Prólogo
Prólogo
Falar sobre a morte é uma responsabilidade muito grande, principalmente por ser uma palavra que se refere a um dos mais abomináveis fatos de nossa cultura.
Seja a morte de pessoas, animais de estimação, empresas, relações ou mesmo sentimentos, milhões e milhões são investidos regularmente na busca da longevidade, cura de doenças, preservação da beleza e da juventude ou salvamento de empresas.
No entanto, é frente à morte, principalmente, que nos damos conta de nossa fragilidade e impermanência. É frente à morte que, de uma estranha forma, nos tornamos humanos e conscientes de que pertencemos à Natureza.
Nesse sentido, essa experiência torna-se um evento sagrado em nossa existência.
Abordar esse assunto, nesse sentido, então, é falar sobre vida! Entre os orientais, existe a compreensão de que não aprendemos a viver antes de aprender a morrer.
Os pensamentos presentes neste livro, portanto, constituem-se numa reflexão sobre a vida... E sobre a morte! Este não é um tratado religioso. É essencialmente um conjunto de pensamentos, sentimentos, idéias e questões existenciais elaborados por um sobrevivente que há muitos anos possui como grande mestra a Morte.
Tal como em outros trabalhos já apresentados ao público, este é mais um empreendimento de um Explorador, isto é, a precisão das datas, eventos ou citações pode deixar muito a desejar.
A pretensão e audácia de trazer a público tal texto, sem a fidelidade conceitual que merece o assunto, talvez possa apenas ser perdoada na medida que corresponda a um relato pessoal próprio e, se puder trazer um pouco mais de vida aos leitores e buscadores que ora se aventurem por estas páginas, então considero justificado o risco.
Não houve a mínima intenção de fazer desta obra um tratado acadêmico passível de discussões e análise. São apenas reflexões sobre o viver e o morrer.
Por questões práticas, o estilo do discurso pode variar algumas vezes, e a concordância de linguagem fugir da expectativa dos leitores mais cultos.
Entretanto, essas mudanças de identidade, elas mesmas, exemplificarão a natureza mutável das percepções que povoam o universo subjetivo pouco sensível à nossa lógica racionalista.
A iniciativa desta apresentação está intimamente associada a uma decisão tomada durante longas conversas vividas com duas grandes amigas “guerreiras” e irmãs no Caminho, ao observar parte do grande processo de transformação interior que acompanhou curas milagrosas dessas pessoas ditas abençoadas pela força interior que possuem.
Sobreviventes ímpares de dois dos mais violentos males que ainda atingem a humanidade: câncer (um tumor de melanoma no cérebro, que produziu algumas metástases pelo corpo, e lhe valeu dez anos de tratamentos) e diabetes infantil. Evidentemente, embora a medicina tenha contribuído nesse processo de cura, os médicos ainda não sabem explicar o que aconteceu.
Assim, o hábito do uso freqüente das reticências pontuam os pensamentos e reflexões não concluídos sobre um tema, o mais duro, radical, implacável... E, no entanto, sagrado!
A qualquer autor que hoje se arrisque a tratar o assunto, é-lhe exigido um conjunto de referências a uma das maiores autoridades científicas sobre o tema, chamada Drª. Elizabeth Kübler Ross.
Seus trabalhos com pacientes terminais e compilações de dados que identificam precisamente as etapas, sentimentos e atitudes que acompanham os pacientes e aqueles que convivem com estes, são bastante reveladores do estado atual de nossa compreensão da vida.
Assim, qualquer pessoa que queira se aprofundar nesse assunto deve consultar tais cânones científicos de nossa cultura.
Entretanto, não será essa a nossa abordagem... Mesmo porque, esse não é um empreendimento teórico, e sim, extremamente prático. E, como tal, tão violento quanto você seja capaz de suportar em alguns momentos e tão suave quanto você possa sentir, em outros.
Por mais revoltante, solitária e sagrada que possa ser a experiência da morte para quem a esteja vivendo pessoalmente, também tenho outros objetivos: aproveitar essa ocasião que obriga familiares, amigos e mesmo profissionais a percorrer esse estranho caminho de crescimento interior profundo, ao buscar uma equação dos sentimentos e compreender e vivenciar o contato com a morte.
Se agora, então, você aceitar o desafio de prosseguir nesta leitura, deve ter em mente uma importante informação: se em alguns momentos sentir que suas entranhas estejam sendo torcidas, os sentimentos estiverem cozinhando a “ferro quente” suas vísceras ou seus olhos turvos pelas lágrimas, saiba que esse é o seu “coração” evidenciando a sua Presença e ânimo de tornar tudo diferente.
Pela natureza da linguagem utilizada nesta obra, pode haver grandes reações fisiológicas acompanhando a digestão desta leitura.
Vá em frente... Torço muito para que conclua a leitura. Tornará, espero, a sua vida mais serena e mágica.
Abrindo as Portas
“Aquilo que as lagartas chamam de morte,
Os homens chamam de borboleta!”
Sabedoria Oriental
Nesse universo em que, em geral, as pessoas somente entram quando forçadas pela própria natureza da vida, estaremos caminhando com nossas próprias pernas, por iniciativa própria.
Certamente necessitamos de uma boa lanterna para não cairmos inadvertidamente em buracos nem pisarmos em solos sagrados antes de estarmos preparados.
Há muitos anos, li uma reportagem no jornal sobre uma grande intelectual e crítica literária que chegara à conclusão de que sua vida começara recentemente.
