim, toda a nossa tensão e tônus muscular se relacionam com nossos estados emocionais. Especificamente, considerando a aprendizagem de alto nível de outros idiomas, estaremos empenhados em construir uma nova identidade motora respiratória, vocal, sensitiva e cognitiva como um “solo fertilizado” para que o repertório de palavras da nova língua possa ser “plantado e dê frutos” em nossa mente, associado naturalmente à nossa expressividade, como um caminho alternativo de expressão para nossa identidade mais profunda. Isto é, durante este programa, estaremos resgatando uma dimensão de existência mais essencial, que reside “atrás” de nossa “personalidade”, para construir “outras personalidades” próprias para a expressão e comunicação em outros idiomas. Naturalmente, para a compreensão dessa explicação, não estou utilizando-me da terminologia usada por psicólogos ou psiquiatras, nem sequer sendo fiel às suas conceituações. O que me interessa é, pelo menos, uma compreensão intuitiva que acompanhe as percepções que apontei imediatamente antes. Por essa razão, muitos dos conceitos de identidade, personalidade etc. podem ser considerados entre aspas. Para concluir, retorne uma vez mais ao parágrafo sobre “Traduções”, da ABORDAGEM COGNITIVA, para se lembrar as diferenças sócio-culturais envolvidas no sentido do pronome pessoal da primeira pessoa do singular.
Aqui percorreremos um caminho duplo:
1.
estruturar a nossa percepção para aprender e arquivar a nova língua num “local” propício para sua utilização e resgate, quando de interesse;
2.
desestruturar, momentaneamente, nosso automatismo verbal para colocar, neste ambiente inconsciente, novas alternativas de expressão.
Por essas razões, estaremos nos utilizando de um caminho pouco inteligível inicialmente, porém, efetivo nos resultados a partir da experiência prática.
A estratégia completa se constitui de sete passos essenciais que incorporam alguns outros procedimentos de apoio, que, por sua vez, nos proporcionarão benefícios em outros ambientes de vida, além do aprendizado de idiomas. Na eventual utilização deste método com crianças, sugiro o mínimo formalismo possível. Torne tudo uma grande brincadeira, sem exageros ou grandes solicitações técnicas – contar histórias em língua estrangeira e cantar, entre outros, são ótimos caminhos. Além disso, não teria certeza de propor algo diferente para um adulto... Essas “brincadeiras” todas certamente interferirão na auto-imagem de quem as praticar, mesmo que solitariamente, concorrendo assim para a construção de uma identidade mais flexível – condição necessária para se falar um outro idioma.
Os sete passos da estratégia estão relacionados a seguir, de acordo com os objetivos a serem atingidos:

Algumas vezes fui procurado por pessoas com problemas de disfluência (o nome científico da “gagueira”). Observei que este trabalho proporcionou ganhos interessantes aos portadores dessa característica. Não saberia afirmar ao certo como, exatamente, o programa OLeLaS – FEEA agregou resultados: se na atenuação do estresse próprio de algumas situações ou da tensão interna que não lhes permite coordenar adequadamente a musculatura do diafragma ou garganta; se propriamente no aprendizado motor rítmico da fala (um “gago” não “tropeça” quando canta, dizem); se no despertar de uma nova forma de expressão que se apresente através de uma outra identidade um pouco mais flexível; ou seja lá como possa ser compreendido – os resultados, entretanto, eram mensuráveis.
1) Percepção de Ritmos
Sugiro que, inicialmente, você utilize músicas, como está proposto no Apêndice
1. Este é um caminho bastante rápido para ativar as necessárias percepções
de ritmos. Se, entretanto, já tiver bastante familiaridade com a música,
pode iniciar um trabalho paralelo ao proposto, buscando identificar a pulsação
do discurso correntemente falado. Essa sintonia com oradores agregará um
grande discernimento de sons da língua em que quiser falar fluentemente.
Exercício 1 (prática em duplas): escolha uma música que possua ritmo definido e bem marcado, no início. Durante meus seminários, gosto muito de utilizar “Canon in D”, de Johann Pachelbel (Largo). Utilize, de preferência, músicas instrumentais ou clássicas. Encontre um parceiro com quem praticar. São dois papéis bem definidos, porém, intercambiáveis (viva este exercício em ambos os papéis: praticante e treinador). Pratique com pessoas diferentes, na medida do possível. As tarefas são as seguintes:
Praticante: vai falar sobre qualquer assunto enquanto se mantém batendo palmas na pulsação (ou alguns dos ritmos constantes) da música que permanece tocando.
Treinador: também permanece batendo palmas no ritmo da música, enquanto ajuda o praticante a se lembrar de bater palmas na pulsação da música. Caso o praticante tenha dificuldade de encontrar corporalmente o ritmo, o treinador deve bater sua mão nas costas, braços ou perna do praticante, proporcionando-lhe um estímulo tátil (isso facilitará sua sintonia futura com ritmos externos). Caso o praticante não consiga conectar seus ambientes cognitivos (ou seja, fique em silêncio, mudo), o treinador deve ajudar formulando perguntas abertas (cujas respostas não possam ser apenas sim ou não). Alerta: não se deixe envolver pelo assunto da conversa. Lembre-se, seu papel é de treinador, caso contrário vocês correm o risco de estarem no mesmo ritmo, porém desconectados do ambiente externo!
Observações:
a)
Por que as palmas? A utilização do bater palmas, durante a prática dos exercícios, é muito importante nas etapas iniciais desta metodologia (primeiro ou segundo mês). A finalidade é associar à percepção de ritmos, estímulos nervosos motores e sensores que ajudem a captação inconsciente mais rápida e profunda. Essa tarefa paralela também integra, na comunicação verbal, uma participação maior das atividades de processamento cerebral do hemisfério direito – para algumas pessoas, aqui se inicia o chamado desbloqueio. Para compreender como as estimulações nervosa motora e nervosa sensora contribuem para a construção da nossa identidade proprioceptiva e, por conseguinte, de uma nova identidade de expressão, consulte o livro “Consciência pelo Movimento”, de Moshe Feldenkrais.
b)
Quantas pessoas você não conhece que, enquanto estão se expressando, não
estão percebendo nada do que acontece a sua volta? Se for uma “conversa”
ao telefone, enquanto discursam, se você sair para tomar um café e voltar,
talvez elas nem se dêem conta de sua ausência(!), ou seja, quando conectadas
ao universo interior, fecham completamente todos os canais de percepção.
De outra forma, muitas vezes consideramos desconcentração ou dispersão
quando, ao ouvir uma outra pessoa, nossa mente permanece irrequieta. Podemos
sim, viver em mais de um ambiente mental ao mesmo tempo, mesmo porque,
muitas vezes sem saber, eles estão de alguma forma interligados, mesmo
que não sejam aparentes essas conexões.
Exercício 2 (prática em duplas): refaça o exercício anterior, incluindo uma nova tarefa para o treinador: além de bater palmas com os ritmos da música e de estar atento e pronto a ajudar o praticante a desenvolver sua habilidade de estabilizar um determinado estado mental (freqüência cerebral) no qual lhe seja possível estar atento, ao mesmo tempo, aos universos interior e exterior, agora o treinador deve manter em mente uma pergunta embutida, simples e não invasiva de privacidade, que não será formulada verbalmente (ao longo do exercício) como uma dimensão paralela de processamento mental. Observe se, ocasionalmente, o praticante responde a essa pergunta, dá evidência ou se o assunto da conversa, naturalmente, se aproxima do assunto ao qual corresponda a pergunta. Recordando as tarefas, então:
Praticante: se mantém batendo palmas no ritmos da música enquanto fala sobre qualquer assunto.
Treinador: mantém o ritmo no corpo, ajuda o praticante a se manter no ritmo e mantém em mente uma pergunta simples sobre o parceiro (não deve falar a pergunta durante o exercício nem conduzir a conversa para os ambientes da resposta).
Observação: A pergunta embutida é algo bastante cotidiano em nossa vidas, por mais esquisito que possa parecer; algumas pessoas chamam-na agenda oculta. Tipicamente observamos sua ocorrência natural em duas situações diárias: numa negociação, temos intenções, mesmo que numa atitude ganha-ganha, que não são formuladas verbalmente (não adianta perguntar ao outro negociador qual é o limite de sua margem de negociação); entretanto, as perguntas embutidas orientam a “dança” da negociação na busca de soluções interessantes para ambas as partes. Numa conquista afetiva, muitas vezes queremos saber coisas sobre a pessoa envolvida que não formulamos verbalmente, enquanto não é chegada a hora e o grau de intimidade adequado para isso; não obstante, essas perguntas permanecem habitando nossas mentes, ativando nossa curiosidade e, na “dança” da conquista, muitas e muitas vezes são respondidas antes que perguntemos explicitamente. Neste exercício, entretanto, existe uma diferença fundamental: a pergunta embutida, simples e não invasiva de privacidade, além de não ser formulada verbalmente, não deve servir para orientar ou encaminhar o assunto da conversa em direção aos ambientes da resposta, isto é, não dê indiretas ou dicas do assunto, apenas mantenha-a em mente e observe se, natural e espontaneamente, durante o discurso do praticante, ela é ou não respondida.
