Psicologia do Espaço Mental

por Lucas Derks

A mente é um simulador de realidade, que nos permite navegar em nosso mundo. Nós mesmos construímos nosso software mental ‘em movimento’, ao generalizarmos continuamente as nossas experiências em esquemas e imagens simplicadas, que irão funcionar em grande parte nos bastidores da nossa percepção como um pano de fundo. Enquanto isto, a nossa consciência se ocupa com imprevistos, erros e ambiguidades.

Nossa mente nos permite progredir, mas apenas quando ela mostra claramente o nosso meio ambiente com uma precisão suficiente, caso contrário ficamos perdidos, presos e desorientados.

Uma vez que tudo – qualquer brinquedo, nuvem, estrela, carro, buraco negro, pessoa, pedra ou criatura – que existem no universo estão localizados em algum lugar no espaço físico, esta natureza tridimensional de todas as coisas, deve ser necessariamente refletida como a característica principal dos nossos modelos mentais do mundo – para que tenham alguma utilidade.

Não se preocupe. É nosso dever criar um espaço interno no mundo desde o início: uma vez que o útero é tridimensional, o nosso corpo é 3D, as estruturas neurológicas que conectam tudo são 3D e o próprio cérebro tem, ele mesmo, tal característica. Assim, desde o início, o desenvolvimento cognitivo é “espacial” o tempo todo.

Psicologia do Espaço Mental estuda e as consequências futuras para a psicologia, educação e saúde mental.

Na história da nossa ciência, apenas um punhado de psicólogos (William James, Kurt Lewin, Jacob Moreno, Julian Janes), reconheceram a importância do espaço na experiência, no entanto, a maioria dos outros passaram por cima deste fato – o que ocorreu de forma semelhante quando os primeiros físicos não deram a real importância para a gravidade.

Psicologia do Espaço Mental, foi desenvolvida ao longo dos últimos 15 anos de trabalhos clínicos e de experimentação laboratorial. Principalmente nas aplicações clínicas, como, na Terapia de Linha do Tempo, Constelações Familiares, Psicodrama, Panorama Neurossocial e Espaço Limpo, a promessa é que a Psicologia Cognitiva poderá dar um salto, se mais atenção for dada aos fenômenos dentro do espaço mental.

Em 2003, o Laboratório Internacional de Pesquisa Espaciais Mentais (ILMSR) foi fundado. Esta pequena iniciativa Europeia tem o compromisso de criar uma ponte entre as aplicações clínicas do Espaço Mental e a Psicologia Cognitiva, Psicologia Social, Sociologia e Politicologia.

A Sociedade de Psicologia do Espaço Mental, visa atender aqueles que têm interesse em usar o conhecimento que cresce rapidamente neste campo.

Espaço Mental: a lousa inconsciente da mente

Por que demorou tanto tempo até serem descobertos os fenômenos no espaço mental?

As principais razões são:

  1. Pessoas (psicólogos também), vivem dentro de uma paisagem 3D de representações mentais, mas estas funções estão em grande parte fora da consciência: é um assunto do inconsciente e é simplesmente esquecido por causa da sua natureza óbvia.
  2. Os instrumentos preferidos de pesquisa em Psicologia [teste, varredura cerebral (com diferentes métodos: tomografias, ressonâncias magnéticas, entre vários), biofeedback, observações do comportamento], não são adequados para explorar a imaginação tridimencional.

Por exemplo, um sujeito que é convidado a apontar, “onde, no espaço, você sente que está “o presente”, “o seu cônjuge” ou “o estado”, vai ter um senso intuitivo das respostas e pode apenas fazer um ligeiro gesto e olhar para locais relevantes. E ainda, eles podem ter muita certeza sobre onde estão estas áreas, e também podem sentir emoções intensas quando se sugere que eles movem tal imagem para um outro local.

Na psicoterapia moderna, cresce rapidamente um senso comum de que as imagens espaciais inconscientes são cruciais. O Terapeuta de Comportamento Cognitivo, o Hipnoterapeuta, Terapeuta da Imaginação, Programadores de Neurolinguística, os Terapeutas Sistêmicos, Consteladores Familiares e muitas tradições relacionadas, desenvolvem protocolos para a a recolocação espacial de imagens mentais. Alguns desses métodos são tão sistemáticos, que muitos pesquisadores poderiam aceitá-los como procedimentos experimentais, se eles soubessem da existência destes procedimentos. Os próprios terapeutas no entanto, olham principalmente para a eficácia dos seus métodos, e não olham tanto para os mecanismos psicológicos que suas terapias revelam enquanto atuam.

Psicologia do Espaço Mental como uma disciplina, vai avançar quando os psicólogos cognitivos experimentais (psicólogos sociais cognitivos) trocarem as suas experiências e conhecimentos com aqueles que tem a competência clínica.

Tanto o Laboratório Internacional para Pesquisas Espaços Mentais quanto a Sociedade de Psicologia do Espaço Mental, veem isto como suas prioridades.

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