Apresentação

Este livro é um programa de aprendizado de idiomas interativo. Serve para reativar aquelas formas de aprender língua que possui uma criança e tornar mais fácil e natural a conquista desse desafio.

Metaforicamente, pode ser compreendido como um “LUBRIFICANTE” para a aprendizagem de línguas estrangeiras, servindo para desbloquear a conversação e ativar o vocabulário já adquirido anteriormente em outros cursos convencionais.

Na prática, é a reedição compacta do livro “Domesticando o Dragão”, transcrição do seminário “Aprendizagem Acelerada de Línguas Estrangeiras” (que possui 20 horas de duração e cujo nível de satisfação dos participantes tem permanecido em torno de 92%).

Para compreender melhor este programa que possui como conceito central a conquista de AUTONOMIA na aprendizagem, podemos compará-lo ao “aprender a pescar”, em vez de passar anos “comprando peixes”. Corresponde a até dois anos de estudo em um curso convencional e chega a economizar até 50% do tempo necessário para se falar outras línguas.

Considerando a natureza prática deste programa e a linguagem circular de apresentação das experiências propostas, sua abordagem serve tanto para iniciantes e leigos quanto para pessoas que já lêem e escrevem mas não falam.

Além desse público, vários professores de idiomas têm buscado essa tecnologia para poder oferecer melhores recursos para seus alunos.

Simplificadamente, a tecnologia aplicada na Aprendizagem Inconsciente pode ser entendida como uma estruturação da linguagem que estimule a aprendizagem por “insight”, por descoberta e pela intuição, ou seja, a própria aprendizagem profunda.

Dessa hiperestimulação do estilo de processamento predominante do hemisfério cerebral direito decorre uma série de “ganhos secundários”, como: dinamização da criatividade, melhora de concentração e memória, gerenciamento inconsciente do estresse, melhora na comunicação interpessoal e intrapessoal, maior facilidade de falar em público, além do aprendizado da língua estrangeira escolhida.

É um livro simples, porém profundo em seus efeitos. Possui partes complementares que podem ser lidas fora da ordem, de acordo com o interesse do leitor, e proporciona uma nova compreensão dos processos de aprendizagem num contexto que transcende a aprendizagem de idiomas.

Cenário Inicial

Era uma vez uma era de grandes transformações. Muitos profetas dessa época diziam que tudo iria mudar, que teriam que se adequar aos novos tempos e às profundas mudanças.

De formas bastante variadas, parecia que todos eles diziam as mesmas coisas: “Tudo tem de mudar para se adaptar às novas transformações”. Porém, nunca, ninguém sabia dizer como mudar ou se adaptar ao novo. Como fazer...

Os chineses, já naquela época, diziam que crise e oportunidade eram dois lados da mesma moeda. Mas, enquanto o tempo passava, poucos conseguiam entender aquela mensagem enigmática dos orientais.

Tantas e tantas mudanças... Progressivamente, os profissionais começam a estabelecer seus escritórios personalizados em casa – acompanhando tendências mundiais, muitas vezes decorrentes dos processos de terceirização e quarteirização, de “Telecommuting” (“Trabalho em Casa”) e “Homebased Business” (“Negócio Próprio em Casa”).

O mais surpreendente é que muitos dos grandes gênios profissionais não atuam em suas áreas de formação acadêmica (atualmente, nem mesmo a formação superior garante sucesso). Quase 2% dos mendigos na rua têm nível educacional de terceiro grau!

Era uma vez uma época na qual garotos de catorze ou dezesseis anos, experts em informática, cobravam até mais de 100 dólares por hora de trabalho para consertar ou resolver problemas de computação, fosse em casas ou em escritórios.

O Caos parecia ter se instalado. Qualquer empresa cujo diretor de informática, segundo um conhecido “guru” dos negócios da época, tivesse mais que doze anos de idade estaria desperdiçando recursos.

De fato, os indivíduos daquela época viviam um período de profundas transformações. Antigas leis e normas de comportamento já não serviam mais.

Alguns alucinados chegavam a afirmar que a abundância aumentaria o valor dos bens (uma possível negação implícita à Lei da Oferta e da Procura): quanto mais pessoas tivessem um aparelho de fac-simile (fax), maior seria a importância de se ter um; ou quanto mais pessoas plugadas nas “world nets”, mais valioso seria também estar. Pior que isso, alguns chegavam ao cúmulo de dizer que o nosso Presente era conseqüência do Futuro!

Sou profissional da área de educação, e percebo algumas distorções bastante curiosas nesse segmento: conheço professores que recebem um salário de aproximadamente 500 dólares por mês com jornada integral de trabalho.

Também conheço profissionais (“professores”) que ganham 2.000 dólares por dia de trabalho. E existem aqueles professores, consultores chamados “papas da administração”, que recebem até 80.000 dólares por dia de trabalho.

Qual é a diferença entre eles? Algumas vezes, tenho a impressão de que uns “vendem” coisas que as pessoas não querem mais ou não consideram importantes, enquanto outros oferecem aquilo que todos querem ou de que necessitam – porém ainda não estou certo dessas conclusões.

Mas estou certo de um fato: cada vez mais, os bens intangíveis (conhecimento, por exemplo, representa um grande tesouro de nossa época – o “ouro sem peso”) valem progressivamente mais que os bens tangíveis (produtos, coisas materiais).

