Psicologia do Espaço Mental

Mental Space Psychology

Lucas Derks

O que é Psicologia do Espaço Mental?

Por Lucas Derks (Holanda)

Tradução

Psicologia do Espaço Mental (Mental Space Psychology – MSP) é um termo para pesquisa que estuda a cognição espacial humana em relação a intervenções psicoterapêuticas que compartilham o uso do espaço como seu princípio estruturador (Heemelaar, Koppelaar & Derks, 2012). A razão para explorar psicoterapias espaciais é que tais métodos parecem aumentar o efeito terapêutico. Isso se estende a tal ponto de alguns dizerem que, onde quer que o espaço seja incluído na psicoterapia, milagres acontecem (Lawley, 2014). Para um psicólogo de mente aberta isso oferece um desafio científico. Quando as intervenções espaciais têm impacto tão alto, eles devem apontar para princípios psicológicos ainda não completamente explorados.

A hipótese atual, que deriva de uma vasta gama de observações clínicas, é que o espaço deve ser o princípio organizador primário na mente. Em outras palavras, onde pensamentos/imagens/sentimentos/sons são projetados na esfera psicológica, em torno da pessoa, é o que mais determina o seu significado emocional. O maior desafio para a ciência é que espaço mental opera em grande parte fora da consciência: mas isso não o torna menos importante! Nos seres humanos, o poder organizador da linguagem vem muito depois do papel espaço. O fato de na maioria das psicologias, a linguagem valer mais do que todas as outras modalidades, na atenção dada a ela, conduziu o autor e seus colegas a finalmente tentar influenciar a balança a favor do espaço.

É importante mencionar que a Psicologia do Espaço Mental foi desenvolvida a partir da psicologia humanista, da psicologia cognitiva, uma gama de psicoterapias com ênfase em hipnoterapia, Programação Neurolinguística e Terapia Comportamental Cognitiva. Algumas ideias básicas decorrem da Linguística Cognitiva. Para começar a considerar os padrões encontrados na prática psicoterapêutica como uma fonte aceitável de dados científicos, ajudou trazer à luz alguns princípios psicológicos muito fundamentais.

Quando mencionamos intervenções espaciais em psicoterapia, referimo-nos ao que é praticado em uma ampla classe de métodos, que à primeira vista, não parecem estar muito relacionados. Para citar alguns: The Other Minds Eye (Sargent, 1999), o Método Feldenkrais (Feldenkrais, 1972), o Diálogo de Voz (Stone e Stone, 1980), PNL Espacialmente Ordenada (Dilts, 1986; Andreas e Andreas, 1988), Terapia da Linha do Tempo (James e Woodsmall, 1988), Espaço Limpo (Lawley e Tompkins, 2006), Constelações Familiares (Hellinger, Weber, 1996), Constelações Estruturais (Varga von Kibet e Sparrer, 2005), Manchas Cerebrais (Corrigan e Grand, 2013), Linha de Tempo (Hall e Bodenhammer, 2001), o Modelo Totalidade (Andreas, 2014), Metáforas de Movimento (Austin, 2010) e o Panorama Neuro Social (Derks, 1996). O que o leitor deve notar é que a maioria dos criadores, dos pesquisadores e dos praticantes dessas escolas quase nunca mencionam o uso do espaço mental como um princípio central.

Leia também o artigo de Lucas Derks sobre a Psicologia do Espaço Mental: clique aqui

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Artigo: Psicologia do Espaço Mental

Por Walther Hermann Kerth

Sinopse

A Psicologia do Espaço Mental é um desdobramento das pesquisas do psicólogo holandês Lucas Derks a partir de suas descobertas a respeito daquilo que denominou Panorama Neuro Social.

Trata-se de um modelo rápido, efetivo e elegante de explicação, intervenção e reformulação da estrutura da experiência subjetiva humana. Ele permite que um sujeito possa se apropriar, aprender e, portanto, assumir mais controle sobre os seus processos mentais e emocionais, antes experimentados como autônomos e de lento e difícil acesso, conforme acreditavam os primeiros psicólogos e estudiosos da mente humana.

