Esta etapa, subdividida em partes complementares, representa uma área de convergência na qual os capítulos seguintes ganham unidade e transcendência. Em geral, esta talvez seja a dimensão mais esquecida de nossa educação formal.

Seu desenho, porém, acompanha parcialmente a arquitetura de todo o programa, isto é, possui uma apresentação intuitiva (os cenários de referência), uma apresentação cognitiva (algumas explicações sobre aspectos técnicos e filosóficos), uma apresentação prática (a construção de objetivos para percorrer o sistema OLeLaS – FEEA) e, finalmente, as atitudes e formas de ler o livro.

Caso você inicie sua leitura por aqui e tenha uma certa “pressa” de compreender este sistema, sugiro que passe rapidamente os olhos pelos cenários de referência e pelos aspectos técnicos, não obstante se absorva um pouco mais demoradamente na construção de objetivos.

Cenários de Referência

A importância desta dimensão neste curso está muito relacionada ao Aprendizado Integral: um método que proporcione a estimulação e ativação de ambos os hemisférios cerebrais e a colocação das “sementes” de aprendizado em solos mais férteis para seu “germinar”.

Não se afastando desses objetivos, se justapõe um certo temperamento de contador de histórias do autor – conhecido entre alguns de seus amigos como amante da confusão. Não desanime, foram vários anos aprendendo e percorrendo esse caminho. Ao abraçar o desafio de elaborar um livro, em algumas ocasiões se confunde o estilo do escritor com o trabalho técnico de estimular a expressividade de dimensões mais criativas e curiosas da mente inconsciente.

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Eventualmente, você pode chegar à conclusão de que este livro parece um pouco incompleto. Se isso acontecer, sugiro que termine a leitura das partes complementares. Se essa impressão persistir, receito uma segunda “dose” completa. Entretanto, se ainda permanecer aquela percepção, saiba que me sentirei satisfeito, pois estará na hora de você fazer a sua parte: consciente e inconscientemente. Afinal de contas, aprender é trilharmos por nós mesmos os caminhos que escolhemos consciente ou inconscientemente.

Enquanto aprendedor, tenho sido um cientista do aprendizado mesmo antes de tomar conhecimento dessa trilha que se mostrou em minha vida pessoal e profissional. Essas habilidades vêm sendo esculpidas nas mais diversas áreas do conhecimento: formação acadêmica, prática e ensino do tênis, prática e ensino do Tai Chi Chuan, Hipnose, educação, empreendedorismo, comportamento, música, comércio, relacionamento etc. Por essas razões, essencialmente pragmáticas, tenho uma grande preocupação em não oferecer conhecimento sem sua dimensão vivencial.

A Palestra sobre Gerenciamento do Estresse

Certo dia, realizei uma palestra sobre gerenciamento de estresse para um grupo de jovens empresários. Também tenho essa experiência de ser empreendedor e sabia que qualquer apresentação de uma teoria formal sobre estresse não os comoveria, nem os ajudaria a solucionar os seus problemas. Assim, após ter sido apresentado como palestrante lá na frente, sentei na cadeira e fiquei em silêncio por alguns minutos. Alguns? Acredito terem transcorrido, talvez, noventa segundos, embora tivesse planejado aproximadamente três ou quatro minutos. Porém, foram os mais longos da minha vida. Posteriormente, descobri que, também para eles, foram bastante extensos. Meu compromisso como palestrante era “palestrar”, óbvio. A expectativa deles, certamente, era participar de mais uma palestra. Porém, o inusitado e inesperado desse artifício realmente os comoveu e abriu uma fresta em seus habituais pensamentos para perceber que grande parte do estresse negativo é gerado internamente.

Sim, durante aqueles intermináveis noventa segundos eles ficaram impacientes e até irritados com o palestrante, lá na frente, apenas olhando para eles! Entre os participantes havia um senhor que abriu um jornal: sábia decisão. Ele provavelmente, por maior que fosse a tensão externa, já aprendera que poderia se sentir tão bem quanto quisesse em qualquer ambiente.

A Outra Aula

Há alguns anos tive uma experiência muito interessante. Ao comentar com algumas pessoas, entretanto, nem todas compartilham da mesma opinião. Como pequeno empresário, coletei uma série de aprendizados, experiências e convivências no Sebrae-SP, numa época em que havia caído a demanda pelo meu produto e eu optara por manter a minha equipe profissional intacta. Logo, tinha uma certa ociosidade que me conduziu para as salas de aula de cursos especialmente construídos para formação de micro e pequenos empresários.

Após ter freqüentado vários pequenos seminários naquela instituição, chegou a ocasião de mudar meus métodos de escolha de outros cursos, pois os seguintes não mais se relacionavam com minhas necessidades profissionais imediatas. Já havia participado de todos os que me interessavam. Porém, mantinha meu interesse de continuar a conviver com aquele tipo de colega, alunos, professores e consultores. Assim, meus critérios de escolha de um novo programa de treinamento foram ponderar o conselho de algum outro colega ou a determinação aleatória do próximo evento. Graças a coincidentes indicações, acabei por inscrever-me num programa de Administração de Compras.

Esse curso se relacionava muito pouco com minhas necessidades profissionais na época. Eu atuava no ramo de serviços e seguramente meus fornecedores eram os melhores: tinham o melhor produto, melhor preço, melhor prazo e ainda atuavam na economia formal. Apesar das baixas expectativas de resultados, a experiência de ter participado desse seminário foi muito enriquecedora.

