A elaboração deste livro tem a finalidade de divulgar e popularizar uma maneira mais simples e coerente de aprender outros idiomas, além de solucionar e equacionar algumas contradições evidentes na abordagem tradicional. Os objetivos principais deste programa são resgatar percepções e conhecimentos aprisionados pelo nosso atual sistema educacional e cultural da aprendizagem. Uma criança, até os sete anos de idade, escuta aproximadamente cem mil vezes a palavra “não”. Seja verdadeira ou não essa afirmação, talvez sejam nove “nãos” para cada “sim”! Ao freqüentar a escola, na maior parte das vezes, além das dificuldades comuns da educação formal, sua auto-estima é permanentemente bombardeada com observações e ênfases dadas aos erros e limites, poucas vezes aos acertos e sucessos, principalmente aquelas soluções criativas das crianças que, via de regra, fogem dos padrões do mundo adulto e são classificadas como subversões.

Ainda mais. Essas poucas formas de educar, espero que também antigas e desatualizadas, têm sido utilizadas para crianças de diferentes sensibilidades e níveis de percepção. Já conhecemos os resultados mais comuns ou possíveis: dependendo do nível socioeconômico, podem demandar uma série de programações de apoio escolar e adaptação infantil ao sistema, como aulas particulares, psicopedagogia, psicoterapia, acompanhamento escolar, fonoaudiologia, ludoterapia etc.

Nesse panorama educacional, a instrumentalização dos jovens e adultos com poderosas estratégias e recursos torna-se uma busca, muitas vezes até obsessiva, para uma melhor adaptação pessoal e profissional do indivíduo. No âmbito das empresas, por exemplo, os programas de reciclagem e capacitação em comunicação profissional, gerenciamento eficaz do tempo, liderança etc. Ocupam horas e horas, dias e dias e, parece-me, nunca cumprem o objetivo: o de realmente instalar tais habilidades nos executivos ou colaboradores de ambientes organizacionais. Se essa baixa eficiência nos programas de treinamento empresarial fosse observada pela ótica das crianças, talvez os alunos adultos fossem considerados repetentes ou reprovados em testes de proficiência. Muitos paradoxos, não?

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Voltando-nos para questões mais essenciais de aprendizagem, tais como propor algumas soluções específicas, poucos adultos ou jovens talvez se lembrem do processo natural pelo qual passaram ao aprender a língua materna. Mesmo antes disso, o de reconhecer seu próprio corpo ou o aprendizado do processo da visão.

Essas potencialidades humanas, já instaladas em nossos genes, são excelentes ferramentas para lidarmos com a realidade. No caso especial da necessidade de um indivíduo aprender uma segunda língua, estrangeira, na maioria das vezes ele ignora os instrumentos que estão ao seu dispor. Que diríamos, então, de falar uma língua estrangeira? É fato, porém, que todas as metodologias disponíveis no mercado conduzem as pessoas a um processo artificial, e até bastante complicado, de aprendizado. Se pelo menos déssemos crédito às nossas percepções e constatações ao observarmos as crianças em redor, talvez tivéssemos mais segurança para afirmar que os processos pedagógicos e educativos formais de nossa época ainda são “pré-históricos” em vista do potencial de aprendizagem das crianças!

Observe uma criança e perceba como ela coleta impressões do ambiente. Se você se dispuser a esse exercício, perceberá o quão rápido entrará em estado de devaneio e resgatará lembranças de suas oportunidades de experimentação. Agradeça ao seu coração. Ele, certamente, anseia com vigor por oferecer muitas evidências de que talvez tenha aprendido ou aceitado muitos limites e, isto sim, possivelmente retarde sua habilidade de aprender fácil e naturalmente.

Observe um adulto, daqueles que ainda se consideram limitados quanto à habilidade de se comunicar em língua estrangeira. Provavelmente, na medida em que se dirija a uma criança de três ou quatro anos, cuja língua mãe seja aquela que ele gostaria de ou precisaria saber, ele talvez diga que essa criança teve uma oportunidade diferente, pois aprendeu desde pequena e, de fato, fala aquela língua. Entretanto, se avaliarmos seus recursos detalhadamente, é possível que esse adulto possua um vocabulário, naquela língua, até maior que o vocabulário da criança. Como ele faz essa distinção? Quais são os critérios que ele escolhe para diferenciar o que é falar, de fato, do que ele pensa que é falar?

Então, considerando-se esse desafio, pergunto: o que seria melhor do que redespertar sua disponibilidade, sua flexibilidade, sua criatividade, sua curiosidade, sua excitação, sua motivação e interesses básicos para conseguir comunicar-se efetivamente em uma língua estrangeira?

Salta-me aos olhos que essas categorias de capacidades essenciais sejam infinitamente mais significativas, visto que, no ser humano, nada existe sem elas! Entretanto, poucas vezes são percebidas como tão fundamentais por uma cultura, na qual os “porquês” e as técnicas tornaram-se mais importantes que as pessoas.

Neste programa de treinamento, as questões abordadas com maior ênfase, portanto, serão a ativação e a recuperação de poderosos recursos e estratégias de aprendizagem (já conhecidas em algum nível de percepção). Será tornar conscientes algumas coisas que sabemos, mas, ou não lembramos, ou não sabemos que sabemos.

Uma olhadela nos fatos nos mostra, talvez, um mundo de fantasias reais: era uma vez um mundo que ficou pequeno... Uma chamada telefônica daqui para o Japão, no outro lado do planeta, pode ser realizada em segundos. Uma viagem de avião, em menos de vinte e quatro horas!

Também houve um dia em que alguém teve a feliz idéia de construir uma língua universal, através da qual todos os seres humanos, de diferentes raças e culturas, poderiam se comunicar: o Esperanto. Hoje, já podemos observar a natural formação de uma língua mais universal (sintetizada pela necessidade, na América Central) chamada Papeamento – mera conseqüência da universalização. Houve também um dia em que homens e mulheres sonharam com as máquinas cumprindo seus deveres. Chegou esse dia! E agora? A busca de novos instrumentos, equipamentos e tecnologia de conhecimento reflete um anseio humano de capacitação para lidar com as mais profundas transformações e mudanças de nossa época.

Neste cenário de mudanças cada vez mais rápidas e globalizantes, a habilidade de se comunicar bem se tornou extremamente rentável, isto é, informação que flui vale muito. Enfim, os motivos podem ser inúmeros.

Quero convidá-lo agora a iniciar este empreendimento informando-o sobre questões de estilo de apresentação. Muitas pessoas dizem que os primeiros minutos de reconhecimento de um novo ambiente ou uma nova pessoa são muito significativos. Particularmente, em cursos e palestras, uso esses primeiros momentos para ativar a curiosidade dos participantes: “O que será que você está querendo de nós?” (essa é a pergunta que eu gostaria de ouvir após os primeiros minutos de um evento). Geralmente, portanto, inicio minhas palestras e cursos contando algumas histórias para criar um ambiente onde acontecerão as coisas.

Esse breve mosaico de informações eventualmente pode provocar um certo estado de... Confusão. Não se preocupe. Confie neste conselho de Milton H. Erickson, o grande mestre da aprendizagem inconsciente:

“Em toda vida deveria entrar um tanto de confusão... e também um tanto de esclarecimento.”