Finalidades: desenvolver e estabilizar um determinado estado mental, no
qual estejamos simultaneamente conscientes do ambiente interior (pensamentos,
idéias, sentimentos e sensações) e do ambiente exterior (sons e ritmos
da música). Este é um primeiro exercício de hiperestimulação mental – um
estado alterado de consciência de hiperativação.
Exercício 3 (prática individual): escolha uma música, cantada na língua que quer aprender a falar, e a coloque para tocar. Seu único trabalho é encontrar o ritmo e bater palmas na pulsação desta música enquanto ouve a voz do cantor, suas inflexões rítmicas e tonais. Numa segunda ou terceira passagem da música, pode acompanhar com aquele lá, lá, lá ou hum, hum, hum internos, de acordo com as sonoridades e notas musicais que escuta. Numa fase mais adiantada, dependendo de sua familiaridade com a música, encontre a pulsação e a “música” (entonações e ritmos) da linguagem falada fluente. Conforme tenha se familiarizado com os ritmos, encontre a letra original dessa música e, ao tocá-la, mantenha o bater de palmas e acompanhe com os olhos a grafia do que é cantado. Não leia! Apenas acompanhe com os olhos: nossos hábitos de leitura e eventual subvocalização da língua portuguesa não servem para todos os idiomas a serem aprendidos (considerando os ritmos e entonações diferentes, mal servem para ler o português falado no interior de Portugal! Exagerando um pouco, evidentemente).
Finalidade: estabelecer um primeiro contato com os ambientes de registro e captação de vocabulário do idioma em que estamos interessados em desenvolver fluência.
2) Ataques Silábicos
A silabação é um importante processo para flexibilizarmos nossos automatismos verbais e de leitura da língua portuguesa. Parecerá uma grande brincadeira, porém, é uma etapa muito importante da estratégia.
Exercício 1 (prática em duplas): utilizando-se de música, clássica ou instrumental, preferivelmente, com pulsação definida, desta vez mudarão as tarefas do praticante:
Praticante: vai falar sobre qualquer assunto enquanto se mantém batendo palmas de acordo com sua própria silabação. Agora cada palma deverá estar intimamente associada a cada sílaba das palavras. Por exemplo: “se fôs-se-mos di-zer es-ta fra-se ao pra-ti-car es-te e-xer-cí-cio”, deveríamos bater as palmas vinte vezes até antes da vírgula – cada uma no exato instante da emissão de cada sílaba de cada palavra dessa frase. O praticante fala, novamente, sobre qualquer assunto, como no exercício dos ritmos, porém bate palmas de uma forma diferente, agora. O importante é que, ao falar, esteja batendo palmas com os ataques silábicos que correspondem aos sons das palavras que emite. No começo é bastante estranho, isso retirará a sua fluência e as palavras se tornarão sincopadas. Conforme nos acostumemos, as palmas acompanharão, naturalmente, o ritmo da fala (apenas um pouquinho mais lenta, porém muito mais coordenada).
Treinador: mantém as mesmas atividades dos exercícios anteriores (lembre-se, seu papel é extremamente importante para o praticante; não obstante, seja flexível e macio nas suas intervenções, lembrando que, na dimensão da aprendizagem inconsciente, a atitude é muito importante; se você for “duro” em suas interferências, provavelmente obstruirá a comunicação profunda, rompendo assim a efetividade e a utilidade de suas ações e conquistando a indiferença ou desconsideração do praticante):
Observações:
a)
Poucas pessoas conseguem fazer este exercício sem, inicialmente, diminuir o ritmo e a velocidade da fala. Portanto, treinador, fique muito atento para não ser enganado! Seu papel ao sinalizar as falhas é muito importante para o praticante.
b)
Lembre-se de que essas vinculações de novos padrões motores e de percepção
coordenados com a fala criam uma importante interferência na formulação
automática da linguagem falada. Essa desestruturação parcial de automatismos
verbais será importante em seções posteriores.
Exercício 2 (prática individual): trabalhando com aquela música cantada na língua que quer aprender, utilizada no exercício dos ritmos, agora você deverá bater palmas que acompanhem os ataques silábicos do cantor. Sua atenção deve estar nas sonoridades e sons de cada sílaba e palavra escutada.
Observação: No caso de estar praticando este exercício com a língua inglesa, fique muito atento para não bater palmas nas letras mudas – a maior parte das letras mudas na língua inglesa não é pronunciada. Seus sons somente aparecem quando existe uma vogal após, tornando-se um som de ligação. Não são sílabas projetadas pela voz, apenas a dicção e a articulação motora da boca se configuram, sem pronunciar o som explicitamente. O risco de não se considerar esta observação é que, ao pronunciar as letras mudas, rompem-se o ritmo e as inflexões tonais da língua falada.
3) Voz Interna
Esta é uma das mais importantes etapas da estratégia. É uma fundamental
referência interior para o nosso desenvolvimento e aprendizado de idiomas.
É um “farol na noite escura”, ou “a luz no fim do túnel”:
Exercício 1 (prática em duplas): este exercício é composto de duas etapas complementares. À primeira chamamos calibragem (denominação e prática provenientes da Programação Neurolingüística), uma etapa na qual mostramos ao nosso parceiro como funcionamos naturalmente – ele deve prestar atenção para identificar os detalhes de nossa expressão não-verbal; a segunda é uma etapa de teste para avaliarmos se realmente o nosso parceiro conseguiu perceber nosso funcionamento, isto é, se sua percepção foi treinada o suficiente:
1ª fase – Calibragem: escolha um verso simples, um provérbio ou um dito popular qualquer para utilizar neste exercício. Agora selecione três ou quatro fantasias ou memórias que despertem sentimentos, estados ou atitudes diferentes, tais como: alegria, atenção, curiosidade, excitação, tranqüilidade, saudade etc. (naturalmente, sugiro a escolha de bons sentimentos). Lembre-se de um dos fatos, ocasiões ou fantasias em que teve um desses sentimentos ou estados interiores e avise o seu parceiro que isso corresponderá ao primeiro cenário. Entre nesse ambiente, viva por alguns instantes em sua mente essa memória ou fantasia e, quando sentir-se presente naquela “realidade” de uma forma natural, repita a frase ou verso escolhido previamente. Repita esses procedimentos para cada um dos cenários, memórias ou fantasias, de modo que, ao informar seu parceiro sobre os cenários um, dois, três e quatro, de cada vez, os sentimentos que estejam acompanhando cada frase ou verso possam ser registrados com a sua forma particular de expressão. Devemos repetir essa fase três ou quatro vezes, quantas sejam necessárias para que o nosso parceiro perceba as diferenças e se sinta seguro em avaliar nossas características de expressividade não-verbal.
2ª fase – Teste: agora testaremos a percepção de nosso parceiro. Entre aqueles cenários escolhidos e mostrados a ele(a) previamente (três ou quatro), escolhemos aleatoriamente um e, sem informá-lo de qual será, apenas avisamos que estaremos entrando na memória ou fantasia e proferimos a frase ou verso. Após escutar, o parceiro(a) deverá identificar em qual dos cenários estivemos. Explicando de outra forma, escolhemos um daqueles estados interiores, nos lembramos deles, estabilizamos na consciência a memória ou fantasia correspondente, e falamos o verso ou frase. Nosso parceiro(a) deverá identificar em qual dos cenários entramos. Repita este teste de quatro a seis vezes. O objetivo deste exercício não é apenas testar a competência em identificar a expressão não-verbal, mas também criar uma ocasião para treinarmos nossa percepção.
Observação: Não tente interpretar os sentimentos ou percepções, apenas identificar os parâmetros não-verbais que acompanham cada recitar do verso, provérbio ou frase, tais como: expressão facial, coloração da pele, tensão muscular, ritmo e tonalidade de voz, velocidade da fala, volume e altura da voz etc. Repito, não há necessidade nem interesse, para este exercício, de julgar ou interpretar sentimentos – apenas padrões que possam ser mensurados através de nossos cinco sentidos básicos. Pratique este exercício vivendo os dois papéis diferentes: de quem escolhe os cenários e fala as frases ou versos e de quem escuta e tem por objetivos treinar a percepção de identificar os padrões não-verbais de comunicação. Conforme tenha praticado este exercício algumas vezes (até com parceiros diferentes), sua percepção da expressão não-verbal terá se orientado melhor em sua consciência. Você estará pronto, então, para o próximo exercício.
Exercício 2 (prática em duplas): repita o exercício anterior com outros parceiros ou, se for o mesmo parceiro, com estados interiores diferentes (conseqüentemente, outros cenários), porém, agora, com os olhos fechados. Lembre-se, o exercício possui duas etapas:
1ª fase – Calibragem: avise o parceiro em qual cenário estará entrando e diga a frase ou verso quando tiver estabilizado as sensações e sentimentos correspondentes àquele determinado estado interior.