Se lembrarmos da evolução da tecnologia e da engenharia, concluímos que hoje é possível fazer de formas muito mais rápidas, baratas e fáceis quase tudo que nossos antepassados faziam… Essa é a promessa que a Psicologia do Espaço Mental nos traz para lidarmos com a mente, as emoções, os sentimentos e o sofrimento humano.

Contexto

Os artistas, os cientistas e os filósofos parecem ser os líderes que mostram a direção das mudanças em nossa civilização, muito mais do que os líderes religiosos. No presente, incluem-se ainda como mensageiros os psicólogos, os grandes líderes das corporações e os atores, roteiristas e diretores de filmes.

No passado, tal atribuição pertencia aos líderes religiosos que frequentemente guiavam a humanidade em direção a algum tipo de conhecimento, além daquele acumulado no dia a dia, graças à necessidade de sobrevivência. Os religiosos, parte deles constituída também cientistas, artistas e filósofos, guardavam o conhecimento que se acumulava muito lentamente e pouco se transformava.

Entretanto, na atualidade, os líderes religiosos perderam parte de sua função, à medida que a experiência individual foi paulatinamente tornando-se mais e mais valorizada. Seja por serem apenas portadores de um certo tipo de conhecimento menos interessante para a mente atual, ou talvez por suas mitologias estarem desatualizadas e não incorporarem o conhecimento científico atual ou mesmo, quem sabe, porque muitos deles não tem as experiências próprias daquilo que propagam, expressando-se como papagaios.

Diferente dos anteriores, um religioso ou não, que tem experiências próprias vívidas de conexão espiritual, revelação, descoberta, êxtase ou solução de profundos dramas existenciais ou sintomas emocionais, psicológicos ou espirituais, esses facilmente mantém a condição de condutores de pessoas e comunidades através dos nossos tempos – são aqueles que se transformaram em líderes de comunidades por terem algo de real e experiência vivida para compartilharem que seja útil e compreendida pelos seus seguidores.

Estas pessoas de nosso convívio que possuem algo de significativo para compartilhar com os outros e tem o poder de despertar o interesse genuíno estão em todos os lugares, nos ambientes sociais e profissionais. Muitos deles mobilizam informalmente seguidores dentro das organizações. Quero acreditar que as organizações sejam, na atualidade, os maiores centros de desenvolvimento humano, nos quais as pessoas aprendem, amadurecem, enfrentam desafios, se relacionam e aprendem a conviver, casam, tem filhos, se separam, etc. É também onde elas passam a maior parte de suas vidas conscientes e onde elas expressam, frequentemente, o melhor e o pior de si mesmas, desenvolvendo talentos e refinando habilidades relacionais.

Peter Senge, um dos maiores líderes do conhecimento sobre processos de aprendizagem coletivos em organizações, menciona em seu livro Presença que muitos dos grandes líderes de organizações revelam experiências interiores não muito diferentes daquelas descritas por depoimentos de monges e mestres espirituais. Diante disso cabe questionar se parte dos mais influentes líderes religiosos do mundo atual não seja formada por visionários que atuam em organizações, em torno dos quais as pessoas se reunem, se desenvolvem, adquirem seu conhecimento e se elevam.

Lembro-me do comentário de um de meus clientes que mencionava que aquilo que eu ensinava sobre tomada de decisão e hierarquização de valores não era muito diferente dos métodos que aprendera na prática religiosa budista. Ele apenas notava diferenças na estrutura mais didática do que eu apresentava. Parece bobagem fazer tal comparação até nos lembrarmos de que não existe nada muito novo na maioria das técnicas comportamentais e de desenvolvimento de competências utilizadas em treinamentos corporativos…

Grande parte delas provêm de estudos de psicólogos e filósofos e seus modelos e métodos terapêuticos – são adaptações destes. Algumas destas técnicas, de fato, são facilmente encontradas nos ensinamentos e práticas de muitas tradições espirituais. Curiosamente, vários mestres espirituais investiram parte de seus esforços em usar e ensinar técnicas terapêuticas de grande poder, parte delas incorporadas às práticas de apresentação, desenvolvimento ou treinamento profissional.