Estudo aprendizagem já há muitos anos e garanto, existem formas não ortodoxas de estudar e aprender que muitas pessoas praticam de maneira intuitiva. Funcionam muito bem, mas algumas delas são veementemente condenadas por representantes do sistema educacional mais antigo. Sem desejar qualquer discussão a esse respeito, o que está em pauta aqui são os resultados – é de uma forma não convencional que obtenho os meus.

Imagino que se você, leitor, está lendo este livro, provavelmente não esteja completamente satisfeito com os resultados que obteve até aqui, portanto convido você, pelo menos a título de curiosidade ou de experimentação, a caminhar por estas trilhas. Pois, se continuar a fazer tudo exatamente da forma que sempre fez, provavelmente estará fadado a continuar exatamente com os mesmos resultados, ou menos, dizem os profissionais das áreas de marketing e tecnologia.

Ao chegar atrasado no primeiro dia do seminário, não pude presenciar a abertura e as apresentações dos participantes. A aula já se desenrolava. Não quis sequer escolher um bom assento na sala, para não tumultuar excessivamente aquele ambiente bastante apertado e pouco ventilado. Sentei-me na primeira fileira. Tomei alguns minutos para abrir a apostila e localizar-me no curso, até que, naturalmente, minha atenção se voltou para o palestrante. Conforme comecei a acompanhar o seu discurso, passaram-se alguns instantes e... “apaguei”. Muitas pessoas têm espontaneamente essa experiência, normalmente chamada “dormir em aula”.

Apesar da grande freqüência com que isso ocorre com as mais diversas pessoas, os estudos desse fenômeno ainda não foram suficientemente divulgados para tranqüilizar os professores e colegas dos praticantes do transe em aprendizagem. Tecnicamente, se forem medidos os padrões das freqüências de ondas cerebrais dessas pessoas que dizem dormir em sala de aula, observarão que incluem ondas tipicamente associadas a transes ou estados alterados de consciência – uma boa evidência disso é quando ocorre qualquer mínima mudança na tonalidade de voz do palestrante, alteração de alguma dinâmica ou encerramento do discurso, caso em que o despertar é tão rápido quanto o apagamento. E, em geral, sem todas aquelas manifestações e sensações que acompanham o despertar do sono fisiológico.

Essas alterações de estados de consciência são corriqueiras na minha prática de estudo e também enquanto participo de seminários. Levo isso em consideração quando escolho sentar-me nas fileiras do meio e, sempre que possível, comunico ao palestrante que estou ali por livre e espontânea vontade, “pagando o curso do meu próprio bolso” e bastante interessado em seus ensinamentos. Isso porque, em geral, as pessoas acreditam ser melhor dormir em casa!

Retornando. Naquela data, então, eu me sentara na primeira fileira e não tinha ainda avisado o instrutor e nem algum colega vizinho que porventura quisesse informar-me da importância de algum assunto e que pudesse porventura interferir, como é comum, no meu “esquisito” estilo de participar da aula. Dos meus estudos sobre aprendizagem em estados alterados de consciência, inferira uma série de conclusões que permaneciam, até então, como idéias de possibilidades e boas crenças. Desta vez, porém, a minha percepção finalmente me contemplara com suas evidências.

Após algum tempo naquele estado, despertei. Quando voltei à consciência, consegui trazer em mente quatro certezas muito significativas: 1) eu estivera assistindo à aula com aquele mesmo professor; 2) eu estivera naquela mesma sala de aula, porém, sem nenhum outro colega presente; 3) o assunto não se relacionava em nada com Administração de Compras; 4) eu tinha convicção, embora não me lembrasse exatamente do assunto tratado, de que era uma aula sobre algo muito importante para mim naquela época.

Ao ouvir essa história, muitas pessoas sugeriram que eu estivera dormindo a ponto de sonhar... Discordo dessa conclusão. Despertara, enfim, assistira ao curso durante mais alguns minutos e constatara que as percepções daquele ambiente diferiam totalmente daquelas captadas na “outra aula”. Transcorrido mais algum tempo, “apaguei” novamente.

Não tenho o hábito de avaliar quanto tempo permaneço em cada um desses estados de percepção – tudo ocorre com espontaneidade, atualmente. Quando despertei pela segunda vez, então, possuía cinco certezas: as quatro anteriores mais uma vez tinham se confirmado. A quinta conduzia-me a crer que tivera retornado, precisamente, ao momento no qual se interrompera a “outra aula”, para dar-lhe seqüência. De acordo com aquilo que comentei anteriormente, até esse fato ocorrer, não tivera evidências perceptuais que comprovassem minhas crenças, exceto o bom desempenho de aprendizado e estudo em aulas nas quais “dormira”.

As decorrências desse fato, além disso, me convidavam a acreditar também que, em cada comunicação ou interação humana, existe mais de um nível de compreensão possível e simultâneo. Em resumo, descobrira que, dentro de cada aula, existe pelo menos mais uma “outra aula” se desenrolando. Pairou então a seguinte questão: nunca, até aquela data, havia percebido algo além da realidade objetiva; agora percebera que existia pelo menos mais uma realidade interpenetrando minhas percepções. Quantas mais seriam possíveis coexistir?

No universo da aprendizagem, conhecimento e compreensão inconscientes (cuja ativação e resgate temos a intenção de efetivar, no mínimo parcialmente), as regras, leis de funcionamento e estruturação são um tanto quanto diferentes do mundo lógico e racional. Portanto, explorar essas realidades depende de algumas decisões e escolhas em que pesem nossa satisfação (plena ou parcial) com os nossos atuais resultados. Esse é um caminho de muitas descobertas e novidades, mas também de muitas mudanças, reflexões e decisões.