Concluíra que, ao completar quarenta anos de idade, não havia lido a metade dos livros de sua biblioteca. Assim, acreditando que atingira metade de sua vida (segundo suas expectativas), compreendeu que não teria tempo para ler o resto de seus livros.
Essa constatação exigiu uma decisão muito importante: teria de escolher os livros que leria dali em diante. Estabeleceu como critério que leria apenas o que lhe desse prazer. Somente então iniciou uma nova vida, apoiada no prazer e em seus sentimentos e inclinações.
Em outra ocasião, conversando com uma tia muito querida, fazia um grande esforço para convencê-la a aprender a jogar tênis, embora ela já tivesse quase setenta anos de idade. Utilizando-me de vários argumentos diferentes, ela respondia sempre da mesma forma: “Já estou muito velha para começar algo... Já não há mais tempo!”.
Frustrado, perguntei a ela o que faria se soubesse que viveria até os cento e vinte anos. Insisti e ela, meio confusa, respondeu que a primeira coisa que faria era voltar a trabalhar. Então não resisti e perguntei: “Então o que a senhora está esperando... A morte?!”.
Percebi profundamente, nessa ocasião, que nosso mundo e nossos hábitos estabelecem um plano de expectativas e sonhos em nossas vidas... Nem sempre os melhores. Embora seu marido lhe oferecesse um exemplo de extrema coragem e força interior, isso não era suficiente.
Com setenta e oito anos, após sete cirurgias nos quatro anos anteriores (quatro delas no crânio, para retirar coágulos decorrentes de um forte trauma na cabeça e uma de reconstrução da face após um sério acidente), poderíamos até dizer que estivesse na “linha de chegada da vida”: completa fraqueza muscular e péssimo equilíbrio (o que lhe valeu alguns tombos), baixíssima agilidade, visão em apenas uma vista e má coordenação de pensamentos e fala.
Tudo isso numa época em que geralmente as pessoas idosas aceitam o imaginado destino do fim; consegui convencê-lo a voltar para as quadras de tênis e, embora tenha machucado o nervo ciático na primeira tentativa (o que lhe valeu três meses de repouso), na segunda oportunidade se empenhou a tal ponto que, em menos de um ano já estava “batendo bola”!
Costumo dizer a ele que adquiriu uma responsabilidade a mais: mostrar às pessoas essa possibilidade! Que há luz no fim do túnel! Certamente a seqüência de problemas de saúde retirou-lhe várias habilidades e capacidades...
Seria muito fácil concluir que estivera frente a frente com seu próprio fim... Porém, a fé e a iniciativa de experimentar algo novo permitiu-lhe conquistar, simbolicamente, um novo “nascimento”, uma nova forma de ser, sentir, agir... acreditar!
Existe uma quantidade muito grande de pessoas que, privilegiando a segurança, permanecem sempre na retaguarda esperando que os mais atirados conquistem os novos territórios do ser e do saber.
Embora essas pessoas vivam esperando que os outros, aqueles que arriscam, lhes comuniquem com garantia ser seguro explorar os novos territórios, é graças a estes últimos, inovadores, que nosso mundo continua a evoluir.
Se para alguns, a morte e as doenças são grandes problemas que trazem à consciência sentimentos negativos, lembranças do desconhecido e a constatação da impermanência da segurança e da vida, para outros, tanto as doenças quanto a morte podem ser grandes soluções que criam condições de construir uma nova existência.
Seja no âmbito da vida humana, na vida de empresas ou de hábitos e comportamentos. A história seguinte criará o contexto inicial para nos aprofundarmos nessas reflexões.
Uma Pequena Lanterna no Caminho
Era um homem muito curioso, um jeito meio calado, porém de sorriso fácil e muitos amigos. Vivia em uma casa muito grande e bonita em sua fazenda no campo. Quando o conheci, apresentado por um amigo em comum, era um lindo dia de verão, numa reunião de amigos em sua casa.
Ao chegarmos lá, ele, que já nos avistara ao longe, esperava sobre o gramado que rodeava toda a casa e permanecia à frente da pequena escada que dava acesso à varanda.
Quando fomos apresentados, tinha um simpático sorriso de boas-vindas e, rapidamente, voltara sua atenção para as crianças, filhos de meu amigo que, agitados e alegres, pediam-lhe para mostrar-lhes um tatu.
Tatu pra cá, tatu pra lá, após os cumprimentos, prometera-lhes mostrar um tatu. Tendo, enfim, nos colocado à vontade, ao subir à varanda, convocara as outras crianças para a “expedição de busca ao tatu”. Acompanhei a expedição.
Observei que, primeiramente, parara por alguns instantes no parapeito da varanda, de onde podia observar ao longe a linha do horizonte. Depois, ainda em silêncio, deixando em suspense a criançada, descera ao gramado, mexera na terra e pegara algumas folhas do chão.
Então dera uma volta ou duas, perguntara as horas, observara o céu olhando para as nuvens e, enfim, convocara o início da caminhada. Caminhamos durante cinco minutos sem parar, numa direção definida. Numa clareira, paramos, e ele, então, olhou em volta. Nenhum tatu.
Ali sentou-se sobre um tronco caído e disse: “É aqui! Vamos esperar um pouco em silêncio...”. Não se escoaram dois minutos e pudemos ver um tatu passando a apenas uns dez metros de distância. As crianças se alvoroçaram e o animal, arisco, correu.
Imaginei, então, que ali houvesse uma família inteira de tatus, mas não. Afinal de contas, a probabilidade de aparecer um é alta somente quando sua densidade populacional também é grande. Engano!
