Novos desafios se estabelecem para nossa humanidade, o mundo se fundiu num amálgama e em um minuto estamos nós diante do mundo que fala em línguas que conhecemos dos filmes estrangeiros, mas aqui não há legendas (figura do cavalheiro no cavalo).
Uma legião que parecesse ter se reunido de novo para erigir a imensa Torre de Babel após um longo descanso. Um caos promovido pelos homens que querem chegar ao topo, numa onda de cacofonia, mas o esforço às vezes só resulta na concretização de um mundo estéril, ressecado e quebradiço no qual não podemos confiar. De todo este esforço, às vezes o único resultado é o barulho de uma multidão que deseja se comunicar, mas não consegue.
Mas então chega o maestro (é assim que vejo Walther Hermann com sua obra) e sugere a harmonia.
Mais importante do que aprender a falar outra língua é aprender a entender o ser humano, e essa é a pauta da melodia que toca em nossa alma: a busca de um auto-conhecimento, o encontro da consciência da nossa condição humana e a possibilidade de compartilhar desta experiência única e vertiginosa que é viver.
A Torre de Babel, esse é um tema que compartilho com o Walther desde o início dos nossos trabalhos, quando tive a honra de ilustrar a capa de sua primeira obra, talvez ela esteja tão presente em meu trabalho por ser tão atual. Na minha opinião, a torre está sendo erguida de novo, com muita pressa e ganância e isso preocupa: será que nosso desenvolvimento predominantemente racional poderá nos destruir? (figura abordagem cognitiva).
Podemos reverter, cabe a nós o entendimento mútuo, não mais este entendimento somente racional e superficial. O sentimento (figura abordagem intuitiva) sim, é o que importa, pois a razão impele ao domínio (da natureza, das pessoas etc) e um conseqüente e impotente desejo de posse (figura do cabo de guerra).

Mas a posse é concessão, o domínio só existe quando o mais forte subjuga o mais fraco, porém na natureza as coisas apenas se relacionam(figura do dragão e do homem pensando na mesma cena). Acredito que é muita pretensão pensar que podemos agir diferente, afinal somos sujeitos às mesmas leis.
E se alguém perguntar, horrorizado com tamanha crise de valores:
Minha resposta é que a posse não soluciona e nem garante, o homem poderoso é aquele que tem possibilidades, recursos. Então se nada possuímos e portanto nada dominamos, o nosso livre arbítrio permite INTERAGIR (figura do dragão voando com o cavalheiro).
E interação é a palavra, mágica como “abre-te, Sézamo”, que destranca as portas cerradas dos grandes potenciais.
Alguém, ao comprar este livro, pensa que poderá obter mais. Ledo engano, caro(a) leitor(a), pois se alguém vendeu este livro usando esse argumento, proteste, isso é um embuste.
Atenção, você não obterá mais, mas será mais pleno de si, usará melhor o potencial que tem guardado e sequer suspeita.
Um monge budista disse em uma importante conferência sobre o futuro do planeta Terra e da humanidade:
Ele se referia ao desperdício da produção agrícola e à crescente fome mundial.
Mas isso se aplica também a nossa vida, sacrificamos muito de nossa vida à revelia de nossos sentimentos, desperdiçando o que temos de melhor.
Agora imagine desperdiçar o que se tem de melhor. Walther disse para mim que o dragão é o símbolo do conhecimento e sabedoria e que existem dois tipos de conhecimento (um que é imediato e fugaz e outro que é universal e eterno); o segundo é o que carregamos dentro de nós, que é muito anterior a nós e persiste muito além de nossa existência física. Agora, imagine você sacrificar esse nosso dragão, querendo dominá-lo, decepando-lhe as asas, degolando-o, suprimindo sua existência num véu de insensibilidade.
Contava Trilussa, um poeta português:
“O porco disse para o burro no abatedouro:
Ao que o outro respondeu metafisicamente, a despeito de sua natureza e seu medo:
Espero que você não permita que nesta história protagonize você e seu dragão, num triste fim. Pelo contrário, faça com que a força de seu dragão interno o faça “voar” junto, dando uma finalidade muito mais nobre à curta existência humana (dragão voando com o cavalheiro).
Tão curta quanto maravilhosa, que às vezes penso que se um anjo vivesse
essa experiência humana, que é arrebatadora, talvez não conseguisse mais
voltar ao seu estado anterior, pois já teria absorvido o sopro original,
vivendo um Deus introjetado, num coração cheio de entusiasmo e olhos ofuscados
de esperança.
Da grande sinfonia sou apenas uma nota...
Gilson Domingues