Naturalmente, essa história anterior pode não mobilizar interiormente você, leitor, exceto no caso de já ter vivido alguma experiência semelhante. Não obstante, a inferência dessa multidimensionalidade de nossa mente é, para este empreendimento, extremamente importante de ser constatada. A estruturação de nossa percepção e compreensão em diferentes níveis poderá ser também abstraída de outros exemplos.

Estive proferindo uma palestra sobre mudanças comportamentais em uma empresa estatal cujo tema era “Hipnose aplicada a mudanças organizacionais”. Após uma preleção de aproximadamente duas horas, abri a palestra para debates e perguntas. Entre as várias questões apresentadas por um público de mais de cem pessoas, quero destacar duas especialmente importantes para nós.

O Homem que Acreditava em Deus

Um senhor pediu a palavra e propôs uma reflexão a respeito de certos métodos de conduzir determinadas práticas de caráter religioso. Em síntese, queria saber se a Hipnose tem sido utilizada nesses conhecidos cultos fundamentalistas evangélicos. Afirmei que, descartando-se aqueles modelos arcaicos de compreensão dos processos hipnóticos, certamente a maior parte dos fenômenos presentes naqueles cultos religiosos tinham suas bases em estados de consciência induzidos hipnoticamente. Transes, curas, fantasias dirigidas, persuasão à colaboração financeira, grandes comoções etc. Então ele finalmente considerou que, afinal de contas: “...em Deus, ou se acredita ou não se acredita!”

Eu lembrei-lhe de que esquecera uma outra alternativa. Porém, ele reforçou: “Não existe outra opção, ou se acredita ou não se acredita. Da mesma forma, não existe mulher meio grávida, ou está ou não está!!!” Repeti seu esquecimento. Ele mais uma vez enfatizou que não poderia haver outra possibilidade (concluí que ele estava hipnotizado por sua crença, a ponto de não conseguir ver além dela). Então, já tendo atingido o estado ideal de ativação, finalizei dizendo que existem pessoas que nem acreditam nem desacreditam em Deus: “Elas sentem ou percebem Sua Presença!” Existe um outro caminho, ele concordou, completamente.

O Menino que Quebrava Brinquedos

Na mesma palestra, uma senhora se apresentou, disse que gostara muito de algumas colocações e que queria ouvir minha opinião sobre a seguinte questão:

“Tenho um filho de nove anos. Não sei mais o que fazer com ele. Ele destrói todos os seus brinquedos! O que você me aconselha a fazer? Já lhe disse, várias vezes, que não lhe daria mais nenhum brinquedo até que aprendesse a cuidar dos que possuía. Ele acaba ganhando de outras pessoas... Além disso, quando percebo que não tem com o que brincar, acabo me comovendo e comprando-lhe um novo. Então novamente ele o quebra. Isso me deixa bastante irritada e repito que não vou mais lhe dar brinquedos. Mas você sabe como a gente é, eu não agüento e acabo comprando novamente. O que você acha que deve ser feito?”

A longa apresentação do problema me proporcionou tempo para pensar, então lhe disse o seguinte:

“Eu tenho pelo menos três respostas diferentes para considerar... A primeira delas talvez seja a mais significativa dos pontos de vista de seu filho e meu. Eu também fui uma criança que quebrava muitos brinquedos. Na verdade, eu não os jogava no chão para ver se quebravam ou os incendiava. Tampouco os arremessava pela janela... Eu brincava, explorava, experimentava e, muitas vezes, eles se quebravam. Ocasionalmente, fazia comboios de carrinhos de ferro amarrados por fios de linha que bloqueavam as rodinhas ao se embaraçar nelas. Muitas vezes desmontava um brinquedo para entender como funcionava. Inicialmente, ao remontá-los, talvez sobrassem algumas peças e, certamente, não funcionavam mais. Na verdade, eu apenas brincava.

Passou-se algum tempo e, cada vez que remontava um brinquedo, até por vezes sobrava uma ou outra peça, mas voltavam a funcionar. Mais algum tempo, então, quando tinha dois ou três brinquedos quebrados, conseguia, reunindo partes de cada um, montar ou construir um que funcionasse. E assim foi com brinquedos de plástico, madeira, metal, mecânicos, eletromecânicos e até eletrônicos.

Percebo, hoje em dia, que essa foi uma longa e importante etapa de desenvolvimento de algumas habilidades que considero de valor inestimável. Habilidades de manipular o mundo da realidade concreta. O mundo material. O desenvolvimento dessas competências me proporciona, no presente, uma grande desenvoltura em gerenciar e administrar ferramentas e consertar alguns diferentes tipos de utensílios domésticos e eletrodomésticos, eletricidade, alguma coisa de eletrônicos, hidráulica, mecânica, marcenaria etc.

Portanto, nesse caso, no seu lugar, eu não me preocuparia com o dinheiro que estivesse sendo gasto em brinquedos condenados à destruição. Estaria, sim, muito interessado em financiar e investir o quanto fosse possível e racional no desenvolvimento de algumas dessas habilidades de compreender, perceber e manipular o mundo das coisas materiais. Isso para qualquer criança. Também me interessaria em proporcionar-lhe autonomia nessas competências – serão de muito valor para ele. Além disso, esse ímpeto talvez chamado de destruidor, quando orientado para construir, acaba por justificar muitos contratempos.

