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Transformando-se: Relacionamentos

 

Justificativas

© Walther Hermann Kerth

Foi feita uma pesquisa em uma universidade americana na área de psicologia comportamental com as seguintes características (cenário): um jovem com material escolar em mãos mantinha-se próximo a uma máquina copiadora e, toda vez que a fila de pessoas que aguardavam a vez para tirar cópias atingia cinco candidatos, ele se aproximava do primeiro da fila e pedia para passar à sua frente.

Na primeira fase do experimento, esse pesquisador, que se identificava ficticiamente como estudante, pedia licença para "furar a fila", justificando que seu professor o enviara com urgência para fazer cópias, pois dependia desses materiais para uma atividade (quem sabe, uma prova). Nessa fase, obteve permissão para "furar a fila" em 70% dos casos.

Na segunda fase, pedia ao primeiro da fila o mesmo, mas não apresentava nenhuma justificativa. Apenas pedia: "Posso passar à sua frente?". Aqui obteve permissão em 40% das ocasiões. Se analisássemos a experiência apenas até aqui, provavelmente tirássemos algumas conclusões precipitadas.

Surpreendentemente, o resultado da terceira fase apresentou um fenômeno inesperado sobre nossas decisões, talvez ainda impensado: ao pedir para operar a máquina para o primeiro da fila, dava uma justificativa completamente absurda, como, por exemplo: "Deixe-me tirar essas cópias na sua frente porque hoje vai chover e os jacarés não poderão tomar sol". Impressionante: 70% das pessoas permitiram que o rapaz se antecipasse nas cópias.

Essa pesquisa parece revelar um hábito bastante comum em nossa cultura: o da aceitação dos porquês e o vício de se encontrar uma justificativa para tudo.

De fato, muitas vezes, pouco importa a precisão da análise ou o compromisso com a verdade: "Foi assim porque..."; "Foi aquilo por..."; "Será isso porque...". Como se realmente as relações causais no universo da experiência humana fossem assim simples. Poderíamos até perguntar: "Por quê...?".

Quando vivemos problemas de saúde que não são resolvidos pelas abordagens médicas tradicionais, torna-se fundamental lembrarmos que a própria ciência médica tem suas limitações. A história da humanidade tem mostrado isso e, a cada cinquenta anos, é possível olhar para o passado e dizer: "Como eram antiquados ou agressivos aqueles tratamentos!".

Da mesma forma, num futuro próximo, olharemos para trás e diremos o mesmo. Lembrando-nos disso, cada limite afirmado por um profissional de saúde deve ser entendido como um limite de sua abordagem, de seu conhecimento ou de sua época.

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