Para que usar mapas mentais?

Por Virgílio Vasconcelos Vilela

  1. Manter documentos e endereços de sites relacionados a um projeto ou objetivo em um único local, podendo abri-los ou acessá-los diretamente a partir desse local.
  2. Dispor de um resumo estruturado dos tópicos relevantes de um assunto ou artigo, para consulta e reativação rápidas
  3. Dispor de um método estruturado de estudo
  4. Facilitar a extração da essência de um conteúdo
  5. Melhorar a qualidade de um produto ou serviço por meio de uma lista de verificação (checklist)
  6. Pré-estruturar e reestruturar rapidamente um produto semântico
  7. Integrar conteúdo de várias fontes
  8. Integrar dinamicamente as ideias produzidas por um grupo
  9. Registrar de forma sintética um procedimento
  10. Dispor de uma ferramenta para brainstorm
  11. Dispor de recurso de apoio cognitivo em apresentações

Um recurso pode ser bonito, elegante e bem estruturado, mas se não tivermos o que fazer com ele, certamente não vamos nos interessar. Este artigo tem como ponto de partida os resultados que podem ser obtidos com mapas mentais, de forma que você possa saber se eles serão úteis para você.

A lista não é necessariamente final, e nunca será, já que você ou outro mapeador podem descobrir e inventar novas aplicações a qualquer momento.

Cada link a seguir contém uma aplicação de mapas mentais. Clicar em um link conduz a uma descrição de como o resultado pode ser concretizado com um mapa mental.

1) Manter documentos e endereços de sites relacionados a um projeto ou objetivo em um único local, podendo abri-los ou acessá-los diretamente a partir desse local.

Os melhores programas de mapas mentais dispôem do recurso de hyperlinks, de maneira análoga ao MS-Office: você cria o hyperlink e depois pode abri-lo quando quiser. No caso de mapas mentais, um hyperlink é inserido em um tópico e representado por um ícone. Assim você tem o texto do tópico e o ícone para identificar o hyperlink (figura).

Tendo o mapa mental estrutura de árvore, você pode criar categorias e detalhamentos. Por exemplo, você pode ter como tópicos organizadores “Docs” e “Sites”. Dentro deste você pode ter links para as home pages dos sites de interesse. Para cada tópico de home page, você pode ter subtópicos com hyperlinks para as páginas mais relevantes.

Manter links para o que é relevante para um objetivo em um único local é uma forma de manter o controle sobre o que já foi feito e ter boa produtividade no acesso, consulta e edição.

2) Dispor de um resumo estruturado dos tópicos relevantes de um assunto ou artigo, para consulta e reativação rápidas

Por vezes você consegue se lembrar de algo se tiver um pista para o algo, como no caso de lembrar de uma música que não quer vir: ao se lembrar do começo ou de um trecho, toda a música (ou pelo menos tudo que você sabe dela) é lembrado.

Um mapa mental pode servir como um sumário organizado de um conteúdo. Muitas vezes o conteúdo nos chega em formato discursivo, cheio de material sintático e portanto não significativo para uso daquele conteúdo, e possivelmente desorganizado, isto é, ideias relacionadas estão dispersas, distantes umas das outras. Um bom mapa mental de um assunto permite organizar o conteúdo e registrar palavras-chave que nos permitem recuperar o que sabemos em um formato melhor e mais apropriado para uso. Como exemplo, veja o mapa mental do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) clicando na figura abaixo..

Isso também pode ser feito em formato de texto estruturado, com tópicos sintéticos e itens; fazê-lo em um mapa mental permite acrescentar imagens que facilitam a memorização e a lembrança, além de proporcionar melhor estrutura visual, de forma semelhante ao que ocorre em uma planilha digital, cujas estrutura matricial, linhas e cores facilitam o reconhecimento da estrutura lógica do conteúdo.

3) Dispor de um método estruturado de estudo

4) Facilitar a extração da essência de um conteúdo

Há vários métodos de estudo, que em geral consistem de uma combinação de leitura, elaboração de perguntas, resolução de exercícios, elaboração de resumos e diagramas, aplicação de conteúdo a problemas e outras possibilidades.