A segunda resposta será a mais incômoda e, no entanto, valiosa para você como mãe. Pense bem, no relacionamento com seu filho, nessas questões de brinquedos, o único padrão repetitivo é sua atitude incoerente como mãe. Observe: brinquedos diferentes quebrados, brinquedos diferentes comprados, dias diferentes, até mesmo em locais diferentes; o único fator constante e repetitivo é o seu comportamento incongruente. Aquilo que você realmente está ensinando a seu filho, inconscientemente, é que ele pode manipulá-la quando precisar. Imperceptivelmente, você está ensinando-o a desrespeitá-la e a não acreditar em você. Está mostrando-lhe, desde pequeno, a grande fantasia do mundo dos adultos: os adultos não fazem o que falam e também não falam o que fazem!

Assim, sugiro que, no futuro, nunca mais lhe dê um brinquedo se continuar a afirmar que não lhe dará mais enquanto ele não aprender a conservá-los. Ou nunca mais lhe diga que não dará se não tiver forças para cumprir sua palavra. Caso contrário, daqui por diante, saiba que, cada vez que ele desrespeitá-la ou mentir para você, você mesma ensinou isso a ele! A incongruência.

A terceira resposta talvez seja a mais importante das três: eu, se fosse você, não acreditaria em nada do que acabei de dizer, pois não tenho filhos e, além disso, fui filho único, criado entre adultos. Minha mais completa experiência com crianças foi como educador em um ambiente esportivo. Logo, conclua você aquilo que pode ser útil no seu caso.”

Infelizmente, quando nascemos, não nos é dado o manual de instruções para sabermos como operar melhor todas as nossas potencialidades. Sequer alguém nos diz quais são elas. Da mesma forma, nossos pais, tendo a melhor e mais pura das intenções, acabam por fazer o melhor que podem com as “ferramentas” das quais dispõem. Entretanto, isso não garante completo sucesso.

Ao iniciarmos nossas vidas, é natural que pelos estímulos mais comuns, aprendamos inconscientemente uma série de hábitos de comportamento, integrados e incorporados à nossa forma de ser, de agir, de sentir, de pensar, de argumentar e de explorar o mundo. Muitas vezes, também, nossa forma de sonhar, de criticar ou abrir mão de nossos planos. Graças a esta grande revolução atual nos modelos de trabalho, produção e construção do conhecimento, muitas famílias tiveram os pais compromissados com a captação de recursos para a sobrevivência. Por isso, uma influência muito significativa na nossa formação tem sido a televisão. O conhecimento e a informação cada vez mais democratizados têm sido selecionados de formas diferentes das anteriores, das nossas gerações. Configura-se, assim, um certo hiato na transmissão direta de uma cultura comportamental bastante antiga e já anacrônica.

Neste momento, essas ponderações são muito importantes, pois muitas vezes estabelecemos alguns objetivos em nossas vidas que se tornam fardos ou obstáculos em nosso caminho. Pense bem, passamos anos lenta e esforçadamente subindo degrau por degrau de uma longa escada – uma metáfora de nossa vida. Quando atingimos uma determinada altura, já podemos olhar a realidade de um ponto de vista mais privilegiado. Ocasionalmente, descobrimos, para nossa surpresa, que encostamos nossa escada na parede errada!

Portanto, para seguir adiante neste livro, reflita sobre a necessidade de definir adequadamente os seus objetivos. Escolha um bom motivo para desenvolver a habilidade de falar fluentemente outro(s) idioma(s), caso contrário, aproveite melhor seu tempo! Próximo, muito próximo no tempo, talvez no ano 2.010 ou 2.015, ninguém mais terá necessidade de aprender outros idiomas. Os equipamentos eletrônicos (ou outros) se encarregarão, com eficácia e qualidade, de nos proporcionar comunicação fluente com nativos de qualquer outra língua, sem que necessariamente tenhamos de falar a mesma.

Eu conheço pelo menos três bons motivos para se estudar outras línguas. São eles:

1.

Fale outro(s) idioma(s) porque você gosta de aprender a falar línguas;

2.

Aprenda a falar outra língua porque algum(s) objetivo(s) seu(s), na dimensão profissional, pessoal ou social, de curto ou médio prazo, depende(m) disso;

3.

Faça isso pelo aspecto transcendente do aprendizado. Aprender outros idiomas também é uma forma de “abrir janelas mentais e emocionais”, cultivar novas percepções, identidades, auto-conhecimento e desenvolver muito mais flexibilidade.

Criando Objetivos para Trilhar o Caminho

As considerações a seguir são importantes para que você se organize interiormente e armazene estas aprendizagens em locais úteis, consciente e inconscientemente. Servirão também para melhor orientação durante o programa:

Por gerações e gerações temos aprendido que o nosso presente é conseqüência do nosso passado. Acreditamos tão profundamente nessa consideração que agimos como se a Lei da Causa e Efeito fosse algo definitivo. Observando, porém, as grandes realizações humanas, talvez possamos formular uma outra grande lei: a Lei do Efeito e Causa. Isso mesmo! Para nós, seres humanos, essa lei é mais valiosa que a anterior: ela diz que o presente também é conseqüência do futuro! Escolha um novo sonho ou plano e observe como mudam suas sensações, percepções e sentimentos. Perceba também que suas ações passam a se adequar ao futuro!