Esse é o contexto dentro do qual imagino que a Psicologia do Espaço Mental esteja inserida hoje, trazendo para o grande público a possibilidade de tomarmos consciência de uma realidade humana antes experimentada apenas por alguns poucos iluminados, que talvez nem sequer tivessem métodos pedagógicos simples para revelar ou ensinar parte de sua genialidade, devido à ausência de uma consciência coletiva capaz de compreender ou reconhecer tal tipo de percepção e experiência.

Experiência pessoal

Acreditando ser um explorador curioso da realidade subjetiva humana, mais especificamente, dos nossos processos de aprendizagem, tenho buscado ao longo de mais de três décadas soluções para minhas dúvidas e anseios de mudança, sempre em direção ao que eu acredito ser aquilo que chamo de desenvolvimento do potencial humano.

Quero acreditar que seja possível nos elevarmos além da miserável condição de vítimas das circunstâncias e, gradualmente, tenho encontrado evidências de que não estou almejando uma tarefa impossível, um desafio fantasioso ou um beco sem saída.

Começarei compartilhando algo de minha história que possa esclarecer a minha linha de argumentação.

Quando adolescente mudei de escola no oitavo e último ano do ensino fundamental para um colégio tradicional de São Paulo, onde meus primos estudavam, com a finalidade de me adaptar à escola em que cursaria o ensino médio. Esta escola me prometia uma formação muito mais rica que me prepararia para o sucesso na escolha e aprovação em uma boa faculdade.

Durante o período educacional regular eu sempre tive facilidade para lidar com números, formas, lógica e ciências exatas. Lidava bem com a experiência concreta de um modo geral. Portanto fui um ótimo aluno de matemática, física, química, desenho, programação e informática. Minhas dificuldades estavam muito frequentemente nos conhecimentos abstratos sobre a natureza humana, tais como história, geografia, política, língua portuguesa, artes, entre os mais importantes. Naquela época eu não compreendia nem gostava destas disciplinas – decorar os assuntos não era nada motivante para a minha busca de sentido e prazer em aprender.

Pouco antes dessa mudança de escola em busca de melhor formação, eu já tinha aprendido datilografia (o mais parecido com isso na atualidade é a digitação, algo que ninguém mais paga um curso para aprender na atualidade – aprender a usar máquinas de escrever mecânicas ou elétricas).

Quando iniciei o período letivo na nova escola eu me preocupava muito com as demandas do estudo num colégio que era considerado muito mais forte e exigente do que escola pública da qual eu vinha, então me propus a fazer minhas tarefas escolares com dedicação e cuidado desde o início.

Nas aulas de desenho, um dos meus talentos já treinados, eu copiava os enunciados e fazia os exercícios em aula. Em casa, posteriormente, eu datilografava os textos e fazia os desenhos limpos e com cuidado para ter uma pasta que poderia ser confundida com um livro caseiro. Esta pasta, entretanto, ficava somente em casa, na aula eu usava folhas soltas para desenhar.

Num dia de prova de desenho, levei a pasta para a escola. Quando um de meus colegas, excelente aluno de história, geografia e língua portuguesa, viu aquele material, imediatamente me fez uma proposta: “Por quanto você me vende esta pasta?”. Aquilo foi realmente um choque! Tanto para os meus princípios como para mim.

Retruquei imediatamente: “Não faço isso para vender!”. Tentando me persuadir, ele compartilhou que era um mau aluno de desenho e que gostaria de ter um material daquela qualidade e clareza para poder estudar e compreender melhor a matéria, já que mal conseguia copiar as aulas ou entender os conceitos – talvez exatamente como eu nas disciplinas em que ele era aluno nota dez (história, geografia, português). Porém não houve argumento que me convencesse.