Quando retornamos à casa, fiquei sabendo que esta era uma de suas grandes habilidades: encontrar um tatu em qualquer momento. Em qualquer época do ano, contou-me meu amigo, ele levava as crianças e adultos para ver um tatu.
Tinha um jeito característico e meio curioso de observar a fazenda, as árvores, a terra, o vento, as nuvens, a hora... e dirigia qualquer daquelas expedições nas mais diversas direções, estações do ano, temperaturas.
Às vezes eram cinco minutos de caminhada, às vezes quinze, até que parava, olhava em volta e, se não houvesse um daqueles animais por perto, era certeiro que em alguns instantes apareceria um. Comecei então a observar que essas formas de ser eram características de muitas outras pessoas, porém não com tatus, mas com as mais diversas buscas na vida pessoal e profissional.
Caminhando na Penumbra
Um breve mosaico de possibilidades
Um porco desperta diferentes percepções em seres diferentes. Pense bem, se você for uma criança, um veterinário, um criador ou um lobo, terá diferentes reações e entendimentos ao encontrar esse animal.
A criança certamente se lembrará dos “Três Porquinhos” ou de “Babe, O Porquinho ...”; para um veterinário, a saúde do animal despertará sua atenção; para um criador, será a raça, peso e rentabilidade para negócios; já um lobo provavelmente começaria a salivar e, se tivesse oportunidade, teria “um bom jantar”.
Certamente um livro dessa natureza também deveria possuir uma versão escrita por alguém que, um dia, tenha corrido um grande risco de vida e sobrevivido heroicamente... Essas são também pessoas aptas a tratar desses assuntos.
No meu caso pessoal, embora muito familiarizado com a presença da morte a ponto de reconhecê-la como companheira, nunca tive a necessidade de convencê-la a deixar-me viver mais ou que buscasse outras paragens, isto é, fui sempre aquele que ficou quando outros se foram.
Se as coincidências não forem realmente a melhor forma que a Providência encontrou de permanecer anônima, certamente é a mais elegante.
Por possuir uma certa inclinação natural para a reflexão e ponderação sobre essas questões, minha memória permaneceu afiada até que registrasse essas lembranças neste trabalho, embora sua fidelidade possa ter misturado alguns detalhes.
Os casos relatados a seguir, por mais curiosos que possam parecer, possuem algo em comum.
Algumas Curas Milagrosas
Uma pesquisa realizada no Japão com sobreviventes de doenças muito sérias, especialmente câncer, e que já haviam recebido a sentença de condenação com prazo de sobrevivência máximo determinado em dias ou poucos meses, apresentou algo muito curioso.
Essas pessoas pertenciam a diferentes classes sociais, etnias, educação, idades etc. Nada tinham em comum, exceto o fato de terem se curado milagrosamente e terem tido a coragem de mudar tudo em suas vidas logo que receberam a notícia de serem terminais... Não tinham mais nada a perder!
Os exemplos são muitos. Um era um alto executivo que, em seus últimos dias, resolvera abandonar sua profissão e família para fazer algo que sempre fantasiara: tornar-se pescador na beira da praia. Outra era uma senhora que sempre desejara viajar e, nesse momento, desfez-se de todos os seus bens e saíra em busca de seus sonhos.
Esse era o único padrão constante entre os sobreviventes que reverteram suas doenças e contrariaram os prognósticos médicos: foram em busca daquilo que sempre desejaram mas, até então, não haviam tido coragem ou iniciativa de empreender!
Alguns Eventos Vinculados às Doenças
Outra pesquisa, realizada na Alemanha, identificou entre os portadores de câncer uma característica curiosa: embora também fossem indivíduos com os mais diversos estilos de vida, todos eles tinham vivido um grande evento emocional (mudança, perda ou transtorno) num prazo de seis meses a dois anos antes do aparecimento desse mal: morte em família, separação, aposentadoria, desemprego etc.
Poderíamos até concluir que a doença estivera relacionada com uma grande transformação ainda não aceita ou equacionada, pois mesmo eventos de muita satisfação, como um casamento ou mudança para uma nova casa, também estavam presentes em alguns casos.
As modernas pesquisas em saúde alternativa e psicossomática nos conduzem a crer que determinados tipos de doença estão associados a certos perfis de comportamento psicológico e emocional.
As modernas pesquisas nos processos de cura não ortodoxos têm revelado uma dimensão dos problemas de saúde ainda insuspeitados pelo grande público. Um aprofundamento nesses assuntos pode ser obtido na leitura dos livros de O. Carl Simonton ou Rachel Naomi Remen.
Com a formação que tive em Geologia e minha curiosidade permanente pela observação da natureza, freqüentemente paro para observar e contemplar as paisagens naturais e urbanas. O que mais me surpreende é olhar em qualquer direção e notar que existe vida pulsando, seja em suas formas mais complexas ou mais simples.
Mesmo que não pensemos na inteligência, na memória ou na sabedoria presentes na construção das substâncias minerais em suas formas cristalinas, hoje a ciência já comprovou que até nos pólos ou nos desertos existe vida em abundância.
Em meus momentos de meditação, fico pensando se a vida não seria uma condição básica e auto-sustentada de nossa natureza. Imaginando essa força que se expressa na forma de vida, e à qual pessoas diferentes dão nomes tão diversos, lembro-me de uma interessante explicação dada no filme Episódio I (Star Wars).
O Que Somos?
Dizia um dos personagens principais que nós, seres humanos, somos seres simbiontes. Somos a soma de “incontáveis microseres chamados de células, que juntas formam os tecidos, os órgãos, os organismos...”.