Esses são os resultados mais freqüentemente observados após o seminário. Nas turmas realizadas em finais de semana, a melhora do discernimento auditivo, por exemplo, em média, é estimada em 40%, dependendo do nível original de proficiência no idioma. Uma semana após o curso, a diminuição no nível de tensão e estresse negativos atinge, em média, 50%. Em relação à tomada de decisão, algumas pessoas mais impulsivas atestam que se tornaram um pouco mais reflexivas; não obstante, algumas pessoas mais reflexivas acabam por se utilizar um pouco mais da intuição para decidir.

Neste momento, se fosse novamente apresentada a pergunta “O que é FEEA?”, a resposta seria um pouco diferente. Observe a próxima figura com cuidado e responda: o que você está vendo?


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A maior parte das pessoas responde que percebe um triângulo. Alguns dizem “packmans”, outros, um pedaço de pizza etc. Considere: se você vê um triângulo neste desenho, infelizmente tenho que afirmar que não existe nenhum! Porém, podemos perceber um... Existe ou não existe algum triângulo? A resposta é: “Existe e não existe o triângulo!” Isso, evidentemente, do ponto de vista desta tecnologia FEEA.

A nova definição será: Flexibilização de Estados de Excelência em Aprendizagem, uma metodologia que nos estimula o aprendizado de como estabilizar na consciência pontos de vista contraditórios ou paradoxos.

As tensões decorrentes do esforço de manter em mente os paradoxos criam energia mental suficiente para projetar nossa mente para níveis mais profundos de síntese e compreensão. Essa é a verdadeira natureza desta metodologia FEEA. Essa é a natureza da Hipnose Aplicada à Educação: criar oportunidades de confinamento mental em paradoxos – o “combustível” da energia de síntese criativa. Este livro tem a finalidade de, repetidamente, provocar essas situações.

Por outro lado, o seu próprio papel de leitor, complementar ao do livro, será melhor representado pelo desafio contido na ilustração da página seguinte.

Saiba que neste desenho existe uma estrela de cinco pontas geometricamente perfeita. Seu trabalho, durante o desenrolar do livro, é encontrá-la. Essa será uma metáfora interessante que representa mais visceralmente a qualidade de sua participação e seu investimento neste programa: aprender a decodificar a ordem subjacente ao caos, desenvolver a habilidade de juntar evidências e sintetizar percepções capturadas num ambiente descontínuo. Essa será apenas mais uma experiência para estimular a consolidação do seu “faro” para oportunidades.

Finalmente, ao definir de uma forma íntegra os seus objetivos, você chegará a experimentar uma condição de sentimentos e de sucessão de eventos muito curiosa em sua vida. Uma determinada certeza e ritmo nos acontecimentos talvez, até então, desconhecida. Será perceptível para algumas pessoas, dessa forma, a assertiva de que “os grandes mestres não têm paciência... De fato, eles não precisam dela!”. Isso também fará sentido...


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... Emagrecer sem Dieta

Uma amiga, certa vez, participando de um seminário meu que durava seis noites, de segunda a quarta-feira, durante duas semanas, contou-me o seguinte acontecimento: há três meses, vinha fazendo noventa minutos diários de exercícios com o objetivo de emagrecer e entrar em forma para o verão próximo. Após esses três meses de atividades físicas regulares, desanimara ao descobrir que seu peso tinha se rebaixado apenas em meio quilo e que, duas semanas antes, num sábado, tinha recuperado o peso anterior num jantar de final de ano.

No final de semana durante o curso, entretanto, faltara ao compromisso de jogar tênis comigo, pois um antigo namorado chileno havia chegado ao Brasil com um amigo. Ela, os convidados, a filha e a mãe viajaram para o litoral a fim de aproveitar o feriado prolongado. Durante quatro dias, estivera à beira da praia comendo salgadinhos, camarão, petiscos etc.; bebendo caipirinha, chope, cerveja, refrigerantes etc.; tomando sol, vento, mar etc.; conversando, descansando etc.; e constatara, finalmente, ao retornar para São Paulo, que seu peso tinha se reduzido em dois quilos. Afinal de contas, “qual foi a diferença que fez a diferença”?

Uma Oriental Caminhando na Avenida Paulista

Certa vez, caminhava pela Avenida Paulista, em São Paulo, em direção a um banco (não era um dia de descanso, tampouco um dia de extrema agitação), num ritmo regido pela idéia de que “tempo é dinheiro”. Aproveito essas caminhadas para refletir sobre várias coisas do dia-a-dia e do trabalho. Num dado momento, percebi que se aproximava alguém pelas minhas costas; mantive-me atento. Conforme ia caminhando, num certo estreitamento da área de circulação de pedestres na calçada, percebi que tal pessoa começava a se emparelhar comigo na caminhada.

Olhei para o lado e, ligeiramente atrás, observei que era uma moça, oriental, possivelmente coreana, e que tinha aproximadamente um metro e quarenta de estatura. Surpreendi-me com seu jeito de caminhar. Tinha um ritmo bastante característico e um certo oscilar de altura, como se dançasse, subindo e descendo a cada passo. Sem alterar o meu próprio ritmo nem o tamanho dos meus passos, apesar de possuir um metro e oitenta e cinco centímetros, ela progressivamente me ultrapassou e começou a se distanciar. Ao observá-la pelas costas, ainda notei que tinha um biotipo comum aos orientais, com o tronco maior que as pernas e a coluna particularmente reta. Fui atleta, treinador de atletas e pratico Tai Chi Chuan há muitos anos – o movimento corporal e a harmonia dos gestos são as primeiras referências que capturo ao observar uma pessoa. Também fica evidente aos olhos treinados quando uma pessoa está fazendo mais esforço do que o necessário durante um gesto ou movimento.