2ª fase – Teste: escolha, aleatoriamente, um dos três ou quatro cenários “calibrados”, entre nesse estado, memória ou fantasia até estabilizá-lo e, sem informar qual é, diga a frase ou verso para que ele possa avaliar suas percepções e identificar o cenário que corresponde a tal estado interior.
Finalidade: Desenvolver a percepção de padrões não-verbais da audição.
Você já deve ter observado como qualquer mãe sempre sabe quando seu filho
pequeno mente (mesmo que não saiba explicar), até que a criança aprenda
a mentir congruentemente e, muitas vezes, com os próprios pais.
Exercício 3 (prática individual): você pode observar como funcionam os padrões não-verbais de expressão em uma condição controlada. Experimentemos agora como isso funciona dentro de nós mesmos:
a)
usando sua voz interior, ou o seu pensamento em palavras, afirme dentro de si mesmo algo que seja verdadeiro. Enquanto estiver repetindo a frase simples que seja verdade, observe como é essa “voz” interior: se ela é mais alta ou mais baixa, mais aguda ou mais grave, como são o ritmo e a entonação, localize de onde ela vem (nem sempre ela vem dos ouvidos) e de onde você sente que a emite (nem sempre é pela boca);
b)
novamente, com a voz interior, fale algo que seja incerto ou duvidoso e, mais uma vez, identifique suas características e percepções subjetivas: volume, tonalidade, ritmo, entonação, local de emissão e recepção. Observe que aquelas variáveis percebidas no parceiro, nos exercícios 1 e 2 imediatamente anteriores, agora podem ser modeladas ou identificadas em nossa própria experiência subjetiva;
c)
repita mais uma vez com uma afirmação que seja uma mentira. Identifique mais uma vez as características dessa voz e compare com as anteriores;
d)
uma última vez, fale uma gozação ou ironia, mantendo, entretanto, o tom de afirmação. Observe e compare com as anteriores.
Finalidade: Nos conscientizar de nossas vozes interiores, flexibilizando
nossa racionalidade para aceitar um universo mais perceptual e menos lógico.
Esse é um dos canais de acesso ao nosso mundo interior.
Exercício 4 (prática individual): utilize aquela música de língua estrangeira
que foi trabalhada com os ritmos e ataques silábicos para cantá-la, agora,
utilizando sua voz interior. Sua tarefa é cantar com sua voz interior,
escutando também com atenção os sons da voz do cantor, mantendo o ritmo
da música nas palmas e acompanhando com os olhos a letra original por escrito
(não pronuncie o que imagina ser através da leitura; mesmo que enrole a
língua, utilize-se dos sons que escuta como referência – a letra escrita
é somente para identificar a grafia; devemos abandonar os nossos hábitos
de leitura, pois eles não servem para todos os outros idiomas).
Exercício 5 (prática individual): repita o exercício 4 (anterior), utilizando, além da voz interior e do ouvido atento ao cantor, a prática dos ataques silábicos nas palmas.
Finalidades:
a)
Observar o quão precisa é a nossa voz interior e o quanto ela se desenvolve rápido (reveja, na ABORDAGEM COGNITIVA, o item “Lembrando-se do Caminho”);
b)
Construir evidências de um paradigma completamente novo na aprendizagem de línguas, que poderá ser chamado de Aprendizagem Inconsciente de Idiomas;
c)
Criar uma referência interior de percepção do nível de desenvolvimento
da sonoridade da língua.
Observação: Há aqueles cuja voz interior é uma imitação tão fiel da voz do cantor que quase os faz acreditar não terem a própria voz, mas sim um sintetizador interno mental. Essa é uma evidência a mais de que todos nós, inconscientemente, possuímos a capacidade de imitação de vozes; entretanto, poucos a praticaram com a voz “real” para desenvolver a coordenação necessária dos padrões motores do aparelho fonador.
Interlúdio 1
A qualidade e a precisão evidentes da voz interior ao imitar os ritmos, entonações e até dicção na língua estrangeira nos conduzem a afirmar e acreditar que, inconscientemente, já falamos aquela língua que queremos desenvolver – assim como aquela jornalista era objetiva, e nem sequer sabia disso (vide “Jornalista Objetiva”, na primeira parte da ABORDAGEM EXPERIENCIAL – Posições Perceptivas). Considerando que em apenas duas horas de projeção de um filme legendado todas as principais palavras do dia-a-dia foram ditas, e que tendo escutado ao longo da vida pelo menos trinta músicas diferentes na língua que queremos saber falar, podemos afirmar que, pelo menos inconscientemente, já sabemos essa língua, pois, no mínimo, através de nossa percepção periférica (audição e visão), já capturamos esses estímulos.
Para reforçar suas crenças a respeito da aprendizagem inconsciente, consulte o livro “Fotoleitura”, de Paul Scheele. Sendo assim, partindo do pressuposto de que não mais necessitamos aprender tal língua (dado que já a conhecemos inconscientemente), mas sim trazê-la à nossa consciência, toda a nossa abordagem começa a ganhar um sentido. A principal evidência dessa afirmação é a extrema qualidade da nossa voz interna – ela profere sons que nossa mente inconsciente já conhece, por isso é mais precisa. Isso, é claro, desde que a pessoa que experimenta já tenha sido exposta às sonoridades da língua que quer ativar.
Pense bem, quando queremos sintonizar uma determinada estação de rádio,
sabemos que dependemos de um aparelho de rádio para isso. Não obstante,
também sabemos que todo o ambiente está imerso num “verdadeiro mar” de
radiofreqüências, que coexistem, ocupando o mesmo espaço ao mesmo tempo!
Para escutar uma determinada estação com o nosso aparelho de rádio, precisamos
procurá-la no dial ou seletor de freqüências. Da mesma forma, dentro de
nós, devemos flexibilizar nossas freqüências mentais para encontrar os
ritmos e entonações nos quais foram registradas várias percepções capturadas
por nossa percepção periférica. Quer essa explicação seja coerente ou não,
caso você acredite ou não, garanto que, se fizer algumas experiências e
flexibilizar sua capacidade de alterar estados mentais (de consciência),
estará caminhando a passos largos para desenvolver sua habilidade de se
comunicar inter e “intrapessoalmente” e de falar outras línguas.
Exercício 6 (prática individual): repita o exercício de praticar com a voz interior sem, necessariamente, as outras técnicas, ou seja, palmas ou acompanhamento da letra com os olhos. Agora o objetivo é apenas desfrutar da percepção da qualidade e cristalinidade da voz interna. Aproveite e divirta-se!
Finalidades:
a)
Colher experiências que nos convidem a rever o paradigma dos processos de aprendizagem consciente e, quem sabe, fertilizar o solo para que esta nova semente, a da aprendizagem inconsciente, possa ser, pelo menos, aceita como possível;
b)
Construir alguns dos mais importantes recursos na aprendizagem de idiomas: o referencial interno e a fantasia auditiva.
4) Voz Externa
Temos por objetivo, aqui, percorrer o caminho do desenvolvimento de uma
condição motora que nos permita fazer uso do repertório já aprendido para
a livre expressão através da fala.
Exercício 1 (prática individual): esta será uma longa e minuciosa exploração da natureza de nossa voz. Não há muitas regras para fazer este exercício, exceto manter a curiosidade bastante presente. Escolha alguns assuntos para falar, não importa quais sejam, o importante é estar falando para poder ouvir sua própria voz. Vou propor algumas buscas, então comece a falar:
a)
Sem parar de falar, comece a movimentar a cabeça para diferentes posições que interfiram naturalmente na coordenação de tensões nos músculos do pescoço; mova a cabeça à frente, deixando-a cair, faça o mesmo para trás e para os lados, como se olhasse para as costas. Experimente também, mantendo a cabeça ereta e alta, projetar o queixo à frente e depois para trás em direção ao pescoço. Experimente tudo o que puder e observe como as tensões geradas no pescoço interferem com a sonoridade, rouquidão e afinamento da voz;
b)
Sem parar de falar, coloque seus dedos ou mão à frente da boca para perceber que os diferentes sons são emitidos através de sopros que possuem diferentes pressões ou quantidades de ar;
c)
Ainda sem parar de falar, vá tocando com as mãos diferentes regiões da cabeça, pescoço e tronco para perceber como as vibrações da voz e da expiração controlada pelos sons fazem vibrar diferentes partes do corpo, ou seja, coloque as mãos sobre as bochechas, têmporas, parte posterior da cabeça, na “tampa” (parte superior da cabeça), na testa etc., e encontrará as principais cavidades de ressonância que temos na cabeça. Coloque as mãos no pescoço, parte posterior, lateral e depois sobre a garganta ou pomo-de-adão (para os homens); observe como vibram essas regiões também. Experimente, agora, os ombros, peito superior, peito médio e costelas – emita sons mais nasais e observe que, às vezes, vibra também. Depois, abdômen superior, médio e inferior – os bons cantores fazem vibrar até o períneo (senão, talvez, todos os ossos);
d)
Coloque agora, sem parar de falar, as mãos em forma de concha sobre as orelhas, tampando-as: perceberá que, abafando os sons provenientes do exterior, temos uma determinada forma de perceber a própria voz – especialmente pelos ouvidos internos. Sim, existe um canal que liga nossa laringe aos ouvidos – por isso escutamos. Abrindo a concha das mãos pela frente, perceberá que os sons escutados por fora se amplificam. Pode também brincar e, fechando a concha pela frente, abri-la por trás e descobrir como é o som da própria voz ouvida pelas costas;
e)
Agora, ainda falando, mas sem todos esses recursos de percepção, apenas utilizando-se de sua coordenação motora e posição da cabeça, levemente projetada à frente ou para atrás, procure qual é a melhor de suas vozes possíveis, aquela mais aveludada, mais agradável e macia. Precisará praticar um pouco até conseguir encontrá-la e estabilizá-la.
