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Transformando-se: Relacionamentos

 

Manipulação

© Walther Hermann Kerth

Tive uma grande amiga que, por muitos anos, se queixava de não conseguir parar de fumar. Eu detesto cigarros, porém até providenciava a compra quando ela pedia, pois eu acreditava ser realmente difícil mudar esse hábito devido à dependência química.

Trato-me com homeopatia desde os oito anos de idade, uma época na qual essa medicina era uma prática completamente alternativa. Livrei-me de uma cirurgia de amígdalas graças a esse tratamento.

Naquela ocasião, levei minha amiga ao meu médico homeopata... E ele lhe receitou um medicamento que ela começou a tomar. Ao longo das duas semanas seguintes do tratamento ela começou a perceber que ficava enjoada cada vez que começava a fumar - o cigarro começou a ficar muito ruim. Ele a incomodava cada vez mais.

Nessa oportunidade, então, parou de tomar o medicamento!

Na primeira vez que tivera uma possibilidade real para se livrar da dependência química (sua desculpa para manter o hábito), não quis aproveitá-la. Talvez você considere frustrada minha intenção.

Eu a considerei um sucesso, pois ela parou de se iludir e reclamar do vício - assumiu que gostava desse hábito. A grande fantasia se dissolveu.

Em outra ocasião, outra amiga, muito sensível pediu-me uma sessão de hipnose para parar de fumar... O resultado foi semelhante, após a intervenção ela começou a se sentir muito mal cada vez que acendia um cigarro. Por três ou quatro dias não conseguiu fumar com prazer... Mas continuou insistindo, mesmo tendo náuseas e mal estar, até reverter o processo!

Não podemos fazer pelas pessoas aquilo que elas não querem realmente. Devemos compreender que as várias motivações de um indivíduo são frequentemente conflitantes e que, mesmo querendo algo em um nível, há outras razões para manterem determinados hábitos, vícios ou comportamentos. Portanto, talvez não devêssemos chamar de indivíduos, mas sim de "multivíduos"!

Numa outra oportunidade, tive uma namorada que se preocupava exageradamente com a possibilidade da proliferação do mosquito responsável pela transmissão da dengue.

De acordo com as orientações dos órgãos sanitários pela televisão, acreditava que a própria água do vaso sanitário poderia ser a residência das larvas desse inseto.

Começou a me pedir para não deixar a tampa do vaso sanitário aberta, e exigir que eu o fechasse sempre que o usasse. Por descuido ou por desatenção, esquecia-me muitas vezes de suas solicitações, pois ainda não tinha construído este novo hábito. Isso deu muita confusão e desentendimento em algumas vezes...

Enfim, aprendi a fechar a tampa da privada - mantenho este hábito até hoje, desde a década de 80!

Porém, no exato momento que memorizei o novo hábito, curiosamente ela passou a deixar a tampa aberta!

Os mecanismos de comportamento que desenvolvemos inconscientemente para gerenciar as tensões da vida cotidiana, muitas vezes, somente podem ser interpretados à luz de seus ganhos ou resultados. Por isso, os hábitos em si mesmos não são os problemas. O que conta, consciente ou inconscientemente, pode ser uma motivação para o controle ou poder sobre a vontade alheia. Quando conseguem, buscam outros elementos de controle.

Seria muito mais fácil se as pessoas não se influenciassem tanto pelo politicamente correto, elas parariam de enganar a si mesmas e aos outros. Frequentemente não estão dispostas a revelar a agenda oculta ou a assumir o que realmente querem, exceto quando as testamos.

Se você deseja resolver alguns dos motivos de conflitos com outras pessoas, examine com muito cuidado suas solicitações, vontades e exigências, poucas delas sobrevivem a um exame minucioso das verdadeiras motivações que nos impelem aos conflitos por bobagens.

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