Cada vez valem mais a habilidade de orientação, auto-organização, discernimento, flexibilidade, criatividade e a capacidade de aprender. Sim, posso perguntar: “Qual é a diferença entre aquelas pessoas que criam ou descobrem coisas valiosas e aquelas que não obtêm esses resultados?”.

Até parece que alguns possuem um certo “faro”, uma certa intuição ou, se você preferir, “sorte” de perceber o que outros não percebem.

Meus principais campos de pesquisa e estudo são a aprendizagem inconsciente e a educação. Uma área específica está na aprendizagem de línguas estrangeiras.

Nessa região do conhecimento, me deparo com algumas contradições. E elas ficaram evidentes para mim por ter construído uma metodologia nova de aprendizagem de idiomas.

Muitos de nós conhecemos alguém que possui a chamada grande facilidade para aprender línguas estrangeiras: pessoas que aprendem naturalmente, sem esforço, ou mesmo aquelas que são capazes de aprender uma nova língua em apenas seis meses ou um ano.

Questão de capacidade ou necessidade? Todos nós também já ouvimos falar que talvez seja mais difícil aprender a primeira língua estrangeira, mas aprender a segunda, terceira ou quarta se torna progressivamente mais simples. Cada vez mais fácil!

Então, o que é que as pessoas sabem ou aprendem além do novo idioma que torna as próximas aprendizagens mais e mais fáceis? Elas aprendem a aprender. Elas apreendem o que é importante. Aprendem a selecionar o significativo e descartar o insignificante.

Desenvolvem discernimento, ativam a concentração, resgatam a curiosidade natural, organizam a memória e acreditam que é impossível falhar. Mesmo num mundo caótico e poluído de informações.

Pense bem. Todos consideram que a melhor forma de aprender uma nova língua é mudar-se para o país de origem do idioma.

Perceba que contradição: nesse lugar, o aprendizado é extremamente caótico, não existe a necessidade de entender gramática, não existem simplificações nem análises de significados, apenas a exposição contínua e integral à sonoridade e às repetições de sons próprias de cada idioma.

Se você me perguntar por que contradição, eu responderei que quase todos os sistemas de aprendizagem de idiomas (métodos e escolas de línguas) constróem um processo analítico de comunicação e expressão verbal, mantendo a convicção de que a única forma de aprender é através do intelecto, lógica e linearmente. Desconfie...

Eles estão subestimando exageradamente as nossas competências de aprendizagem inconscientes. Consensualmente, a melhor forma de aprender é se expor ao aparente caos de permanecer alguns meses no país estrangeiro, enquanto isso as escolas oferecem sistemas organizados. Esquisito, não é?

Existe, no mercado, um filme de treinamento gerencial da Siamar, no qual Joel Barker (autor americano) conta a história de um homem que, dirigindo seu carro por uma estrada de terra, ao se desviar de um acidente, escutou uma mulher gritando: “Porco”.

Ele imediatamente retrucou: “Vaca!”. Ao contornar a próxima curva, ainda sentindo-se injustiçado pelo insulto, atropelou um porco. A mulher? Ela somente queria avisá-lo de um perigo do qual desviara com bastante dificuldade e, com o carro ainda meio desgovernado, quase causara um acidente com o rapaz.

Finalmente, graças à tecnologia (TV a cabo, multimídia, teleconferência etc.), é simples concluir que as nossas motivações de aprender e conhecer serão cada vez mais influenciadas pelas profundas transformações culturais, e que, invariavelmente, conhecimento e informação estarão cada vez mais disponíveis e democratizados para quem souber buscá-los e encontrá-los.

Digo isso por acreditar que no prazo máximo de quinze anos não haverá mais mercado para escolas de línguas. Haverá, sim, espaço para as pessoas aprenderem a aprender. Mas todos terão o conhecimento disponível nos canais de televisão digital.

Como segunda parte deste livro, passo a descrever agora mais algumas memórias de referência que contribuíram para a síntese desse método.

Distorção do Tempo e
Integração de Ambientes

Um grande amigo certa vez comentou que percebia dois momentos bastante distintos na leitura de um livro. Num primeiro momento, iniciava a leitura buscando referências e entendimento.

Em alguns livros, porém, através da leitura das primeiras páginas, construía um cenário onde se desenrolaria o conteúdo do texto. A partir desse momento, então, sua leitura tornava-se extremamente rápida e fluida.

Seus olhos percorriam as linhas impressas, porém sua percepção mantinha-se fixa no cenário imaginário, como se assistisse a um filme. A velocidade de leitura aumentava muito, e mais, tendo visto esse cenário vivo em sua imaginação, era capaz de memorizar cada detalhe do enredo com relação ao todo.

Cada vez que vivia essa experiência de leitura, então conseguia lembrar-se de todo o livro. Surpreendente, não? De fato, qual é o real objeto da comunicação através da linguagem?

Mais uma Peça do Quebra-Cabeça

Um dia, há uns quinze ou vinte anos, acordei pela manhã com uma cena vívida de algo que sonhava imediatamente antes de despertar. Em minha memória permaneceram os sons de algo que eu falava para um personagem do sonho.

Minha mensagem era muito coerente e imperativa. Porém, os sons que permaneceram em minha memória não se pareciam com nenhuma língua que eu conhecesse.

Pensei: “O que será que aconteceria se eu quisesse expressar ou falar algo cuja mensagem não pudesse ser articulada em nossa língua? Seria eu capaz de elaborar um pensamento que a linguagem não alcançasse? E a partir daí, como eu poderia comunicar essa percepção ou pensamento?”.