Ele insistiu o quanto pode, revelando o quanto eu me apegava às minhas convicções de que aquilo não era um trabalho que podia ou devia ser remunerado, muito menos ser feito para uma outra pessoa. Nunca mais esqueci este episódio – ele ainda permanece em minha lembrança, útil para eu reconhecer quão preconceituosa fora minha decisão daquela época. Preconceitos contra trabalho em equipe, valorização de meus talentos, dinheiro e poder de compra.

Nas organizações somos convidados a trabalhar em grupos, produzir em equipes, compartilhar conhecimentos… Contudo carregamos memórias mais fortes dos muitos vícios adquiridos e reforçados pelo ambiente competitivo e pouco colaborativo de grande parte da vida escolar.

Naquela ocasião eu tinha como modelo de adultos, predominantemente, pais e parentes funcionários públicos, cujas receitas provinham principalmente de salários. Sabemos que uma parte da carreira pública não tem relação alguma com talento ou produtividade. Há muitos funcionários públicos excelentes e honestos, conforme meus exemplos familiares, porém eles não eram diferenciados daqueles que não produziam, não eram honestos, não eram sérios. Frequentemente, em nosso país, os melhores e mais capazes são subordinados àqueles que usam sua inteligência para obter vantagens egoístas. Então, em minha compreensão, havia um precipício entre produzir algo e ser remunerado por isso!

Bem, essa memória vem e vai, ao longo dos anos em que aprendo a ser empresário, a valorizar meu trabalho, a comercializar meus produtos, a cobrar, a conquistar autonomia e destaque em minha vida profissional. São anos amadurecendo os aprendizados que começaram naquela situação com o colega que simplesmente criara uma oportunidade de ensinar-me algo de sua experiência. Por pertencer a uma família de empreendedores não tinha os mesmos preconceitos e acolhia a possibilidade de tornar a experiência de desenvolvimento compartilhada.

Essas memórias talvez não sejam muito diferentes do longo processo durante o qual nossa ciência vem gradualmente evoluindo e se tornando mais permeável a conhecimentos já explorados no passado da sabedoria humana. Refiro-me a tantas descobertas científicas da atualidade que simplesmente validam as intuições e a sabedoria popular de nossos ancestrais. Eu até diria que muitos conhecimentos populares deram origem à busca e à experimentação científica. Uma longa jornada em que trabalhamos arduamente para montar um quebra-cabeças gigantesco capaz de nos ensinar a viver no mundo atual.  

Ao proporem o modelo da Psicologia do Espaço Mental (Lucas Derks, que me iniciou neste conhecimento, junto com vários colegas e colaboradores estudiosos dos fenômenos da consciência e da mente humana), estes pesquisadores baseiam-se não somente em conhecimentos científicos anteriores, mas também em uma percepção treinada, o mais livre possível de preconceitos, apropriada para reconhecer cada detalhe da percepção e da realidade subjetiva humanas.

Embora não conheçamos ainda uma forma de estudar a experiência interior sem a própria mente e os filtros que a acompanham, temos nos deparado com descobertas muito úteis e interessantes sobre a dinâmica de nossas representações mentais e emocionais.

Artigo

As pesquisas e descobertas de Sigmund Freud trouxeram uma contribuição muito valiosa para a compreensão da mente humana ao demonstrar que uma parte significativa do comportamento humano tinha origem naquilo que denominou de inconsciente. Isto é, as pessoas não tinham controle absoluto sobre seus pensamentos e comportamentos. Para muitos pacientes, de fato, suas ações eram determinadas independentemente de suas vontades conscientes.

Parte das causas dos dramas humanos, para Freud, tinha origem em experiências pobremente organizadas de suas infâncias. Seus métodos, originalmente baseados nas práticas de Charcot, que retirara a Hipnose do campo das práticas místicas e mágicas, evoluiram para a Psicanálise, método de investigação e tratamento das motivações inconscientes que determinavam comportamentos humanos não funcionais.

De forma bem simplificada, as descobertas de Freud mostravam que a causalidade das interações humanas não era apenas horizontal, isto é, ação e reação simples. As reações humanas podiam ser acionadas por experiências no mundo real, porém eram determinadas pelos significados, emoções e sentimentos guardados de memórias antigas, que eram capazes de gerar reações contrárias àquelas que um sujeito desejaria expressar.