Essa compreensão de nossa natureza mostra uma condição esquecida: mesmo que nossa identidade ou forma de ser esteja sustentada por nossa consciência, no universo inconsciente possuímos muitas formas de ser e pequenas identidades.
Embora isso possa parecer estranho, há maneiras de compreender a vida que proporcionam maiores possibilidades de mobilizar nossas forças inconscientes para obter a cura. Há curiosidades a respeito da forma com que aprendemos e nos tornamos alguém muito úteis para orientar nossas forças interiores.
Por mais familiar que seja encontrarmos nossa imagem em um espelho ou enxergar através do vidro, saiba que isso é ainda um complexo aprendizado inconsciente de como coordenar o foco e a convergência de nossa visão. Um índio que nunca teve contato com nossa cultura tecnológica, pode não saber olhar através do vidro e pode ter alguma dificuldade de se encontrar no espelho.
Da mesma forma, a capacidade de “enxergar” através dos eventos e coincidências e compreender as relações entre sentimentos, atitudes e ações é a grande arte de um bom cientista do comportamento. Será também um importante aprendizado para aqueles que estiverem em busca de viver mais e melhor.
O Sistema Familiar e as Doenças
Um dos mais revolucionários psiquiatras americanos, Carl Whitaker, demonstrou uma rara sabedoria ao receber uma família para uma seção de terapia dentro de um seminário que proferia para médicos, psicólogos, assistentes sociais e terapeutas. Nessa família havia um garoto esquizofrênico completamente surtado.
De comum acordo com os clientes e seu médico, todos os membros dessa família foram trazidos para essa demonstração. Quando entraram na sala de atendimento (uma arena rodeada de profissionais que estudavam com esse psiquiatra), o garoto estava completamente descontrolado e uma tremenda confusão instalada entre todos os membros.
Estavam agitados a tal ponto que nem todos viram e cumprimentaram o médico antes de se sentar em círculo nas cadeiras já posicionadas. Ainda permaneciam aos berros quando o psiquiatra começou a falar algumas palavras. Após algumas frases, Whitaker cochilou!
Passados alguns minutos, despertou. Disse mais algumas coisas e, novamente, adormeceu! Esse fato repetiu-se várias vezes ao longo da seção terapêutica.
Lenta e progressivamente, cada membro da família foi encontrando sua calma. Mesmo o garoto esquizofrênico se acamou (saiu do surto) e, ao final da seção, estavam todos conversando educadamente, cada um falava por sua vez, escutando e aceitando os pontos de vista uns dos outros.
Os profissionais que assistiam à demonstração estavam extremamente surpresos e curiosos com o ocorrido. Foi encerrado o atendimento, agradecimentos etc., e a família foi retirada da sala. Whitaker mal teve tempo de respirar e foi “bombardeado” com inúmeras perguntas, com grande alvoroço entre os presentes.
Diziam: “Mas nada foi feito tecnicamente... Como você conseguiu esse resultado?!”; “Como você conseguiu acalmar aquelas pessoas?”; “Como retirou o garoto do surto sem nenhum medicamento?!” etc. Pacientemente, escutou as perguntas aguardando sua oportunidade de respondê-las: “Em cada sistema (ambiente) existe espaço para apenas um louco”.
De uma forma brilhante, Whitaker nos ensinou que, embora um determinado membro de um sistema familiar possa manifestar um mal qualquer, a família como um todo é responsável. Seu único trabalho enquanto terapeuta nesse caso foi parecer mais louco que o garoto, fazendo algo completamente inesperado. Mesmo porque, as crises do menino já eram esperadas.
Portanto, se um membro de uma família adoece, em grande parte dos casos todos os membros são responsáveis. Igualmente, mesmo que um órgão esteja doente em um indivíduo, “sua vida está doente”!
Naturalmente, sob esse ponto de vista mais amplo, os porquês ou razões nem sempre podem ser encontrados com facilidade. Nem mesmo é possível identificar culpados, pois tudo isso é apenas um sinal ou evidência a respeito das soluções inconscientes que as pessoas encontram para gerenciar suas tensões e insatisfações.
Por quê? Porque...
Coloquemos, agora, outros “óculos”. Foi feita uma pesquisa em uma universidade americana na área de psicologia comportamental com as seguintes características (cenário): um rapaz com material escolar em mãos mantinha-se próximo a uma máquina copiadora e, toda vez que a fila de pessoas que aguardavam a vez para tirar cópias atingia cinco candidatos, ele se aproximava do primeiro da fila e pedia para passar à sua frente.
Na primeira fase do experimento, esse pesquisador, que se identificava ficticiamente como estudante, pedia a oportunidade de “furar a fila”, justificando que seu professor o enviara com urgência para fazer as cópias, pois dependia desses materiais para uma atividade (quem sabe, uma prova). Nessa fase, obteve permissão para “furar a fila” em 70% dos casos.
Na segunda fase, pedia ao primeiro da fila mas não apresentava nenhuma justificativa. Apenas pedia: “Posso passar à sua frente?”. Aqui obteve permissão em 40% das ocasiões. Se analisássemos a experiência apenas até aqui, provavelmente tirássemos algumas conclusões precipitadas.
Surpreendentemente, o resultado da terceira fase apresentou uma dimensão da estrutura de nossas decisões, talvez ainda impensada: ao pedir para operar a máquina para o primeiro da fila, oferecia uma justificativa completamente non sense (absurda), como, por exemplo: “Deixe-me tirar essas cópias na sua frente porque hoje vai chover e os jacarés não poderão tomar sol”. Impressionante: 70% das pessoas permitiram que o rapaz se antecipasse nas cópias.