Paul Valery afirmou: “Pensar profundamente é pensar o mais distante possível do automatismo verbal”. Quantos e quantos de nós pensamos ou sonhamos algo que não conseguimos expressar em palavras?

Einstein dizia que o seu grande trabalho era verbalizar (codificar em linguagem verbal) aquilo que era imaginado e concebido em suas percepções e seus pensamentos – seria isso que ele queria dizer quando afirmava que seu trabalho era 5% inspiração e 95% transpiração?

Pergunto, então, o que é o conteúdo real da comunicação: as palavras, frases e orações ou a compreensão e o entendimento?

Lembrando-se do Caminho

Um cliente, certo dia, comentou que se dispôs a provocar sua filha pequena quando esta lhe perguntou se naquele dia iriam visitar seu irmão: “Pai, hoje a gente vai ver o tio ‘Frankico’ (assim soava)?”.

Esse homem então parafraseou a pequena: “O tio ‘Frankico’?”. Ela imediatamente respondeu: “Não, não, o tio ‘Frankico’!”. Essa provocação continuou por mais alguns instantes até que a pequena se irritou.

Assim, ele disse finalmente: “O tio Francisco?”. Ela retrucou: “Isso, isso, o tio ‘Frankico’...”. Tal fato evidencia que a pequena tinha total e completa percepção da diferença entre ‘Francisco’ e ‘Frankico’, embora sua dicção ainda não alcançasse essas diferenças de articulação. Sabia o que escutava, pronunciava o que podia.

Nunca se esqueça de observar como uma criança aprende sua língua. Observe que o falar errado não é intencional, mas, sim, falta de discernimento ou de dicção precisa dos sons.

Ela possui pouca habilidade de ouvir seus próprios sons e faz, ainda, poucas distinções. Porém, observe como as entonações e ritmos do seu discurso correspondem aos sons de sua língua com exatidão.

Ela pode enrolar a língua, falar errado, mas os padrões sonoros não-verbais são bastante familiares à língua: a chamada “embromação verbal”.

Criptografia

Imagine uma brincadeira de crianças: brincar de agente secreto. Para alguns, talvez até para você, leitor, esta próxima experiência já seja conhecida.

Suponhamos que eu quisesse enviar uma mensagem secreta para o meu amiguinho, estabelecido em outra cidade, mas que não existissem telefones (ou estivessem “grampeados”).

Certamente, se eu apenas a redigisse e enviasse, na minha mentalidade de “agente secreto” conviveria com a incerteza do recebimento ou da interceptação pela “contra-espionagem”.

Assim, para garantir o seu recebimento pela pessoa correta, eu criei um código. Por exemplo, o seguinte:

A ® c H ® d O ® q V ® n

B ® t I ® r P ® v W ® w

C ® i J ® y Q ® g X ® l

D ® m K ® z R ® a Y ® p

E ® ( ) espaço L ® s S ® x Z ® k

F ® j M ® u T ® f ( ) espaço ® o

G ® b N ® e U ® h

Assim, para a minha mensagem original, eu reescrevi o texto de acordo com as substituições de letras apresentadas nesse código (com escolha aleatória e constante, nesse caso).

Evidentemente, ao enviar a mensagem e a chave do código para que meu “espião” pudesse decodificá-la, coloquei-as em cartas a serem enviadas em datas diferentes.

Se interceptassem qualquer uma delas, de fato, não teriam a mensagem. Suponhamos que meu amiguinho tenha recebido a mensagem codificada, porém, nunca tenha recebido a chave do código (extraviou-se ou fora interceptada).

Sem se comunicar comigo, como ele poderia resgatar a mensagem original? Como poderia decodificá-la sem a chave? Pense um pouco antes de prosseguir.

A resposta mais comum é a proposta de tentativa e erro: pega-se uma palavra, faz-se as substituições possíveis até que obtenhamos um significado, depois testa-se em outras palavras na busca de um sentido.

Outra possibilidade empírica, porém mais simples, é nos lembrarmos de que as palavras em nossa língua possuem tamanhos diferentes, ou seja, as palavras de uma única letra só podem ser a, e ou o.

As de duas letras só podem se constituir de duas vogais ou de uma vogal e uma consoante: da, de, do, em, na, no, eu, tu, te, , se etc. Nessa rápida abordagem empírica, identificamos os representantes das letras a, e, o, u, d, m, n, t, s etc., aproximadamente um terço do alfabeto. Um grande e essencial caminho percorrido.

Entretanto, como “agente experiente” que eu era, sabia que seria, então, muito fácil. Logo, fiz mais uma mudança: substituí os espaços em branco, entre cada palavra, por uma determinada letra e, por conseguinte, uma das letras do alfabeto se transformou no espaço em branco.

Agora todos os tamanhos das palavras também mudaram. Eu pergunto, ficou mais fácil ou mais difícil? De fato, para o método empírico exposto anteriormente, muito mais difícil; entretanto, para uma abordagem criptográfica simples, nada mudou.

Suponhamos que uma mensagem possível fosse a seguinte, somente para você se divertir, a título de curiosidade:

“acaqo lrxfraoiqrxcxogh onqi o
xf ycoruvqxxrtrs-rfcmqom ojck aoxqu ef o

csbhucxoiqrxcxogh onqi o
cremcova irxcocva em aocojck a”

ucafreotaqiuce
(cmcvfcmq)

Criptografia é um campo da pesquisa matemática que se desenvolveu muito no passado, por causa das guerras. Porém, no presente, trinta ou quarenta anos depois, tem se desenvolvido muito graças à evolução da informática e à necessidade de proteção dos sistemas de informação.

