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Transformando-se: Saúde e Bem-Estar

 

Medo I

© Walther Hermann Kerth

Desde crianças nos deparamos com o medo, frequentemente revestido da forma da timidez e, às vezes, misturado com a vergonha... Talvez ninguém nos tenha ensinado, vem a nós como se já estivesse instalado em nossa mente ou nosso coração.

Aprendemos desde cedo que o "medo" é um sentimento terrível e lemos em praticamente todos os livros que o medo dá origem a todas as sombras da humanidade: violência, abuso, rancor, etc.

No entanto, se admitirmos que existe uma grande sabedoria e inteligência que deu origem a tudo o que conhecemos, que alguns chamam de Deus [e eu prefiro chamar de Providência para retirar aquela ideia humana e passional atribuídas a Ele(a)], não seria compatível concluir que a Perfeição da Criação permitisse algum tipo de imperfeição...

Assim, qualquer deus imaginável não seria tão estúpido de criar o medo caso ele não tivesse uma função útil no processo de desenvolvimento dos seres.

Quando após décadas de reflexão sobre o assunto, buscando compreender a natureza desse sentimento tão familiar e presente em minha vida, eu finalmente concluí que haveria uma razão inteligente para a manifestação desse sentimento tão indesejado. E uma profunda introvisão transformou-me interiormente quando eu encontrei uma metáfora adequada para compreender o medo.

O medo é como a casca do ovo. Sem ela não é possível que o seu conteúdo dê origem a qualquer pintinho.

Quando o ovo fecundado é chocado, dentro dele se desenvolve num tempo adequado um novo ser. Se a casca é quebrada antes da hora, o pintinho não sobreviverá. Se, no entanto, o tempo devido for esperado, o pintinho desenvolve-se normalmente em segurança fazendo uso do alimento necessário e suficiente disponível na gema do ovo.

Ao atingir o tamanho conveniente ele quebrará a casca do ovo para viver livre no mundo. Porém, enquanto seu organismo não tem integridade para sobreviver, a casca é a sua proteção. Se ele não quebrar a casca no momento oportuno, então a própria casca o asfixiará e ele não sobreviverá.

Portanto, o medo também tem a sua sábia função de nos proteger enquanto não estamos maduros o suficiente, preservando nossa integridade emocional e psicológica. Haverá um momento oportuno para também o deixarmos para trás, quando tivermos integridade interior para não utilizar mais tal "casca". O medo pode assim ser comparado a uma "membrana" emocional ou psicológica que protege nossa mente ou nossa "alma" de experiências desproporcionais.

Trabalhando com pessoas traumatizadas notamos que os traumas são congelamentos emocionais quando a experiência vivida não pode ser processada e "digerida". Em momentos futuros uma pessoa que carrega tais memórias, bem mais forte e madura, poderá voltar a tal memória de trauma, "digeri-la", reprocessá-la e apreender seu significado, elaborando sua compreensão e livrando-se da memória estressante.

Dessa forma, o mais dramático não é ter medo, mas sofrer com ele. Ou mesmo cultivar o medo de ter medo.

Do ponto de vista do equilíbrio e sobrevivência humanos, ter medo é extremamente saudável e, normalmente, nos predispõe a prestar mais atenção e ter mais cuidados com a nossa segurança física, emocional e psicológica.

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