A elaboração de um mapas mental pode ser usada como um passo interessante em uma estratégia de estudo, porque nos conduz a selecionar o que mais relevante em um conteúdo e representá-lo de forma sintética e organizada. Posteriormente o mapa mental poderá ser usado como recurso de revisão rápida.

Além de melhorar o rendimento do estudo pela síntese e organização, a elaboração de um mapa mental de um tema conduz também a maior convivência com o tema, que acaba sendo repassado várias vezes até que se esteja satisfeito com o produto.

5) Melhorar a qualidade de um produto ou serviço por meio de uma lista de verificação (checklist)

De vez em quando encontramos erros e defeitos em produtos, conforme o caso. Por exemplo, já os vimos em capa de vídeo, comerciais de televisão, e-mails formais, livros e documentos de projetos. Por vezes um “pequeno” esquecimento pode ser crítico, como no caso do cirurgião que operou o pé saudável ou esqueceu um instrumento no corpo do paciente.

Uma das soluções para esse problema é ter uma etapa de controle de qualidade ou uma simples atividade de revisão, que seja um último olhar geral. Uma forma de controlar isso é através de uma lista de verificação ou checklist, contendo os itens e aspectos a serem verificados, e checá-los um a um.

Mapas mentais podem ser usados para elaboração de checklists, seja com texto apenas ou com ilustrações para facilitar a lembrança dos itens a serem verificados. Em um mapa mental também é fácil criar categorias que reduzam o escopo de pensamento em um momento. Por exemplo, um checklist de faxina para aquela diarista que vive esquecendo coisas pode ser organizado em sala, quarto do casal, quarto do filho e assim por diante.

6) Pré-estruturar e reestruturar rapidamente um produto semântico

A estrutura semântica de um documento é vital para a qualidade do produto final e a produtividade de sua elaboração. Por exemplo, considere um plano de curso: sua estrutura é usada pelo professor não somente para documentar o curso; é usada para sua concepção. A estrutura guia o professor nas definições que tem que fazer: objetivos, conteúdo, recursos e tudo que é preciso para direcionar-se. Um plano de curso mal formado pode conter omissões ou ser confuso. A escola pode fornecer um modelo de plano, mas para atender suas necessidades e não as do professor, que então deve completar a estrutura de concepção.

Um outro caso é a redação de um livro. Acima da organização em partes, capítulos e seções, há a organização lógica das ideias: há dependências entre elas, o que impõe uma seqüência de apresentação e aprofundamento. Se as idéias para o livro ainda não estiverem totalmente aprofundadas, o autor pode descobrir lá pela metade do livro que tinha que ter mencionado uma ideia dois capítulos atrás, o que o obriga a reescrever boa parte do que vem depois. Ter antecipadamente a visão de todas as idéias envolvidas e suas relações garante que, quando a redação for feita, o nível lógico está estável e menos sujeito a mudanças de maior impacto, que tanto afetam a produtividade e comprometem prazos.

Mapas mentais permitem trabalhar com rapidez a estrutura semântica antes da redação. As idéias são inseridas de forma sintética em um mapa mental, com algum detalhamento na forma de subtópicos. Capítulos ou partes são representados como tópicos de nível superior. Se o autor estiver com dificuldades para manter a estrutura completa em sua mente, o mapa mental serve de apoio, além de permitir a visualização de todas as idéias em um mesmo campo visual, o que por sua vez permite enxergar melhor as relações entre as idéias e detectar anomalias estruturais enquanto é barato mudar. Mapas mentais tornam também fáceis as mudanças, que em software são feitas arrastando-se tópicos com o mouse, tornando possível uma completa reestruturação de centenas de idéias em minutos.

Outras aplicações nessa linha seriam a pré-estruturação do conteúdo de um site e planejamento de atividades. Alguns programas de mapas mentais possuem interface com o MS-Project, o que permite, se necessário, migrar rapidamente a estrutura e fazer o detalhamento e complementação subseqüentes do planejamento em ferramenta específica.

