Entrevista com o Prof. Walther Hermann sobre a temática da inteligência emocional.

Data de Publicação: 23 de Novembro de 2014

IDPH: Walther, como você se envolveu com este trabalho de Inteligência Emocional?

Walther Hermann: Minhas primeiras experiências com a inteligência emocional aconteceram na minha adolescência em competições esportivas, quando notei que meu desempenho era miseravelmente baixo! Minha modalidade era individual: o Tênis. Tecnicamente e em termos de condições físicas eu superava muitos atletas em treinamento e perdia dos mesmos em competição. Concluí que era um analfabeto emocional. Evidentemente nem existia essa linguagem na época, mas concluí então que precisava de outros recursos.

Não havia cultura de fazer terapia em minha família, então contentei-me com ler livros e exercitar suas sugestões. O clássico na época, ainda um best seller, era "O Poder do Subconsciente" de Joseph Murphy. De fato, essa foi a minha entrada na auto-hipnose quando tinha 15 ou 16 anos.

Posteriormente minha vida me levou a abandonar as técnicas da hipnose clássica, pois notei que tinham algumas limitações e efeitos colaterais.

Bem mais tarde, aos 30 anos, conheci a PNL e a Hipnose Ericksoniana... Essas me reavivaram a curiosidade, o interesse e a paixão. Dediquei-me a elas de corpo e alma até tornar-me profissional da área. Elas me levaram ainda a várias outras preciosidades de nosso tempo. Resta a pergunta, qual é a relação delas com a Inteligência Emocional?

Bem, a Inteligência Emocional trata dos seguintes temas: autoconsciência, autogerenciamento e autocontrole emocional, motivação, sensibilidade, percepção do ambiente e de outras pessoas, gerenciamento do ambiente, de relacionamentos e de outras pessoas (solução de problemas e de conflitos, tanto interiores quanto interpessoais. Porém o modelo da I.E. não tem suficientes métodos e ferramentas para fazer mudanças, exceto a tomada de consciência das condições nas quais nos encontramos. A PNL, a Neurossemântica, a Hipnose Ericksoniana e a Pós-Ericksoniana e várias abordagens similares tem técnicas específicas e efetivas para fazermos mudanças, expandir a consciência e aprender novas estratégias para obter os benefícios de amadurecer emocionalmente. Inteligência Emocional é apenas um dos benefícios dos métodos estudados em PNL, Neurossemântica e outros.

Enfim, maturidade e Inteligência Emocional tornou-se um subproduto de minhas buscas.

IDPH: Por que razão você lançou esse tema somente agora?

Walther Hermann: Bem, este tema esteve sempre presente em nossos trabalhos, porém de forma implícita: há muitas formas de tratarmos dos mesmos assuntos.

Antes de conhecer o trabalho do Michael Hall, Ph.D. eu sentia não ter um formato coerente para abordar especificamente a Inteligência Emocional. Agora que trouxemos esse workshop pronto sobre o assunto, senti que era hora de apresentar isso à nossa comunidade. Até então as abordagens eram indiretas, dentro de uma classe mais ampla que inclui a Inteligência Emocional que é o desenvolvimento pessoal, o motivo da existência do IDPH.

O programa do workshop Acessando sua Genialidade Pessoal, nome original de nosso novo seminário sobre Inteligência Emocional, mostrou-me que poderia tratar especificamente do tema Inteligência Emocional com simplicidade e propriedade.

IDPH: Quais são os fundamentos científicos do que você faz?

Walther Hermann: O próprio modelo de Daniel Goleman sobre a Inteligência Emocional é considerado ciência atualmente.

Os principais fundamentos vem do estudo do comportamento, psicologia, neurociência, psicobiologia, ciência cognitiva e do estudo sistemático da consciência. A base científica da PNL está hoje dentro da Terapia Comportamental Cognitiva, cujas abordagens são muito semelhantes e que possuem sólida fundamentação científica.

Eu diria que mais do que científico, pois as teorias mudam, são fundamentos da percepção, demonstraveis de forma relativamente simples a quaisquer pessoas, afinal de contas estamos quase todos no mesmo barco no estágio evolutivo atual do cérebro e da consciência humana.

IDPH: Você tem algo publicado sobre esses assuntos?

Walther Hermann: Sim, além de vários artigos e textos disponíveis no portal do IDPH [http://www.idph.com.br/conteudos/artigos], tenho uma coleção de livros de bolso que trata do desenvolvimento pessoal, algo mais abrangente do que a Inteligência Emocional.