Garanto, aquela moça caminhava com grande rendimento, naturalidade, coordenação e ritmo. Pensei: se eu tivesse aquela forma de caminhar, considerando que minhas pernas eram quase 30% maiores que as dela, provavelmente caminharia duas vezes mais rápido com o mesmo esforço que eu estava utilizando! Creio que não era apenas uma questão de aptidão ou predisposição genética. Acredito que poderia aprender e treinar aquela forma de caminhar. Possivelmente, entretanto, isso representaria uma mudança mais significativa em termos de hábitos musculares, coordenação e postura geral do meu corpo. Uma mudança dessas deveria então ser dividida em várias dimensões e estágios.

Cinco Maridos

Um grande mestre contou-me uma história bastante esclarecedora para concluirmos, finalmente, as atitudes importantes para continuarmos nosso caminho. Era sobre um amigo seu, americano, também cientista do comportamento e divorciado há alguns anos. Há algum tempo vinha se relacionando com uma moça pela qual se apaixonara. Como terapeuta, observava em seu consultório que seus clientes, individuais ou casais, traziam um conjunto de evidências de que, ao se casarem novamente, após uma separação anterior, muitas vezes “mudava-se apenas a carteira de identidade” do(a) novo(a) companheiro(a); os dramas e dificuldades de relacionamento permaneciam, apesar de terem escolhido um novo par.

Isso, cedo ou tarde, condenava uma nova relação, conduzindo-a a um antigo problema e mais um impasse. Sabia, no entanto, que também tinha contribuído para o fracasso de seu primeiro casamento. Tinha medo de que agora, ao casar-se novamente, repetisse os mesmos erros. Seu dilema contrapunha seu interesse presente pela moça à sua experiência profissional, que lhe indicava a possibilidade de um novo fracasso por antigos problemas.

Confidenciara seu drama a alguns amigos dispostos a convencê-lo a arriscar-se novamente. Um desses, ao convidá-lo para uma festa, oportunamente, durante a reunião, mostrou-lhe, entre os presentes, um casal que já comemorara bodas de trinta e cinco anos. Interessado e curioso a respeito dos segredos de tal sucesso no casamento, aguardara ansiosamente uma oportunidade de se aproximar e conhecer o casal, ou um dos dois, e descobrir-lhes a receita do sucesso.

Finalmente surgiu a ocasião propícia; aproximou-se no momento em que a senhora fora se servir à mesa, ao afastar-se do marido. Iniciou uma conversa, apresentou-se e contou-lhe a curiosidade. Quando aquela senhora ouviu que, supostamente, estava casada havia trinta e cinco anos, franziu a testa e negou: “Não, não, não. Nesses anos todos eu tive cinco maridos!”

Desconcertado e surpreso, tentou desculpar-se pelo mal-entendido, enquanto a senhora, sem perder o ritmo, começou a contar-lhe, mantendo a elegância, como tivera sido sua vida:

“O meu primeiro marido... Éramos jovens, apaixonados, ele me trazia flores, passeávamos muito, viajávamos...” Contou várias aventuras e episódios. “... Até que, um dia, nasceu meu primeiro filho. Então tudo mudou e... Meu marido me abandonou...”

Chocado com o acontecido, porém, o terapeuta não teve tempo de expressar sua surpresa. A senhora prosseguiu:

“O meu segundo marido era um homem muito sério, estudava muito, passava horas e horas trancado em seu escritório, muitas noites nem sequer dormia... Eu aprendi a amá-lo e respeitá-lo. Aprendi muito com sua disciplina e determinação. Um dia, porém, ele também me abandonou...

Meu terceiro marido era um homem muito trabalhador, muito honesto e também muito reconhecido profissionalmente. Tinha muitos amigos e viajava muito. Eu tive que me desdobrar para dar conta de todas as atribuições que me sobravam enquanto ele estava fora. Nessa época, eu já tinha três filhos. Mas ele, um dia, também se foi...

Meu quarto marido era um homem muito famoso, muito sociável, vivíamos em jantares, festas, coquetéis e reuniões. Muitas vezes eu recebi convidados e pessoas em casa. Aprendi a conviver com ele e também a amá-lo muito. Era um homem muito distinto e elegante... Um dia, porém, ele também me deixou...”

O cientista, já desconfiado ao ouvir esta última parte da história, teve então plena certeza quando a senhora começou a contar sua vida com o seu quinto marido... Sim, ela estivera, o tempo todo, falando da mesma pessoa. Tivera “cinco maridos”, porém apenas um casamento! De uma forma sábia, entretanto, percebera que seu caminho se delineava a partir de uma sucessão de fases e papéis diferentes de acordo com o momento da vida. E cabe a nós identificá-los, aceitá-los e assumi-los ao percorrermos nossa jornada.

Espero que até aqui, caso você tenha iniciado por esta parte do livro, tenham ficado registradas algumas percepções subjetivas que o acompanhem pelo caminho adiante. Se, entretanto, você está chegando aqui, tendo começado por “outras paragens”, então muitos “insights” provavelmente estarão já se apresentando. Neste segundo caso, estas últimas linhas apenas confirmarão suas descobertas. Precisamos somente de mais um acordo...

Leitura criativa

A linguagem informal deste livro consiste numa estratégia que tem por intenção e pretensão criar um clima de leitura criativa. Aqui reside um dos mais importantes aspectos desta metodologia.