Essa pesquisa parece sinalizar um hábito bastante comum em nossa cultura: o da aceitação dos porquês e o vício de se encontrar uma justificativa para tudo. De fato, muitas vezes, pouco importa a precisão da análise ou o compromisso com a verdade: “Foi assim porque...”; “Foi aquilo por...”; “Será isso porque...”. Como se realmente as relações causais no universo da experiência humana fossem assim simples. Poderíamos até perguntar: “Por quê...?”.
Quando vivemos problemas de saúde que não são resolvidos pelas abordagens médicas tradicionais, torna-se fundamental lembrarmos que a própria ciência médica tem suas limitações. A história da humanidade tem mostrado isso e, a cada cinqüenta anos, é possível olhar para o passado e dizer: “Como eram atrasados aqueles tratamentos!”.
Da mesma forma, num futuro próximo, olharemos para trás e diremos o mesmo. Lembrando-nos disso, cada limite afirmado por um profissional de saúde deve ser entendido como um limite de sua abordagem, de seu conhecimento ou de sua época.
Se acrescentarmos à história anterior mais esta outra compreensão que descrevo a seguir, então estaremos criando espaço mental e emocional para pensar e sentir um pouco diferente. Enfim, renascer é encontrar formas novas de ser e de agir.
Modelos Científicos
Nos anos de 1.984 e 1.985, enquanto freqüentava o Instituto de Física, tive a oportunidade de conhecer um grande mestre, um dos poucos que restam na universidade. Ouvira falar de sua habilidade e competência – por isso me matriculei em uma matéria optativa.
Ele só lecionava uma matéria por semestre no curso de graduação – o foco de seu trabalho estava na pós-graduação. No início, não sabia exatamente o que seria abordado naquela disciplina (cujo nome era bastante complexo: “Sínteses e Aplicações de Processadores Digitais”).
Interessava-me conhecê-lo. Pela estrutura curricular, ao nos matricularmos em uma cadeira eletiva, automaticamente ela se torna obrigatória em nosso histórico escolar. Graças a isso, tive que cursá-la outra vez, pois fora reprovado por faltas na primeira ocasião.
Isso me proporcionou a oportunidade de assistir pela segunda vez à aula de apresentação do curso de um semestre. Acredito que, somente então, tenha identificado a profunda importância daquele início de relacionamento.
Depois de apresentar o programa do semestre, critérios de avaliação e dinâmica do curso, num dado momento parava, olhava para cada um de nós e dizia, compassadamente: “Nós, da comunidade científica, que acreditamos que o homem pisou a Lua...”.
Mais uma vez, durante um longo silêncio, percorria seu olhar fixo por nós, alunos, e, ao ter observado cada um, quebrava o silêncio: “Sim, pessoal... Eu digo isso, ‘nós, da comunidade científica, que acreditamos que o homem pisou a Lua...’, porque até hoje eu não consegui convencer minha tia de que o homem realmente realizou essa conquista”.
Sua frustração era evidente. Entretanto, sua serenidade, muito presente. Era um doutor em ciências da informação, um físico extremamente gabaritado, membro da comunidade científica internacional, tinha acesso às mais diversas publicações científicas e materiais didáticos...
Toda essa variedade de fontes não fora suficiente para convencer sua própria tia. Certa vez, levara um filme para mostrar-lhe. Ela assistira ao filme com atenção e, quando questionada sobre sua opinião, respondeu: “Ah, esses meninos de Hollywood... O que eles não são capazes de fazer para nos convencer de um mundo de fantasias!”.
Fotos, filmes, reportagens... Nada era suficiente para sua conquista. Essa tensão e conflito provavelmente o conduzira a uma grande e fundamental síntese criativa: finalmente chegara à conclusão de que ele escolhera acreditar nesse fato.
Ele mesmo não estivera na Lua, ou sequer na cápsula espacial que alunissara, através da qual, pela escotilha, pudesse observar o primeiro homem pisando a Lua!
Chegara, enfim, à conclusão de que ele escolhera acreditar e se utilizar pessoal e profissionalmente de tal conhecimento. Mas não pudera testar, através de sua percepção, a realidade absoluta de tal fato.
Tanto quanto esse meu mestre, eu não estive na Lua, nem na cápsula espacial. Aprendi com ele que acreditar ou não nesse “fato” era uma questão de escolha. Escolhi, portanto, compartilhar de sua crença.
Semelhante a isso, minha escolha pelas tecnologias educacionais que utilizo está totalmente vinculada à minha formação exata. Apesar de nunca ter atuado nessa área, exceto durante uma bolsa de iniciação científica, sempre fui educador, meu compromisso visceral é com números, com percepções palpáveis.
Por isso escolhi esta metodologia chamada de Aprendizagem Inconsciente, ou Hipnose Aplicada à Educação. Garanto, é o que conheço de mais rápido, efetivo e natural em obter resultados de aprendizagem.
Não obstante, se você me encontrar um dia, no futuro, em qualquer lugar deste planeta, ou mesmo fora dele (afinal de contas, as viagens espaciais estão cada vez mais populares), e me perguntar: “Walther, li um de seus livros (ou freqüentei o seu seminário) e encontrei coisas interessantes nele... Diga-me uma coisa, aquilo que você disse no livro (ou curso) é verdade?”.
Eu nego!!! Em qualquer lugar do Sistema Solar ou fora dele! O que vou dizer é que tudo aquilo era o que eu conhecia de mais próximo da realidade até então.