7) Integrar conteúdo de várias fontes

Uma tarefa potencialmente improdutiva de um autor é a integração de conteúdo de várias fontes. Para certos trabalhos, como dissertações e monografias, isso pode envolver dezenas de publicações. O desafio aqui é manter o controle do conteúdo, sabendo onde estão as informações e juntando idéias relacionadas de forma a permitir a filtragem e a identificação do que é relevante para os objetivos.

Um método usado pelos autores é o fichamento de cada fonte. Nesse caso ainda ocorre muita fragmentação, cujo tratamento requer ainda muita releitura, caso o autor não tenha uma memória prodigiosa.

Uma forma de integrar conteúdo de várias fontes com mapas mentais é mapear cada fonte individualmente e depois fazer um mapa mental maior que representará o conteúdo integrado. Se houver uma fonte principal, o processo pode ser acelerado mapeando-se essa fonte e depois apenas extraindo-se idéias relevantes das demais e inserindo-as no mapa mental da fonte principal.

Se o conteúdo fragmentado está em sua mente, você tem a opção de ir colocando cada fragmento de conhecimento em um mapa mental para depois, a partir da visualização conjunta de todos, procurar suas relações e trabalhar a integração.

8) Integrar dinamicamente as idéias produzidas por um grupo

Freqüentemente trabalhamos em grupo, seja na escola ou no trabalho, como no caso de reuniões estratégicas ou de trabalho e para trabalhos escolares. Para serem mais frutíferas, essas reuniões dependem de que as idéias produzidas sejam integradas em um plano ou incorporadas a especificações de um produto, por exemplo. Muitas vezes ideias são perdidas porque muda-se o assunto antes de registrar-se uma ideia, ou possivelmente alguém diz algo que nem é avaliado. Pode haver alguém que esteja fazendo o registro do que é produzido, o que requer uma integração posterior.

Pode-se melhorar o rendimento do trabalho em grupo usando-se um mapa mental como produto das atividades. Por exemplo, considere uma reunião para definir prioridades de obras, como para um município ou condomínio. O ponto de partida é uma lista pré-elaborada que alguém levantou. A lista seria inicialmente inserida no mapa mental. Idealmente haveria um computador no ambiente e o mapa mental estaria aberto em seu programa. Quando se chegasse a um consenso de que certa obra é prioritária, o tópico daquela obra seria movido para a primeira posição. Se for aprovada a sugestão de alguém de categorizar as obras em críticas, importantes e secundárias, o operador do programa criaria os tópicos correspondentes e a discussão passaria a definir quais obras encaixam-se em qual categoria. Após, seriam discutidas as prioridades dentro de cada categoria. Note que com um método de trabalho apoiado por uma ferramenta, o foco das discussões se torna comum, seja para convergência ou divergência.

9) Registrar de forma sintética um procedimento

Procedimentos são muito comuns, como por exemplo instruções para instalação e operação de aparelhos e procedimentos técnicos em empresas. Empresas em processos ISO de qualidade são inclusive obrigadas a manter seus procedimentos documentados e acessíveis. Mas, quando alguém vai aplicar tais procedimentos, as informações de que precisa são uma parte apenas do que está escrito, que inclui elementos não técnicos como autores do documento, outros envolvidos e elementos de diagramação.

Pode ocorrer que procedimentos documentados o sejam de uma forma não exatamente apropriada para serem usados. Quem aplica um procedimento não precisa saber quem elaborou o procedimento ou o documento, por exemplo; precisa saber o que deve ser feito, como fazê-lo, cuidados a tomar, coisas assim ligadas à prática. Também o formato adotado pode dificultar a aplicação: informações que devem ser consideradas juntas estão em locais diferentes ou informações requeridas para um determinado passo estão distantes da descrição da ação. Pessoas conhecedoras do procedimento não precisam de um documento para executá-lo; tais documentos são mais úteis para iniciantes. Dispondo de documentos muito discursivos ou semanticamente mal formados, o aprendiz terá o trabalho extra de reorganizar o conteúdo para poder pô-lo em prática.