Finalidade: Sensibilizar nossas percepções para iniciar o treinamento da
voz externa coordenada com nossas percepções auditivas.
Exercício 2 (prática em duplas): escolha um parceiro que será seu treinador
para praticar o exercício dos ritmos. A ênfase agora, entretanto, é que
ele ajude você a se lembrar de escutar a própria voz pelo ouvido externo,
até que você consiga modular o som da própria voz enquanto conversa. Lembre-se
de que, como treinador, deve manter a prática da pergunta embutida.
Exercício 3 (prática em duplas): repita o exercício anterior com os ataques silábicos. Mais uma vez, pratique a pergunta embutida.
Exercício 4 (prática individual): toque aquela música cantada na língua que está praticando e, mantendo o ritmo nas palmas, ouvidos no cantor e olhos na letra, agora deverá cantar. Cante, cante e cante, mas somente aquilo que escuta (não o que lê), assim estará desenvolvendo sua dicção e coordenação motora de fala e de respiração, extremamente importantes para podermos ativar, posteriormente, os conhecimentos da língua.
Observação: Se, durante a prática de cantar, porventura, você “tropeçar”, gaguejar ou tiver dificuldade específica com algum som a ser articulado, use um artifício para desenvolver sua fluência mais rapidamente: não insista apenas mecanicamente na prática do som, volte inicialmente para a sua voz interna e, quando ela estabilizar, deixe que brote naturalmente de sua boca na forma de voz externa (elas estão intimamente vinculadas; ao treinarmos uma, estaremos também desenvolvendo a outra). Esse é um importante recurso que economiza esforço e não nos deixa desanimar por acharmos que alguns sons possam ser muito difíceis ou estranhos.
Interlúdio 2
Num belo dia, como contei anteriormente, resolvi aprender a escrever com a mão esquerda. Não houve necessidade de aprender a ler ou a escrever novamente – isso eu já sabia, só precisei desenvolver a coordenação motora fina da mão esquerda (foi tudo muito mais rápido, previsível e consciente, ou seja, sabia para onde me encaminhava, podia observar a evolução semana a semana, e isso me proporcionava uma noção de processo a ser percorrido etapa por etapa).
Então comecei a praticar, pois minha sensibilidade motora não era compatível com a velocidade de expressão escrita que possuía, minha mão esquerda não tinha ainda sido treinada naqueles movimentos precisos e não conhecia a devida tensão muscular necessária e suficiente para a escrita fluente. Os gestos não eram ainda, naquela época, naturais e automatizados. Faltava-me o treino motor do sistema nervoso e a prática mecânica propriamente dita. Evidentemente, como disse, todo esse caminho foi bastante abreviado pelos atalhos que encontrei ao utilizar minha experiência anterior com a mão direita, somada à utilização da imaginação ativa de, sempre que possível, mentalmente estar praticando com a mão esquerda – a utilização da imaginação em processos de aprendizagem é uma das mais poderosas e rápidas formas de ensinar à nossa mente inconsciente novas atividades.
Lembre-se de qualquer coisa que você faz ou fez com excelência e também
lembrará que, durante o processo de aprendizagem e prática freqüente dessa
habilidade, certamente tais experiências, memórias e planos conviviam em
sua mente, elaborando, solucionando e fantasiando a realização e efetivação
da prática. Lembre-se também do paradigma básico desta tecnologia FEEA:
a excelência faz parte de nós, basta encontrar-lhe os caminhos.
Exercício 5 (prática individual): repita o exercício anterior, agora utilizando
os ataques silábicos nas palmas. Mantenha o treino das outras habilidade
conjugadas: ouvidos no cantor, olhos na letra e, quando precisar, voz interior.
Exercício 6 (prática individual): agora somente cante e observe se as coisas estão melhorando. Lembre-se: se tropeçar, reinicie com a voz interna; assim é bem mais fácil, agradável e rápido aprender.
Finalidade:
a)
Treinar nosso aparelho fonador (boca, língua, dicção, respiração e expressão) para falar aquilo que estamos ativando e resgatando de nossa mente inconsciente com os ritmos, freqüências e com a voz interna;
b)
Construir em nosso corpo uma condição favorável para a nova identidade sonora e rítmica.
5) Construção dos Cenários
Esta é uma importante etapa, na qual se vinculará compreensão às palavras e sonoridades, ou seja, a genuína expressão. Grande parte do trabalho realizado nos exercícios anteriores contribuiu para que, nesta parte, haja maior desempenho. Caso tenha pulado os exercícios anteriores e sinta alguma dificuldade nesta parte, experimente voltar e realizá-los para tentar uma nova experiência aqui. Caso contrário, sentindo-se confortável, siga adiante.
Einstein dizia algo muito interessante: o seu maior trabalho não era, exatamente, pensar naquilo que pensava, e sim traduzir seus pensamentos e percepções em linguagem. Fosse a linguagem verbal, fosse a linguagem dos símbolos matemáticos, ele, como poucos grandes cientistas ou grandes filósofos, possuía vida consciente em um ambiente onde ainda não havia sido formulada a linguagem. Para a maior parte dos seres humanos de nossa época, esse é um ambiente situado fora da atividade consciente. Quando os pensamentos, enfim, chegam à consciência, já estão estruturados em linguagem. O diagrama seguinte representa aproximadamente essas considerações.
Para a grande maioria das pessoas, a região à esquerda da linha pontilhada é uma área nebulosa ou semi-escura (onde a linha pontilhada poderia representar uma “cortina” detrás da qual surgem os pensamentos já formulados em linguagem). Isto é uma representação válida, muitas vezes, mesmo para quem possui uma boa capacidade de visualização consciente (criar imagens conscientemente).
Se o diagrama anterior permite representar aproximadamente essas ponderações, então aqui podemos entender melhor o que, supostamente, acontece com o aprendizado tradicional de idiomas e o que acontece de diferente no método OLeLaS – FEEA: a maior parte das intervenções de ensino e prática nos métodos tradicionais é efetuada na interface Ë, isto é, depois que os pensamentos foram estruturados na língua mãe de uma forma automática e inconsciente. Não obstante, os professores de línguas e os bons falantes de outros idiomas, regularmente, nos atestam: “Você só aprenderá, realmente, a falar uma língua estrangeira quando aprender a pensar nessa língua!” Maravilhoso! Mas se perguntarmos como se faz isso, em geral obteremos como resposta: “Você deve aprender a língua, não deve traduzi-la, e praticar... praticar... praticar... E, um dia, naturalmente ou milagrosamente, isso vai acontecer...”.
Um evento digno de nota nesse processo é quando o praticante sonha na língua estrangeira pelas primeiras vezes. No método OLeLaS – FEEA, antes mesmo de possuir um grande vocabulário, já estaremos aprendendo a pensar na língua estrangeira. As intervenções de ensino e aprendizagem são feitas diretamente na interface Ê. Mas como, se essa é uma região fora da consciência? Através dos vários recursos de interferência e desestruturação de automatismos na formulação da linguagem, para criar uma pequena lacuna mental na qual vincularemos caminhos alternativos para nossa expressividade – daí a extrema importância de todos os exercícios: não somente para aprender o novo, mas também para interferir no antigo.
No nosso dia-a-dia, experimentamos a realidade dessas idéias quando, ao conversar com alguém, chegamos a um momento de disfluência nas idéias e, comumente, afirmamos: “Puxa vida, eu estou querendo te dizer isso... Mas não estou conseguindo te explicar...”. É, em geral, nessas ocasiões que nos damos conta de que temos dentro de nós um pensamento sendo gestado que não foi estruturado em linguagem. Percebemos sua “pressão” interna e, entretanto, também nos sentimos temporariamente incompetentes em expressá-lo. Nessas situações, de acordo com o diagrama anterior, houve uma falha na estruturação automática da linguagem, interface Ê.