Contraditoriamente, quanto menos esforço fizermos neste processo, maiores serão os resultados! Estaremos, ao longo deste programa, investindo tempo e energia na integração e no resgate de muitas habilidades e percepções que, por alguma razão muito importante, até aqui não têm estado em uso.

Quero exemplificar melhor a observação anterior, para que possamos compreender o significado e a importância da adequação cultural e social para cada indivíduo. Três exemplos servirão para coordenarmos, sem prévios julgamentos e de uma maneira mais respeitosa, nossos interesses de mudança, crescimento e transformação com nossos antigos programas de “sobrevivência” e adequação social, profissional e pessoal – condições que, efetivamente, nos destacam e compõem os atributos de nossa própria identidade.

Peter Senge, reconhecido cientista americano, conta uma história muito interessante em seu livro mais recente, traduzido para o português, “A Quinta Disciplina – Caderno de Campo”. Diz algo a respeito de um povo africano cuja saudação entre as pessoas era: “Te vejo”. A reposta correspondente era: “Eu estou aqui”. Nessa cultura, um indivíduo ficaria muito ofendido caso alguém lhe encontrasse sem cumprimentá-lo, pois estaria negando-lhe a existência e, conseqüentemente, retirando-lhe a própria identidade. É claro, essa é “uma outra cultura”. Em nossa civilização, conquistamos respeito, reconhecimento e identidade pelo que sabemos repetir e reproduzir dos conhecimentos culturalmente aceitos como verdadeiros. Ou através da representação de ações ou frases observadas nos programas de televisão. Parte da noção de realidade e dos significados são estabelecidos pelos personagens em evidência em cada época – grandes personalidades e artistas nos oferecem os padrões de conduta adequados.

Outra ocasião interessante de ser observada: tive oportunidade de participar de um encontro de atualização profissional de Recursos Humanos em agosto de 1.996. Eu faria a palestra de abertura do terceiro e último dia do evento. Assim, aproveitei os dois primeiros dias para reconhecer a linguagem dos outros palestrantes e adaptar o meu discurso. Na abertura do segundo dia, houve uma dinâmica com musicoterapia. Percebi que o palestrante estava realmente empenhado em obter a participação do grupo. Mas seus esforços davam poucos resultados. Num dado momento, solicitou aos presentes, sentados ao longo do auditório, que se levantassem e que trocassem de posição: quem se sentava à frente deveria se encaminhar para trás e vice-versa.

Quando a movimentação se iniciou, pediu ainda que, no momento em que duas pessoas se cruzassem, olhassem nos olhos uma da outra, se cumprimentassem e trocassem um sorriso. Observei fatos interessantes: 85% dos homens que encontrei não me olharam nos olhos; 40% das mulheres também não! Alguns, ao dar a mão, rapidamente, sequer paravam de caminhar. Percebi que, em todo o auditório, que continha umas cem ou cento e cinquenta pessoas, apenas um senhor “engravatado” não se levantara para participar dessa vivência. Pensei comigo: “Talvez esse seja um dos poucos honestos em todo este grupo, pois, não querendo participar, teve coragem de boicotar abertamente a dinâmica”.

Também pensei: “Estes são os profissionais que cuidam das pessoas nas empresas? Que desastre!” Felizmente, entretanto, há uma minoria, porém crescente, de profissionais dessa área não só interessados mas também empenhados e comprometidos em contribuir para a construção de um novo modelo de gestão do potencial humano. Tive a felicidade de encontrar outras instituições nas quais o principal papel dos executivos é o de gestor do potencial humano: “Uma empresa não vale absolutamente quase nada no fim-de-semana, ou seja, sem os seus profissionais” (adaptado do Sr. João Roberto Benites).

Por muitos anos, o conflito aparente entre o processo criativo e os limites de expressão dessa força criativa (comumente conhecidos como bloqueios) tem sido apresentado como algo a ser vencido por um dos personagens: a chamada criatividade. Mas essa é essencialmente uma conclusão do mundo adulto. No universo infantil, de alguma forma, esse conflito parece ser construído e ativado para que os bloqueios perseverem. Contraditório, não?

De alguma estranha forma, parece que as crianças, criativamente, aprendem a não utilizar sua criatividade! De fato, uma outra forma de entender os chamados bloqueios mentais ou emocionais é percebê-los como construções criativas de nossa própria mente inconsciente para lidar com os regulares problemas causados pela expressão descontrolada de nossos impulsos criativos.

Certamente, então, qualquer recurso, comportamento ou estratégia que tivemos ou usamos em alguma época de nossa vida e, conscientemente ou não, escolhemos deixar de utilizá-la para assumir uma identidade reconhecida profissional ou socialmente, poderá ser reativada. Agora, entretanto, não devemos nos condenar ou mesmo julgar algumas decisões, sejam elas inconscientes ou não. Naquela época, talvez tenha sido muito mais importante a conquista do processo de sociabilização e a construção de uma identidade socialmente reconhecida. No presente, porém, poderá ser muito importante para nossa expressividade e realização que resgatemos aqueles potenciais que acabaram por adormecer em nosso interior.