Mapas mentais podem contribuir em tais cenários. Primeiro, registrar um procedimento em um mapa mental já induz naturalmente à filtragem, síntese e estruturação. No primeiro nível ficam os passos do procedimento e nos níveis inferiores os detalhes e conhecimentos requeridos. Mapas mentais de procedimentos mais complexos podem ter níveis agrupadores, para fases ou etapas. A pessoa que vai seguir os passos terá então uma seqüência natural de ações, com detalhes de uma ação no mesmo escopo (um ramo do mapa mental e terá um fluxo com começo, meio e fim ao invés de uma grande massa de informações desestruturadas.

Note que mapas mentais não constituem a essência dessa solução; a base é uma boa estruturação de conteúdo, “boa” significando voltada não para informação mas sim para ação. Mapas mentais no caso constituem uma boa opção para a elaboração e para a representação dessa estrutura e dos elementos a ela relacionados.

10) Dispor de uma ferramenta para brainstorm

Em um brainstorm, por ser este uma estratégia para produção de ídeias, é natural que haja grande quantidade de material a ser tratado, isto é, avaliado, classificado, filtrado e possivelmente planejado. Um brainstorm requer uma forma de registro das idéias – memória – para permitir posteriores recuperação e tratamento.

Um programa de mapas mentais pode ser usado como ferramenta de brainstorm, em particular aqueles que inserem tópicos mediante simples digitação, como o InteliMap e o MindMapper: digita-tecla Enter, digita-tecla Enter, digita-tecla Enter… Essa facilidade permite à ferramenta acompanhar melhor o ritmo por vezes frenético de fluxo das idéias.

Após a fase de geração das idéias, pode-se eliminar idéias removendo-se tópicos. Pode-se também organizar idéias, identificando-se por exemplo que uma ideia é detalhamento de outra e movendo-se o respectivo tópico para o seu pai. Se houver dúvidas sobre a qualidade de uma ideia, pode-se por uma borda no tópico correspondente para marcá-lo para avaliação posterior. E se não se quer jogar qualquer ideia fora, dentro do princípio de que pode-se provar que uma ideia é boa mas não o contrário, pode-se salvar o mapa mental original como histórico.

E se o brainstorm for em grupo, aplica-se o descrito acima sobre o uso de mapas mentais para integração.

11) Dispor de recurso de apoio cognitivo em apresentações

Audiências, como alunos em salas e público em auditórios, podem ter comportamentos e estados internos variados: enquanto alguns estão interessados e atentos, outros estão dispersos e “fora”. Pode ocorrer que uma pessoa perca um conceito importante, o que faz com que ela também se perca na compreensão do que vier depois. Também pode acontecer que uma pessoa esteja com sobrecarga de informação, o que também prejudicará seu acompanhamento posterior.

Um apresentador pode colaborar para essa situação usando um mapa mental como apoio visual para a audiência acompanhá-lo. Por exemplo, no início ele apresenta um mapa mental com o sumário do conteúdo. Quando vai abordar um tópico, ele mostra para a audiência onde está aquele tópico no mapa mental. Se quiser fazer uma revisão rápida, ele pode fazê-la com base no mapa mental. De fato, o mapa mental serve como um “mapa” análogo aos geográficos que permitem à pessoa situar-se no contexto do conteúdo. Na nossa experiência de professor e no papel de público, a didática apoiada por diagramas multiplica a capacidade de acompanhamento dos participantes.

O que vai servir de mapa de apoio cognitivo não precisa ser um mapa mental; o melhor diagrama é o que tem sua estrutura sintonizada com a estrutura do conteúdo. Se o assunto for anatomia do corpo humano, por exemplo, nada melhor do que uma figura que contenha os elementos essenciais sendo abordados, como desenhos esquemáticos dos órgãos.

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