Pois bem, definidas essas considerações, deveremos utilizá-las a nosso favor na reorganização de nossa expressividade. O próximo exercício, como todos os outros, é mais uma brincadeira de crianças. Não obstante, mais uma vez como os outros, deverá também ser vivido com “olhos de adulto”.
Finalidades: Dentro do âmbito deste trabalho de reformulação de paradigmas de aprendizagem e de comunicação, temos neste exercício o objetivo de capturar evidências que nos permitam responder ou nos aproximar das respostas para as seguintes questões e proposições:
a)
Perceber que a comunicação é um processo constante de estimulação e resposta (retroalimentação ou “feedback”), durante o qual temos como objetivo construir a compreensão de algo na mente do interlocutor (caso contrário, chama-se discurso, em que, raramente, existe a preocupação com o interlocutor, seu conforto ou sua compreensão);
b)
Coletar dados e percepções para equacionar a seguinte questão: “Qual é a diferença entre aqueles palestrantes que falam, falam, falam e não dizem absolutamente nada e aqueles palestrantes que, independentemente da quantidade de palavras que utilizam, nos transmitem idéias quase “palpáveis?” E durante suas apresentações, experimentamos um grande fluxo de insights, pensamentos novos ou úteis e idéias que se apresentam extremamente lúcidas e coerentes!
c)
Observar o quão criativos nós somos capazes de ser na comunicação quando temos “algo” para oferecer e a intenção de comunicar. Nesse caso, a estruturação da linguagem (de qualquer natureza) se torna mais universal e eventos curiosos podem contribuir para a nossa transferência de informações, dados e compreensão. Isso é a comunicação profunda. Aqui, além da estimulação consciente (linguagem), de forma natural e inconsciente produzimos gestos impensados e até momentos de silêncio que são extremamente poderosos para efetivar a comunicação (considere como conceito de comunicação aquele da Programação Neurolingüística: comunicação não é o que se diz, mas sim, a compreensão que se obtém do interlocutor).
Interlúdio 3
Quando aprendi minhas primeiras habilidades culinárias (não me considero cozinheiro, porém, não “passo fome” na cozinha), uma das aprendizagens mais curiosas foi o “fazer o arroz”. No princípio, sempre seguia a mesma receita: lavava os grãos, deixava-os de molho na água, preparava um refogado com óleo, cebola, alho, fritava o arroz nesse refogado, fervia a água e a acrescentava, sempre proporcionalmente, o sal, salsinha, às vezes caldo de carne, tomate ou cebolinha etc. Os resultados eram sempre bastante diferentes!
Certo dia concluí que, finalmente, aprendera a fazer o arroz. Hoje, sempre
que cozinho o arroz, faço de uma forma diferente. Inverto a ordem dos ingredientes,
não coloco outros e, quando estou com pressa, jogo tudo junto na panela...
E ele sai sempre igual. Qual é a diferença?
Exercício 1 (prática em duplas): a experiência, já conhecida de muitos, se chama mímica! Porém, mantenha sempre em mente os três objetivos a serem atingidos através desta experiência, para que possa aproveitar ao máximo esta vivência na construção de sua compreensão do programa OLeLaS – FEEA. É importante, para um maior aproveitamento, que você viva este exercício com pessoas diferentes e sempre ocupando os dois papéis: de comunicador e de interlocutor.
Escolha uma experiência real ou virtual (imaginária) que possua um nível de complexidade médio para alto – com, pelo menos, oito a dez detalhes, parâmetros ou informações diferentes e complementares (as variáveis mais importantes são: objetos, lugares, localização definida no tempo, ações, constatações, sentimentos, sensações, épocas e horários... É disso que se constitui a realidade humana mais universal).
O principal objetivo para o interlocutor é descrever em detalhes o cenário que o comunicador escolheu ou elaborou, e que está comunicando através da mímica.
Durante sua comunicação, não se assuste com a complexidade dos cenários propostos (com tantas variáveis). Sempre que tiver alguma dificuldade, pare, se concentre na idéia, cenário ou enredo e, então, dirija sua atenção e intenção para oferecer sua idéia, pensamento ou percepção ao seu parceiro. Então observe o que acontece, espontaneamente, com seus próprios gestos e idéias. Observe também como os momentos de silêncio, nos quais estava se concentrando nas mensagens, criam ocasiões propícias para os insights de seu parceiro.
Considere ainda as possíveis dificuldades na comunicação apenas como sinalizações de trânsito informando que está tentando caminhar na contramão: lembre-se dos conhecimentos coletados na seção “Posições Perceptivas” e flexibilize-se ao máximo, escolhendo um daqueles estados de percepção interiores, nos quais as idéias e pensamentos fluíam melhor.
Observação: Perceba quão importante é, para a comunicação, que nós tenhamos uma idéia precisa a comunicar e também a importância de, permanentemente, interagir com o interlocutor em busca de sua compreensão – isso é comunicação!
Exercício 2 (prática individual): obtenha uma “tradução” (recontextualizada) da música cantada utilizada nas outras etapas do exercício e, agora, sem se preocupar com a significação das palavras (individualmente falando), leia a tradução com o objetivo de construir um cenário, fantasia ou representação interior do que significa a música. Construa-o em sua imaginação ou memória, o mais fielmente possível, porém sem estresse exagerado – confortavelmente.
Observações:
a)
Não se preocupe se não conseguir ter uma consciência ou uma representação visual precisa dos cenários – leia o Apêndice 5;
b)
Não busque a fidelidade da tradução na comparação palavra a palavra. Espero que tenha obtido a tradução de uma fonte segura o suficiente para não ter que se preocupar com isso. Sugiro que não faça as próprias traduções das músicas que irá estudar – não utilize dicionários Português – Língua Estrangeira ou Língua Estrangeira – Português, para não correr o risco de fazer o que sempre fez e que, eventualmente, não deu certo. Utilize apenas dicionários na própria língua a ser aprendida, até atingir um nível mínimo de compreensão do idioma.
Finalidade: Ativar o entendimento e a compreensão e preparar-se para a etapa seguinte, que lhe é complementar.
6) Coordenação dos Cenários
Exercício 1 (prática individual): utilizando-se da etapa anterior, já possuindo em mente uma representação (mesmo que não seja precisa) do enredo ou cenário da música, agora deverá tocá-la novamente para coordenar os pensamentos e sentimentos com os sons e ritmos de expressão nessa nova língua. Mantenha as palmas no ritmo da música (ritmo no corpo), ouvidos no cantor, cantando com a voz interna, olhos na letra em língua estrangeira (caso esqueça o sentido de alguma frase, consulte rapidamente a tradução, que deve estar à mão).
Observações:
a)
Este exercício, como você pode perceber, é multitarefa; você poderá ir integrando aos poucos todas essas tarefas, durante o exercício. Entretanto, sua ênfase maior deve estar na coordenação dos cenários, sentimentos e pensamentos com as novas palavras e ritmos;
b)
O percurso número ¬ corresponde à construção dos cenários, própria da etapa anterior; o percurso número , à coordenação dos cenários – a presente etapa; nunca se utilize do percurso número ®, pois se não caminhar através da mente inconsciente, nunca atingirá os arquivos de memória profunda – esse é um beco sem saída! Repito, nunca encurte o caminho buscando atalhos. Ao manter o processamento das informações apenas na razão ou consciência, ao explorar relações diretas entre língua mãe e língua estrangeira, não estarão sendo estimulados os arquivos de memória profunda, nem construída uma nova identidade, nem sua sensibilidade e percepção poderão ser posteriormente integradas na comunicação. Essa última recomendação se destina às etapas correspondentes aos níveis iniciante e intermediário; quando chegar ao nível avançado, já possuindo mais de uma identidade para se comunicar em mais de um idioma, não haverá mais restrições para esse empreendimento intelectual e racional.
Exercício 2 (prática individual): repita o exercício anterior, utilizando-se
agora da voz externa, além do ritmo nas palmas, olhos na letra e coordenação
do cenário.
Exercício 3 (prática individual): repita novamente com os ataques silábicos
e a voz interna.
Exercício 4 (prática individual): o mesmo com a voz externa e ataques silábicos.
Observações:
a)
Esses vários encadeamentos de práticas servem para “ligar alguns circuitos” que, num prazo de um ou dois meses, passarão a funcionar completamente integrados. Tenha um pouco de paciência agora para colher os melhores frutos em breve;
b)
Escolha cantores dos quais você gosta e músicas que lhe dizem respeito, que falem das suas questões, necessidades e gostos – isso facilita incorporar o papel dos cenários e fantasias. É fundamental para entrarmos em primeira pessoa;
c)
Se a música for boa (como sugeri) e você tiver alguém para quem, sinceramente, gostaria de dedicá-la, cante a música, em sua imaginação, dedicando-a a essa pessoa – perceberá que este artifício nos convida, inconscientemente, a estar em primeira pessoa com mais firmeza;
d)
Caso tenha dedicado a música a alguém e acredite no “poder da oração”,
anote o horário em que praticou o exercício e, se tiver curiosidade, ligue
para essa pessoa e pergunte se algo diferente ou novo aconteceu próximo
àquele horário.