Porém, se desta data para o futuro eu aprender novos métodos e ferramentas mais rápidas, mais potentes e mais naturais em resultados, eu não terei escrúpulo nenhum em abandonar tudo o que já aprendi e estudei, pois o meu compromisso visceral é com números e resultados palpáveis, e não com modelos científicos ou teóricos.
Neste momento, enfatizo o convite a que você, leitor, adote a mesma atitude para que possa aproveitar o máximo deste livro: não acredite em nada que estiver escrito neste livro, a não ser que você consiga comprovar através de sua própria percepção, razão ou intuição. E ainda assim, saiba que, um dia, talvez tudo isso venha a mudar.
Seres Simbiontes
Voltando um pouco... Nós estávamos considerando a compreensão de que, enquanto seres humanos, somos constituídos de vários pequenos seres: as células, os tecidos e os órgãos...
Existem evidências cotidianas que nos levam a concluir que esses seres possuem algum nível de consciência (mesmo que não seja aquela que conhecemos) que os guiam em seus funcionamentos e operações.
Pense bem, o que acontece com você quando é insistentemente desrespeitado, ofendido ou agredido? Motim! Naturalmente você pode tentar avisar antes, de diferentes formas, que não está satisfeito com as circunstâncias... Se ainda tiver oportunidade, às vezes, se afastará de tal ambiente ou pessoa. Porém, se as condições continuarem... Então é guerra!
Do ponto de vista da estratégia militar, é justamente quando o oponente não tem mais nada a perder que ele se torna o mais perigoso. Pensando nisso, compreende-se a natureza do ataque suicida.
Seguindo esse raciocínio, destruir, matar, morrer... Na perspectiva de um amotinado, essas alternativas podem ser soluções. Certamente soluções definitivas para problemas, grande parte das vezes, temporários.
Voltemos um pouco às nossas vidas... Se aceitarmos que cada uma das células, tecidos ou órgãos de nosso corpo possuem, além de seus papéis e suas atribuições, também uma pequena consciência (não como a nossa, mas uma que possa ser como um plano de ação e atividade), concluiremos que tudo aquilo que fazemos por ignorância ou abuso pode ofender tais pequenos seres.
Essa é uma das mais modernas formas de entender a natureza das doenças. Primeiramente, os sinais ou sintomas indicam um alerta proveniente de nossa mente inconsciente. Se as condições permanecem, os danos corporais ou emocionais tendem a aumentar... Até que retiremos as causas!
Assim, para tratarmos desses assuntos de cura, saúde, transformação e renascimento, principalmente naquelas ocasiões nas quais os tratamentos convencionais não apresentam soluções, é muito importante termos em mente que não existem verdades absolutas. Exceto talvez a seguinte: “A única verdade absoluta é que não existem verdades absolutas”.
Nesses momentos, a atitude científica essencial de questionar os modelos de conhecimento, tanto pelos profissionais de saúde quanto por seus pacientes, pode ser a ação mais saudável e recuperadora.
Isso permite a abertura para possibilidades de cura e recuperação que residem fora dos limites da prática e do conhecimento tradicional. Existem incontáveis milagres documentados. As próximas histórias podem ilustrar melhor essas percepções.
O Pai de Minha Amiga
Tenho uma amiga cujo pai, um senhor muito ativo, teve uma experiência incômoda. Foi um empresário que se fez sozinho e educou três filhos com excelência.
Possui uma grande habilidade manual e uma oficina pessoal, em casa, que lhe permite consertar os brinquedos dos netos, eletrodomésticos, problemas hidráulicos, elétricos, mecânicos etc. – um verdadeiro inventor de soluções. Sempre muito ativo, agora aposentado, não pára quieto e não deixa ninguém quieto. Um homem de muita energia e vitalidade.
Há alguns anos, cuidando de seu jardim, subiu em uma escada para retirar uma folha seca de palmeira. Ao descer da escada, caiu quando ainda faltavam dois degraus. Essa queda, além de muitas dores, deflagrou uma dupla hérnia de disco em estado latente. Procurou um médico.
Depois de vários exames e radiografias, concluiu-se que deveria se submeter a uma cirurgia. Na operação, somente foi possível, entretanto, solucionar definitivamente uma das lesões.
O médico, muito inteligente e competente, durante a convalescença do homem, atestou que a cirurgia tivera sido muito bem-sucedida. De fato, depois de um longo descanso, algumas sessões de fisioterapia, muita atenção e cuidados de todos, ele ficara completamente bom.
Passaram-se aproximadamente dois anos e esse senhor, ajudando seu genro, o próprio vizinho, a consertar o piso da calçada em frente à sua casa, passou a manhã toda agachado no chão. “Travou”. Evidentemente, não conseguiu, ao final, sequer levantar-se.
Uma grande dor e movimentos bastante limitados o conduziram novamente ao médico. Somente então ele descobriu que apenas uma das hérnias havia sido operada. Triste e descrente, sentiu-se enganado por aquele profissional. Isso o levou a procurar outra clínica.
Quando entrou no consultório desse outro médico, tinha uma tremenda dor nas costas e seus movimentos limitados. Quando, enfim, saiu, sentia ainda muita dor, e estava com poucos movimentos, cento e cinqüenta reais a menos no bolso (uma quantia significativa, considerando-se o montante de sua aposentadoria) e uma grande depressão.
O “criminoso” médico teve a coragem de afirmar, para um senhor de sessenta e seis anos de idade, que seu caso não tinha solução, e que a única coisa que poderia esperar, na vida, era uma piora lenta e progressiva. Aquele senhor, que delegava ao homem vestido de branco a autoridade da verdade, acreditou.