A Psicanálise de Freud, com todas as suas qualidades na época e todas as atualizações que recebeu nas décadas seguintes não foi suficiente para resolver todos os dramas humanos aos quais se propunha. O tempo necessário e o alcance das técnicas possibilitaram a muitos de seus praticantes identificar novos e mais poderosos métodos de transformação humanas. Não obstante, grande parte deles, bebeu desta fonte ocidental que abrira caminho para uma gigantesca área do conhecimento humano, a Psicologia Contemporânea e todas as ciências afins.

Ernest Rossi, matemático, psicobiólogo e hipnoterapeuta ítaloamericano, um dos professores que mais influenciaram meu trabalho, mencionou certa vez em um de seus treinamentos no Brasil, que ele dedicara-se a revisar o conteúdo de um de seus livros (Os Sonhos), no qual apresentara muito dos conhecimentos que aprendera com Carl G. Jung, um dos mais influentes psicanalistas do século XX, ex-colaborador de Freud.

Ao comparar os sete tipos de sonhos (tipos oníricos) que apresentara na primeira edição de seu livro, de acordo com o que aprendera com Jung, com seus registros de trabalho de décadas mais recentes, reconheceu que eles não eram suficientes para explicar seus trabalhos. Concluiu que precisava, na ocasião, de nove classes para representar os sonhos relatados por seus pacientes.

Diante desta destes fatos caberia a pergunta: “Ernest Rossi cometeu um engano em sua forma de raciocinar ou Carl Jung não foi capaz de apreender a riqueza da realidade que explorara antes?”. Bem, a resposta escolhida endossa os trabalhos de ambos… Quem sabe, em apenas 30 anos entre a revelação destas pesquisas, a psique coletiva humana tenha evoluído dois novos estágios de consciência que se mostravam no trabalho mais recente de Rossi.

Quando lemos livros e assistimos filmes que representam o passado mais distante de nossos ancestrais, nem sempre somos capazes de compreender suas realidades, pois as analisamos a partir de nossas experiências atuais.

Joseph Campbell, outros autor de profunda influência em minha forma de compreender nossa condição humana, afirma que aquilo que denominamos de amor, assim como o que concebemos, trata de uma experiência apenas vivida coletivamente a partir dos trovadores da idade média. Antes disso, seu significado baseava-se em experiências de fundo mais biológico do que emocional ou espiritual.

Talvez nossa história não seja capaz de revelar os estágios de consciência pelos quais passamos, desde o barbarismo do passado distante até o barbarismo dos dias atuais, muito mais camuflado e, no entanto, experimentado de forma completamente diversa no estágio de desenvolvimento da consciência atual.

Bem, em minha jornada, em seguida veio a Programação Neurolinguística. Uma dos mais úteis e versáteis modelos de compreensão da mente e da experiência humana da Era da Informação, completamente disponível para leigos. Um dos maiores méritos atribuído à PNL é a sua rapidez em obter resultados de mudança de comportamento e/ou atitudes e à sua aparente simplicidade, possibilitando que uma grande quantidade de pessoas possa se apropriar destes métodos.

As técnicas da PNL são rápidas, elegantes e efetivas frequentemente, possibilitando um aumento significativo de velocidade na obtenção de resultados terapêuticos ou de mudanças de atitude e comportamento. Rapidez maior do que aquela prometida pela Psicanálise.

De acordo com um colega, um das mais valiosas virtudes da PNL é a validação da experiência individual. Isso permite que seus praticantes reduzam ou eliminem a grande carga de culpa que coletivamente carregamos de nossas raízes religiosas, cuja mitologia, na compreensão de Joseph Campbell (da qual compartilho), é uma doutrina do exílio: fomos expulsos do Paraíso e Alguém teve que ser sacrificado para nos redimir.