Há também um dos nossos sites temáticos somente sobre esse assunto no link http: //www.despertare.com.br e ainda vários vídeos curtos (de 7 a 14 minutos) para tratar de tais reflexões em http://www.solucoes.idph.com.br/conteudos.php#videos

IDPH: O que você gostaria de dizer para nossos leitores?

Walther Hermann: Em nosso mundo ocidental, frequentemente não aprendemos como viver melhor.

Pense em tudo o que estudamos nas escolas, raramente você encontrará uma escola que contemple as seguintes disciplinas do bem viver: planejamento, vendas, negociação, solução de conflitos, boa comunicação, discernimento, como memorizar os conteúdos, como aprender melhor, criatividade, paciência, gerenciamento de emoções, reconhecimento e gestão de sintomas, arte, desenvolvimento de nossos talentos e inteligências, etc.

Dá-se tanta importância às informações, aos conteúdos escolares, e, no entanto, o que mais precisamos para viver bem, não é apresentado. Aprendemos isso na cultura de nossa família ou descobrimos isso na tentativa e erro ao longo da vida.

Algumas pessoas descobrem isso tardiamente, depois de muito terem sofrido por nunca darem atenção às competências do sucesso, como denomino aquelas que mencionei acima.

A boa notícia é que elas podem ser aprendidas e treinadas. Vou dar alguns exemplos: nunca fui bom aluno de português, nunca gostei de gramática ou literatura e, por muito tempo, fui péssimo em redação... Atualmente escrevo livros. Isso foi possível porque tive alguns bons professores que, tardiamente, me ensinaram a reconhecer o meu estilo de redação e a expressar minhas ideias de forma escrita. Outro exemplo: conheci poucas pessoas tão tímidas quanto eu, porém aprendi a me comunicar e hoje sou palestrante em eventos internacionais e treinador. Todas estas competências foram aprendidas, desenvolvidas e treinadas. Com estes recursos, superei muitos desafios e conquistei muitas habilidades que não eram talentos naturais.

Minha mensagem final é que, cada vez mais, temos a liberdade e a responsabilidade de escolhermos quem desejamos ser. Tenho três ou quatro clientes que já compartilharam comigo que poderiam estar na cadeia se tivessem cedido às influências do ambiente em que cresceram e se desenvolveram. Muitos de seus conhecidos e amigos de infância viraram criminosos. Eles escolheram viver uma vida digna dentro das expectativas sociais do que é um bom cidadão. Para isso buscaram os recursos necessários para ser quem desejavam ser. A Neurossemântica e a Programação Neurolinguística nos disponibilizam os recursos necessários para assumirmos responsabilidade pela vida que escolhermos ter, tirando-nos da condição de vítimas ou de impotência.

IDPH: O que as pessoas podem esperar de seu curso de inteligência emocional?

Walther Hermann: Elas podem esperar um curso que lhes de estratégias e técnicas da Neurossemântica que contribuam para o gerenciamento de emoções e mudanças de hábitos e vícios emocionais que as estejam atrapalhando em suas vidas.

Os princípios disso são simples: se existem pessoas que tem excelentes resultados na gestão de emoções e no relacionamento com pessoas, podemos aprender com elas. David Gordon, um eminente treinador de Programação Neurolinguística (de onde vem a Neurossemântica) reconhece que a maior contribuição da PNL foi a descoberta que a experiência subjetiva humana tem estrutura. Isso significa que há uma ordem e uma sequência de processos por trás dos nossos hábitos, estratégias e comportamentos e, portanto, podem ser estudados, entendidos, modelados e aprendidos.

Muitas pessoas pensam que são como são e não podem mudar. As grandes contribuições das ciências cognitivas e comportamentais é a comprovação que é possível, fácil e útil mudarmos aquilo que não nos ajuda - para isso existem técnicas eficazes e elegantes. Assim, parafraseando o criador da PNL, Richard Bandler: "Por que sermos quem somos se podemos ser muito melhores?".

Usando a analogia da Tecnologia da Informação, a Neurossemântica e a PNL se apresentam como o manual de instruções de como funcionamos mental e emocionalmente. Aprendendo isso, temos mais poder e controle sobre nossas reações humanas, nem sempre desejáveis.

