Desenvolvimento Pessoal

Por Walther Hermann

Data de Publicação: 03 de Março de 2013

O Portal IDPH junto com os sites temáticos sobre o desenvolvimento de competências é, a partir de agora, apresentado numa nova versão, mais moderna e com os conteúdos melhor estruturados. Para tratar do assunto iniciaremos esta seção de artigos e textos com uma reflexão sobre o que chamamos de Desenvolvimento Pessoal.

A primeira distinção a ser feita é entre "desenvolvimento" e "treinamento".

Os processos de "treinamento" estão normalmente associados à aquisição de habilidades e competências geralmente que supõem um processo de condicionamento de procedimentos com objetivos e tarefas específicas, tais como: falar um novo idioma, aprender a fazer discursos, elaborar diagramas de informações, etc.

O "desenvolvimento", por outro lado, é um processo através do qual os indivíduos desenvolvem os seus potenciais e talentos com o objetivo de expressarem mais plenamente quem são em suas várias manifestações. Assim, "desenvolvimento" do ser humano está mais profundamente relacionado com o vir a manifestação da individualidade e do SER de cada um, enquanto o "treinamento" pode ser melhor compreendido como a conquista de PODER, a aquisição de habilidades e competências específicas.

Na civilização ocidental, ambos caminhos agregam valor.

Numa perspectiva mais ampla de compreensão da jornada evolutiva humana, assumindo que nosso destino humano esteja relacionado como aquilo que chamamos de APRENDIZADO, devemos ter em mente que ambos os processos se complementam ou se alternam ao longo de nossas vidas, dependendo das motivações mais profundas de cada um.

A história tradicional seguinte ilustra elegantemente o alcance desta reflexão...

OS ARTISTAS CHINESES E OS GREGOS

Os chineses e os gregos discutiam diante do Sultão qual deles era melhor pintor e, para decidir a disputa, o Sultão destinou uma casa para ser pintada por cada um.

Os chineses compraram todo tipo de tintas e coloriram sua casa do modo mais elaborado possível.

Os gregos, por seu lado, não usaram nenhuma cor, mas contentaram-se em limpar as paredes de sua casa de toda a sujeira e a lustrá-las até que estivessem limpas e brilhantes como os céus.

Quando as duas casas foram oferecidas para a inspeção do Sultão, a que fora pintada pelos chineses foi muito admirada; mas a casa grega ganhou o prêmio, pois todas as cores da outra casa refletiam-se nas suas paredes com uma infindável variedade de tons e matizes. (história retirada do livro Masnavi de Jalaluddin Rumi, poeta persa do século XIII, Edições Dervish, Instituto Tarika, Rio de Janeiro - RJ).

Esforçando-me para não explicá-la, utilizo esta pequena história para ilustrar a distinção entre "treinamento" e "desenvolvimento", comparando a iniciativa dos pintores ao processo de aquisição de competências em treinamentos enquanto o empreendimento de limpeza assemelha-se ao desenvolvimento da sensibilidade e da percepção.

Podemos perguntar, por onde começamos? É melhor pintar primeiramente as paredes e, posteriormente, limpá-las? Ou seria mais apropriado mantê-las limpas e brilhantes? Pintando-as ou não... A resposta para tais perguntas depende dos objetivos almejados e do estágio de maturidade do indivíduo que as faz.

Quando não temos experiência alguma, no início da jornada, certamente as cores, os adornos, as qualificações e habilidades são o melhor ponto de partida em nossa cultura. Quando as tivermos em quantidade e pudermos escolher quais nos proporcionaram melhores sentimentos será a hora de nos desvencilharmos delas todas!

Enfim, os ciclos da vida parecem mostrar que ora buscamos mais competências e ora nos esforçamos para abandoná-las, às vezes sentimos a sede do conhecimento para depois nos dedicarmos a nos livrar dos preconceitos e superstições que os acompanham... Observando aquelas pessoas a quem atribuimos grande sabedoria, descobriremos que os dois processos se alternam ao longo da vida em que depuram e refinam suas essências.

Nos próximos vídeos de Marshall Rosenberg, pai da Comunicação Não Violenta, podemos compreender a reflexão acima a partir de uma outra perspectiva, que confronta nossos condicionamentos ancestrais de julgar outras pessoas com formas humanizadas de enfrentar conflitos e negociar como seres humanos maduros.

»» Retornar ao índice