Esse médico, irresponsável, sem nenhuma habilidade no trato humano, não teve a fundamental consciência e coragem de dizer que ele, ou a medicina que praticava, não conhecia, ainda, a solução. Parece-me até que um profissional desse gabarito produz mais estragos do que soluções.
Ele não teve a coragem de atestar que, quem sabe, houvesse uma solução em outra prática, como de fato ocorreu finalmente. Pense em quantas pessoas, vítimas de lesões de tecidos nervosos, foram condenadas a uma cadeira de rodas ou cama por acreditar nos médicos que atestavam, até o início da década de oitenta, que tecido nervoso não se regenerava!
Não fossem alguns pioneiros provenientes de fora da classe médica, considerados “loucos” até então, possivelmente as coisas continuariam como antes. Pessoas que não acreditavam nos paradigmas da medicina da época provaram que podiam se recuperar de doenças incuráveis e acidentes graves, como traumas da medula, lesões de nervos ou perda de massa encefálica.
Parece-me faltar àqueles profissionais, ocasionalmente, a necessária e fundamental atitude científica de, antes mesmo de requerer dados estatísticos e evidências para comprovar suas teorias, saber que seu universo de conhecimento é constituído de modelos científicos.
E um modelo nunca é pleno e seguro de verdade – modelos são apenas aproximações da realidade, que normalmente permanece intangível.
Dados Surpreendentes
Uma pesquisa apresentada no livro “PNL e Saúde”, de Ian McDermott e Joseph O’Connor (Summus Editorial), nas páginas 21 e 22, é bastante sugestiva: “Em 1.973, quando os médicos em Israel fizeram greve durante um mês, as admissões hospitalares diminuíram 85% e o índice de mortalidade caiu em 50%, atingindo o menor índice registrado.
“O menor nível anterior ocorrera há vinte anos, também durante uma greve de médicos. Em 1.976, durante uma greve de médicos em Los Angeles, em protesto contra os elevados prêmios de seguro por prática incorreta, o índice de mortalidade caiu aproximadamente 20%. Foram realizadas 60% menos cirurgias. No final da greve, o índice subiu rapidamente para os níveis normais.”
No caso do pai de minha amiga, acabei contribuindo para, pelo menos, retirar a depressão e o desânimo daquele senhor. Até então, porém, agia e pensava como se esse problema estivesse naqueles profissionais ou naquela prática formalmente instituída. Até que...
Meu Próprio Susto...
Em 1.995, estive estudando na Alemanha. Por uma questão de estilo pessoal, normalmente evito gastar muito dinheiro com luxo em viagens, prefiro investir em material didático, passeios e estudos.
Conhecendo de outras ocasiões os organizadores do evento, segui suas indicações para me hospedar num centro comunitário vinculado a uma seita filosófica sediada em Colônia, onde eu estava.
Pela natureza da hospedaria, exigiam um teste de sorologia de Aids. Nunca tive vida sexual promíscua... Sempre cuidei muito de minha saúde. Porém... Não tinha absoluta certeza de não ter algum tipo de contaminação.
Fui indicado para realizar o teste em um laboratório e, segunda-feira pela manhã, fui retirar sangue para o exame. Todo o dia transcorreu normalmente. Deveria pegar o resultado na tarde daquele dia, após o seminário do qual participava.
Estudo hipnose há vinte anos e comportamento há pelo menos dez. Aprendi a lidar com uma série de circunstâncias de tensão, medo, ansiedade, nervosismo etc.
Apesar disso, os quinze minutos que anteciparam a abertura do resultado do exame foram povoados de dúvidas, batimento cardíaco disparado e tensões pelo corpo inteiro, enquanto me encaminhava para o laboratório.
Nessa ocasião, permiti a livre expressão de meus sentimentos e sensações. Descobri que todas as campanhas de conscientização tinham criado um fantasma dentro de mim e percebi que todos aqueles preconceitos que acompanham um resultado soropositivo se manifestaram em minha mente e emoções.
Ao abrir o resultado do teste... Se tivesse sido positivo, certamente estaria a meio caminho da morte! Seria uma sentença conferida pelos meus próprios medos inconscientes.
De fato, até que saibamos que um primeiro indivíduo tenha se curado de câncer, Aids ou qualquer outra doença terminal, o diagnóstico de tal problema é praticamente uma sentença de morte. Quando pela primeira vez começam a aparecer as primeiras curas, isso abre muitas novas possibilidades de saúde para outros portadores de tais doenças.
Existem muitos mitos a respeito das relações de poder existentes nos bastidores de clínicas, hospitais, laboratórios e empresas afins. Naturalmente há muitos profissionais excepcionais e que possuem o dom de curar. Na minha opinião, o sentimento mais genuíno que devia motivar um médico deveria ser a compaixão. Mas certamente também existem algumas verdades...
Meu Cliente, Um Médico
Na época em que cuidava de alguns horários nobres na academia de tênis, dava aulas entre o horário das sete e nove horas da manhã. Nessa ocasião, após terminar um treinamento com um de meus clientes, estávamos recolhendo as bolas e o material de treinamento e conversando.
Era dezembro, última semana de atividades do ano antes do Natal. Numa atmosfera de festas e felicitações, desejei-lhe um ótimo Natal e um Ano Novo muito feliz. Da mesma forma retribuíra a mim.
Ainda torcendo por sua prosperidade no ano seguinte, desejei que seu próximo ano fosse de muita abundância e que seu consultório estivesse lotado de clientes. Assustei-me com aquilo que acabara de dizer...
Percebi, então, que aquele paradigma que condenava estava dentro de mim mesmo – fazia parte de minhas próprias crenças!