Exercício 5 (prática individual): pratique desta vez sem compromisso com
os outros exercícios, apenas coordene os cenários enquanto canta ou escuta
a música. Observe como, mais naturalmente agora, fluem as representações
internas.
Finalidade: Integrar todas as experiências anteriores com os significados e representações internas com o objetivo de construir a memória profunda do novo repertório de palavras (vocabulário).
7) “Pizza”
Esta é a mais importante etapa da estratégia. Por menos que possa parecer, existem muitas pessoas que aprenderam a falar fluentemente outros idiomas apenas praticando esta etapa: esta é a fase na qual, depois de uma grande estimulação através dos exercícios anteriores, estaremos disponíveis para receber as sínteses, descobertas e sugestões de nossa própria mente inconsciente!
Durante esta fase não existe prática formal, apenas devemos seguir o nosso próprio “faro” e o nosso prazer. São inúmeras possibilidades de experiências com aquela música cantada na língua estrangeira que foi trabalhada em cada uma das etapas anteriores: agora escutaremos aquela música por simples prazer. Deixemos a música a tocar, enquanto descansamos, relaxamos, fazemos experimentos novos, inventamos novas possibilidades etc. Podemos também praticar algum exercício que tenhamos vontade, ou que tivemos mais dificuldade, porém mais descompromissadamente. Talvez tomar café, fazer “bagunça” etc. Nesta etapa, “vale tudo”.
Se você seguir os conselhos de escolher músicas e assuntos para o seu estudo que proporcionem prazer e que despertem uma curiosidade natural, então “Pizza” é o momento final de se divertir e desfrutar deste prazer.
É exatamente com essa atitude mais leve que nossa mente inconsciente, muitas vezes, encontra oportunidade de nos oferecer suas “pérolas” do aprendizado profundo. Nunca subestime o valor e a necessidade desta fase. Especialmente para aquelas pessoas que tinham como paradigma que o aprendizado de idiomas é mais difícil quanto mais experiente é a pessoa (ou mais velha, se quiser); para aquelas que acreditam que devem se esforçar para obter as coisas (caso contrário as coisas não têm valor...); para aquelas que estão muito acostumadas ao Rei “Lógio” (o rei das horas) e que são obcecadas pela economia de tempo; e, por fim, para aquelas que vivem nas grandes metrópoles, já contaminadas pelo “vírus” do trabalho incessante; para todas essas, esta é a fase mais importante: os momentos de flexibilizarem as atitudes da identidade predominante e se renderem à potência da aprendizagem inconsciente.
A aprendizagem inconsciente é constituída de duas dimensões complementares muito importantes: estimulação e repouso ou, se preferir, atividade e descanso. Pouco estresse não proporciona muito aprendizado, muito estresse também não. Existe um nível ótimo de estresse para conquistar o aprendizado profundo. Observe o gráfico seguinte. É uma aproximação interessante que corresponde à curva de aprendizagem em função da estimulação (caso queira se aprofundar, consulte “Psicobiologia de Cura Mente-Corpo”, de Ernest Rossi):
Conclusões
Muitos são os bons falantes de outros idiomas que atestam que o aprendizado efetivo de se falar outra língua tem como condição fundamental a habilidade de pensar naquela língua. Mas nunca dizem como se obtém essa competência. Paul Valery afirmou que “... pensar profundamente é pensar o mais distante possível do automatismo verbal!”. Como, então, intervir numa região reservada já ao processamento inconsciente? Os europeus, desde jovens, têm a oportunidade de aprender mais de um idioma, naturalmente. Embora uma criança européia eventualmente ainda confunda uma língua com outra durante a aprendizagem simultânea, é fato que as misturas de repertório, no futuro, somente acontecerão intencionalmente quando buscar a comunicação com alguém que não compreenda sua expressão natural, ou seja, no intuito de se fazer entender em condições de diferenças de idiomas. Como então é possível registrar repertórios de vocabulário tão extensos em ambientes de memória diferentes? Através dos ritmos e sonoridades que os acompanham. Ao cantar uma música, certamente muito de sua letra será lembrada simulando-se os ritmos e entonações. Esse é o principal segredo de arquivamento e resgate do conhecimento de outras línguas.
Considerando que muitas pessoas que aprenderam a falar línguas não percorreram esse caminho, arriscaria dizer, sem ser leviano, que o passo mais importante desta estratégia é o último: “PIZZA”. Essencialmente, é a única prática importante no futuro – a única que sobreviverá. Todas as outras etapas e procedimentos, você observará na prática, estarão natural e inconscientemente incorporadas à sua maneira de escutar e falar. Por isso, a prática cuidadosa desses exercícios não será necessária por um longo período. Aos poucos, poderá ir abandonando as etapas de 1 a 4 enquanto práticas formais – esses procedimentos estarão funcionando espontaneamente ao iniciar seu estudo. “Não confunda o dedo que aponta o caminho com o próprio caminho” – após uma determinada prática, sua curiosidade natural, ferramentas de percepção e sua capacidade inconsciente de síntese terão se relacionado e transformado esses exercícios num conjunto personalizado de procedimentos para estudo e aprendizagem. A própria construção e coordenação dos cenários, passos 5 e 6, quando tiver adquirido mil ou duas mil palavras, também funcionará diferente, espontaneamente.
Três experiências serão suficientes para coletarmos evidências que nos conduzam a compreender de uma forma mais completa a natureza da comunicação humana. Como formador de empreendedores, costumo dizer que existem três coisas, em nossa civilização, que possuem muito valor: dinheiro, conhecimento e relacionamento. Entretanto, se me perguntarem qual delas é a mais importante, responderia que é relacionamento. Evidentemente, esse conceito, em minha percepção, não se restringe às definições do dicionário. Aqui será exposta uma dimensão interessante desse conceito – mais uma peça deste grande quebra-cabeça.
Sintonia Profunda
Milton Erickson, M.D., considerado o pai da Hipnose Médica Científica Moderna, foi um grande mestre. Acredito que a própria conceituação da aplicação de Hipnose em Educação tenha sido fundamentada essencialmente por sua abordagem.
Quando jovem, observou um fenômeno muito interessante. Vivia no campo, nos Estados Unidos – seu pai era fazendeiro. Aos domingos pela manhã, iam à igreja. Percebeu que cada membro da comunidade se sentia muito alegre e feliz após as cerimônias dominicais. Observou que, quando cantavam seus hinos, preces e músicas, a sonoridade das vozes era um tanto quanto desafinada e irritante para seus ouvidos, mas, no entanto, isso não incomodava as pessoas, que ficavam ainda mais eufóricas. Concluiu que o fato de estarem cantando e recitando juntas era acompanhado do exercício de respirarem juntas. Com essa observação, descobriu que todas as vezes que ia conversar com alguém, quando encadeava sua própria respiração com a da pessoa, a comunicação e o relacionamento tornavam-se muito mais fáceis e agradáveis.

Para os próximos exercícios, portanto, poderá experimentar, previamente
por alguns instantes, respirar de uma forma semelhante à do(a) seu(sua)
parceiro(a). Faça isso de uma forma natural, sem constranger ou controlar
sua própria respiração a ponto de gerar tensão, até sentir que estejam
respirando naturalmente juntos.
Exercício 1 (prática em duplas): vislumbrando uma nova era na Educação, na qual o papel do professor ou instrutor terá ganho uma nova dimensão (o papel de consultor de aprendizagem), você deverá escolher um parceiro que possa cumprir a tarefa de ser um treinador que será conduzido e orientado por você mesmo, por suas próprias necessidades. Você terá algumas alternativas prévias para escolher praticar, entre aqueles exercícios da parte “Estratégias de Aprendizagem”: ritmos, ataques silábicos, sonoridades da própria voz, modelagem da própria voz em diferentes estados interiores ou qualquer outro que você mesmo tenha inventado ou descoberto do seu próprio jeito. Você irá orientar o treinador apenas para ajudá-lo a praticar esses exercícios que escolheu, porém, agora com uma nova atitude: não há mais um roteiro a seguir, exceto a atitude de explorador que estará sendo assessorado por um treinador. Além dessa liberdade extra, a outra diferença fundamental é que, no papel de treinador, será acrescentada uma nova dimensão: a de explorador de conhecimento em outros níveis de percepção. É útil para este exercício que seu parceiro também tenha lido partes deste livro, caso contrário, talvez apenas você compreenda o verdadeiro papel do treinador neste exercício – deverá então guiar seu parceiro “pela mão”.
Sempre que estou em processo criativo ou elaborando alguma solução importante, me surpreendo em observar que praticamente cada pessoa que encontro acrescenta, consciente ou inconscientemente, alguma peça ao meu quebra-cabeça! Eventualmente, comento com alguém alguma necessidade e essa pessoa me oferece uma informação valiosa. Outras vezes, sem qualquer comentário explícito, enquanto convivo com aquela questão em mente, a pessoa me conta algo ou me dá alguma informação útil. Se você considerar o empreendimento deste livro, garanto, há informações aqui que esperaram muitos anos em minha memória para serem expressas. Essa é a razão pela qual não cito inúmeras fontes – e muitas destas informações foram captadas dessa forma.
