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Transformando-se: Saúde e Bem-Estar

 

Fases da Vida

© Walther Hermann Kerth

Um dos meus mestres contou-me uma história que ilustra de forma elegante como podemos compreender a sucessão de fases de nossas vidas e lidarmos com mais serenidade com as experiências de cada etapa.

Era sobre um amigo seu, norteamericano, também cientista do comportamento. Era divorciado há alguns anos. Na época, ele se relacionava já há algum tempo com uma moça pela qual se apaixonara.

Como terapeuta, observava em seu consultório que grande parte de seus clientes divorciados, ao se casarem novamente, acabavam vivendo dramas semelhantes aos que os levaram às separações anteriores. Apesar da terapia, em alguns casos, parecia que só tinham trocado "a carteira de identidade" dos novos companheiros, pois os dramas e dificuldades de relacionamento permaneciam, apesar de terem escolhido novos pares.

Tais padrões de comportamento, cedo ou tarde, condenavam uma nova relação, conduzindo-a a um antigo problema, mais um impasse e uma nova separação.

O terapeuta tinha consciência de que também contribuíra para o fracasso de seu primeiro casamento. Em parte, por isso, tinha medo de, ao casar-se novamente, repetir os mesmos erros. Seu receio equilibrava seu interesse de casar-se novamente com sua namorada, embora o relacionamento atual já estivesse suficientemente maduro para isso. Não desejava enfrentar uma nova separação.

Tendo compartilhado seu dilema com alguns amigos dispostos a convencê-lo a arriscar-se novamente, certa vez, um desses, convidou-o para uma festa. Na ocasião, durante a reunião, o anfitrião mostrou-lhe, entre os presentes, um casal que já comemorara bodas de trinta e cinco anos - um relacionamento e casamento de muita harmonia.

Interessado e curioso a respeito dos segredos de tal conquista, aguardou ansiosamente uma oportunidade de se aproximar deles e conhecer o casal ou, pelo menos, um dos dois, para descobrir a receita do sucesso.

Quando surgiu a oportunidade, aproximou-se no momento em que a senhora do casal fora se servir à mesa, ao afastar-se do marido. Iniciou uma conversa, apresentou-se e contou-lhe sua curiosidade.

Quando aquela senhora ouviu que, supostamente, estava casada havia trinta e cinco anos com o mesmo homem, franziu a testa e negou: "Não, não, não. Deve haver algum engano... Em todos estes anos eu tive cinco maridos!".

Desconcertado e surpreso, tentou desculpar-se pelo mal-entendido, enquanto a senhora, sem perder o ritmo e mantendo a elegância, começou a contar-lhe, como fora sua vida:

"O meu primeiro marido era muito divertido e companheiro... Éramos jovens, apaixonados, ele me trazia flores, passeávamos muito, viajávamos...". Contou várias aventuras enquanto seus olhos brilhavam. Porém, após alguns episódios sua expressão facial foi mudando até, finalmente, dizer: "... Foi realmente uma época maravilhosa, até que nasceu meu primeiro filho. Então tudo mudou e... Meu marido me abandonou...".

Um pouco constrangido com a narrativa, o terapeuta não teve tempo de expressar sua decepção, pois a senhora prosseguiu:

"O meu segundo marido era um homem muito sério, estudava muito, passava horas e horas trancado em seu escritório, muitas noites nem sequer dormia... Eu aprendi a amá-lo e respeitá-lo. Aprendi muito com sua disciplina e determinação. Juntos nós conseguimos muitas realizações... Porém um dia, ele também foi embora...".

"Meu terceiro marido era um homem muito trabalhador, honesto e também muito reconhecido profissionalmente. Tinha muitos amigos e viajava muito. Eu tive que me desdobrar para dar conta de tantas atribuições que me sobravam enquanto ele estava fora. Nessa época, eu já tinha três filhos. Eu sempre dei o melhor de mim, mas um dia, este também partiu".

"Meu quarto marido era um homem muito famoso, muito sociável, vivíamos em jantares, festas, coquetéis e reuniões. Muitas vezes eu recebia convidados e personalidades públicas em casa para jantares e festas como esta aqui. Aprendi a conviver com ele e também a amá-lo muito. Era um homem muito distinto e elegante... Mas, ele também se foi!".

Aturdido, o cientista do comportamento, já desconfiado ao ouvir esta última parte da história sobre o seu quarto marido, teve plena certeza quando a senhora começou a contar sua vida com o seu quinto marido... Sim, o tempo todo, ela estivera falando da mesma pessoa.

Tivera "cinco maridos", porém apenas um casamento! Sabiamente, percebera que seu caminho se delineava a partir de uma sucessão de fases e papéis distintos de acordo com o momento da vida.

Cabe a nós identificá-los, aceitá-los e assumi-los ao percorrermos nossa jornada. É uma grande arte perceber e reconhecer, em cada etapa de nossas jornadas, o momento oportuno de aceitar as mudanças e deixar-se transformar, acompanhando o fluxo natural dos acontecimentos.

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