São assuntos dessa área as senhas e códigos de nossos cartões de banco, de crédito, Internet etc.

Com relação ao problema proposto, o mais curioso é que você já sabe intuitivamente a resposta. Apresento-a, então: você deve conhecer um jogo chamado FORCA – aqui está a solução...

Quais são os critérios e métodos para participar dessa brincadeira? Damos como palpites algumas letras, ou seja, “chutamos” algumas possibilidades de letras, sem ainda imaginar qual seja a palavra a ser descoberta.

Que seqüência de letras você arriscaria? Começaria testando as seguintes letras: x, j, z, k, w, y? Ou iniciaria escolhendo as vogais? Intuitivamente, possuímos uma percepção da freqüência de repetição de cada letra.

Sugiro que, quando jogar Forca, de agora em diante, comece a procurar as respostas do jogo, até intuir a palavra completa, arriscando os palpites na seqüência apresentada na próxima tabela.

Obs.: Certamente, numa análise mais detalhada, todos os caracteres gráficos poderiam ser incluídos nessa contagem. Como ilustração, somente inseri as letras e espaços em branco, desprezando os sinais de pontuação, aspas, acentos etc.

Caso minha mensagem fosse longa, a solução seria transcodificar o texto num código numérico intermediário que correspondesse às freqüências de repetição de cada letra. Para cada idioma, quer seja uma página, dez ou cem páginas, a freqüência de repetição de cada caractere gráfico tende a um número constante.

Existem tabelas prontas (acredito), ou você mesmo poderia construir sua própria tabela pesquisando as freqüências de repetição de cada letra, para posterior comparação com o texto “secreto”.

Perceba, também, que é até possível identificar o idioma no qual foi escrita a mensagem. Pois, no caso da língua inglesa, especificamente, os caracteres mais freqüentes seguem a seguinte seqüência, de acordo com os dados da tabela: (espaço branco), e, t, n, o, a, i; enquanto, no português: (espaço branco), a, e, o, s, r, n, i...

Freqüência de Repetição de Caracteres
(Letras do Alfabeto + espaços)

Língua Portuguesa Língua Inglesa

Espaços 13,8% Espaços 15,8%

A 12,1% E 10,2%

E (19),6% T 6,9%

O 7,8% N 6,9%

S 7,2% O 6,8%

R 5,7% A 6,6%

N 5,6% I 5,8%

I 5,1% S 5,8%

D 4,8% R 5,2%

M 4,1% H 4,1%

U 3,6% C 3,3%

T 3,6% L 3,2%

C 3,2% U 3,0%

P 3,1% D 3,0%

L 2,2% Y 2,4%

G 1,3% M 2,0%

Q 0,8% P 1,8%

F 0,8% F 1,6%

V 0,7% W 1,5%

Ç (cedilha) 0,6% G 1,3%

Z 0,6% V 1,0%

H 0,6% B 1,0%

B 0,5% K 0,5%

J 0,2% X 0,2%

X 0,2% J 0,1%

K 0% Q 0,04%

W 0% Z 0,03%

Contagem realizada em dois Contagem realizada em dois
textos de diferentes naturezas textos didáticos, somando um
(o próprio Apêndice 2 e uma total de 8.719 letras (com
matéria de jornal), somando um espaços em branco inclusos):
total de 7.334 letras havia 4.512 consoantes (51,7%),
(com espaços em branco inclusos): 2.834 vogais (32,5%) e
havia 3.366 consoantes (45,9%), 1.373 espaços em
2.954 vogais (40,3%) e branco (15,8%).
1.014 espaços em branco (13,8%).

Perceba, também, que as palavras na língua inglesa são, em média, menores que na portuguesa (os espaços em branco são mais freqüentes).

Considere para essa apresentação contagens simples “feitas na unha”, em uma pequena amostragem de textos, cinco ou dez páginas em cada idioma, não representativos do universo total da língua (são apenas ilustrações) – portanto, não são precisos.

Outra curiosidade é contar as páginas de dicionários que correspondem às quantidades de palavras que se iniciam com determinada letra.

No Nosso Caso...

Por mais caótica que você acredite ser essa experiência anterior, perceba que é algo semelhante ao trabalho de uma criança para aprender a língua mãe, resguardando o fato de que a síntese de informações é realizada no ambiente dos sons.

Não obstante, inconscientemente, possuímos essa rara capacidade de sintetizar percepções aparentemente caóticas e generalizar os padrões de repetição. Isso nos convida a acreditar que, se não delegarmos parte desse trabalho (como fizemos ao aprender a língua mãe) para nossa sábia mente interior, o esforço de aprendizagem será infinitamente maior.

Por essas razões existem cursos no mercado de idiomas que duram mais de três anos! E, ainda assim, não garantem os resultados finais de proporcionar a habilidade de se falar fluentemente o idioma escolhido.

Durante nosso seminário, utilizamos algumas músicas para serem trabalhados vocabulário e percepções rítmicas e tonais. Se você seguir esse caminho inicial e escolher bem, ao aprender a cantar aproximadamente trinta músicas (se for apenas uma por semana, essa tarefa durará sete meses), terá adquirido um vocabulário de quase oitocentas palavras!

Escolha inicialmente músicas cantadas por artistas que possuam boa voz e dicção – são inúmeras opções. A utilização da música no aprendizado é bastante útil por ser considerada uma atividade mental que integra as atividades de ambos os hemisférios cerebrais – já ouviu falar que gagos não gaguejam quando cantam?