Há vezes em que, durante a interação ou relacionamento com uma pessoa, uma palavra dita me proporciona um insight! Muitas vezes agradeço a essa pessoa: “Puxa vida, tive uma idéia brilhante! Muito obrigado!” E ela responde: “Curioso! O que foi que eu disse?”; “Foi aquela palavra, que serviu para organizar minhas idéias...”. Há ainda ocasiões nas quais, após uma conversa ou encontro com alguém, minha mente fica extremamente ativa e inquieta, oferecendo-me inúmeras idéias num fluxo intenso – tal hiperatividade, em minha opinião, está relacionada àquele evento no espaço e no tempo. Há até aqueles amigos que gosto de encontrar para conversar quando estou em processo criativo.
Atestaria que, para mim, permanecer “ensinando” e proferindo palestras e cursos é um caminho pessoal que proporciona muito aprendizado. Se considerasse apenas a dimensão do aprendizado racional e cognitivo, poderia afirmar que as perguntas feitas pelos meus clientes me fazem pensar; suas observações, conclusões e comentários, muitos deles presentes neste livro, agregam substância ao meu conhecimento. Mas considerando as dimensões paralelas do processamento inconsciente, garanto, tanto aprendo quanto “ensino”. Naturalmente os resultados nem sempre são conscientes, ou seja, não saberia fazer uma contagem ou medição: a cada nova experiência, novas idéias e formas diferentes de apresentar as antigas fluem através de minha expressão, além de insights que me absorvem durante a redação de um novo artigo, uma nova intervenção hipnótica, uma nova conversa ou brincadeira – percebo que sou permanentemente mutante graças à minha profissão.
Levando-se em conta essas considerações, que talvez até sintetizem algumas de suas próprias percepções, e adicionando-as às descobertas conquistadas nos exercícios precedentes em “Estratégias de Aprendizagem”, agora o treinador deverá utilizar como pergunta embutida uma questão bem mais complexa, que não mais se restrinja à identidade do praticante. Pode ser até uma pergunta existencial! Ao final do exercício deverá observar se: a) obteve alguma evidência, resposta ou peça do quebra-cabeça; b) se sua pergunta original, de alguma forma, conquistou alguma nova compreensão ou se transformou em outra pergunta um pouco diferente. Se praticar naturalmente, no dia-a-dia, começará a perceber como sua mente inconsciente lhe apresentará respostas através “da fala de outras pessoas” – é muito curioso e surpreendente. Lembre-se dos resultados que obteve no exercício da mímica na seção “Construção do Cenário”. Por fim, resumindo a experiência:
Praticante: escolherá ou inventará os exercícios a serem praticados com a colaboração do treinador, informando-lhe quais serão suas atribuições, procedimentos e, talvez, objetivos a serem atingidos.
Treinador: além de se manter no ritmo da música, caso esta esteja tocando, e de ajudar o praticante a atingir seus resultados, deve manter uma atitude amiga de auxiliar (e não de controlador ou “ditador” do que é certo ou errado), aproveitando a ocasião para se desenvolver em outra dimensão e utilizar o praticante para acessar seus próprios conhecimentos inconscientes: deverá formular uma pergunta embutida sobre suas próprias questões e necessidades como indivíduo, profissional, pessoal ou existencialmente falando.
Finalidade: Desenvolver alguns canais de acesso à mente inconsciente que
incluam as experiências cotidianas de relacionamento com outras pessoas,
flexibilizando ainda mais as concepções de “fontes de conhecimento”.
Exercício 2 (prática em duplas): desta vez os parceiros deverão assumir dois papéis complementares de atividade e passividade na comunicação não-verbal. Para esta experiência, escolham alguma memória ou cenário interior, real ou fantasioso. Não há necessidade de possuir uma imagem, pode ser apenas uma música ou uma sensação de bem-estar. Poderá também trabalhar com os estados interiores anteriormente utilizados. Não troquem, previamente, informações sobre os cenários que escolheram. Deixem para avaliar os resultados após o exercício. Repitam os exercício, com cenários diferentes, algumas vezes alternando os papéis. Pratiquem, de preferência, sentados frente a frente:
Praticante passivo: entra na sua fantasia ou memória de bem-estar e observa as características do ambiente, quer sejam imagens, sons e/ou sensações. Quando estiver envolvido pelo ambiente e sentimentos correspondentes, dá um sinal, antecipadamente combinado, de prontidão.
Praticante ativo: espera até receber o sinal de prontidão, respirando confortavelmente no ritmo da respiração do praticante passivo e, então, entra em seu próprio cenário de bem-estar, curiosidade, excitação etc. Quando lá estiver, após resgatar os sentimentos e sensações correspondentes a essas memórias ou fantasias, faz alguma pequena brincadeira como: acender ou apagar a luz do ambiente imaginário, fazer chover ou colocar um novo personagem, aumentar ou diminuir o volume dos sons, caso existam, deslocar uma determinada sensação pelo corpo para um outro lugar, qualquer mudança intencional em sua própria fantasia ou memória.
Ao terminar cada etapa do exercício, lenta e confortavelmente, voltem ao estado de consciência normal e conversem a respeito das percepções e experiências.
Finalidade: Observar o quanto, no âmbito da interação inconsciente, os
padrões de pensamento são capazes de promover interferências no universo
interior e subjetivo e na comunicação das pessoas próximas ou relacionadas
com a vivência. Evidentemente uma precisão maior nos resultados dessa experiência
dependerá de um estado de atenção a ser treinado natural ou deliberadamente.
Exercício 3 (prática em duplas): será muito semelhante àquele exercício de duas fases da parte de “Estratégias de Aprendizagem”. Aqui, entretanto, utilizaremos nossas impressões subjetivas (capturadas através de nossa mente inconsciente) para avaliar as condições externas, em vez das expressões faciais e sonoridades da voz de nosso parceiro, para identificar-lhe os estados interiores.
1ª fase – Calibragem: ambos de olhos fechados, o praticante ativo informa: “Padrão 1”, e se concentra em algo, como um quadrado verde, um lugar no qual teve um determinado sentimento, um carro etc. (inicialmente, escolha situações simples, de preferência concretas e bem distintas). Caso queira fazer este exercício de olhos abertos, cuide para que seu parceiro não esteja no seu campo de visão periférica para não receber informações de sua expressão facial ou corporal. O praticante passivo apenas observa, dentro de si, se alguma sensação, sentimento ou pensamento se destaca. Eventualmente, sua atenção visual se organizará de uma forma particularmente diferente em sua imaginação, algo que lhe chame a atenção. Deve observar com cuidado. Novamente o ativo informa, “Padrão 2”, e se concentra em outra coisa: um círculo vermelho, outro local com outro sentimento, uma mesa etc. O passivo, atento às suas percepções subjetivas, de novo observa-se interiormente. E assim sucessivamente, com os Padrões 3, 4 e 5 (trabalhe com três a cinco diferentes padrões mentais). Complete essa seqüência e repita-a da mesma forma mais duas ou três vezes, quantas forem necessárias para que seu parceiro passivo identifique as diferenças subjetivas que acompanham cada padrão de pensamento. Quando estiver seguro de suas percepções, o praticante passivo pode sinalizar sua disponibilidade para passar ao teste.
2ª fase – Teste: o praticante ativo agora apenas avisa que vai mentalizar um daqueles padrões anteriormente calibrados e se concentra em tal padrão até estabilizá-lo, pelo menos parcialmente, em sua consciência. Enquanto isso, o passivo observa e identifica suas percepções até que possa dizer qual padrão foi escolhido pelo parceiro ativo. Repita o teste de cinco a dez vezes, pois aqui o objetivo principal não é somente testar, mas sim treinar nossa percepção. Troque de papel depois e repita a experiência do outro ponto de vista.
Observações:
a)
Na busca de alguma informação no interior de nossa percepção subjetiva, encontramos um universo infinito de percepções que podem nos confundir pela sua multiplicidade. Entretanto, este exercício de auto-observação nos proporcionará ganhos secundários muito mais interessantes do que apenas acertar ou não o exercício proposto;
b)
Pratique esta experiência com vários parceiros diferentes para aprender a se sintonizar inconscientemente com pessoas diferentes.
Finalidade: Observar e perceber que, além de nossos cinco sentidos físicos externos, possuímos alguns sentidos internos, na forma de pensamentos, sensações ou impressões subjetivas, que podem nos ajudar a identificar condições ou percepções captadas no mundo objetivo. Na prática, isso significa observar o que acontece em nossas percepções subjetivas quando são realizadas mudanças no ambiente ou nos padrões de comunicação de uma pessoa com a qual interagimos.