Em minha percepção a PNL traz, quase que imperceptivelmente, outro tesouro tão valioso quanto a libertação de nossas culpas: a consciência de que nós não somos os nossos pensamentos e emoções. O uso e a prática da PNL parece nos aparelhar com um método sistemático de observação de nossas representações mentais e as reações provocadas por elas na forma de sensações, emoções e sentimentos em nosso corpo.

Quer estejamos visualizando, ouvindo ou mesmo sentindo em nosso mundo interior (experiência subjetiva), somos capazes de reconhecê-la e manipulá-la. Não somos a experiência! Esse distanciamento da realidade nos proporciona mais escolhas e nos mostra que somos algo diferente do que imaginávamos. Embora tal reflexão não seja comum para um praticante de PNL, ainda assim, sem tratar do assunto, todos os praticantes acabam por desenvolver tais estratégias. É como se um gigantesco mundo estivesse esperando por ser descoberto e, quando tomamos consciência dele, iluminamos nossa compreensão de uma nova parte da realidade humana.

Certamente muitas outras práticas religiosas e místicas já tinham demonstrado isso e muito mais, porém, coletivamente, talvez não tivessem alcançado o mesmo público.

Dando mais um passo adiante (ou atrás, levando em conta que parte destas descobertas ocidentais já estavam codificadas em doutrinas místicas e religiosas antigas, porém não disponíveis para o grande público), um dos estudantes de PNL e ciências do comportamento, Bert Hellinger, um habilidoso terapeuta com uma rica história de vida, propõe um novo modelo de terapia breve que denominou Constelações Familiares (na tradução mais apropriada para a língua portuguesa). Um método rápido, que se popularizou com grande velocidade, capaz de obter mudanças muito significativas numa grande quantidade de pessoas. Sua sabedoria e sua perspicácia transformaram as Constelações numa febre, em parte pela aura mística que pairam sobre seus ensinamentos, pelos métodos algumas vezes dramáticos e pelos resultados obtidos com muitos clientes.

Admite-se que o método das Constelações Familiares seja capaz de ir além do âmbito individual, possibilitando que a intervenção seja capaz de reformular a compreensão do clã familiar do indivíduo e, portanto, as relações entre os membros da família. Baseado nas Leis do Amor identificadas por Ivan Boszormenyi-Nagy, Hellinger desenvolveu um método de intervenção possível de ser colocado em prática diante de grandes grupos de pessoas, envolvendo-as como representantes dos membros das famílias dos seus clientes.

Sem dar muitas explicações sobre o processo através do qual coloca em ação o seu método, Hellinger nos trouxe de volta uma peça chave do quebra-cabeças que nos permite compreender a natureza humana: o indivíduo, no presente, é uma síntese criativa de suas memórias e significados junto com sua história ancestral que pode ter depositado na família uma série de hábitos de comportamento e convicções absorvidas sem questionamento em fases precoces do desenvolvimento.

Assim, parte da efetividade de sua abordagem pode se relacionar com o momento histórico que vivemos no qual a consciência dos vínculos familiares talvez tenha se enfraquecido. O método nos permite higienizar tais vínculos profundos entre membros de uma mesma família. Tudo isso parece, portanto, um passo adiante no que foi proposto pelas abordagens mencionadas anteriormente. De fato, uma parte dos métodos utilizados nas constelações podem ser, às vezes, reconhecidas em algumas técnicas da PNL, porém com objetivos e significados um pouco diferentes.

Retomando nossa reflexão, tudo se passa como se as constelações tivessem alcançado mais uma camada de consciência que antes fora imperceptível.

Ainda dentro da PNL, através do trabalho do holandês Lucas Derks, descortina-se mais uma dimensão de percepção que antes estivera invisível. Lucas Derks foi capaz de reconhecer um universo de percepções mais sutis que as representações mentais outrora desvendadas pela PNL: trata-se da dimensão das representações sociais de cada indivíduo. Através desse método, torna-se possível explicar grande parte da fenomenologia observada nas constelações e possibilita a apropriação dos dois métodos para intervenções individuais sem a necessidade de representantes.