Suponhamos que, partindo do início, você vá aprender uma primeira música. Nesta, cada palavra vai ser representada, esquematicamente, por uma bolinha.

Posteriormente, as palavras de uma segunda música a ser aprendida serão representadas por um triângulo, as da terceira, por um quadrado e assim por diante, conforme esquema a seguir:

45

Cada palavra ocupa um único lugar no espaço e no universo do vocabulário. Se for representada com cada um dos símbolos propostos anteriormente, significa que estará presente em cada música cujo símbolo esteja registrado.

Naturalmente, algumas palavras que pertencem à primeira música podem estar presentes na segunda música. Assim como algumas da segunda música podem estar presentes na terceira.

Entre a primeira e a terceira também podem ocorrer essas coincidências. Com certeza, existem algumas palavras que estarão presentes nas três, quatro... ou quantas forem.

Essas são as palavras de uso mais freqüente, e serão apreendidas primeiro. Pergunto, quais são as primeiras palavras que uma criança aprende?

Aquelas de que ela mais necessita e ouve mais repetidamente: mãe, pai, não, água, quer etc. (na dicção que lhe é possível, obviamente). Por quê? Pela freqüência de repetição! E esses registros são naturais e inconscientes...

Fácil Aprender!!!

Um cliente presente em um de meus seminários, que já possuía inglês fluente e apenas acompanhava sua esposa, comentou que conheceu, em Londres, um iraniano. Era um profissional de uma multinacional que, a cada dois ou três anos se mudava de país, pela natureza de seu trabalho.

Esse homem dizia, meu cliente contou, que era muito fácil aprender um novo idioma: sempre que chegava a um novo país, comprava um vídeo (filme) naquela língua e assistia a ele trinta, quarenta ou mesmo cinqüenta vezes.

Prestava atenção na sonoridade e musicalidade daquela língua, memorizava os principais sons, entonações e gestos. E depois? Era só sair pelas ruas a conversar e interagir com as pessoas daquela cultura.

Muito rapidamente se orientava conscientemente naquele país e idioma. Menos de dois meses eram necessários para se comunicar, em três ou quatro meses já falava aquele idioma!

Pessoas que tiveram experiências de Intercâmbio Cultural ou de trabalho em países estrangeiros atestam semelhante tempo para aprender a falar a língua do país.

Breve Resumo

Os muitos exemplos ou fatos descritos até aqui ilustram percepções disponíveis para qualquer pessoa. Apresentá-los todos juntos, entretanto, evidencia a necessidade urgente de repensarmos o aprendizado de línguas estrangeiras ou o desbloqueio da comunicação nesses idiomas.

O Melhor Mestre!

Há muitas formas de compreender mais profundamente esse processo e esclarecer dúvidas sobre como conquistar com maior rapidez e naturalidade a habilidade de falar fluentemente línguas estrangeiras.

A mais potente, simples e elegante é abrir bem os olhos e ouvidos para observar como uma criança atravessa cada etapa do desenvolvimento da fala.

O resgate dessas habilidades e da disponibilidade de errar pode ser obtido através do próprio convívio com crianças, ambientes descontraídos como festas e bares (entre amigos) ou mesmo num processo de auto-conhecimento ou terapia.

Na Europa não existem tantas escolas de idiomas como aqui no Brasil. Aprender a falar outras línguas pode significar apenas namorar um estrangeiro, ter como amigo uma pessoa proveniente daquela cultura e idioma ou freqüentar um bar ou clube daquela nacionalidade e cultura.

Pense nisso, o estudo de línguas em nosso país é um grande mito. As pessoas estudam, estudam, estudam... E nunca falam! Apenas 5% delas realmente conquista definitivamente a competência de se comunicar em outros idiomas.

A seguir, descreverei sucintamente os importantes passos da técnica apresentada no livro “Domesticando o Dragão” para a reativação daquelas formas de aprender que possuem as crianças.

Estratégias de Aprendizagem

A estratégia completa se constitui de seis passos essenciais que incorporam alguns outros procedimentos de apoio, que, por sua vez, nos proporcionarão benefícios em outros ambientes de vida, além do aprendizado de idiomas.

Na eventual utilização deste método com crianças, sugiro o mínimo formalismo possível. Torne tudo uma grande brincadeira, sem exageros ou grandes solicitações técnicas – contar histórias em língua estrangeira e cantar, entre outros, são ótimos caminhos.

Além disso, não teria coragem de propor algo diferente para um adulto... Essas “brincadeiras” todas certamente interferirão na auto-imagem de quem as praticar, mesmo que solitariamente, concorrendo assim para a construção de uma identidade mais flexível – condição necessária para se falar um outro idioma.

Falar fluentemente outros idiomas também depende de aprendermos a ser diferentes.

Algumas vezes fui procurado por pessoas com problemas de disfluência (o nome científico da “gagueira”). Observei que este trabalho proporcionou ganhos interessantes aos portadores dessa característica.

Não saberia afirmar ao certo como, exatamente, esse programa de Aprendizagem Inconsciente chamado Aprendizagem Acelerada de Línguas Estrangeiras agregou resultados: se na atenuação do estresse próprio de algumas situações ou da tensão interna que não lhes permite coordenar adequadamente a musculatura do diafragma ou garganta; se propriamente no aprendizado motor rítmico da fala (um “gago” não “tropeça” quando canta, dizem), se no despertar de uma nova forma de expressão que se apresente através de uma outra identidade um pouco mais flexível, ou seja lá como possa ser compreendido – os resultados, entretanto, eram mensuráveis.