Imagino que você não esteja iniciando a leitura deste livro por aqui. Dessa forma, um novo relacionamento de si com sua própria mente inconsciente, talvez, já esteja um pouco mais maduro. Entretanto, se for o caso de estar iniciando a leitura por aqui, poderemos, quem sabe, observar resultados a partir de outras dimensões. Este próximo exercício é composto de duas fases. Na primeira, seu caminho seguirá percurso semelhante independentemente de onde tenha iniciado sua leitura. Na segunda etapa, entretanto, os caminhos divergirão.
Quem Sou Eu?
Faça uma lista de algumas coisas que normalmente você tem que fazer. Relacione essas atividades numa folha de papel: apenas quatro a seis itens comuns, mas que tenham que ser feitos por você. Quando tiver a lista pronta, escolha uma posição confortável para seu corpo e faça ou construa uma fantasia de estar fazendo essas coisas. Você também pode apenas se lembrar de quando as fez ou faz ou se imaginar como se estivesse lá, por alguns instantes. Enquanto estiver vivendo essa memória ou fantasia, simultaneamente observe os sentimentos e sensações que se instalam em seu corpo e mente. O que você sente? Como você se sente? Quem é você quando se lembra, fantasia ou se imagina fazendo as coisas que tem que fazer? Descreva, por escrito, os sentimentos, sensações e percepções ou faça um desenho que represente esse seu estado interior. Podemos chamar a isso, neste momento, de estado de espírito, de percepção ou estado interior. Uma outra forma de sondar essas percepções é imaginar que você terá que fazer essas coisas amanhã pela manhã, bem cedo... Numa escala de zero a dez, qual é o “tamanho” de sua disposição ou vontade de acordar para fazer essas coisas?

Faça uma nova lista de quatro ou cinco itens, porém, escolha agora coisas que você queira fazer. Conforme terminar a lista destas atividades, por escrito, faça um novo inventário dos sentimentos, sensações e percepções que se apresentam enquanto você fantasia, se imagina ou se lembra de quando as fez. O que você sente? Como você se sente? Quem é você quando pensa, se imagina ou se lembra de estar fazendo as coisas que você quer fazer? Descreva os sentimentos, sensações e percepções ou, novamente, faça um desenho que expresse essa parte de seu estado interior. Sim, aqui você também pode, se quiser, ponderar a sua motivação (de zero a dez) para acordar e fazê-las pela manhã bem cedo – é um “termômetro”.
Agora a última lista. Conforme você já tenha identificado o padrão do exercício, o objetivo é que descreva os sentimentos, sensações e percepções, faça um desenho ou escolha uma nota (de zero a dez) para a sua motivação se estiver pensando, lembrando ou imaginando fazer as coisas que você gosta de fazer. Exatamente, faça primeiramente uma lista e, sugiro, viva – em fantasia ou memória – demoradamente essas experiências. Perceba que para algumas pessoas esse é um outro universo interior. Para outros, entretanto, ele já se apresentou em alguma das perguntas anteriores.
Há quem identifique mais de três estados interiores diferentes, dependendo das quatro ou seis atividades que relacionou em cada uma das listas. Há pessoas, no entanto, que só reconhecem dois estados diferentes, ou mesmo um só. Considero um privilégio ter apenas bons sentimentos para esses três ambientes da existência humana. Segundo um de meus grandes mestres (e compartilho integralmente de sua opinião) exatamente aí reconhecemos o despertar da espiritualidade: quando acordamos de bom humor na segunda-feira pela manhã! Quando os possíveis problemas e contratempos do dia-a-dia já não mais obscurecem nosso discernimento ou nossos objetivos, sonhos e ideais de vida.
Quem serei eu?
Aqui, nesta segunda etapa, teremos dois caminhos: 1) um para quem já percorreu, em sua leitura, as partes anteriores do livro; 2) outro para quem está se iniciando exatamente por esta seção.
1)
Lá no início do programa OLeLaS – FEEA, você deve ter estabelecido alguns objetivos. Talvez os tenha por escrito, talvez apenas imaginado ou mesmo escrito mentalmente... Não importa como. Neste caso, durante todo o programa, quem sabe, algumas coisas tenham ocorrido em sua maneira de compreender todo esse trabalho. Seja lá como for, quer seus objetivos iniciais tenham permanecido, quer eles tenham mudado ao longo da leitura, agora imagine um dia em que esses objetivos tenham sido alcançados. Uma fantasia, apenas, na qual tudo o que você queria, finalmente, tenha acontecido, como por exemplo, ter conquistado aquelas habilidades que projetara durante este programa. Se isso for falar uma língua estrangeira, então imagine-se falando com excelência e desinibição, numa roda de nativos daquele idioma... E até sendo elogiado pela qualidade de sua fluência. Sonhar “pequeno” é bobagem! Enquanto vive essa lembrança de um futuro, ou essa fantasia, se preferir, faça um novo inventário do que sente. O que você sente? Como você se sente? Quem é você quando pensa, imagina ou se fantasia fazendo aquilo que havia planejado fazer? Relacione os sentimentos, sensações e percepções ou atribua uma nota para seu estado interior...
2)
Aconselho você a ler o item anterior (1) se ainda não o fez. Caso tenha iniciado sua leitura por esta parte, não teve a oportunidade de estabelecer suas metas, conforme sugerido na “Preparação”. Portanto, escolha algum de seus objetivos que, não necessariamente, se relacionem com o programa, mas que você acredite estar de alguma forma orientando suas buscas no presente. Então poderá tratá-lo exatamente como no item anterior. Quando terminar de ler o restante do livro, poderá, novamente, passar por esta parte, concluindo sua tarefa com os objetivos do sistema, vivenciando apenas o item (1).
Conclusão
Compare agora as percepções captadas em “Quem serei eu?” com aquelas observadas em “Quem sou eu?”. Identifique o estado interior mais próximo, ao qual correspondem os sentimentos, as sensações e as percepções de atingir com sucesso seus objetivos (mesmo que em fantasia). Compare também a caligrafia com a qual redigiu cada parte – levando em conta os detalhes de tensão, curvatura e inclinação das letras, fluência das idéias, tamanho de letras e palavras etc. Temos os três universos de referência de “Quem sou eu?”, e temos também um novo estado de coisas de que queremos sondar o sentido interior inconsciente percebido nas avaliações de “Quem serei eu?”. Essas percepções próprias do universo “Quem serei eu?” se assemelham mais com qual dos três universos: Eu tenho que..., Eu quero..., Eu gosto...? Ou seja, sondando as sensações e sentimentos associados aos nossos objetivos eu pergunto: “Quais são as manifestações percebidas em seu próprio universo subjetivo... são agradáveis?”.
Agora você talvez possa concluir com que empenho seu coração vai participar desta empreitada. Em vez de servir para manipular os sentimentos, este é um indicador inconsciente. Caso chegue à conclusão de que gostaria que fosse diferente, então existem coisas a aprender antes das línguas estrangeiras. Eventualmente, uma boa conversa de travesseiro consigo mesmo é suficiente para conseguir um certo apoio ou aceitação de que algumas daquelas metas possam ser interessantes. Ao encontrar e relacionar vínculos de seus objetivos mais profundos ou de longo prazo (que sejam puros e profundos) com estas metas, natural e espontaneamente, a atitude interior pode mudar. Não sou partidário de muitas “intervenções cirúrgicas” para mudar crenças e sentimentos. Novamente, acredito que podem estar faltando algumas coisas a serem aprendidas previamente.
Resumo
Embora existam muitas pessoas que se satisfaçam com a compreensão dos processos de aprendizagem, vivenciando muito do conhecimento apenas na dimensão do entendimento sem, ocasionalmente, experimentá-lo e testá-lo por si mesmas, garanto que mesmo isso está no caminho certo. Há pessoas que preferem, no início, estudar e planejar minuciosamente o seu percurso. Se esse é o seu caso, e não teve vontade ou interesse pelas práticas, talvez não colha todos os benefícios imediatos do programa, mas certamente imagino que aquilo que buscava aqui, consciente ou inconscientemente, talvez tenha encontrado.
Conheci muitas pessoas que me procuraram apenas para testar ou comprovar as bases do meu trabalho. Muitas delas encontraram mais coisas do que imaginavam encontrar inicialmente. Também fui assim, também sou assim, por vezes... Considero parte da natureza de explorador. Encontrei inúmeros colegas neste caminho com esses hábitos de entender, porém não praticar. Haverá um tempo no qual todo conhecimento será posto à prova, inconscientemente. A vida nos convida a testar aquilo que aprendemos. Um dia, conversando com uma amiga que acreditava ser sua realidade de vida presente muito intensa e desgastante, contou-me que na “próxima encarnação” gostaria de ter apenas “sombra e água fresca”. Perguntei-lhe então: “E na vida seguinte?” Mais cedo ou mais tarde a oportunidade de agir se apresentará, imagino.
Tarefas
Se não as fez, e se tiver vontade... Volte atrás e faça! Mas acima de tudo, divirta-se!