Para que ocorra aquele fenômeno que chamo de leitura criativa, convoco a participação daquela dimensão de existência na qual ocorre a intensa maioria de nossas percepções e ações: a nossa mente inconsciente. Afinal de contas, como você escolhe o que perceber? Enquanto você lê estas linhas, pode não estar totalmente consciente de uma série de eventos que coexistem ao mesmo tempo: suas sensações corporais de contato e calor, o resto de suas impressões visuais periféricas que abarcam, pelo menos, um cenário muito maior que estas páginas e várias impressões sonoras que lhe invadem os ouvidos, seja por dentro ou por fora e, mesmo assim, são desviadas de sua consciência, processo este que podemos chamar, no momento, simplificadamente, de percepção periférica.

Também, especialmente, devemos considerar nossas memórias e nossos pensamentos – como eles são ordenados?

Então repito, convoco todas aquelas dimensões da nossa existência que realmente escolhem o que perceber, aquelas que escolhem o que lembrar e também aquelas que escolhem o que pensar, entre outras, e que, na maioria das vezes, nos orientam e nos apontam os caminhos para as experiências de vida. Convoco-as todas para contribuir e participar deste empreendimento que pode gerar aprendizagens e percepções que transcendam os limites dos objetivos conscientes. Essa convocação tem um nobre objetivo que partilhamos todos juntos: sentir-nos melhor e promover melhores formas de expressão de nossa condição mais essencial, o fator humano.

Nesse processo, que chamei de leitura criativa, espero que a mente inconsciente de cada um de nós esteja presente, a oferecer-nos as mais significativas percepções, conscientes ou não, transformando a nossa consciência apenas num palco e num cenário de um espetáculo em que estejam presentes, simultânea e/ou sucessivamente, impressões internas e externas, para que possamos realizar, o mais efetivamente possível, nosso intento íntimo com este programa.

Não se oponha se, então, ao acompanhar estas palavras durante a leitura, acontecerem reações como: desconcentração ou concentração absolutas, não-entendimento ou entendimentos únicos, sonolência ou intenso impulso de movimentação e, principalmente, uma série incomum de sensações pelo corpo, imagens conexas ou desconexas, ou mesmo um discurso paralelo dentro de sua mente ou percepções. Não existe certo ou errado nesta proposta, são apenas sinais e mensagens de sua mente inconsciente.

Todos esses efeitos, sejam conscientes ou não, apenas indicam uma intensa atividade interior de integração de percepções e ruptura de algumas crenças de limites instaladas ao longo de anos pela nossa adequação, sociabilização e educação formais.

Não obstante, permita que isso aconteça e divirta-se com isso. Quando perceber algum impulso de movimento, vontade de espreguiçar-se, bocejar ou adormecer, deixe acontecer. Não se preocupe, nem se pré-ocupe. Ceda aos impulsos espontâneos. Poderemos reaprender coisas interessantes nesse caminho. Os diferentes estilos de aprendizagem estão sendo estudados e nós, acadêmicos ou não, ainda temos muito a aprender com aquelas crianças que “dormem” na aula, que estudam vendo televisão ou mesmo conversando, ou desenham enquanto assistem às aulas na escola – e comumente são excelentes alunos.

Quaisquer sensações, sejam incomuns ou não, durante a leitura deste livro, deverão ser entendidas como mensagens. Mensagens e informações de nossa(s) mente(s) não consciente(s). Sendo assim, leitura criativa é um processo que se desenrola em nossa consciência, no qual, simultânea ou sucessivamente, estamos sensíveis, receptivos e perceptíveis a estímulos externos (informações e representações dos objetos de observação, estudo ou leitura) e sensíveis e atentos às impressões subjetivas que nos são oferecidas, tais como: percepções sensoriais, viscerais, visuais, auditivas, idéias, memórias e intuições. Não esqueça as instintivas também, no caso de ocorrer sono, fome, uma vontade de se movimentar ou ir ao banheiro. Acima de tudo, divirta-se!

Estes foram os principais acordos necessários para continuarmos nosso empreendimento: abrir novos caminhos e desbravar fronteiras. Assim, supondo que, realmente, nosso “coração” possua como um valor elevado a coleta de experiências e aprendizagens, agora passaremos à frente para discutir soluções, após termos definido um cenário inicial que inclui experiências típicas de nossa cultura. Neste programa, propriamente, serão propostas soluções em um ambiente específico: como falar línguas estrangeiras mais rapidamente e com menos esforço. Esse é um objetivo que pode ser considerado bem formulado se possuir um prazo. Em contrapartida, deve-se ter em mente que: aprender língua estrangeira ou aprender a falar língua estrangeira é tão indefinido quanto querer emagrecer, e não, escolher um determinado peso. Se definirmos como objetivo um processo (aprender, emagrecer etc.), obteremos como resultado a conquista do processo, e não necessariamente do fato! É o caso daqueles que aprendem línguas a vida toda mas não falam, ou dos que estão sempre em dieta mas nunca estão magros.

Resumo

Esta é uma parte muito importante deste programa de aprendizagem inconsciente para construir a atitude adequada para ter acesso a canais de comunicação com a nossa própria mente inconsciente. Romper alguns protocolos sociais que nos moldam a percepção e flexibilizar algumas crenças nos permitirão encontrar um sentido mais profundo para desenvolver o processo, agregando ainda alguns ganhos secundários interessantes, próprios da estimulação dessas dimensões de nossa existência.

O encadeamento de múltiplos níveis de sentido e significação ainda nos mostra o valor e a elegância da utilização do Princípio da Alavancagem aplicado neste contexto. Serve ainda para convidá-lo(a) a vivenciar um processo de aprendizagem mais profundo e integral, incorporando todos os aspectos mentais, emocionais e corporais que se apresentam durante a leitura deste livro.

Tarefa