Os seis passos da estratégia estão relacionados a seguir, de acordo com os objetivos a serem atingidos:

1)

Percepção de Ritmos

Sugiro que, inicialmente, você utilize músicas. Esse é um caminho bastante rápido para ativar as necessárias percepções de ritmos. Se, entretanto, já tiver bastante familiaridade com a música, pode iniciar um trabalho paralelo ao proposto, buscando identificar a pulsação e o ritmo do discurso correntemente falado.

Também o ritmo das respirações da pessoa que fala. Essa sintonia com oradores agregará um grande discernimento de sons da língua que quiser falar fluentemente.

2)

Silabação (ataques silábicos)

A silabação é um importante processo para flexibilizarmos nossos automatismos verbais e de leitura da língua portuguesa. Parecerá uma grande brincadeira, porém, é uma etapa muito importante da estratégia.

Como uma criança que aprende a separar as sílabas das palavras na escola, você deverá prestar atenção na construção e ordenação rítmica das sílabas na língua que estiver aprendendo. Isso complementará a percepção dos ritmos.

3)

Voz Interna

Esta é uma das mais importantes etapas da estratégia. É uma fundamental referência interior para o nosso desenvolvimento e aprendizado de idiomas. É um “farol na noite escura”, ou “a luz no fim do túnel”. A voz interior também pode ser compreendida como a voz do nosso pensamento.

A qualidade e a precisão evidentes da voz interior ao imitar os ritmos, entonações e até dicção na língua estrangeira nos conduzem a afirmar e acreditar que, inconscientemente, já falamos aquela língua que queremos desenvolver.

Considero que em apenas duas horas de projeção de um filme legendado, todas as principais palavras do dia-a-dia foram ditas, e que tendo escutado ao longo da vida pelo menos trinta músicas diferentes na língua que queremos saber falar, podemos afirmar que, pelo menos inconscientemente, já sabemos essa língua, pois, no mínimo, através de nossa percepção periférica (audição e visão), já capturamos esses estímulos.

Sendo assim, parto do pressuposto de que não mais necessitamos aprender tal língua (dado que já a conhecemos inconscientemente), mas sim trazê-la à nossa consciência. Essa proposição é semelhante ao convite de “virar o mundo de ponta-cabeça”.

A principal evidência dessa afirmação é a melhor qualidade da nossa voz interna – ela profere sons que nossa mente inconsciente já conhece, por isso é mais precisa. Isso, é claro, desde que a pessoa que a experimenta já tenha sido exposta e suficientemente estimulada com as sonoridades da língua que quer ativar.

Pense bem, quando queremos sintonizar uma determinada estação de rádio, sabemos que dependemos de um aparelho de rádio para isso. Não obstante, também sabemos que todo o ambiente está imerso num verdadeiro mar de radiofreqüências, que coexistem, ocupando o mesmo espaço ao mesmo tempo.

Para escutar uma determinada estação com o nosso aparelho de rádio, precisamos procurá-la no dial ou seletor de freqüências. Da mesma forma, dentro de nós, devemos flexibilizar nossas freqüências mentais para encontrar os ritmos e entonações nos quais foram registradas várias percepções capturadas por nossa percepção periférica.

Quer essa explicação seja coerente ou não, caso você acredite ou não, garanto que, se fizer algumas experiências e flexibilizar sua capacidade de alterar estados mentais (de consciência), estará caminhando a passos largos para desenvolver sua habilidade de se comunicar consigo mesmo, com outras pessoas e de falar outras línguas.

4)

Voz Externa

Temos por objetivo, aqui, percorrer o caminho do desenvolvimento de uma condição motora que nos permita fazer uso do repertório já aprendido para a livre expressão através da fala.

Esta será uma longa e minuciosa exploração da natureza de nossa voz. Não há muitas regras para fazer este exercício, exceto manter a curiosidade bastante presente. Escolha alguns assuntos para falar, não importa quais sejam, o importante é estar falando para poder ouvir sua própria voz.

Como exemplo desta etapa, considero útil mencionar uma curiosa experiência que tive. Num belo dia, resolvi aprender a escrever com a mão esquerda.

Não houve necessidade de aprender a ler ou a escrever novamente – isso eu já sabia, só precisei desenvolver a coordenação motora fina da mão esquerda (foi tudo muito mais rápido, previsível e consciente, ou seja, sabia para onde me encaminhava, podia observar a evolução semana a semana, e isso me proporcionava uma noção de processo a ser percorrido etapa por etapa).

Então comecei a praticar, pois minha sensibilidade motora não era compatível com a velocidade de expressão escrita que possuía, minha mão esquerda não tinha ainda sido treinada naqueles movimentos precisos e não conhecia a devida tensão muscular necessária e suficiente para a escrita fluente.

Os gestos não eram ainda, naquela época, naturais e automatizados. Faltava-me o treino motor do sistema nervoso e a prática mecânica propriamente dita.

Evidentemente, como disse, todo esse caminho foi bastante abreviado pelos atalhos que encontrei ao utilizar minha experiência anterior com a mão direita, somada à utilização da imaginação ativa de, sempre que possível, mentalmente estar praticando com a mão esquerda – a utilização da imaginação em processos de aprendizagem é uma das mais poderosas e rápidas formas de ensinar à nossa mente inconsciente novas atividades.