Refleti: “O que pensa um profissional da área de atendimento em saúde, que pratique um estilo adaptativo de sua profissão, que esteja sentado em sua cadeira, tendo à frente sua agenda aberta, em seu consultório, olhando-a parcialmente ocupada e com bastante tempo ocioso? O que ele está desejando que aconteça?”. Esse, considero, é um problema ainda muito sério em nossa civilização; vivemos orientados para perceber e buscar problemas, e não soluções!
Voltando-nos mais uma vez para as contradições que a vida nos apresenta, certamente elas podem nos guiar para novas soluções se estivermos disponíveis para conhecer novas possibilidades e alternativas para a cura de nossos corpos, emoções, sentimentos ou pensamentos.
Conclusões
Quem sabe um dia, no futuro, as pessoas, pensando sobre a natureza dos males que nos assolam, ainda digam: “Tantos problemas... E as soluções estavam debaixo do nariz deles todos... Como podiam não vê-las?”.
Coisas tão simples como olhar profundamente nos olhos de uma outra pessoa podem ser tão distantes quanto nos utilizarmos do nosso olfato para escolhermos os alimentos próprios para consumo em determinado dia.
Um de meus grandes mestres, bastante irreverente, costuma dizer que a natureza é muito sábia e que, se colocou o nariz acima da boca, é para cheirarmos os alimentos que entram em nosso corpo.
Caso contrário, ele estaria localizado na base da coluna vertebral.
Mesmo que, socialmente, ainda consideremos falta de educação cheirar o que comemos, devemos nos lembrar que o ser humano ocidental talvez seja o único animal que não cheira o que come.
Detalhes simples como esse podem revelar as ocultas razões de um crescimento inimaginado das práticas de saúde alternativas, sejam elas quais forem, desde a medicina alternativa até os cultos e seitas religiosas.
Quem sabe esse movimento tenha nascido do anseio humano de resgatar sua natureza, sensibilidade e sentimentos. Parece haver uma conspiração silenciosa para o resgate da percepção e da sensibilidade humanas.
Tive um exemplo simples e familiar, porém revelador, quando perguntei a uma jovem, recém-formada em psicologia, o que havia sentido quando lera um livro que lhe dera, e ouvi a seguinte resposta: “O meu negócio é pensar, e não sentir”!
Como hipnólogo, lembro-me com carinho de uma das mais enfatizadas recomendações de um de meus professores, o Dr. Erimá Moreira, um dos mais importantes hipnólogos brasileiros, quando ministrava seminários para profissionais de saúde (médicos, dentistas, psicólogos e enfermeiros): “Quando prescreverem uma receita médica, expliquem para o cliente ou paciente como tal procedimento ou medicamento vai atuar no processo de cura”.
Se nos lembrarmos do surpreendente fenômeno do efeito placebo e as experiências de duplo-cego, nas quais as substâncias ativas de cada medicamento nunca superam em mais de 30% os efeitos de um placebo, compreenderemos o alcance daquelas recomendações e a importância do estado interior do profissional ao conquistar a confiança do cliente. Quem sabe aí estejam muitas das soluções para a cura?
Em minhas fantasias, às vezes reflito sobre um grande “vírus” cognitivo herdado de C. G. Jung: ele dizia que o ser humano possuía um inconsciente coletivo. As evidências do comportamento humano parecem indicar que é o Inconsciente Coletivo que possui o Homem!
Concluindo, após esse breve convite à reflexão, pergunte-se: “Em que momentos eu me sinto mais como eu mesmo?”.
Se preferir, considere então a próxima questão. Se você acredita existir Algo maior do que nós, e se algum dia encontrar esse Algo, certamente nunca escutará a pergunta (que muitos pais fazem a seus filhos): “Fulano, por que em sua vida você não foi mais parecido com ciclano?”. “Por que não fez mais como beltrano?”. Não, Alguém que criou a diversidade nunca faria essa pergunta!
Certamente, perguntaria: “Fulano, por que em sua vida você não foi mais parecido com você mesmo? Por que não seguiu mais o caminho que te foi destinado? Por que não foi mais você mesmo?”.
Sobre o Autor
Quando me perguntam quem são meus mestres, costumo responder que meu Coração é meu principal mestre, minha mente interior. Ocasionalmente, insistem...
Então respondo que é Aquele que está sempre por perto, embora não saiba dizer seu nome, ou sequer possa descrever sua face... Apenas o sinto.
Se ainda me perguntam outra vez, por rude e radical que possa parecer, afirmo que a Morte tem sido uma grande mestra...
Talvez por sua presença tão marcante, talvez pela freqüência com que a encontrei ou pela força de seus ensinamentos.
Enfim, foi ela quem me ensinou a viver com muito mais alegria, desprendimento, amor, confiança e fé.
Quando me perguntam ainda outra vez, respondo que são os meus clientes e alunos.
Embora tenham sido os dois primeiros Mestres que me apresentaram meu dom e me conduziram a encontrar as pessoas com quem convivo e compartilho o santuário das salas de cursos e palestras.
Se nenhuma dessas respostas é satisfatória, e ainda outra vez perguntam “quais foram seus mestres?”, somente então posso falar sobre as grandes mentes de nosso tempo e nosso passado, com quem encontrei e estudei ou apenas pude ler a respeito.
Pessoas brilhantes que, de formas muito elegantes e poéticas me ensinaram a ouvir meu Coração, perceber Sua Presença silenciosa, enxergar através das coincidências, respeitar e agradecer meus alunos e honrar a preciosidade do conhecimento que não possui tempo, transmitido através das mais diversas linhagens.