Enfim, os participantes deste curso podem esperar aprender mais sobre si mesmos e desenvolver estratégias que lhes permitam amadurecer emocionalmente, lidar de forma mais inteligente com seus conflitos, gerenciar o estresse e administrar melhor suas emoções, tanto agradáveis quanto desagradáveis. Isso pode representar a diferença entre o sucesso e o fracasso em processos seletivos, relacionamentos profissionais, liderança, educação, etc. Deveria fazer parte da educação formal: conhecermos mais sobre o funcionamento emocional, para que fôssemos seres humanos mais eficientes e felizes.

IDPH: Esse curso é somente para iniciantes?

Walther Hermann: Não. Enquanto uma abordagem cognitiva e comportamental, ele serve para qualquer pessoa que deseje enriquecer sua inteligência emocional ou administrar melhor suas ansiedades, angústias, medos, emoções e sentimentos que possam lhes impulsionar pela vida ou refreá-los.

Evidentemente, como um programa de apenas três dias, teremos tempo apenas para aprender as técnicas, exercitá-las e colher os seus benefícios. Não haverá tempo para um estudo profundo da ciência que embasa os métodos, embora sejam um tanto intuitivos. Se alguém desejar se aprofundar no assunto, deverá buscar treinamentos mais extensos.

Não obstante, é uma excelente forma de começar nessas abordagens e avaliar sua efetividade.

IDPH: Qual é o diferencial deste programa?

Walther Hermann: Bem, a Inteligência Emocional é um modelo de compreensão de uma fase do desenvolvimento psicológico humano. Uma grande parte das pessoas bem sucedidas tem altos coeficientes de Inteligência Emocional (Q.E.). Eles medem de algum forma a habilidade que as pessoas de viverem bem consigo mesmas (Inteligência Intrapessoal) e com outras pessoas (Inteligência Interpessoal).

Entretanto, os livros sobre o assunto não disponibilizam grandes quantidades de experiências, vivências ou instruções a respeito de como podemos desenvolver tais inteligências.

A Neurossemântica e a PNL possuem esse repertório de métodos que nos permitem projetar exercícios e simulações nos quais os participantes são refletidos e, portanto, tem condições de identificar suas limitações e desenvolvê-las. Além disso, parte dessas competências emocionais são estratégias mais complexas que também podem ser aprendidas e refinadas.

Ao abordarmos o tema da Inteligência Emocional com as bases técnicas e teóricas da Neurossemântica temos a oportunidade de enriquecer tal conhecimento com vivências a ponto de favorecer o processo acelerado de desenvolvimento emocional e o amadurecimento psicológico, comparando-se com a vida normal em que nem sempre as pessoas estão suficientemente atentas às experiências para extrair delas bons ensinamentos.

IDPH: O que você quer dizer com competências emocionais?

Walther Hermann: Competências emocionais incluem uma série interessante de recursos de comportamento que enriquecem nosso repertório de qualidades humanas.

Costumo perguntar em minhas palestras e cursos: ?Quem considera criatividade importante para a vida neste século??. Obtenho uma quantidade significativa de respostas afirmativamente. Depois pergunto sobre outras competências emocionais: concentração, discernimento, sensibilidade, boa percepção, poder de tomada de decisão, boa comunicação, empatia, planejamento, entre muitas... Continuo obtendo respostas positivas.

Surpreendentemente, quase nenhuma dessas competências que levam alguém ao sucesso em sua vida e carreira, é ensinada na escola. Nosso modelo educacional contempla predominantemente os conteúdos escolares em vez das competências emocionais e cognitivas necessárias para o bem viver! A educação tradicional é apenas informativa. Admite-se que a formação emocional venha do lar. Quando um indivíduo não tem suficientes estímulos mentais, emocionais e intelectuais na família, ele fica inferiorizado em relação a outros que tiveram, já que a escola não trata desses assuntos.

Sua opção é buscá-las naquilo que denomino Educação Complementar. Nós tratamos desses assuntos que poderíamos também chamar das competências da liderança, isto é, aquelas que tornam as pessoas mais aptas a escalarem a pirâmide profissional e social.

IDPH: Walther, obrigado pelo seu tempo!

Walther Hermann: Eu é que agradeço essa oportunidade de tratar desses assuntos num site visitado por profissionais de Tecnologia da Informação.

Meus estudos tratam de tecnologias e softwares humanos. Portanto é uma honra poder compartilhar isso com profissionais de Tecnologia da Informação.

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