Lembre-se de qualquer coisa que você faz ou fez com excelência, certamente recordará que, durante o processo de aprendizagem e prática freqüente dessa habilidade, certamente tais experiências, memórias e planos conviviam em sua mente, elaborando, solucionando e fantasiando a realização e efetivação da prática.

Lembre-se também do paradigma básico dessa tecnologia que chamo de Aprendizagem Inconsciente: a excelência faz parte de nós, basta encontrar-lhe os caminhos.

5)

Construção e Coordenação dos Cenários

Esta é uma importante etapa, na qual associaremos a compreensão e o significado às palavras e sonoridades, ou seja, a genuína expressão. Grande parte do trabalho realizado nos exercícios anteriores contribuiu para que, nesta parte, haja maior desempenho.

Einstein dizia algo muito interessante: o seu maior trabalho não era, exatamente, pensar naquilo que pensava, e sim traduzir seus pensamentos e percepções em linguagem.

Fosse a linguagem verbal, fosse a linguagem dos símbolos matemáticos, ele, como poucos grandes cientistas ou grandes filósofos, possuía vida consciente em um ambiente onde ainda não havia sido formulada a linguagem.

No nosso dia-a-dia, experimentamos a realidade dessas idéias quando, ao conversar com alguém, chegamos a um momento de disfluência nas idéias e, comumente, afirmamos: “Puxa vida, eu estou querendo te dizer isso... Mas não estou conseguindo te explicar...”.

É, em geral, nessas ocasiões que nos damos conta de que temos dentro de nós um pensamento sendo gestado que não foi estruturado em linguagem. Percebemos sua “pressão” interna e, entretanto, também nos sentimos temporariamente incompetentes em expressá-lo.

Para a maior parte dos seres humanos de nossa época, esse é um ambiente situado fora da percepção consciente. Quando os pensamentos, enfim, chegam à consciência, já estão estruturados em linguagem.

Não obstante, os professores de línguas e os bons falantes de outros idiomas, regularmente, nos atestam: “Você só aprenderá, realmente, a falar uma língua estrangeira quando aprender a pensar nessa língua”.

Maravilhoso! Mas se perguntarmos como se faz isso, em geral obteremos como resposta: “Você deve aprender a língua, não deve traduzi-la, e praticar... praticar... praticar... E, um dia, naturalmente ou milagrosamente, isso vai acontecer”.

Um evento digno de nota nesse processo é quando o praticante sonha na língua estrangeira pelas primeiras vezes. No método OLeLaS (Sistema de Aprendizado Aberto de Línguas Estrangeiras), antes mesmo de possuir um grande vocabulário, já estaremos aprendendo a pensar na língua estrangeira.

Essa é uma etapa da estratégia na qual devemos investir tempo em vincular as frases da língua estrangeira ao significado que lhes corresponde.

Assim como memorizamos uma história que alguém nos conta e, posteriormente, somos capazes de recontá-la a outra pessoa, da mesma forma vincularemos essas memórias ou fantasias (cenários) aos novos sons e ritmos que proferimos.

É um trabalho mais artesanal. E não deve haver uma preocupação com o sentido de cada palavra individualmente. O significado próprio de cada palavra se individualizará com o tempo e a prática, assim como funciona com uma criança.

6)

“Pizza”

Esta é a mais importante etapa da estratégia.

Por menos que possa parecer, existem muitas pessoas que aprenderam a falar fluentemente outros idiomas apenas praticando esta etapa: esta é a fase na qual, depois de uma grande estimulação através dos exercícios anteriores, estaremos disponíveis para receber as sínteses, descobertas e sugestões de nossa própria mente inconsciente.

Durante esta fase não existe prática formal, apenas devemos seguir o nosso próprio “faro” e o nosso prazer. São inúmeras possibilidades de experiências com aquela música cantada na língua estrangeira que foi trabalhada em cada uma das etapas anteriores: agora escutaremos aquela música por simples prazer.

Deixemos a música a tocar, enquanto descansamos, relaxamos, fazemos experimentos novos, inventamos novas possibilidades etc. Podemos também praticar algum exercício que tenhamos vontade, ou que tivemos mais dificuldade, porém mais descompromissadamente. Talvez tomar café, fazer “bagunça” etc. Nesta etapa, vale tudo.

A aprendizagem inconsciente é constituída de duas dimensões complementares muito importantes: estimulação e repouso ou, se preferir, atividade e descanso. Pouco estresse não proporciona muito aprendizado, muito estresse também não. Existe um nível ótimo de estresse para conquistar o aprendizado profundo.

Conclusões

Muitos são os bons falantes de outros idiomas que atestam que o aprendizado efetivo de se falar outra língua tem como condição fundamental a habilidade de pensar naquela língua.

Mas nunca dizem como se obtém essa competência. Paul Valery afirmou que “pensar profundamente é pensar o mais distante possível do automatismo verbal”. Como, então, intervir numa região reservada já ao processamento inconsciente?

Os europeus, desde jovens, têm a oportunidade de aprender mais de um idioma, naturalmente. Embora uma criança européia eventualmente ainda confunda uma língua com outra durante a aprendizagem simultânea, é fato que as misturas de repertório, no futuro, somente acontecerão intencionalmente quando buscar a comunicação com alguém que não compreenda sua expressão natural, ou seja, no intuito de se fazer entender em condições de diferenças de idiomas.