O Panorama Social possui outras vantagens, além de um conjunto refinado, efetivo e completo de técnicas de intervenção nos padrões de pensamento de um indivíduo e é capaz de gerar resultados mensuráveis e duradouros num período de tempo bastante curto.

Tudo se passa como se, a cada nova abordagem, damos um passo a uma consciência mais expandida da realidade, o que nos permite solucionar problemas cada vez mais profunda e rapidamente. Não é raro ouvirmos comentários de clientes de sessões de PNL, Constelações Familiares ou Panorama Social que afirmam que conseguiram resultados mais surpreendentes em uma única sessão ou intervenção do que anos de terapia com métodos mais antigos. Aos poucos os cientistas do comportamento vão paulatinamente desvendando o que é realmente relevante nas técnicas de mudança e transformação humanas.

Bem, a história não acabou…

Além do Panorama Social, a partir das pesquisas de Lucas Derks, seus colegas e colaboradores, mais um passo foi dado nesta última década: a Psicologia do Espaço Mental.

Tal tecnologia nos traz ainda novas descobertas a respeito de como representamos em nossa mente as nossas experiências. Não apenas os pensamentos, não somente as pessoas, mas também tudo aquilo que somos capazes de experimentar como sintomas, emoções e sentimentos. Seja em representações simbólicas ou em percepções vagas de entes que ocupam nossa realidade interior.

A Psicologia do Espaço Mental tangibiliza em percepções as afirmações de xamãs que afirmavam em seus sonhos místicos que cada um de nós vive no centro do mundo, em torno do qual giram miríades de experiências. O que antes eram afirmações abstratas e pareciam ser representadas por uma linguagem indecifrável das pessoas hipersensíveis, gradualmente tornam-se conhecimentos que podem ser experimentados por qualquer pessoa que se disponha a aprender o que existe de mais moderno em termos de técnicas de exploração do universo interior humano. O curioso é que o mais moderno é, ao mesmo tempo, o mais antigo – a diferença está no fato de ser acessível a qualquer pessoa no presente, e não somente a pessoas consideradas talentosas ou acima do normal.

As pesquisas empreendidas atualmente neste campo prometem um novo e rico repertório de técnicas ainda mais surpreendentes para os próximos anos.

Conclusão

Assim como aquela experiência de ter a possibilidade de vender meus trabalhos de desenho na adolescência transformaram-se numa memória que influenciou grande parte de minhas buscas e minha vida, acredito que numa dimensão coletiva, as sementes do desenvolvimento da mente humana possa já estar plantada imperceptivelmente na nossa vida cotidiana. Vou dar alguns exemplos…

Vários cientistas compartilham suas descobertas a respeito das evidências de que o cérebro e a mente humana são muito mais poderosos do que somos capazes de sequer imaginar. Outros dão pistas de que estamos nos movendo em direção ao reconhecimento das profundas e invisíveis conexões que nos unem enquanto serem humanos, seres vivos, seres sociais.

Validando algumas crenças indígenas de que o sentido da visão humana é o mais ilusório daqueles que conhecemos, por nos dar a impressão que existe espaço vazio entre os indivíduos, penso que a Psicologia do Espaço Mental seja mais um sólido passo refletirmos a respeito da possibilidade de estarmos todos envolvidos num denso mar de representações mentais e emocionais, que aqui podemos chamar de pensamentos de uma forma grosseiramente simplificada.

Se isso tiver algo de real, pode ser que a Psicologia do Espaço Mental, tanto quando o Panorama Neuro Social foi para mim, seja um dos próximos passos que possamos dar coletivamente, nesse estágio, em direção a uma compreensão muito mais rica do momento evolutivo do qual participamos.

Assim, quero acreditar que muito mais do que um simples método elegante e econômico de intervenção terapêutica, a Psicologia do Espaço Mental abre a nossa consciência para mais um degrau da jornada evolutiva de aprendizagem de nossos cérebros e mentes.

Conheça também o trabalho de Lucas Derks sobre o Panorama Neurossocial, e você ainda pode ler gratuitamente dois capítulos do livro dele sobre esse tema: 

 

Livro publicado pela Editora IDPH
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