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Transformando-se: Saúde e Bem-Estar

 

Onde está a loucura?

© Walther Hermann Kerth

Um dos mais revolucionários psiquiatras americanos, Carl Whitaker, demonstrou uma rara sabedoria ao receber uma família para uma seção de terapia dentro de um seminário que proferia para médicos, psicólogos, assistentes sociais e terapeutas. Nessa família havia um garoto esquizofrênico.

De comum acordo com os clientes e seu médico, um dos seus alunos no seminário, todos os membros dessa família foram trazidos para uma sessão real de terapia, que seria assistida pelos participantes do seminário - uma prática comum em treinamento de profissionais de saúde. Quando os membros da família entraram na sala de atendimento (uma arena rodeada de profissionais que estudavam com esse psiquiatra), o garoto estava completamente surtado e havia uma tremenda confusão instalada entre todos os membros: todos falavam ou gritavam ao mesmo tempo e ninguém se comunicava.

Estavam agitados a tal ponto que nem todos viram e cumprimentaram o médico antes de se sentarem em círculo nas cadeiras já posicionadas. Ainda permaneciam aos berros quando o psiquiatra começou a falar algumas palavras. Após algumas frases, Whitaker ficou e silêncio e, após alguns instantes, cochilou!

Passados alguns minutos, abriu os olhos. Disse mais algumas coisas e, novamente, adormeceu! Esse fato repetiu-se várias vezes ao longo da seção de intervenção terapêutica.

Gradualmente, durante o andamento da sessão, cada membro da família foi lentamente encontrando sua calma. Mesmo o garoto esquizofrênico se acamou (saiu do surto) e, ao final da seção, estavam todos conversando educadamente, cada um falava por sua vez, escutando e aceitando os pontos de vista uns dos outros.

Os profissionais que assistiam à demonstração estavam extremamente surpresos e curiosos com o ocorrido. Foi encerrado o atendimento, feitos os agradecimentos, despedida do médico e membros da família, etc., e os clientes saíram da sala. Whitaker mal teve tempo de respirar quando começou o "bombardeio" de perguntas, com grande alvoroço entre os presentes.

Diziam: "Mas nada foi feito tecnicamente... Como você conseguiu esse resultado?"; "Como você conseguiu acalmar aquelas pessoas?"; "Como retirou o garoto do surto sem nenhum medicamento?"; etc. Pacientemente, escutou as perguntas aguardando sua oportunidade de respondê-las com uma única sentença: "Em cada sistema (ambiente) existe espaço para apenas um louco".

De uma forma brilhante, Whitaker professava que, embora um determinado membro de um sistema familiar possa manifestar um mal qualquer, a família como um todo pode estar envolvida no distúrbio ou ser corresponsável pelo problema. Seu único trabalho enquanto terapeuta, nesse caso, foi parecer mais louco que o garoto, fazendo algo completamente inesperado. Mesmo porque, as crises do menino já eram conhecidas e esperadas.

Portanto, num modelo de terapia familiar ou sistêmica, se um membro de uma família adoece, em grande parte dos casos todos os membros estão envolvidos. Igualmente, mesmo que um órgão esteja doente em um indivíduo, "sua vida está doente"! Segundo Bert Hellinger, divulgador do método das Constelações Familiares, outro grande expoente da Psicoterapia Sistêmica, grande parte das vezes a origem dos problemas familiares estão naquelas pessoas que nunca imaginaríamos, por parecerem as mais equilibradas ou inocentes - isso entretanto, não deve nos levar a procurar culpados, mas sim, corresponsáveis - já que os sintomas são sinais de tensão ou desequilíbrio nas relações.

Naturalmente, sob esse ponto de vista mais amplo, os porquês ou razões nem sempre podem ser encontrados com facilidade. Nem mesmo é possível identificar culpados, pois frequentemente o desequilíbrio vem de hábitos de comportamento aprendidos ao longo de gerações, constituídos por razões de sobrevivência dos clãs familiares.

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