Como então é possível registrar repertórios de vocabulário tão extensos em ambientes de memória diferentes? Através dos ritmos e sonoridades que os acompanham. Ao cantar uma música, certamente muito de sua letra será lembrada simulando-se os ritmos e entonações. Esse é o principal segredo de arquivamento e resgate do conhecimento de outras línguas.

Considerando que muitas pessoas que aprenderam a falar línguas não percorreram esse caminho, arriscaria dizer, sem ser leviano, que o passo mais importante desta estratégia é o último: “PIZZA”.

“Nunca confunda o dedo que aponta o caminho com o próprio caminho” – após uma determinada prática, sua curiosidade natural, ferramentas de percepção e sua capacidade inconsciente de síntese terão se relacionado e transformado esses exercícios num conjunto personalizado de procedimentos para estudo e aprendizagem.

Tecnologia de Aprendizagem

A Aprendizagem Inconsciente (ou Hipnose Aplicada à Educação) é uma abordagem educacional que reúne interessantes ferramentas e dispositivos da comunicação humana com o objetivo de promover o aprendizado profundo – também entendido como o “insight” (introvisões e sínteses criativas) ou aprendizado por descoberta.

Tem sido especialmente utilizada em processos de aprendizagem acelerados, de desenvolvimento de percepção e mudanças comportamentais saudáveis e naturais (“ecológicas”).

Tecnicamente, consiste em uma determinada forma de estruturar a linguagem e na organização de algumas experiências, vivências e exercícios de imaginação e introspecção.

É uma adaptação de conceituações e práticas de diferentes campos do conhecimento, desde alguns padrões da Hipnose Terapêutica até as habilidades dos contadores de histórias; desde exercícios de aumento de sensibilidade e percepção até formas características dos maiores canais indutores de estados alterados de consciência de nossa época: o cinema e seus insistentes convites à percepção de todas as fantasias, emoções e sentimentos que ele nos induz (considerar “A Jornada do Herói” – modelo mítico arquetípico aceito como esqueleto básico da cinematografia americana comercial atual, vide Joseph Campbell em “O Herói de Mil Faces”).

Nesse estilo de atividade não existem induções formais como na hipnose terapêutica, muito menos algo que se relacione com as apresentações de palco e de televisão.

De fato, existem convites ocasionais feitos ao participante a experimentar diferentes pontos de vista de observação a respeito de assuntos cotidianos (reenquadramento), o que o conduz a permitir-se entrar em estados naturais de absorção em suas fantasias, devaneios e conseqüentes julgamentos e reavaliações.

Os eventuais processos regressivos não são deliberadamente induzidos, porém ocorrem totalmente conscientes e espontaneamente na busca de referências passadas (em memória) que sejam associáveis à experiência presente.

Lembrando que, enquanto seres humanos, ao nascer, não recebemos um manual de instruções de como operar melhor o nosso “grande computador”: o cérebro e o corpo humanos, e nossos pais também não, esta tecnologia serve para adaptar e flexibilizar nossos hábitos na construção de maior bem estar e eficácia na forma de conduzir nossa vida.

Na prática, utilizamo-nos de cenários ou enredos nos quais as metáforas são construídas e apresentadas como ambientes para o apoio da mente consciente tão ávida de entendimento.

Simultaneamente, através das estruturas metafóricas, oferecemos outras alternativas à mente inconsciente para que ela possa percorrer outros caminhos de percepção e compreensão.

Ocasionalmente ocorrem seqüestros espontâneos da mente consciente que passa a experienciar alguns fenômenos hipnóticos comuns: regressão, distorção ou projeção temporal, ampliação ou redução do campo de percepção sensorial, agitação, hiperatividade, sonolência ou torpor que se aproximam e se afastam muito rapidamente, comoções emocionais e, principalmente, uma grande quantidade de “insights” aparentemente desordenados.

Os resultados do uso destas tecnologias em educação consistem em hiperestimular, ativar e reintegrar estilos de processamento cerebral dos hemisférios direito e esquerdo.

Não obstante, a melhor metáfora para diferenciá-las do processo terapêutico formal é imaginar as diferentes atitudes do terapeuta e do educador, caso se dispusessem a obter um copo de água limpa a partir de um com água suja: o terapeuta, possivelmente, elaboraria um complexo sistema de filtragem para retirar as impurezas daquela água (problemas), enquanto o educador, possivelmente, procuraria uma fonte com água limpa e, misturando com a antiga, após transbordar, atingiria os níveis de pureza adequados.

Sobre o Autor

Como Arquiteto do Aprendizado, construí um sistema de estudo e aprendizagem no qual gostaria de ter estudado. Não tive, na época que aprendia inglês, as motivações daquelas pessoas que utilizaram intuitivamente essas “ferramentas” apresentadas nesse sistema.

Curiosamente, observa-se que atores e músicos possuem maior facilidade para tais aprendizagens. Essas percepções somente ganharam sentido quando estava construindo esse método, pois pouco antes havia iniciado o estudo de música.

Se incluirmos as habilidades de um ator, sua flexibilidade emocional e comportamental, então poderemos chegar à conclusão de que aprender idiomas é uma grande oportunidade de transformação interior.

Assim, fica mais fácil compreender a inclusão desses livros sobre aprendizagem de línguas no contexto desta coleção: são apenas mais um exemplo de flexibilidade, força e transformação interior. Além de desmistificar esse mercado de tão baixa efetividade de resultados para os interessados.

Conquistei grande parte dessas habilidades como estudioso da hipnose científica com vários mestres americanos. Foram oportunidades de múltiplo crescimento.